{"id":9310,"date":"2026-09-25T06:36:32","date_gmt":"2026-09-25T05:36:32","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9310"},"modified":"2026-09-25T06:36:33","modified_gmt":"2026-09-25T05:36:33","slug":"resolvido-um-misterio-acerca-da-formacao-do-asteroide-bennu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/09\/25\/resolvido-um-misterio-acerca-da-formacao-do-asteroide-bennu\/","title":{"rendered":"Resolvido um mist\u00e9rio acerca da forma\u00e7\u00e3o do asteroide Bennu"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/8e8e81a8ece8.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"512\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/8e8e81a8ece8-1024x512.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9311\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/8e8e81a8ece8-1024x512.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/8e8e81a8ece8-300x150.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/8e8e81a8ece8-768x384.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/8e8e81a8ece8-660x330.jpg 660w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/8e8e81a8ece8-1050x525.jpg 1050w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/8e8e81a8ece8.jpg 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O asteroide Bennu, visto a 24 quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/Goddard\/Universidade do Arizona<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Novas an\u00e1lises de amostras realizadas por investigadores da ETH Zurique apontam para uma origem surpreendente do asteroide Bennu: em vez de se ter formado nas regi\u00f5es mais distantes do Sistema Solar, o corpo progenitor de Bennu surgiu provavelmente numa zona de transi\u00e7\u00e3o especial perto da linha de gelo, onde as temperaturas eram suficientemente baixas para que a \u00e1gua congelasse, numa altura em que o pr\u00f3prio J\u00fapiter ainda estava em fase de crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O asteroide Bennu orbita o Sol uma vez a cada 1,2 anos e aproxima-se da Terra a cada seis anos, passando a cerca de 300.000 quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia. A NASA aproveitou esta oportunidade para recolher material deste corpo celeste. Numa opera\u00e7\u00e3o espetacular em 2023, a ag\u00eancia espacial norte-americana recolheu amostras da superf\u00edcie do asteroide Bennu atrav\u00e9s da sua sonda OSIRIS-REx.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A 23 de setembro, a c\u00e1psula com as amostras aterrou no deserto do Utah, transportando cerca de 120 gramas de material proveniente de Bennu. A partir da\u00ed, uma por\u00e7\u00e3o pequena, mas preciosa, seguiu para a ETH Zurique: Maria Sch\u00f6nb\u00e4chler, professora de Geoqu\u00edmica Isot\u00f3pica, recebeu meio grama para an\u00e1lise. O laborat\u00f3rio da investigadora come\u00e7ou imediatamente a analisar as amostras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As investiga\u00e7\u00f5es j\u00e1 foram conclu\u00eddas e os resultados acabaram de ser publicados na revista Science Advances. Estes n\u00e3o s\u00f3 revelam a &#8220;impress\u00e3o digital&#8221; qu\u00edmica dos minerais de Bennu, como tamb\u00e9m fornecem novas informa\u00e7\u00f5es sobre o modo como o nosso Sistema Solar se formou.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/f98fd75156ef.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/f98fd75156ef.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foi enviado para a ETH Zurique meio grama deste material: uma amostra do asteroide Bennu.<br>Cr\u00e9dito: Erika Blumenfeld e Joseph Aebersold \/ NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>&#8220;Impress\u00e3o digital&#8221; e parentes pr\u00f3ximos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores da ETH Zurique analisaram is\u00f3topos de ferro, tit\u00e2nio e cr\u00f3mio. Os is\u00f3topos s\u00e3o \u00e1tomos do mesmo elemento que diferem ligeiramente em massa. Em conjunto, criam uma &#8220;impress\u00e3o digital&#8221; distintiva que os investigadores podem utilizar para determinar a origem e, em certa medida, a idade do asteroide.