{"id":9290,"date":"2026-09-18T06:24:39","date_gmt":"2026-09-18T05:24:39","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9290"},"modified":"2026-09-18T06:24:40","modified_gmt":"2026-09-18T05:24:40","slug":"venus-pode-ter-comido-a-sua-lua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/09\/18\/venus-pode-ter-comido-a-sua-lua\/","title":{"rendered":"V\u00e9nus pode ter &#8220;comido&#8221; a sua lua"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/assets.science.nasa.gov\/content\/dam\/science\/psd\/photojournal\/pia\/pia00\/pia00104\/PIA00104.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"394\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/302015372c43-1024x394.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9291\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/302015372c43-1024x394.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/302015372c43-300x115.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/302015372c43-768x295.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/302015372c43.jpg 1170w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mosaico da superf\u00edcie de V\u00e9nus, feito em computador utilizando exposi\u00e7\u00f5es de radar obtidas pela sonda Magellan em 1991.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 muito que os cientistas especulam acerca do motivo pelo qual V\u00e9nus, com tamanho, massa e estrutura semelhantes \u00e0 Terra, n\u00e3o tem uma lua. Uma nova investiga\u00e7\u00e3o da Universidade da Calif\u00f3rnia em Riverside revela que isso se deve ao facto de o nosso &#8220;g\u00e9meo faminto&#8221; provavelmente a ter engolido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No passado, os cientistas teorizaram que V\u00e9nus poderia ter tido, em algum momento, uma lua que foi atingida por algo massivo, destruindo-a. Outras teorias centravam-se na ideia de que V\u00e9nus nunca sofreu uma colis\u00e3o que tivesse dado origem a uma lua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova investiga\u00e7\u00e3o, publicada na revista The Astrophysical Journal, demonstra que nenhuma das teorias se verifica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O meu estudo mostra que V\u00e9nus n\u00e3o precisou de uma cat\u00e1strofe para chegar ao estado em que o vemos hoje&#8221;, afirmou Stephen Kane, astrof\u00edsico da UCR e autor principal. &#8220;Afinal, a gravidade do pr\u00f3prio planeta, combinada com a velocidade a que gira, fez com que a lua colapsasse sobre ele&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas conseguem medir com precis\u00e3o a dist\u00e2ncia entre a Terra e a Lua porque a miss\u00e3o Apollo 11 da NASA deixou l\u00e1 espelhos. &#8220;Sabemos que a Lua se est\u00e1 a afastar lentamente do planeta, a um ritmo de cerca de quatro cent\u00edmetros por ano&#8221;, afirmou Kane. Este afastamento, explicou Kane, est\u00e1 a ocorrer porque a Terra gira a um ritmo relativamente r\u00e1pido de 24 horas por rota\u00e7\u00e3o. A energia resultante desta rota\u00e7\u00e3o \u00e9 transferida para a Lua, fazendo com que esta se afaste.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V\u00e9nus apresenta exatamente a situa\u00e7\u00e3o oposta. Esse planeta demora 243 dias terrestres a completar uma \u00fanica rota\u00e7\u00e3o. Assim, em vez de se afastar gradualmente, a rota\u00e7\u00e3o lenta e a gravidade do planeta fariam com que uma lua espiralasse na sua dire\u00e7\u00e3o, rumo a uma colis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para testar esta ideia, Kane criou modelos computacionais baseados na f\u00edsica da intera\u00e7\u00e3o entre corpos planet\u00e1rios atrav\u00e9s da gravidade. Primeiro, reproduziu a evolu\u00e7\u00e3o da Terra e da Lua para se certificar de que o modelo representava com precis\u00e3o um sistema conhecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em seguida, variou a velocidade de rota\u00e7\u00e3o de V\u00e9nus e o tamanho das suas luas hipot\u00e9ticas, testando luas com massas que variavam entre metade e dez vezes a massa da nossa Lua. Na maioria das simula\u00e7\u00f5es, o resultado foi o mesmo: a lua colidiu com V\u00e9nus. E quanto maior a massa do sat\u00e9lite, mais rapidamente colidia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando fiz esta descoberta, fiquei chocado&#8221;, disse Kane. &#8220;Pensei que, certamente, a ampla gama de cen\u00e1rios que estava a explorar levaria a uma variedade de resultados. Mas tudo apontou praticamente na mesma dire\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta n\u00e3o prova que V\u00e9nus tenha tido uma lua no passado. Kane pensa que possa ter tido, mas se alguma vez se formou uma, continua a ser uma quest\u00e3o em aberto. O estudo mostra, no entanto, que, se V\u00e9nus tivesse uma lua, esta n\u00e3o poderia ter continuado a existir indefinidamente.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/06564835ee80.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/06564835ee80.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Gr\u00e1fico que mostra a probabilidade de uma lua venusiana ter sido destru\u00edda.