Opportunity descobre mini-crateras

Na Terra, quando pensamos em crateras, associamos logo a imagens de buracos no chão como o enorme Meteor Crater no Arizona, antigas características tão grandes e impossíveis de não descobrir, que marcam o local de uma catastrófica colisão com um asteróide ou cometa.

Mas as crateras também podem ser objectos pequenos, como as duas descobertas recentemente pelo rover Opportunity nas planícies de Meridiani em Marte. Ambas têm menos de 1 cm de profundidade e são claramente visíveis nas imagens tiradas pelas câmaras navigacionais do rover.

Imagem das duas crateras encontradas pela Opportunity.
Crédito: NASA/JPL

“Estas são as crateras mais pequenas já observadas por qualquer rover,” disse Matt Golombek, um cientista veterano no que diz respeito a Marte que trabalha no JPL da NASA. “Penso que a cratera mais pequena que vimos em Gusev (onde está o irmão gémeo da Opportunity, Spirit, actualmente a explorar o outro lado de Marte) tinha 40 centímetros de largura e encontrava-se numa depressão que tinha já sido coberta por areia e sedimentos.”

A maior das duas crateras descobertas pela Opportunity tem apenas metade deste tamanho, medindo 20 cm em diâmetro e 1 de profundidade. A mais pequena das duas mede 10 cm de tamanho e tem menos de 1 cm de profundidade. A Opportunity tirou fotografias das duas pequenas crateras com as suas câmaras de navegação (esquerda e direita), criando uma imagem estéreo que permitiu aos cientistas medir as suas distâncias e tamanhos.

No nosso planeta, não se encontram pequenas crateras porque são rapidamente cobertas por poeira, terra, ou outros detritos levados pela água ou pelo vento. Em Marte, as crateras são principalmente preenchidas por sedimentos levados pelo vento, embora no passado também pudessem ter sido tapadas por lava, gelo, ou água líquida.

“Dado que estas duas crateras ainda não foram cobertas por areia, embora estejam rodeadas por ondulações numa planície, poderão ser bastante recentes,” disse Golombek. “Claro, «recente» pode significar qualquer altura desde ontem até há 100 milhões de anos atrás.”

Ambas são crateras de impacto formadas ou por um objecto proveniente do espaço, grande o suficiente para ultrapassar a atmosfera marciana, ou por fragmentos rochosos ejectados de uma cratera maior que se formou quando algo colidiu com a superfície marciana.

“Agora que penso nisso,” acrescenta Golombek, “os três anteriores «landers» (a Pathfinder e as duas Viking) não observaram crateras com um tamanho tão pequeno. Estas são as crateras mais pequenas observadas até agora em Marte.”

Links:

Marte:
http://seds.lpl.arizona.edu/nineplanets/nineplanets/mars.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Mars

Rovers da NASA em Marte:
http://marsrovers.jpl.nasa.gov/home/index.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Mars_Exploration_Rover_Mission

Sobre Miguel Montes

Veja também

Hubble encontra pistas de um planeta de segunda geração

Dados de arquivo do Hubble revelaram indícios de um possível planeta de segunda geração no sistema da anã branca HS 0209+0832. A elevada abundância de nióbio sugere que o planeta se formou a partir de material expelido pela estrela durante a sua morte, em vez de ter nascido com ela, oferecendo pistas sobre uma possível segunda geração de sistemas planetários.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *