Num artigo científico publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, uma equipa internacional de astrofísicos, incluindo cientistas da Universidade de Surrey, relata como descobriram um grupo de estrelas com características diferentes das suas vizinhas encontradas no Enxame Estelar Nuclear da Via Láctea.
Um enxame estelar nuclear é um aglomerado de estrelas muito denso e de alta luminosidade perto do centro de massa de uma galáxia. Geralmente encontram-se em galáxias de baixa massa onde os buracos negros supermassivos não estão presentes. E geralmente não existem em galáxias com buracos negros supermassivos. No entanto, algumas galáxias podem conter as duas categorias de objetos no núcleo galáctico, e a Via Láctea é um desses exemplos.
A equipa usou simulações de computador de alta resolução e de última geração para explicar como este grupo de estrelas pobres em metais e de rápida rotação veio a estar localizado no centro da nossa Galáxia.

Crédito: NASA, ESA, e Equipa do Legado Hubble (STScI/AURA); Reconhecimento: T. Do e A. Ghez (UCLA), e V. Bajaj (STScI)
Os seus cálculos descobriram que é provável que este grupo de estrelas seja um remanescente da migração de um enorme enxame estelar que se formou a alguns anos-luz de distância do centro da Via Láctea. Alternativamente, embora não seja tão provável quanto o cenário do enxame, a equipa também observou que o grupo de estrelas pode ter tido origem numa galáxia anã localizada a 320.000 anos-luz do Centro Galáctico.
Todas as evidências apontam para um evento de acreção que aconteceu há 3-5 mil milhões de anos, durante o qual um grande enxame migrou em direção ao centro da Via Láctea e foi perturbado pelas fortes forças de maré do Enxame Estelar Nuclear, região esta com uma densidade estelar alta. As estrelas do enxame foram depositadas na região e foram descobertas com base nas suas velocidades peculiares e baixo teor de metal.
A Dra. Alessia Gualandris, professora de física da Universidade de Surrey, acrescentou: “Esta descoberta pode ser a ‘arma fumegante’ de que a Via Láctea tem vindo a acumular enxames estelares de galáxias anãs ao longo da sua vida. O seu passado foi muito mais ativo do que pensávamos anteriormente.”
O Dr. Tuan Do, professor assistente da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), disse: “É notável como estas novas observações do Enxame Estelar Nuclear podem revelar tanto sobre a história de toda a Galáxia.”
O Dr. Manuel Arca-Sedda, do Instituto de Cálculo Astronómico, em Heidelberg, Alemanha, concluiu: “Uma estreita colaboração entre observadores e teóricos foi fundamental neste estudo. A combinação de novas observações requintadas com modelos de computador de última geração permitiu-nos descobrir o local de nascimento destas estrelas peculiares.”
// Universidade de Surrey (comunicado de imprensa)
// Artigo científico #1 (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico #1 (arXiv.org)
// Artigo científico #2 (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico #2 (arXiv.org)
Saiba mais:
Via Láctea:
Wikipedia
SEDS
População estelar do Centro Galáctico (Wikipedia)
Enxame Nuclear Estelar:
Wikipedia
CCVAlg – Astronomia Centro Ciência Viva do Algarve – Astronomia