{"id":9301,"date":"2026-09-22T06:05:20","date_gmt":"2026-09-22T05:05:20","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9301"},"modified":"2026-09-22T06:05:21","modified_gmt":"2026-09-22T05:05:21","slug":"desde-o-inicio-que-o-sistema-solar-preferiu-para-formar-os-seus-primeiros-corpos-fogo-ao-gelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/09\/22\/desde-o-inicio-que-o-sistema-solar-preferiu-para-formar-os-seus-primeiros-corpos-fogo-ao-gelo\/","title":{"rendered":"Desde o in\u00edcio que o Sistema Solar preferiu, para formar os seus primeiros corpos, fogo ao gelo"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/83c24899f5a5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/83c24899f5a5-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9302\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/83c24899f5a5-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/83c24899f5a5-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/83c24899f5a5-768x512.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/83c24899f5a5.jpg 1260w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica mostra uma estrela muito jovem rodeada por um disco de g\u00e1s e poeira, as mat\u00e9rias-primas a partir das quais se pensa que se formam os planetas rochosos, como a Terra.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o Sistema Solar come\u00e7ou a formar corpos s\u00f3lidos &#8211; como planetas, luas e protoplanetas -, tinha basicamente duas op\u00e7\u00f5es \u00e0 escolha. Havia os c\u00f4ndrulos forjados pelo calor, que eram fragmentos de rocha com dimens\u00f5es milim\u00e9tricas; e havia a matriz, uma poeira fria de gr\u00e3o fino, repleta de gelo de \u00e1gua e mol\u00e9culas org\u00e2nicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, desde o in\u00edcio, o Sistema Solar escolheu o fogo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num novo estudo liderado pela Universidade de Yale, os investigadores apresentam a primeira evid\u00eancia geoqu\u00edmica de que, no primeiro milh\u00e3o de anos ap\u00f3s o in\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar, este j\u00e1 estava a selecionar preferencialmente os c\u00f4ndrulos em detrimento da matriz. Estudos anteriores s\u00f3 tinham conseguido documentar este processo de sele\u00e7\u00e3o em objetos que se formaram entre 2 e 4 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s a origem do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo foi publicado no passado dia 18 de setembro na revista Nature Astronomy.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O nosso trabalho mostra que este processo de montagem foi notavelmente seletivo desde o in\u00edcio&#8221;, afirmou Damanveer Grewal, professor assistente de Ci\u00eancias da Terra e Planet\u00e1rias na Faculdade de Artes e Ci\u00eancias de Yale e primeiro autor do estudo. &#8220;Os primeiros corpos no Sistema Solar exterior eram compostos por 83% a 92% de c\u00f4ndrulos, com muito pouca poeira gelada e rica em subst\u00e2ncias vol\u00e1teis, que domina os objetos formados posteriormente&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/news.yale.edu\/sites\/default\/files\/2026-09\/YNews-Grewal-meteorite.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/339b06e74d5e.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Damanveer Grewal.<br>Cr\u00e9dito: Dan Renzetti<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os c\u00f4ndrulos encontram-se no interior dos condritos &#8211; os meteoritos mais primitivos das cole\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel segur\u00e1-los na m\u00e3o e saber que surgiram no \u00e2mbito de um processo que teve in\u00edcio h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos&#8221;, afirmou Grewal. &#8220;\u00c9 uma escala temporal dif\u00edcil de compreender&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 se sabe h\u00e1 algum tempo que, entre os condritos carbon\u00e1ceos (meteoritos primitivos e rochosos que cont\u00eam compostos org\u00e2nicos e \u00e1gua entre os seus minerais silicatos) provenientes do Sistema Solar exterior, os condritos que se formaram mais cedo continham uma percentagem mais elevada de c\u00f4ndrulos e uma percentagem mais baixa de matriz. Isto sugeria que, nas \u00e1reas onde os primeiros corpos s\u00f3lidos &#8211; chamados planetesimais &#8211; se estavam a formar, a poeira gelada j\u00e1 estava a ser expulsa em favor de c\u00f4ndrulos forjados pelo calor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, n\u00e3o sobrevivem corpos indiferenciados e preservados dessa \u00e9poca inicial &#8211; o primeiro milh\u00e3o de anos do Sistema Solar &#8211; para confirmar a propor\u00e7\u00e3o original entre c\u00f4ndrulos e matriz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A solu\u00e7\u00e3o de Grewal consistiu em procurar marcadores qu\u00edmicos em meteoritos de ferro provenientes do Sistema Solar exterior que apontassem para uma era anterior. Os corpos-m\u00e3e dos quais estes meteoritos prov\u00eam tinham acumulado tanto alum\u00ednio-26 radioativo que derreteram completamente, destruindo todos os vest\u00edgios f\u00edsicos da sua composi\u00e7\u00e3o original. No entanto, um par de marcadores qu\u00edmicos independentes permitiu aos investigadores reconstruir a composi\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ambos os marcadores est\u00e3o ligados \u00e0 matriz: o enxofre, que existe de forma concentrada na matriz, e o estado de oxida\u00e7\u00e3o do ferro, que revela a quantidade de gelo de \u00e1gua e de poeira oxidada que o corpo original incorporava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando os marcadores, os investigadores calcularam n\u00edveis de matriz de apenas 8% a 17% nos corpos originais de que estes meteoritos de ferro podem ser considerados amostras &#8211; valores inferiores aos encontrados em quaisquer condritos conhecidos. &#8220;Ambos os marcadores contam, independentemente, a mesma hist\u00f3ria: estes primeiros planetesimais eram notavelmente pobres em matriz&#8221;, afirmou Grewal. &#8220;\u00c9 essa converg\u00eancia que torna o resultado robusto&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As descobertas, disse ele, tamb\u00e9m ajudam a explicar por que raz\u00e3o os c\u00f4ndrulos mais antigos, no registo de meteoritos, s\u00e3o escassos; foram incorporados em corpos que mais tarde derreteram, apagando as evid\u00eancias f\u00edsicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estas pequenas esferas de rocha omnipresentes s\u00e3o os blocos de constru\u00e7\u00e3o b\u00e1sicos a partir dos quais os pr\u00f3prios planetas acabaram por ser formados&#8221;, afirmou Grewal. &#8220;E agora sabemos que, desde o in\u00edcio, j\u00e1 estavam a ser selecionados e incorporados na primeira gera\u00e7\u00e3o de corpos s\u00f3lidos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/news.yale.edu\/2026\/09\/18\/start-solar-system-chose-fire-over-ice-build-its-first-bodies\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Universidade de Yale (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-026-02976-6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o do Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Future_solar_system\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>C\u00f4ndrulos:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chondrule\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Meteoritos condritos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chondrite\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Matriz:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Matrix_(geology)\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo da Universidade de Yale indica que, no primeiro milh\u00e3o de anos do Sistema Solar, os primeiros planetesimais foram formados sobretudo a partir de c\u00f4ndrulos &#8211; pequenas esferas de rocha aquecida &#8211; em vez de poeira fria, rica em gelo e em compostos org\u00e2nicos. Os primeiros corpos exteriores continham 83% a 92% de c\u00f4ndrulos, revelando uma sele\u00e7\u00e3o de materiais desde muito cedo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9302,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[2168,2169,413],"class_list":["post-9301","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","tag-condrulos","tag-matriz","tag-sistema-solar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9301"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9301\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9303,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9301\/revisions\/9303"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9302"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}