{"id":9320,"date":"2026-09-29T06:37:14","date_gmt":"2026-09-29T05:37:14","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9320"},"modified":"2026-09-29T06:37:16","modified_gmt":"2026-09-29T05:37:16","slug":"cientistas-descobrem-atmosfera-no-mundo-de-lava-mais-frio-identificado-ate-a-data","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/09\/29\/cientistas-descobrem-atmosfera-no-mundo-de-lava-mais-frio-identificado-ate-a-data\/","title":{"rendered":"Cientistas descobrem atmosfera no mundo de lava mais frio identificado at\u00e9 \u00e0 data"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/64127e063d5c.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/64127e063d5c-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9321\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/64127e063d5c-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/64127e063d5c-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/64127e063d5c-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/64127e063d5c.jpg 1380w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista do exoplaneta HD 3167 b. Descobriu-se recentemente que este exoplaneta possui uma atmosfera, apesar da temperatura elevada a que se encontra &#8211; o que d\u00e1 aos cientistas mais pistas sobre a forma como os planetas se formam e mant\u00eam as suas atmosferas.<br>Cr\u00e9dito: NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na busca por vida extraterrestre, faz sentido procurar, em primeiro lugar, planetas rochosos com atmosfera, como a Terra. Sem atmosfera, um planeta n\u00e3o pode ter \u00e1gua \u00e0 superf\u00edcie. Mas, dos mais de 6300 exoplanetas catalogados at\u00e9 agora, a grande maioria n\u00e3o \u00e9 rochosa, e apenas um punhado dos mundos rochosos parece ter atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num estudo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, um grupo liderado pelo cientista Brandon Park Coy, da Universidade de Chicago, d\u00e1 conta de mais um: uma super-Terra a 154 anos-luz de dist\u00e2ncia, na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Peixes. Denominado HD 3167 b, este &#8220;mundo de lava&#8221; extremamente quente d\u00e1 uma volta completa \u00e0 sua estrela hospedeira em apenas um dia terrestre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O que \u00e9 t\u00e3o surpreendente \u00e9 que, quanto mais pr\u00f3ximo um planeta rochoso orbita a sua estrela, mais dif\u00edcil deveria ser ter uma atmosfera, porque \u00e9 bombardeado pelo vento estelar e recebe mais fot\u00f5es altamente energ\u00e9ticos da estrela. Mas parece que muitos destes mundos de lava t\u00eam&#8221;, explicou Edwin Kite, professor associado de ci\u00eancias geof\u00edsicas da Universidade de Chicago e coautor do estudo. &#8220;Estes planetas s\u00e3o demasiado quentes para abrigar vida, mas, ao estud\u00e1-los, podemos tirar conclus\u00f5es sobre os processos que s\u00e3o importantes para outros mundos rochosos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Coy, estudante de doutoramento do grupo de Kite e primeiro autor do estudo, descreve por que raz\u00e3o as atmosferas nos chamados &#8220;mundos de lava&#8221; s\u00e3o importantes, como descobriram este exoplaneta e quais s\u00e3o os pr\u00f3ximos passos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Telesc\u00f3pio Espacial James Webb est\u00e1 a ser utilizado para determinar se os planetas que orbitam estrelas muito mais pequenas do que o Sol possuem atmosferas. Parece que a maioria desses planetas terrestres n\u00e3o as possui &#8211; s\u00e3o apenas rocha nua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, surpreendentemente, foram encontrados ind\u00edcios de que a maioria dos mundos de lava &#8211; semelhantes em composi\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra e a V\u00e9nus, mas muito, muito mais quentes &#8211; poder\u00e1 ter atmosferas. Cinco planetas terrestres com atmosferas, incluindo o descrito neste estudo, revelaram-se ultraquentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este planeta, no entanto, \u00e9 o mundo de lava mais frio encontrado at\u00e9 agora com ind\u00edcios de uma atmosfera. Isto \u00e9 interessante porque os cientistas a tentar compreender a transi\u00e7\u00e3o de temperatura entre planetas com e sem atmosferas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este resultado \u00e9 o primeiro de um programa liderado por Megan Weiner Mansfield, que se encontra agora na Universidade de Maryland. O objetivo do programa, que est\u00e1 a analisar 10 mundos de lava ultraquentes, \u00e9 verificar se existe uma temperatura cr\u00edtica acima da qual se come\u00e7am a observar planetas com atmosferas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como se pode determinar se um exoplaneta tem uma atmosfera?