{"id":9358,"date":"2026-10-13T06:40:00","date_gmt":"2026-10-13T05:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9358"},"modified":"2026-10-13T06:40:00","modified_gmt":"2026-10-13T05:40:00","slug":"spherex-observa-um-conjunto-variado-de-anas-castanhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/10\/13\/spherex-observa-um-conjunto-variado-de-anas-castanhas\/","title":{"rendered":"SPHEREx observa um conjunto variado de an\u00e3s castanhas"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1-brown-dwarf-grid-16x9-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"688\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/5ff2a7f0b30f-1024x688.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9359\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/5ff2a7f0b30f-1024x688.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/5ff2a7f0b30f-300x202.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/5ff2a7f0b30f-768x516.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/5ff2a7f0b30f-110x75.jpg 110w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/5ff2a7f0b30f.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u00c0 medida que mapeia o c\u00e9u, o telesc\u00f3pio SPHEREx da NASA est\u00e1 a descobrir milhares de an\u00e3s castanhas escondidas na escurid\u00e3o. Uma sele\u00e7\u00e3o dessas an\u00e3s \u00e9 apresentada nesta colagem de observa\u00e7\u00f5es, ordenadas por tipo espetral, dist\u00e2ncia e temperatura em Kelvin.<br>Cr\u00e9dito: Zafar Rustamkulov\/NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O telesc\u00f3pio espacial SPHEREx (Spectro-Photometer for the History of the Universe, Epoch of Reionization, and Ices Explorer) da NASA est\u00e1 a lan\u00e7ar luz sobre as an\u00e3s castanhas, objetos celestes que desafiam a fronteira entre estrelas e exoplanetas. Novas descobertas publicadas na revista The Astrophysical Journal revelam que estes mundos escuros e nublados possuem atmosferas quimicamente ricas, n\u00e3o muito diferentes das dos planetas gigantes do nosso pr\u00f3prio Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Descobertas pela primeira vez na d\u00e9cada de 1990, as an\u00e3s castanhas formam-se a partir do colapso de nuvens de g\u00e1s, tal como as estrelas, mas n\u00e3o s\u00e3o suficientemente massivas para sustentar a fus\u00e3o de hidrog\u00e9nio nos seus n\u00facleos. Estas esferas de g\u00e1s quente, que brilham tenuemente, tamb\u00e9m partilham caracter\u00edsticas com J\u00fapiter e Saturno. Contudo, ao contr\u00e1rio da maioria dos planetas, as an\u00e3s castanhas vagueiam na escurid\u00e3o, sem serem governadas por uma estrela hospedeira e aquecidas inteiramente a partir do seu interior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;S\u00e3o uma esp\u00e9cie de g\u00f3ticos&#8221;, afirmou Zafar Rustamkulov, autor principal do novo estudo e cientista do IPAC, o centro de ci\u00eancia e dados do Caltech em Pasadena, Calif\u00f3rnia, EUA. &#8220;Ao contr\u00e1rio dos exoplanetas, as an\u00e3s castanhas que flutuam livremente s\u00e3o objetos celestes completamente independentes que desaparecer\u00e3o sozinhas na eternidade. Ainda estamos a aprender o qu\u00e3o complexas elas s\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apenas algumas dezenas destas &#8220;vagabundas sombrias&#8221; foram estudadas em pormenor com telesc\u00f3pios espaciais. Os astr\u00f3nomos pretendem observar mais exemplares no seu ambiente natural, uma vez que grande parte do nosso conhecimento sobre a sua composi\u00e7\u00e3o, condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas e evolu\u00e7\u00e3o prov\u00e9m de modelos te\u00f3ricos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 aqui que entra o SPHEREx da NASA, um telesc\u00f3pio espacial infravermelho lan\u00e7ado em mar\u00e7o de 2025 e gerido pelo JPL da ag\u00eancia, no sul da Calif\u00f3rnia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os autores do estudo analisaram as observa\u00e7\u00f5es do SPHEREx relativas a 37 an\u00e3s castanhas pr\u00f3ximas, abrangendo toda a gama de temperaturas das an\u00e3s castanhas, desde cerca de 2200 a -20 graus Celsius. O telesc\u00f3pio mede o seu brilho em 102 cores diferentes, desde o vermelho mais profundo que os nossos olhos conseguem ver at\u00e9 ao calor invis\u00edvel da luz infravermelha, criando um espetro. Estes espetros revelaram aos autores do estudo atmosferas quimicamente ricas que cont\u00eam \u00e1gua, di\u00f3xido de carbono, mon\u00f3xido de carbono e metano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estamos a observar as assinaturas destas mol\u00e9culas e a forma como variam de objeto para objeto ao longo de todo o regime de temperaturas&#8221;, afirmou o coautor do estudo, J. Davy Kirkpatrick, cientista do IPAC da Caltech. &#8220;O nosso artigo cient\u00edfico centrou-se em apenas tr\u00eas d\u00fazias, mas temos milhares mais que estamos a analisar. Quero mesmo ver quais s\u00e3o os limites que o Universo imp\u00f5e \u00e0 variedade de an\u00e3s castanhas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A partir de \u00f3rbita, o SPHEREx deteta comprimentos de onda de luz que s\u00e3o basicamente imposs\u00edveis de observar com telesc\u00f3pios terrestres, porque a \u00e1gua na atmosfera da Terra os absorve&#8221;, afirmou Rustamkulov. &#8220;Estamos a captar luz proveniente das nuvens vermelhas e profundas das an\u00e3s castanhas espalhadas por todo o c\u00e9u&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/e2-spectra-panel.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/a925d35c4133.