{"id":9329,"date":"2026-10-02T06:25:18","date_gmt":"2026-10-02T05:25:18","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9329"},"modified":"2026-10-02T06:25:18","modified_gmt":"2026-10-02T05:25:18","slug":"ngc-362d-duas-descobertas-que-batem-recordes-lancam-luz-sobre-a-evolucao-dos-pulsares-de-milissegundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/10\/02\/ngc-362d-duas-descobertas-que-batem-recordes-lancam-luz-sobre-a-evolucao-dos-pulsares-de-milissegundo\/","title":{"rendered":"NGC 362D: duas descobertas que batem recordes lan\u00e7am luz sobre a evolu\u00e7\u00e3o dos pulsares de milissegundo"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/e7fd63bfcafc.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/e7fd63bfcafc-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9330\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/e7fd63bfcafc-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/e7fd63bfcafc-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/e7fd63bfcafc-768x512.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/e7fd63bfcafc.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem art\u00edstica do sistema bin\u00e1rio NGC 362D. \u00c0 esquerda, a estrela de neutr\u00f5es emite feixes de ondas de r\u00e1dio; \u00e0 direita, a jovem an\u00e3 branca est\u00e1 rodeada por material residual da fase anterior de transfer\u00eancia de massa.<br>Cr\u00e9dito: INAF; imagem gerada com recurso \u00e0 intelig\u00eancia artificial<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma an\u00e3 branca apanhada numa fase excecionalmente rara da sua evolu\u00e7\u00e3o, a orbitar uma estrela de neutr\u00f5es que gira centenas de vezes por segundo. NGC 362D oferece aos astr\u00f3nomos um instant\u00e2neo de uma fase muito inicial da evolu\u00e7\u00e3o de um sistema bin\u00e1rio, no qual as duas estrelas trocaram mat\u00e9ria durante milh\u00f5es de anos. Atualmente, o sistema \u00e9 composto por um pulsar de milissegundo e pela estrela que outrora lhe transferiu mat\u00e9ria, agora nas fases mais iniciais da sua evolu\u00e7\u00e3o como an\u00e3 branca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo internacional, liderado pelo INAF (Istituto nazionale di astrofisica) e pela Universidade de Bolonha, foi publicado na revista Astronomy &amp; Astrophysics Letters. NGC 362D foi recentemente descoberto atrav\u00e9s de observa\u00e7\u00f5es com o radiotelesc\u00f3pio MeerKAT, na \u00c1frica do Sul, no \u00e2mbito do projeto TRAPUM (TRAnsients and PUlsars with MeerKAT). Os dados de r\u00e1dio permitiram aos astr\u00f3nomos caracterizar o pulsar e o seu sistema bin\u00e1rio com elevada precis\u00e3o, determinar a sua posi\u00e7\u00e3o e procurar a sua companheira pouco brilhante em imagens de arquivo do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble. Estas observa\u00e7\u00f5es, recolhidas entre 2006 e 2016 em nove filtros, desde comprimentos de onda ultravioleta at\u00e9 ao infravermelho pr\u00f3ximo, permitiram \u00e0 equipa identificar a companheira do pulsar e reconstruir as suas propriedades e hist\u00f3ria evolutiva, comparando-as com modelos de evolu\u00e7\u00e3o estelar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise revelou que a companheira de NGC 362D \u00e9 a an\u00e3 branca mais jovem alguma vez identificada num sistema bin\u00e1rio que contenha um pulsar de milissegundo. Mais precisamente, trata-se de uma proto-an\u00e3 branca de h\u00e9lio com uma massa equivalente a apenas 0,18 s\u00f3is, cuja fase de transfer\u00eancia de massa terminou h\u00e1 apenas cerca de 600 milh\u00f5es de anos e que ainda se encontra nas fases iniciais da sua evolu\u00e7\u00e3o rumo \u00e0 sequ\u00eancia de arrefecimento das an\u00e3s brancas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Notavelmente, o estudo tamb\u00e9m relata outra caracter\u00edstica sem precedentes. Pela primeira vez num sistema deste tipo, as observa\u00e7\u00f5es mostram que a an\u00e3 branca emite menos luz ultravioleta do que o esperado, como se parte da sua radia\u00e7\u00e3o fosse atenuada antes de chegar at\u00e9 n\u00f3s. Uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o \u00e9 que ainda exista algum material a rodear a estrela, talvez remanescente do processo de transfer\u00eancia de massa, que absorve parte da sua radia\u00e7\u00e3o antes de esta chegar at\u00e9 n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O que torna este sistema particularmente interessante \u00e9 a possibilidade de o observar numa fase muito inicial da sua evolu\u00e7\u00e3o&#8221;, explica Greta Ettorre, primeira autora do estudo e doutoranda na Universidade de Bolonha. &#8220;Al\u00e9m disso, a atenua\u00e7\u00e3o do sinal que observ\u00e1mos no ultravioleta pode indicar a presen\u00e7a de material que ainda rodeia a an\u00e3 branca&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.esahubble.org\/archives\/images\/large\/potw1643a.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/2a035bcca9ad.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O enxame globular NGC 362 observado pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble com o instrumento ACS (Advanced Camera for Surveys). A imagem combina observa\u00e7\u00f5es em luz azul e vermelha e na luz emitida pelo hidrog\u00e9nio (H\u03b1), permitindo distinguir as estrelas individuais do enxame.