<br>Cr\u00e9dito: Stephen Kane\/UCR<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seria dif\u00edcil encontrar evid\u00eancias f\u00edsicas de tal colis\u00e3o. Cerca de 80% da superf\u00edcie de V\u00e9nus tem uma idade semelhante, o que constitui uma prova de um grande evento de renova\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie ocorrido h\u00e1 cerca de mil milh\u00f5es de anos, que apagou grande parte da anterior hist\u00f3ria geol\u00f3gica do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As evid\u00eancias poder\u00e3o, em vez disso, encontrar-se sob a superf\u00edcie. Os cientistas pensam que a Lua da Terra se formou ap\u00f3s uma colis\u00e3o gigantesca no in\u00edcio da hist\u00f3ria do planeta, e estudos s\u00edsmicos revelaram estruturas invulgares nas profundezas da Terra que podem ser vest\u00edgios desse evento. Medi\u00e7\u00f5es semelhantes em V\u00e9nus poderiam oferecer pistas sobre se o planeta alguma vez absorveu uma lua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal colis\u00e3o poderia tamb\u00e9m ajudar os cientistas a compreender outro mist\u00e9rio de longa data acerca de V\u00e9nus: se o vizinho planet\u00e1rio mais pr\u00f3ximo da Terra alguma vez foi capaz de albergar vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A colis\u00e3o de uma lua com V\u00e9nus teria transferido uma enorme quantidade de energia e momento angular para o planeta, alterando potencialmente a sua rota\u00e7\u00e3o, geologia e clima. Se V\u00e9nus alguma vez teve oceanos ou outras condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 vida, tal impacto poderia ter alterado o curso da evolu\u00e7\u00e3o do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As implica\u00e7\u00f5es v\u00e3o al\u00e9m de V\u00e9nus. Os cientistas que procuram mundos potencialmente habit\u00e1veis em torno de outras estrelas procuram frequentemente planetas semelhantes \u00e0 Terra e consideram a presen\u00e7a de uma lua como um fator que poderia influenciar a habitabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Lua da Terra provoca as mar\u00e9s, pode ter ajudado a manter o planeta geologicamente ativo e influenciou profundamente a evolu\u00e7\u00e3o da Terra. Os cientistas n\u00e3o sabem, no entanto, se \u00e9 necess\u00e1ria uma lua de grandes dimens\u00f5es para a exist\u00eancia de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A minha opini\u00e3o \u00e9 que h\u00e1 vantagens em ter uma lua, mas n\u00e3o \u00e9 um requisito para a habitabilidade&#8221;, afirmou Kane. &#8220;A Lua alterou definitivamente a forma como a Terra evoluiu ao longo do tempo, mas n\u00e3o sabemos ao certo qu\u00e3o importante \u00e9 esse papel&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As conclus\u00f5es de Kane sugerem que mesmo os planetas capazes de formar luas podem n\u00e3o ser capazes de as manter. Os mundos que giram lentamente podem fazer com que as suas luas espiralem em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s suas superf\u00edcies, alterando drasticamente os planetas nesse processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando as pessoas pensam em g\u00e9meos da Terra \u00e0 volta de outras estrelas, uma das perguntas que fazem \u00e9: &#8216;Tem uma lua?'&#8221;, disse Kane. &#8220;O meu estudo revela um cen\u00e1rio preocupante para muitos desses casos. Se esses planetas n\u00e3o girarem com rapidez suficiente, a lua ir\u00e1 colidir com a superf\u00edcie, o que alteraria o curso da hist\u00f3ria desses planetas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/news.ucr.edu\/articles\/2026\/09\/14\/venus-ate-its-moon\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Universidade da Calif\u00f3rnia em Riverside (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ae9d6c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>V\u00e9nus:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/venus\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Venus_%28planet%29\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo estudo sugere que V\u00e9nus poder\u00e1 ter tido uma lua que acabou por colidir com o planeta. Devido \u00e0 rota\u00e7\u00e3o extremamente lenta de V\u00e9nus &#8211; uma rota\u00e7\u00e3o a cada 243 dias terrestres &#8211; a intera\u00e7\u00e3o gravitacional faria a lua perder energia orbital e espiralar gradualmente para a superf\u00edcie. As simula\u00e7\u00f5es mostram que o processo seria inevit\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9291,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[172],"class_list":["post-9290","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","tag-venus"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9290","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9290"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9290\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9292,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9290\/revisions\/9292"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9291"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9290"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9290"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9290"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}