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Gra\u00e7as \u00e0 sua cobertura espetral, o SPHEREx da NASA est\u00e1 a revelar mol\u00e9culas como o metano (CH4), o di\u00f3xido de carbono (CO2) e o mon\u00f3xido de carbono (CO) nas atmosferas das an\u00e3s castanhas. \u00c0 esquerda, v\u00ea-se a imagem captada pelo telesc\u00f3pio de tr\u00eas an\u00e3s castanhas diferentes; as representa\u00e7\u00f5es \u00e0 direita imaginam-nas como mundos semelhantes a J\u00fapiter.<br>Cr\u00e9dito: Zafar Rustamkulov\/Observat\u00f3rio Internacional Gemini\/NOIRLab\/NSF\/AURA, M.H. Wong (Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley) et al; reconhecimento &#8211; M. Zamani<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Um ponto ideal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dete\u00e7\u00e3o de an\u00e3s castanhas \u00e9, de certa forma, um projeto secund\u00e1rio para o SPHEREx. O telesc\u00f3pio espacial capta cerca de 3600 imagens \u00fanicas por dia, que s\u00e3o depois combinadas para criar mapas de todo o c\u00e9u. Saber onde se encontram distribu\u00eddas centenas de milh\u00f5es de gal\u00e1xias pelo cosmos ajudar\u00e1 os cientistas a reconstruir o que aconteceu no primeir\u00edssimo instante (bilion\u00e9simo de segundo) ap\u00f3s o Big Bang. \u00c0 medida que varre o c\u00e9u, o telesc\u00f3pio tamb\u00e9m procura os ingredientes qu\u00edmicos da vida e encontra gelo interestelar que poder\u00e1, um dia, dar origem a oceanos em mundos distantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 anos que as an\u00e3s castanhas t\u00eam sido detetadas por outros observat\u00f3rios, incluindo o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA e o j\u00e1 aposentado Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer. Mas, gra\u00e7as \u00e0 sua cobertura espetral, o SPHEREx est\u00e1 agora a captar imagens de milhares delas pela primeira vez numa regi\u00e3o promissora do espetro eletromagn\u00e9tico que abrange comprimentos de onda no vermelho profundo e no infravermelho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesses comprimentos de onda, as mol\u00e9culas criam padr\u00f5es de absor\u00e7\u00e3o distintos na luz que brilha para o espa\u00e7o. Os padr\u00f5es mudam \u00e0 medida que as an\u00e3s castanhas envelhecem e ficam mais frias. Algumas das an\u00e3s castanhas observadas pelo SPHEREx encontram-se numa fase din\u00e2mica da sua vida, em que as suas nuvens ex\u00f3ticas se tornam mais raras, dando lugar a atmosferas ricas em metano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os modelos mais avan\u00e7ados est\u00e3o a captar a tend\u00eancia qu\u00edmica geral, mas quando se trata destas transi\u00e7\u00f5es nebulosas, os modelos t\u00eam dificuldade em corresponder aos dados&#8221;, afirmou Rustamkulov. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 duas an\u00e3s castanhas iguais. Mesmo \u00e0 mesma temperatura, os seus espetros parecem bastante distintos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estas descobertas s\u00e3o um apelo \u00e0 a\u00e7\u00e3o para explorarmos ainda mais estes mundos escuros&#8221;, afirmou Kirkpatrick. &#8220;Esta jornada transformou muitos de n\u00f3s em meteorologistas acidentais. Sabemos como \u00e9 dif\u00edcil prever o tempo no nosso pr\u00f3prio planeta e percebemos que ser\u00e1 igualmente desafiante explicar os fen\u00f3menos que observamos nestes objetos bizarros e frios&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/missions\/spherex\/nasas-spherex-telescope-sees-menagerie-of-brown-dwarfs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/spherex.caltech.edu\/news\/nasa-s-spherex-telescope-sees-menagerie-of-brown-dwarfs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Caltech (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ae9d66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3s castanhas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Brown_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SPHEREx (Spectro-Photometer for the History of the Universe, Epoch of Reionization and Ices Explorer):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.jpl.nasa.gov\/missions\/spherex\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">JPL\/NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/spherex.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/SPHEREx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O telesc\u00f3pio espacial SPHEREx, da NASA, revelou atmosferas quimicamente ricas em 37 an\u00e3s castanhas, objetos que partilham caracter\u00edsticas das estrelas e dos planetas gigantes. As observa\u00e7\u00f5es detetaram \u00e1gua, di\u00f3xido de carbono, mon\u00f3xido de carbono e metano. Os resultados mostram tamb\u00e9m que os modelos atuais ainda n\u00e3o conseguem explicar plenamente as mudan\u00e7as atmosf\u00e9ricas destes mundos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9359,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,16,1],"tags":[292,351],"class_list":["post-9358","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-ana-castanha","tag-spherex"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9358","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9358"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9358\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9360,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9358\/revisions\/9360"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9359"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}