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas medi\u00e7\u00f5es mostram que o tit\u00e2nio e o ferro est\u00e3o distribu\u00eddos uniformemente por Bennu. Revelam tamb\u00e9m que Bennu tem alguns parentes pr\u00f3ximos: o asteroide Ryugu e os chamados meteoritos CI, uma classe de corpos rochosos primitivos e ricos em carbono que s\u00e3o encontrados muito raramente na Terra. Todos estes tr\u00eas corpos celestes partilham uma impress\u00e3o digital isot\u00f3pica semelhante, indicando que se formaram a partir do mesmo reservat\u00f3rio de poeira c\u00f3smica. Al\u00e9m disso, diferem significativamente na sua composi\u00e7\u00e3o isot\u00f3pica de outros asteroides, grupos de meteoritos e planetas conhecidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Onde e como se formou Bennu?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 \u00e0 data, os cientistas tinham assumido que asteroides como Bennu se formaram nas regi\u00f5es exteriores do Sistema Solar, possivelmente no mesmo local onde se formaram os cometas. Embora considerassem que Bennu se formou numa fase relativamente tardia da evolu\u00e7\u00e3o do nosso Sistema Solar, os novos dados contrariam ambas as ideias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel \u00e9 que o local de origem de Bennu, Ryugu e dos meteoritos CI se situasse pr\u00f3ximo da linha de gelo. Esta fronteira marca o ponto onde o vapor de \u00e1gua congela. Aqui, h\u00e1 4,5 mil milh\u00f5es de anos, enquanto o Sistema Solar ainda se estava a formar, os materiais das suas regi\u00f5es interior e exterior misturaram-se. O gelo, por sua vez, atuou como uma &#8220;cola&#8221;, unindo as part\u00edculas mais finas de poeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Bennu \u00e9 um h\u00edbrido: o material n\u00e3o corresponde claramente nem ao Sistema Solar interior nem ao exterior&#8221;, afirma Sch\u00f6nb\u00e4chler. Apresenta caracter\u00edsticas de ambas as regi\u00f5es &#8211; e formou-se numa zona espec\u00edfica onde os fluxos de material de ambas as regi\u00f5es se misturaram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Novos cen\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria Sch\u00f6nb\u00e4chler e os seus coautores prop\u00f5em o seguinte cen\u00e1rio: atribuem a J\u00fapiter um papel fundamental na forma\u00e7\u00e3o destes corpos celestes. Este gigante gasoso formou-se numa fase muito precoce, no espa\u00e7o de um milh\u00e3o de anos ap\u00f3s o nascimento do nosso Sol, a partir de uma nuvem de poeira, por meio de for\u00e7as gravitacionais. Um disco circular de poeira e g\u00e1s, incluindo gelo, formou-se em torno da estrela central, no interior do qual os planetas e os asteroides tomaram forma atrav\u00e9s do processo de acre\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Devido ao seu r\u00e1pido crescimento, J\u00fapiter atuou como o &#8220;pilar de uma ponte&#8221; dentro deste disco: bloqueou a maior parte do material de granulometria mais grossa, enquanto a poeira fina proveniente de v\u00e1rias regi\u00f5es do disco em \u00f3rbita flu\u00eda \u00e0 sua volta e se misturava uniformemente na zona de transi\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima da linha de gelo. Os precursores de Bennu, Ryugu e dos meteoritos CI formaram-se posteriormente nesta regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/d39c9261f4fa.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/d39c9261f4fa.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os an\u00e9is de poeira como regi\u00f5es da forma\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios corpos celestes no disco protoplanet\u00e1rio que orbita o Sol.<br>Cr\u00e9dito: ilustra\u00e7\u00e3o retirada de Sch\u00f6nb\u00e4chler M. et al., Science Advances (2026)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Poeira solar e gelo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este cen\u00e1rio tamb\u00e9m explica por que raz\u00e3o o material de Bennu \u00e9 rico em \u00e1gua: o gelo nas proximidades evaporou-se e parte do vapor de \u00e1gua condensou-se novamente precisamente na regi\u00e3o onde Bennu se formou. Ao mesmo tempo, a influ\u00eancia protetora de J\u00fapiter garantiu que Bennu se formasse principalmente a partir de poeira fina. Isto explica por que raz\u00e3o o material de Bennu \u00e9 t\u00e3o quimicamente semelhante ao do Sol: a poeira fina que orbitava no disco em torno do jovem Sol foi completamente misturada &#8211; um pouco