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, observar diretamente planetas semelhantes \u00e0 Terra em busca de sinais de vida est\u00e1 fora do nosso alcance. Em vez disso, podemos utilizar o Telesc\u00f3pio Webb para detetar luz no infravermelho m\u00e9dio, a fim de estimar a temperatura dos exoplanetas, o que nos pode indicar se estes poder\u00e3o ter atmosferas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem duas formas principais de estudar exoplanetas. Uma \u00e9 chamada de tr\u00e2nsito, que ocorre quando o planeta passa \u00e0 frente da estrela hospedeira. Outra, chamada de eclipse secund\u00e1rio &#8211; que \u00e9 o m\u00e9todo utilizado neste estudo -, ocorre quando o planeta passa por tr\u00e1s da sua estrela, permitindo-nos medir a quantidade de luz perdida. Essa diferen\u00e7a indica-nos quanta luz no infravermelho m\u00e9dio prov\u00e9m do pr\u00f3prio planeta, o que, essencialmente, nos diz qual \u00e9 a temperatura do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se um planeta n\u00e3o tiver atmosfera, o seu lado diurno, voltado para a estrela, dever\u00e1 estar t\u00e3o quente quanto teoricamente poss\u00edvel, com base na refletividade da sua superf\u00edcie e na sua dist\u00e2ncia da estrela. Mas uma atmosfera ajudaria a redistribuir o calor do lado diurno para o lado noturno. Vemos isto acontecer em V\u00e9nus &#8211; quase n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a na temperatura da superf\u00edcie entre o lado diurno e o noturno, nem entre os polos e o equador. Se um planeta tiver uma atmosfera, poder\u00e1 tamb\u00e9m ter nuvens que refletem a luz estelar recebida e arrefecem o lado diurno. Assim, se o lado diurno de um planeta for mais frio do que o m\u00e1ximo poss\u00edvel, \u00e9 prov\u00e1vel que tenha uma atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objeto deste estudo, HD 3167 b, \u00e9 visivelmente mais frio do que o seu m\u00e1ximo previsto, o que constitui uma forte evid\u00eancia de que possui uma atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Qual a composi\u00e7\u00e3o da atmosfera de HD 3167 b?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes &#8220;mundos de lava&#8221; recebem este nome porque a superf\u00edcie voltada para a sua estrela \u00e9 provavelmente rocha derretida. Pensa-se que HD 3167 b possa ter uma composi\u00e7\u00e3o rica em silicatos, com uma mistura de minerais semelhante \u00e0 que constitui o manto da Terra. Antes deste estudo, esperava-se que qualquer atmosfera nestes planetas ultraquentes fosse composta por rocha vaporizada, mas os astr\u00f3nomos est\u00e3o a come\u00e7ar a ver ind\u00edcios de que alguns possam ter gases mais pesados, como di\u00f3xido de carbono, mon\u00f3xido de carbono ou \u00e1gua nas suas atmosferas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A composi\u00e7\u00e3o da atmosfera de HD 3167 b ainda \u00e9 uma inc\u00f3gnita. Essa \u00e9 uma das raz\u00f5es pelas quais est\u00e3o t\u00e3o interessados em obter novas observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A import\u00e2ncia deste resultado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez que os outros quatro mundos de lava nos quais se descobriu a exist\u00eancia de atmosferas se encontram num regime ultraquente, isso levanta quest\u00f5es sobre se existe uma temperatura cr\u00edtica de transi\u00e7\u00e3o a partir da qual as atmosferas de silicatos come\u00e7am a tornar-se muito densas. Existir\u00e1 uma temperatura em que estes planetas formam camadas de nuvens de silicatos que possam refletir a radia\u00e7\u00e3o recebida para o espa\u00e7o e arrefecer o seu lado diurno? Este planeta relativamente mais frio ajuda a melhor caracterizar e a definir com precis\u00e3o essa transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de serem in\u00f3spitos para a vida, tamb\u00e9m h\u00e1 interesse em estudar este tipo de planetas porque pensa-se que a Terra primitiva possa ter-se assemelhado bastante a um mundo de lava. Acreditamos que, numa fase muito inicial da hist\u00f3ria do Sistema Solar, quando os planetas terrestres se formaram, estes estavam extremamente quentes devido \u00e0 energia proveniente de todas as colis\u00f5es de planetesimais. A Terra passou por aquilo a que se chama a fase do &#8220;oceano de magma&#8221;, com uma superf\u00edcie inteiramente l\u00edquida. Este resultado d\u00e1-nos uma perspetiva para estudar como ter\u00e3o sido as condi\u00e7\u00f5es nos primeiros milh\u00f5es de anos da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/news.uchicago.edu\/story\/study-led-uchicago-scientists-finds-atmosphere-coldest-lava-world-date\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Universidade de Chicago (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ae7f23\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>HD 3167 b:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/exoplanet-catalog\/hd-3167-b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanetarchive.ipac.caltech.edu\/overview\/HD%203167\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ipac<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/hd_3167_b--4004\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Exoplanet.eu<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/HD_3167_b\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_nearest_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lista de exoplanetas mais pr\u00f3ximos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_candidates_for_liquid_water\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lista de exoplanetas candidatos a albergar \u00e1gua l\u00edquida (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanet.eu\/home\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/nirspec\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos encontraram ind\u00edcios de uma atmosfera em HD 3167 b, uma super-Terra rochosa situada a 154 anos-luz, tornando-a o mundo de lava mais frio conhecido com uma atmosfera. 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