Imagem da face não visível da Lua, a partir do local de aterragem do "lander" Chang'e 4, na região polar sul. O "lander" seguirá nessa mesma direção. Crédito: CNSA

China é a primeira nação a pousar no lado oculto da Lua

Um veículo lunar chinês pousou ontem, e pela primeira vez, no lado oculto da Lua. A missão Chang’e 4 aterrou e já enviou fotos do denominado “lado escuro” da Lua para o satélite Queqiao, que transmite as comunicações para os controladores na Terra.

Pequim está a investir milhares de milhões no seu programa espacial militar, na esperança de ter uma estação tripulada até 2022 e, eventualmente, enviar humanos à Lua.

A sonda lunar Chang’e 4 – com o nome da deusa da Lua na mitologia chinesa – foi lançada em dezembro a partir do centro de lançamentos Xichang. É a segunda missão chinesa a aterrar na Lua, seguida da missão do rover Yutu em 2013. Ao contrário da face visível da Lua, com muitas áreas planas, o lado oculto é montanhoso e acidentado.

O Chang’e 4 transporta seis instrumentos da China e quatro estrangeiros, incluindo estudos radioastronómicos de baixa frequência – com o objetivo de aproveitar a falta de interferência do lado oculto. O rover também vai realizar tetes de radiação e de minerais.

Nenhum “lander” ou rover tinham tocado a superfície lunar do lado oculto e este não é um feito tecnológico simples. Um dos grandes desafios é a comunicação, pois o módulo não tem uma linha de visão direta para os sinais chegarem à Terra. Como solução, a China lançou em maio o satélite Queqiao para órbita lunar, posicionando-o de modo a transmitir dados e comandos entre o Chang’e 4 e a Terra.


Foto do rover Chang’e 4, já a percorrer a superfície oculta da Lua.
Crédito: CNSA

Outro obstáculo extremo: durante a noite lunar – com a duração de 14 dias terrestres – as temperaturas caem para -173º C. Durante o dia lunar, também com a duração de 14 dias terrestres, as temperaturas atingem os 127º C. Os instrumentos do rover têm que suportar estas flutuações e o veículo tem que produzir energia suficiente para sustentá-lo durante a longa noite.

Além destas dificuldades, o Chang’e 4 foi enviado para a Bacia Aitken na região polar sul da Lua – conhecida pelo seu terreno complexo e escarpado.

O rover Yutu também ultrapassou estes desafios e, após alguns contratempos iniciais, estudou a superfície da Lua durante 31 meses. O seu sucesso deu um grande impulso ao programa espacial da China.

Pequim planeia enviar outro módulo lunar, Chang’e 5, ainda este ano, para recolher amostras e trazê-las para a Terra. É um dos planos ambiciosos da China, que incluem um foguetão reutilizável até 2021, um foguetão superpotente capaz de enviar cargas mais pesadas do que a NASA e a empresa privada SpaceX conseguem enviar, uma base lunar, uma estação espacial permanentemente tripulada e um rover marciano.

// (CNSA – comunicado de imprensa)

Saiba mais:

Chang’e 4:
Wikipedia

Chang’e-3/Yutu:
Chang’e 3 (Wikipedia)
Yutu (Wikipedia)

Lua:
Wikipedia

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