{"id":9313,"date":"2026-09-25T06:38:31","date_gmt":"2026-09-25T05:38:31","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9313"},"modified":"2026-09-25T06:38:48","modified_gmt":"2026-09-25T05:38:48","slug":"um-exoplaneta-rebelde-que-orbita-na-direcao-oposta-a-da-sua-estrela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/09\/25\/um-exoplaneta-rebelde-que-orbita-na-direcao-oposta-a-da-sua-estrela\/","title":{"rendered":"Um exoplaneta &#8220;rebelde&#8221; que orbita na dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 da sua estrela"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso1016a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/05042757726b-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9314\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/05042757726b-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/05042757726b-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/05042757726b-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/05042757726b.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A maioria dos planetas orbita no mesmo plano e na mesma dire\u00e7\u00e3o da rota\u00e7\u00e3o da sua estrela. No entanto, alguns planetas podem ter \u00f3rbitas com grande inclina\u00e7\u00e3o, ou mesmo mover-se na dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 rota\u00e7\u00e3o da estrela.<br>Cr\u00e9dito: ESO\/L. Cal\u00e7ada<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional liderada pelo Departamento de Astronomia da Universidade de Genebra determinou a configura\u00e7\u00e3o orbital do exoplaneta GJ 3090 b utilizando o espetr\u00f3grafo NIRPS, constru\u00eddo em parte em Genebra. O planeta apresenta um forte desalinhamento e orbita na dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 rota\u00e7\u00e3o da sua estrela. Este enigma \u00e9 ainda mais desafiante para os astr\u00f3nomos, uma vez que n\u00e3o existe nenhum companheiro massivo neste sistema planet\u00e1rio capaz de influenciar a \u00f3rbita do planeta e, assim, explicar esta configura\u00e7\u00e3o. Os resultados foram publicados na revista Astronomy &amp; Astrophysics.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma estrela e os seus planetas formam-se quando uma nuvem de g\u00e1s e poeira colapsa sobre si pr\u00f3pria algures no espa\u00e7o. A nuvem forma ent\u00e3o um disco em torno da estrela nascente, no interior do qual se formar\u00e3o os planetas. Esta protoestrela e o seu disco giram ent\u00e3o na mesma dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste cen\u00e1rio ideal, os planetas formados no disco ir\u00e3o, por sua vez, girar na mesma dire\u00e7\u00e3o que a rota\u00e7\u00e3o da sua estrela e no mesmo plano que o equador estelar, perpendicular ao eixo de rota\u00e7\u00e3o. Os astr\u00f3nomos referem-se a estes sistemas como &#8220;sistemas alinhados&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Sistema Solar, os oito planetas orbitam na mesma dire\u00e7\u00e3o que o Sol, mas existe um pequeno \u00e2ngulo entre os seus planos orbitais e o plano equatorial do Sol. Este \u00e2ngulo, frequentemente designado por Psi, varia entre aproximadamente 3 e 7 graus, dependendo do planeta. No caso da Terra, por exemplo, \u00e9 pouco mais de 7 graus. Este pequeno desvio em rela\u00e7\u00e3o ao cen\u00e1rio ideal pode refletir perturba\u00e7\u00f5es que ocorreram durante a forma\u00e7\u00e3o do nosso Sistema Solar, tais como um encontro com outra estrela ou um colapso assim\u00e9trico da nuvem inicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A medi\u00e7\u00e3o do \u00e2ngulo Psi fornece pistas sobre a forma\u00e7\u00e3o e a evolu\u00e7\u00e3o dos sistemas planet\u00e1rios. Por isso, \u00e9 natural que tentemos medi-lo noutros sistemas planet\u00e1rios&#8221;, comenta Yann Carteret, doutorando no Departamento de Astronomia da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Genebra e primeiro autor do estudo sobre o planeta GJ 3090 b. &#8220;Para nossa grande surpresa, n\u00e3o s\u00f3 o planeta GJ 3090 b se encontra numa \u00f3rbita altamente desalinhada, como tamb\u00e9m orbita de forma retr\u00f3grada, na dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 rota\u00e7\u00e3o da sua estrela&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O sistema planet\u00e1rio GJ 3090<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GJ 3090 \u00e9 uma an\u00e3 vermelha, uma estrela mais fria e mais pequena do que o nosso Sol. O planeta GJ 3090 b, que orbita em torno dela, foi detetado pela primeira vez pelo telesc\u00f3pio espacial TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), que analisa o c\u00e9u \u00e0 procura de tr\u00e2nsitos (pequenas varia\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas no brilho de uma estrela causadas pela passagem de um planeta \u00e0 sua frente). O planeta tem um raio 2,2 vezes superior ao da Terra e uma massa 4,5 vezes superior \u00e0 da Terra, o que o torna um sub-Neptuno, a classe mais abundante de exoplanetas na nossa Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um instrumento de fabrico su\u00ed\u00e7o, o NIRPS (Near Infra Red Planet Searcher), um espetr\u00f3grafo instalado no Observat\u00f3rio de La Silla, foi utilizado para detetar outros dois planetas no sistema, para confirmar a presen\u00e7a de GJ 3090 b, medir a sua massa e, acima de tudo, determinar a sua invulgar configura\u00e7\u00e3o orbital. &#8220;Foi o desempenho do NIRPS no infravermelho que permitiu alcan\u00e7ar, para um planeta t\u00e3o pequeno, a precis\u00e3o necess\u00e1ria para medir o \u00e2ngulo entre o plano orbital do planeta e o plano equatorial da estrela,&#8221;, comenta L\u00e9na Parc, doutoranda no Departamento de Astronomia da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Genebra e coautora do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma \u00f3rbita desalinhada e retr\u00f3grada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u00e2ngulo Psi para GJ 3090 b \u00e9 de aproximadamente 136 graus. Conhecem-se apenas cinco outros sistemas multiplanet\u00e1rios que albergam um planeta desalinhado com um \u00e2ngulo superior a 70 graus. Por\u00e9m, ao contr\u00e1rio desses outros sistemas, n\u00e3o h\u00e1 ind\u00edcios de um objeto massivo o suficiente (outra estrela ou planeta), a orbitar GJ 3090, que possa ser respons\u00e1vel por esta configura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A aus\u00eancia de um companheiro massivo que explique esta \u00f3rbita invulgar levar-nos-\u00e1 a explorar outras hip\u00f3teses&#8221;, explica Vincent Bourrier, docente e investigador no Departamento de Astronomia da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Genebra e coautor do estudo. &#8220;No caso de GJ 3090, a estrela poder\u00e1 ter acretado um disco secund\u00e1rio desalinhado e retr\u00f3grado, no qual se formaram posteriormente os planetas do sistema&#8221;, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.unige.ch\/medias\/en\/2026\/une-exoplanete-rebelle-tourne-rebours-de-son-etoile\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Universidade de Genebra (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.iac.es\/en\/outreach\/news\/rebellious-exoplanet-orbits-opposite-direction-its-star\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ IAC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.qmul.ac.uk\/news\/latest-news\/2026\/science-and-engineering\/se\/first-backwards-planet-discovered-around-a-small-star-challenges-ideas-about-how-planets-form.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Queen Mary University of London (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2026\/09\/aa61989-26\/aa61989-26.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GJ 3090 b:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/exoplanet-catalog\/gj-3090-b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanetarchive.ipac.caltech.edu\/overview\/GJ%203090\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ipac<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.exoplanet.eu\/catalog\/gj_3090_b--8338\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_nearest_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lista de exoplanetas mais pr\u00f3ximos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_candidates_for_liquid_water\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lista de exoplanetas candidatos a albergar \u00e1gua l\u00edquida (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanet.eu\/home\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio de La Silla:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/sci\/facilities\/lasilla\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/La_Silla_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/sci\/facilities\/lasilla\/instruments\/nirps.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NIRPS (ESO)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/tess-transiting-exoplanet-survey-satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/tess.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA\/Goddard<\/a><br><a href=\"https:\/\/heasarc.gsfc.nasa.gov\/docs\/tess\/proposing-investigations.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/tess\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MAST (Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais)<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanetarchive.ipac.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Transiting_Exoplanet_Survey_Satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O exoplaneta GJ 3090 b, um sub-Neptuno com cerca de 4,5 massas terrestres, apresenta uma \u00f3rbita fortemente desalinhada e retr\u00f3grada, movendo-se no sentido oposto \u00e0 rota\u00e7\u00e3o da sua estrela. 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