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/Hubble e NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para compreender plenamente o que este resultado significa, precisamos de recuar um pouco e reconstruir a hist\u00f3ria deste sistema bin\u00e1rio. Os pulsares de milissegundo s\u00e3o estrelas de neutr\u00f5es extremamente compactas que podem girar centenas de vezes por segundo. Esta rota\u00e7\u00e3o extraordinariamente r\u00e1pida resulta de um processo prolongado no qual a massa e o momento angular s\u00e3o transferidos para a estrela de neutr\u00f5es. \u00c9 como dar um empurr\u00e3o extra a um pi\u00e3o, fazendo-o girar cada vez mais depressa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este processo \u00e9 conhecido como mecanismo de &#8220;reciclagem&#8221; dos pulsares. Durante este processo, a estrela dadora perde progressivamente as suas camadas exteriores, acabando por deixar para tr\u00e1s um n\u00facleo compacto que evoluir\u00e1 para uma an\u00e3 branca. As observa\u00e7\u00f5es do Hubble permitiram aos astr\u00f3nomos identificar a companheira nesta fase inicial da sua evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;NGC 362D oferece-nos atualmente uma oportunidade \u00fanica para estudar o que acontece imediatamente ap\u00f3s o processo de reciclagem do pulsar de milissegundo&#8221;, afirma Emanuele Dalessandro, investigador do INAF e coautor do estudo. &#8220;Neste contexto, a poss\u00edvel presen\u00e7a de material em torno da an\u00e3 branca \u00e9 particularmente interessante. De facto, poderia produzir sinais em comprimentos de onda de r\u00e1dio, para al\u00e9m de no \u00f3tico, semelhantes aos observados em sistemas com companheiras n\u00e3o degeneradas, e poderia, por isso, ajudar-nos a interpretar corretamente as propriedades de outros sistemas jovens&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A import\u00e2ncia do resultado vai, portanto, al\u00e9m do pr\u00f3prio sistema NGC 362D: a identifica\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas destas fases evolutivas, ainda pouco compreendidas, poder\u00e1 ajudar os astr\u00f3nomos a reconstruir corretamente as hist\u00f3rias evolutivas de outros sistemas de pulsares de milissegundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os pulsares de milissegundo giram com uma regularidade extraordin\u00e1ria e podem ser utilizados como verdadeiros rel\u00f3gios naturais. Medir os tempos de chegada dos seus pulsos com extrema precis\u00e3o permite-nos, entre outras coisas, estudar a gravidade em condi\u00e7\u00f5es extremas e realizar testes cada vez mais precisos da relatividade geral. Compreender o seu ambiente e reconstruir a sua hist\u00f3ria evolutiva \u00e9, por isso, essencial para explorar plenamente o que estes not\u00e1veis laborat\u00f3rios c\u00f3smicos nos podem revelar&#8221;, conclui Ettorre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"http:\/\/www.inaf.it\/en\/inaf-news\/ngc362d\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ INAF (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2026\/09\/aa62038-26\/aa62038-26.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pulsares:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pulsar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Millisecond_pulsar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pulsar de milissegundo (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas de neutr\u00f5es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_star\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astro.umd.edu\/~miller\/nstar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Universidade de Maryland<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3 branca:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/imagine.gsfc.nasa.gov\/science\/objects\/dwarfs2.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA<\/a><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/White_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><br>Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NGC 362:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/simbad.u-strasbg.fr\/simbad\/sim-basic?Ident=NGC+362\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Simbad<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/NGC_362\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/hubble\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/hst.esac.esa.int\/ehst\/#\/pages\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Arquivo de Ci\u00eancias do eHST<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos descobriram no sistema bin\u00e1rio NGC 362D a mais jovem an\u00e3 branca conhecida num sistema com um pulsar de milissegundo. A estrela, ainda numa fase anterior \u00e0 de uma an\u00e3 branca plenamente formada, parece tamb\u00e9m estar rodeada por material residual do processo de transfer\u00eancia de mat\u00e9ria que acelerou a rota\u00e7\u00e3o do pulsar.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9330,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,1],"tags":[310,313,150,2180,2179,264],"class_list":["post-9329","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-telescopios-profissionais","tag-anas-brancas","tag-estrelas-de-neutroes","tag-hubble","tag-ngc-362","tag-ngc-362d","tag-pulsar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9329","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9329"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9329\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9334,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9329\/revisions\/9334"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9330"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9329"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9329"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9329"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}