
Crédito: JAXA, Universidade de Tóquio, Instituto de Tecnologia de Chiba, Instituto de Ciência de Tóquio, AIST, Observatório de Paris, IAC
A missão principal da Hayabusa2 já faz parte do passado. A sonda espacial da JAXA (Japan Aerospace Exploration Agency), destinada à recolha de amostras de um asteroide, encontrou-se com Ryugu em junho de 2018. Estudou o asteroide durante 1,5 anos e recolheu uma amostra que foi enviada para a Terra em dezembro de 2020.
Após essa missão bem-sucedida, a Hayabusa2 foi enviada para visitar outros alvos, embora já não seja possível efetuar outra recolha de amostras. Está a caminho de visitar um pequeno asteroide chamado 1998 KY26, um NEO (“near-Earth Object”, português para objeto próximo da Terra) com apenas cerca de 11 metros de diâmetro. Mas, pelo caminho, passou perto de outro asteroide chamado Torifune (98943 Torifune).
Observações terrestres revelaram que Torifune é um asteroide próximo da Terra com cerca de 450 metros de diâmetro. Trata-se de um asteroide do tipo S, o que significa que é de natureza rochosa ou siliciosa. Estes são objetos de alta densidade que representam cerca de 17% da população de asteroides, tornando-os o segundo tipo mais comum, a seguir aos asteroides carbonáceos do tipo C.
A Hayabusa2 começou a observar Torifune em junho com o seu instrumento ONC-T (Optical Navigation Camera-Telescopic). A câmara ONC-T captou imagens diretas de Torifune a 20 de junho para fins de navegação.
Posteriormente, a 5 de julho, a Hayabusa2 passou a cerca de 800 metros do asteroide. Utilizou a câmara ONC-T para captar imagens de Torifune que revelaram detalhes sobre a sua superfície. Embora as observações terrestres tivessem mostrado que o asteroide era alongado, sugerindo a sua natureza de binário de contacto, só estas imagens o confirmaram. Nos binários de contacto, dois asteroides separados orbitavam um centro de massa comum até se aproximarem um do outro e se unirem. Os binários de contacto não são raros.
Cerca de uma hora antes da aproximação máxima, a Hayabusa2 também observou Torifune com os seus outros instrumentos: o NIRS3 (Near-Infrared Spectrometer), o TIR (Thermal InfraRed Imager) e o LIDAR (Light Detection and Ranging).
A Hayabusa2 viajava a grande velocidade durante esta passagem. A sua velocidade relativa era de 5 km/s, o que dificultou a navegação e a captura de imagens. Resta-lhe menos de metade do seu propulsor de xénon, o suficiente para alimentar os seus motores iónicos e alcançar Torifune e 1998 KY26, mas não o suficiente para quaisquer manobras adicionais.
O próximo marco da Hayabusa2 será em dezembro de 2027, quando passar pela Terra. Depois, em junho de 2028, passará novamente pela Terra. Isso vai preparar a sonda para o seu encontro com 1998 KY26 em julho de 2031.
A natureza exata de 1998 KY26 não é clara. Observações óticas e por radar sugerem que se trata de um asteroide rico em água e, uma vez que se sabe que gira rapidamente, é quase certo que seja um único bloco rochoso, em vez de um asteroide “pilha de detritos”. Também poderá ser um asteroide do tipo X, um termo genérico que engloba objetos que parecem semelhantes quando observados através de um telescópio, mas que são compostos por materiais diferentes.
Ainda não chegaram à Terra todos os dados da Hayabusa2 relativos à sua passagem por Torifune, pelo que estes são resultados preliminares. A JAXA divulgará mais informações num futuro próximo.
// JAXA (comunicado de imprensa)
// Universe Today
Saiba mais:
98943 Torifune:
Wikipedia
1998 KY26:
Wikipedia
Asteroides:
Wikipedia
Tipos de asteroides (Wikipedia)
Objetos próximos da Terra (Wikipedia)
CCVAlg – Astronomia Centro Ciência Viva do Algarve – Astronomia