A missão Cassini-Huygens a Saturno é o plano mais ambicioso jamais efectuado pelo Homem na área da exploração espacial planetária. Trata-se de uma missão conjunta da agência Espacial Europeia (ESA), da NASA e da Agenzia Spazial Italiana (ASI), que está enviar uma sonda robótica altamente sofisticada para a órbita de Saturno para estudar as características do sistema saturniano durante um período de quatro anos. A bordo da Cassini encontra-se a sonda científica Huygens que será lançada a partir da nave principal contra a superfície da maior lua de Saturno que se chama Titã.
Saturno é o segundo maior planeta do sistema solar. Como os restantes gigantes gasosos (Júpiter, Urano e Neptuno), tem uma atmosfera essencialmente constituída por hidrogénio e hélio. Saturno possui um lindo sistema de anéis que é visível da Terra mesmo com pequenos telescópios e que é constituído essencialmente por pequenas partículas sólidas, com dimensões que vão do tamanho de grãos de areia até ao tamanho de um contentor TIR. Saturno possui a maior variedade de satélites a orbitá-lo de todos os planetas do sistema solar; de facto, há satélites que vão desde as dimensões de pequenos asteróides até Titã que é a segunda maior lua do sistema solar (atrás de Ganimedes, satélite de Júpiter) e que é maior que o planeta Mercúrio.
Titã é um satélite muito interessante porque a sua espessa atmosfera de azoto é muito rica em compostos orgânicos que sofrem reacções constantes. Se estas condições fossem encontradas num planeta com as condições de pressão e temperatura semelhantes às da Terra seriam consideradas um sinal de vida. Se a água existir em Titã não poderá existir na forma líquida pois a temperatura é demasiado baixa (-180 ºC). Muito pouco é conhecido sobre as condições na superfície de Titã mas os cientistas prevêem que possam existir lagos ou mesmo oceanos constituídos por uma mistura de compostos orgânicos voláteis (p.e. etano e metano) que poderão estar misturados com azoto líquido.
A missão Cassini-Huygens recebeu o seu nome em homenagem a dois astrónomos do século XVII. O astrónomo holandês Christiaan Huygens (1629-1695) (conhecido na Física pelo princípio da conservação do momento linear e pela primeira dedução da relação entre a aceleração normal e a velocidade linear e o raio de curvatura) descobriu os anéis de Saturno e Titã. O astrónomo franco-italiano Jean-Dominique Cassini (1625-1712) descobriu os outros quatro maiores satélites de Saturno (Iapetus, Rhea, Tétis e Dione), para além de ter observado pela primeira vez que os anéis de Saturno se dividem em duas partes principais separadas por uma uma falha que recebe o nome de “Divisão de Cassini”.
Os 12 instrumentos a bordo da sonda Cassini permitirão efectuar estudos em profundidade de Saturno, das suas luas, anéis e campo magnético. Os seis instrumentos da sonda Huygens fornecerão as primeiras análises directas da atmosfera de Titã e enviarão as mesmas imagens da superfície deste satélite.
Após entrar em órbita em torno de Saturno a sonda Cassini enviou já as primeiras imagens do sistema de anéis que serão agora tratadas pelos cientistas das organizações envolvidas para obter informação detalhadas acerca deste.
Espera-se que a sonda Cassini-Huygens venha dar resposta a muitas questões que ainda se encontram sem resposta, nomeadamente:
- Porque é que Saturno emite mais 87% de energia que aquela que absorve da radiação solar. Qual a fonte de excesso de energia interna?
- Qual a origem do sistema de anéis?
- O que provoca os subtis cambiantes de luz dos anéis?
- Existem mais luas que não sejam conhecidas?
- Porque é que a lua Enceladus apresenta uma superfície tão lisa sem sinais de crateras de impacto?
- Qual é a origem do material escuro que cobre um dos lados da lua Iapetus?
- Que reacções químicas estão a ocorrer na atmosfera de Titã?
- Existe algum tipo de “oceanos” em Titã?
- Existem moléculas pré-bióticas e compostos orgânicos mais complexos em Titã?
Vamos agora aguardar pelas respostas.
CCVAlg – Astronomia Centro Ciência Viva do Algarve – Astronomia