Eclipse solar de 12 de agosto: o que precisa de saber

Imagem, gerada por inteligência artificial, de uma criança a observar o eclipse do Sol de 12 de agosto e em segurança.
Crédito: ChatGPT/OpenAI

É já no próximo dia 12 de agosto que Portugal vai conseguir observar o seu melhor eclipse solar dos últimos 114 anos. Aqui ficam alguns dos aspetos mais importantes deste grande evento astronómico que não quererá perder.

Em primeiro lugar, o que é um eclipse solar?

Os eclipses solares ocorrem quando a Lua passa diretamente entre o Sol e a Terra, projetando uma estreita sombra sobre o nosso planeta. É fruto de uma coincidência cósmica – o Sol é 400 vezes maior que o nosso satélite natural e está 400 vezes mais longe. Isto significa que, para quem se encontra no local certo, a Lua cobre totalmente o Sol, revelando a sua atmosfera exterior, de nome coroa solar.

A geometria de um eclipse solar total (não à escala).
Crédito: Adaptado de uma imagem da Wikipedia

Durante um eclipse solar, especialmente perto da totalidade, é criado um momentâneo e invulgar crepúsculo, durante o qual as temperaturas descem, surgem sombras “esquisitas” em ângulos invulgares e alguns animais pensam que é hora de ir dormir.

Os eclipses são, historicamente, fenómenos estranhos que convenceram culturas antigas de que eram sinais do apocalipse ou mensagens dos deuses.

De onde é que poderá ser visto? E em Portugal?

O eclipse solar de 12 de agosto pode ser visto da maior parte da Europa, das regiões mais a norte da secção asiática da Rússia, em partes do norte de África, da Gronelândia, do Canadá e no Alasca.

Mas só os observadores localizados numa estreita faixa terrestre é que poderão observar o eclipse solar total (a zona a vermelho na imagem seguinte), que é quando a Lua tapa por completo o Sol – e estas zonas são: partes remotas do norte da Rússia, Gronelândia, Islândia, Espanha e, mais importante para nós, portugueses, uma pequeníssima parte do norte de Portugal.

Mapa que mostra onde será visível o eclipse solar de 12 de agosto de 2026. A faixa vermelha que atravessa a Gronelândia, a Islândia e Península Ibérica indica onde poderá ser observado um eclipse solar total. As curvas amarelas que atravessam o mapa mostram onde será visível um eclipse parcial, e as percentagens indicam a área máxima do Sol coberta pela Lua durante o eclipse ao longo dessas linhas.
Crédito: NASA

No nosso país, o eclipse será maioritariamente parcial, embora acima dos 90% de ocultação na superfície continental. Só será total numa pequena zona do norte do concelho de Bragança. Aqui fica uma tabela com as informações detalhadas para cada distrito:

DistritoOcultação (%)InícioMáximoFim
Açores77%17:3618:3719:34
Aveiro98%18:3519:3220:26
Beja94%18:4019:3720:29
Braga99%18:3419:3120:24
Braganca100%18:3419:3120:24
Castelo Branco97%18:3719:3420:26
Coimbra97%18:3619:3320:26
Évora95%18:3919:3620:28
Faro93%18:4219:3820:31
Guarda98%18:3619:3220:25
Leiria96%18:3719:3420:27
Lisboa95%18:3919:3620:29
Madeira78%18:4919:4620:39
Portalegre97%18:3819:3420:27
Porto98%18:3419:3220:25
Santarem96%18:3719:3520:29
Setubal94%18:3919:3620:29
Viana Do Castelo99%18:3319:3120:24
Vila Real99%18:3319:3120:25
Viseu98%18:3519:3220:25

Mapa do eclipse solar de 12 de agosto de 2026.
Crédito: David Cruz – Astromidnight; trajetória por Xavier M. Jubier

Como observar o eclipse? Que cuidados a ter?

Apesar do Sol ficar parcialmente obscurecido pela Lua (e totalmente no norte do concelho de Bragança), tal não quer dizer que se possa olhar para o eclipse sem proteção. É necessário utilizar sempre equipamento para proteger os olhos da luz solar. Não o fazer pode provocar danos irreversíveis nos olhos. Também não se deve observar com óculos de Sol nem com equipamentos sem um filtro solar adequado!

Os especialistas recomendam a utilização de óculos concebidos para a observação de eclipses, à venda, por exemplo, em lojas da especialidade ou até em farmácias. Alternativamente, também é possível observar o eclipse indiretamente através do método de projeção (com telescópio ou binóculos).

Quem quiser fotografar o eclipse também tem de ter cuidados para não “queimar” os sensores e equipamentos eletrónicos.

Imagem, gerada por inteligência artificial, de um grupo de crianças a observar um eclipse do Sol em segurança.
Crédito: criada com recurso a Google Gemini

Ações de observação

De norte a sul do país irão decorrer muitas ações de observação, dinamizadas por várias instituições e com recurso a vários métodos, incluindo telescópios com filtros solares.

Foi criado um website dedicado ao eclipse solar de 12 de agosto com muitas informações e recursos que poderá consultar em https://eclipse2026.pt .

O Centro Ciência Viva do Algarve e o Centro de Ciência Viva de Tavira também vão participar nestas ações, no âmbito do programa Ciência Viva no Verão 2026:

Na praia, em casa ou em férias, onde quer que se encontre, não deixe de olhar para o céu, e sempre em segurança!

Saiba mais:

Eclipse solar:
NASA
Wikipedia

Sol:
Wikipedia
Coroa solar (Wikipedia)

Lua:
Wikipedia

Ciência Viva no Verão:
Página principal

Sobre Miguel Montes

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