Renderização computacional do Swift. Crédito: NASA

Swift com uma missão explosiva

O observatório espacial mais rápido de sempre entrou em órbita este Sábado passado, com o objectivo de pesquisar o Universo em busca de violentas explosões celestes que os astrónomos acreditam que representem o grito de nascimento dos buracos negros.

A NASA lançou o observatório — de nome Swift devido à rapidez com que detecta e aponta — ao fim de algumas semanas de atraso devido a furacões e a problemas com o foguetão.

Swift, uma colaboração de 250 milhões de dólares entre a NASA, a Itália e Grã-Bretanha, deverá começar a sua pesquisa de explosões de raios-gama em Janeiro e esclarecer alguns dos mistérios que rodeiam estas explosões e buracos negros.

Os GRB’s são os eventos mais poderosos do Universo, excedidos em poder apenas pelo próprio Big Bang. Durando em média apenas alguns segundos, estas explosões aparecem do nada como raios de luz de uma lanterna e pensa-se que assinalem a formação de buracos negros. Os astrónomos teorizam que o colapso ou colisão de estrelas massivas é o que dá origem aos buracos negros — tão densos que nem a luz de lá pode escapar — e que a energia gravitacional resultante emite estes GRB’s, atravessando o tempo e o espaço.

“Pensamos, talvez, que estas explosões sejam o grito do nascimento de buracos negros, e estamos a vê-los por todo o Universo,” disse Neil Gehrels da NASA.

Uma única explosão de raios-gama liberta mais energia que o Sol durante toda a sua vida em todos os comprimentos de onda, afirma Gehrels.

Dito de outra maneira: “Se juntássemos todo o resto do Universo durante esse segundo, não seria tão brilhante quanto um GRB,” acrescenta o astrofísico John Nousek da Universidade Estatal da Pennsylvania.

Até agora, os astrónomos conseguiram identificar apenas uma dúzia destas explosões, tão perto quanto alguns milhões de anos-luz e tão longe quanto 12 mil milhões de anos-luz. Com o Swift, poderemos detectar duas explosões de raios-gama por semana a uma distância máxima de 15 mil milhões de anos, representando a primeira geração de estrelas, para um total de mais de 200 planeados para a missão de dois anos.

A sonda irá pesquisar um sexto do céu a um dado momento e assim ver um sexto de todos os GRB’s existentes. As observações irão ajudar os cientistas a aprender mais sobre os GRB’s, quantos existem e como se formam os buracos negros.

Assim que o Swift detectar um GRB, o observatório apontar-se-á sozinho para que os outros dois telescópios a bordo possam observar em raios-X, ultravioleta e luz óptica o objecto.

Este alinhamento demorará apenas um minuto, velocidade supersónica pelos padrões astronómicos. A velocidade é crucial porque uma vez que o breve GRB diminui de violência, o posterior resplendor é difícil de encontrar e apaga-se passado algumas horas ou por vezes semanas.

A notícia de um novo GRB e sua precisa localização será instantaneamente transmitida para os astrónomos de todo o mundo através do centro de controlo da missão em Penn State. Os observatórios terrestres poderão então apontar para o novo GRB e ajudar na sua análise.

O líder do projecto, Tim Gehringer, chama ao Swift o “roadrunner (aquela ave dos desenhos animados que faz “Bip-Bip”) do espaço, movendo-se de nascimento em nascimento à medida que avança o conhecimento da Humanidade sobre as mais violentas explosões do Universo.”

Os cientistas apontam que os satélites espiões militares excedem a rapidez do Swift. Na frente científica, no entanto, este rápido observatório não tem rival.

Até agora, 15 minutos era uma meta considerada “muito rápida” para um observatório espacial e sua equipa responder a um evento astronómico, disse Anne Kinney, directora da divisão Universo da NASA. O Swift está num nível totamente diferente de rapidez. “Um minuto, um minuto para alcançar consistentemente, sem depender de alguém que tem que receber uma chamada no seu telemóvel.”

O Telescópio Espacial Hubble, em contraste, demora horas, se não um dia inteiro ou dois para alinhar num dado objecto.

Depois de perseguir explosões de raios-gama durante um ano ou dois, o Swift irá expandir a sua área de estudos para outros eventos cósmicos rápidos.

Sobre Miguel Montes

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