Imagem da Via Láctea. Crédito: Serge Brunier

Idade mais precisa da Via Láctea

Uma nova estimativa da idade da nossa Via Láctea sugere que foi um membro original do Universo, tendo nascido o mais cedo possível.

O Universo tem aproximadamente 13.7 mil milhões de anos. Este número, depois de décadas de estimativas, algumas até bastante variadas, foi aperfeiçoado o ano passado com um erro de 200 milhões de anos. Os cientistas usaram observações espaciais de uma radiação de fundo de microondas que tinha sido libertada como um nevoeiro denso pouco depois da formação do Universo.

Esta radiação de fundo sugere também que as primeiras estrelas se formaram aproximadamente 200 milhões de anos depois do Big Bang, quando, de acordo com os teóricos, este “nevoeiro” se levantou.

Os astrónomos já sabiam que a Via Láctea se encontra entre as galáxias mais antigas. As novas observações sugerem que foi de facto uma das primeiras a ser “construída”. O estudo indica uma idade de 13.6 mil milhões de anos, mais ou menos 800 milhões de anos. Estudos mais aprofundados serão necessários para diminuir esta margem de erro.

Uma das chaves para gerar este novo número foi o conhecimento que as estrelas mais antigas se formaram quase inteiramente do hidrogénio. Viveram vidas curtas e explodiram violentamente, cuspindo novos e mais pesados elementos para as suas vizinhanças.

A nova idade estimada tem como base medições do elemento berílio em duas estrelas de um enxame globular chamado NGC 6397. A quantidade de Berílio, um dos elementos mais leves, aumenta com o tempo e serve como uma espécie de “relógio cósmico,” de acordo com a equipa liderada por Luca Pasquini do Observatório Europeu do Sul (ESO).

As estrelas pensa-se que tenham aproximadamente 13.4 mil milhões de anos. Os cientistas adicionaram a este valor um intervalo de cerca de 200 milhões de anos que dizem que demorou para as anteriores gerações de estrelas da Via Láctea se formarem, explodirem, e cultivarem a galáxia com os materiais necessários para formar os tipos de estrelas encontradas em NGC 6397.

As observações foram feitas com o VLT do ESO no Chile.

Previamente, três métodos foram usados para chegar a estimativas similares da idade com vários graus de precisão. De acordo com a NASA:

Registos radioactivos dos elementos Tório 232 e Urânio 238 de uma estrela põem a galáxia com uma idade de 14 mil milhões de anos, mais ou menos 2.4 mil milhões de anos. Examinações do ritmo de arrefecimento de corpos estelares chamados anãs brancas dão uma idade de 12.7 mil milhões de anos, mais ou menos 700 milhões de anos. E uma observação de quando as estrelas dentro de enxames deixam de brilhar na sua “sequência principal” primária dão a idade de 12.6 mil milhões de anos, mas variando entre 10.4 e 16 mil milhões de anos.

Sobre Miguel Montes

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