como o p\u00f3 nas nossas casas, que simplesmente acaba por se espalhar por todo o lado com o passar do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Bennu pode oferecer-nos o melhor vislumbre da mistura original de elementos qu\u00edmicos a partir da qual os planetas terrestres acabaram por se formar&#8221;, afirma Sch\u00f6nb\u00e4chler. Bennu \u00e9 um asteroide muito primordial. O seu material remonta ao nascimento do nosso Sistema Solar, h\u00e1 cerca de 4,5 mil milh\u00f5es de anos, e quase n\u00e3o sofreu altera\u00e7\u00f5es desde ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao realizar a an\u00e1lise geoqu\u00edmica de Bennu, os investigadores est\u00e3o a aprofundar a nossa compreens\u00e3o sobre a origem do nosso Sistema Solar e as condi\u00e7\u00f5es em que os planetas se formaram. Dado que o asteroide \u00e9 rico em \u00e1gua e mat\u00e9ria org\u00e2nica, fornece tamb\u00e9m pe\u00e7as importantes do quebra-cabe\u00e7as de como a Terra primitiva obteve os elementos constituintes da vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Miss\u00e3o de recolha de amostras numa lua marciana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estamos agora a questionar-nos se outros asteroides ter\u00e3o a mesma assinatura isot\u00f3pica que Bennu e Ryugu&#8221;, acrescenta Sch\u00f6nb\u00e4chler. Tamb\u00e9m continua a n\u00e3o ser claro em que medida o jovem J\u00fapiter contribuiu para que apenas part\u00edculas finas de poeira se aglomerassem. Mais investiga\u00e7\u00e3o ajudar\u00e1 a esclarecer este quadro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As an\u00e1lises do material de Bennu j\u00e1 foram conclu\u00eddas. A professora da ETH Zurique aguarda agora ansiosamente a miss\u00e3o japonesa de recolha de amostras da lua marciana Fobos, cujo lan\u00e7amento est\u00e1 previsto para o final de outubro deste ano. &#8220;Seria excitante conseguir tamb\u00e9m este material para o analisar no meu laborat\u00f3rio&#8221;, afirma. E ir\u00e1 apresentar um pedido \u00e0 JAXA, a ag\u00eancia espacial japonesa. No entanto, ter\u00e1 de ter bastante paci\u00eancia: a c\u00e1psula com o material de Fobos s\u00f3 dever\u00e1 regressar \u00e0 Terra em 2031.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/ethz.ch\/en\/news-and-events\/eth-news\/news\/2026\/09\/mystery-surrounding-the-formation-of-asteroid-bennu-solved.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ ETH Zurique (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.aei9107\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science Advances)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Asteroide Bennu:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/asteroids-comets-and-meteors\/asteroids\/101955-bennu\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/ssd.jpl.nasa.gov\/tools\/sbdb_lookup.html#\/?sstr=bennu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA \u2013 2<\/a>&nbsp;<br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/101955_Bennu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Asteroide Ryugu:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/ssd.jpl.nasa.gov\/sbdb.cgi?sstr=162173#content\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">JPL<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/162173_Ryugu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Condritos CI:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/CI_chondrite\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Linha de gelo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Frost_line_(astrophysics)\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OSIRIS-REx:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.asteroidmission.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/osiris-rex\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/OSIRISREx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">YouTube<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/osiris_rex\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/OSIRIS-REx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novas an\u00e1lises de amostras do asteroide Bennu revelam que o seu corpo progenitor se formou h\u00e1 cerca de 4,5 mil milh\u00f5es de anos, junto \u00e0 linha de gelo. 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