Satélite Pandora e CubeSats vão explorar exoplanetas e mais além

Conceito artístico da missão Pandora da NASA, que ajudará os cientistas a separar os sinais das atmosferas dos exoplanetas – mundos para além do nosso Sistema Solar – dos das suas estrelas.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/CIL da NASA

Uma nova nave espacial da NASA, denominada Pandora, já está a caminho para estudar as atmosferas de exoplanetas (ou mundos para além do nosso Sistema Solar) e das suas estrelas. Ao mesmo tempo, foram também lançados os satélites BlackCAT (Black Hole Coded Aperture Telescope) e SPARCS (Star-Planet Activity Research CubeSat), com o tamanho de caixas de sapatos.

As três missões seguiram a bordo de um foguetão Falcon 9 da SpaceX, lançado às 13:44 (hora portuguesa) de domingo passado a partir do Complexo de Lançamento Espacial 4 Este na Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia.

“O objetivo da missão Pandora é separar os sinais atmosféricos dos planetas e das estrelas usando luz visível e no infravermelho próxima”, disse Elisa Quintana, investigadora principal da Pandora no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA. “Esta informação pode ajudar os astrónomos a determinar se os elementos e compostos detetados provêm da estrela ou do planeta – um passo importante na procura de sinais de vida no cosmos”.

O BlackCAT e o SPARCS são pequenos satélites que vão estudar o Universo transiente de alta energia e a atividade de estrelas de baixa massa, respetivamente.

O satélite Pandora vai observar os planetas à medida que passam em frente das suas estrelas, tal como são vistos da nossa perspetiva, eventos chamados trânsitos.

Quando a luz das estrelas passa pela atmosfera de um planeta, interage com substâncias como a água e o oxigénio que absorvem comprimentos de onda característicos, acrescentando as suas impressões digitais químicas ao sinal.

Mas enquanto apenas uma pequena fração da luz da estrela atravessa o planeta, os telescópios também recolhem o resto da luz emitida pelo lado visível da estrela. As superfícies estelares podem apresentar regiões mais brilhantes e mais escuras que crescem, encolhem e mudam de posição ao longo do tempo, suprimindo ou ampliando os sinais das atmosferas planetárias. Para complicar ainda mais a situação, algumas destas áreas podem conter os mesmos elementos químicos que os astrónomos esperam encontrar na atmosfera do planeta, como o vapor de água.

Todos estes factores tornam difícil ter a certeza de que as importantes moléculas detetadas provêm apenas do planeta.

A nave espacial Pandora vai ajudar a resolver este problema, fornecendo um estudo aprofundado de pelo menos 20 exoplanetas e das suas estrelas hospedeiras durante o seu primeiro ano. O satélite irá observar cada planeta e a sua estrela 10 vezes, com cada observação a durar um total de 24 horas. Muitos destes mundos estão entre os mais de 6000 descobertos por missões como o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA.

Também irá recolher luz visível e no infravermelho próximo utilizando um novo telescópio de alumínio com 17 polegadas (45 centímetros) de abertura desenvolvido conjuntamente pelo Laboratório Nacional Lawrence Livermore na Califórnia e pela Corning Incorporated em Keene, New Hampshire. O detetor de infravermelhos próximos do Pandora é uma peça sobresselente desenvolvida para o Telescópio Espacial James Webb da NASA.

Cada longo período de observação captará a luz de uma estrela antes e durante um trânsito e ajudará a determinar o impacto das características da superfície estelar nas medições.

“Estes estudos intensos de sistemas individuais são difíceis de programar em missões de grande procura, como o Webb”, disse o engenheiro Jordan Karburn, gestor adjunto do projeto Pandora em Livermore. “Também são necessárias medições simultâneas de vários comprimentos de onda para distinguir o sinal da estrela do sinal do planeta. Os longos períodos de observação com ambos os detetores são cruciais para descobrir as origens exatas dos elementos e compostos que os cientistas consideram indicadores de potencial habitabilidade”.

Após este lançamento para órbita terrestre baixa, o Pandora passará por um mês de comissionamento antes de embarcar na sua missão principal de um ano. Todos os dados da missão estarão disponíveis ao público.

“A missão Pandora é um novo e arrojado capítulo na exploração exoplanetária”, disse Daniel Apai, professor de astronomia e ciências planetárias na Universidade do Arizona em Tucson, onde se situa o centro de operações da missão. “É o primeiro telescópio espacial construído especificamente para estudar, em pormenor, a luz estelar filtrada pelas atmosferas dos exoplanetas. Os dados do Pandora ajudarão os cientistas a interpretar as observações de missões passadas e atuais, como os telescópios espaciais Kepler e Webb da NASA. E guiarão projetos futuros na procura de mundos habitáveis”.

As missões BlackCAT e SPARCS fazem parte do programa de CubeSats da NASA. CubeSats são uma classe de nanosatélites que têm tamanhos múltiplos de um cubo padrão com 10 centímetros de tamanho. Tanto o BlackCAT como o SPARCS têm 30 por 20 por 10 centímetros. Os CubeSats foram concebidos para proporcionar um acesso economicamente baixo ao espaço para testar novas tecnologias e formar cientistas e engenheiros em início de carreira, enquanto fornecem dados científicos interessantes.

A missão BlackCAT vai utilizar um telescópio de campo alargado e um novo tipo de detetor de raios X para estudar poderosas explosões cósmicas, como as explosões de raios gama, em particular as do início do Universo, e outros eventos cósmicos fugazes. Juntar-se-á à rede de missões da NASA que se dedicam a observar estas mudanças. Abe Falcone da Universidade do Estado da Pensilvânia em University Park, onde o satélite foi desenhado e construído, lidera a missão com a contribuição do Laboratório Nacional de Los Alamos no Novo México.

O CubeSat SPARCS irá monitorizar as erupções e outras atividades de estrelas de baixa massa utilizando luz ultravioleta para determinar como estas afetam o ambiente espacial em torno de planetas em órbita. Evgenya Shkolnik da Universidade do Estado do Arizona em Tempe lidera a missão com a participação do JPL da NASA no sul da Califórnia. Para além de fornecer apoio científico, o JPL desenvolveu os detetores ultravioleta e a eletrónica associada.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Stream do lançamento (SpaceX via rede social X)

Saiba mais:

Pandora:
NASA
Wikipedia

Trânsito exoplanetário:
NASA
Wikipedia

BlackCAT (Black Hole Coded Aperture Telescope):
Universidade do Estado da Pensilvânia
Wikipedia

SPARCS (Star-Planet Activity Research CubeSat):
Universidade do Estado do Arizona
Wikipedia

CubeSat:
Wikipedia

Sobre Miguel Montes

Veja também

Identificados os exoplanetas com maior período orbital entre os que transitam estrelas jovens

Uma colaboração internacional de astrónomos descobriu dois exoplanetas gigantes em órbitas invulgarmente longas em torno da jovem estrela HD 114082, que tem apenas 15 milhões de anos. O mais interior demora cerca de 225 dias a completar uma órbita e o outro cerca de 314 dias.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *