{"id":9287,"date":"2026-09-15T06:16:10","date_gmt":"2026-09-15T05:16:10","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9287"},"modified":"2026-09-15T06:16:11","modified_gmt":"2026-09-15T05:16:11","slug":"mercurio-esta-a-encolher-mais-do-que-pensavamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/09\/15\/mercurio-esta-a-encolher-mais-do-que-pensavamos\/","title":{"rendered":"Merc\u00fario est\u00e1 a encolher mais do que pens\u00e1vamos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/259bc61a2d03.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/259bc61a2d03.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9288\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/259bc61a2d03.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/259bc61a2d03-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/259bc61a2d03-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/259bc61a2d03-768x768.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Merc\u00fario, tal como foi observado pela sonda espacial MESSENGER da NASA em 2008.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JHUAPL\/Institui\u00e7\u00e3o Carnegie<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A superf\u00edcie de Merc\u00fario est\u00e1 repleta de rugas, evid\u00eancias de que outrora foi um planeta maior que encolheu ao longo do tempo. Um novo estudo conclui que Merc\u00fario pode ter encolhido entre 10 e 30% mais do que se pensava anteriormente &#8211; uma perda de at\u00e9 23 quil\u00f3metros do di\u00e2metro total desde a forma\u00e7\u00e3o do planeta &#8211; devido aos detritos das crateras de impacto que ocultam os sinais do encolhimento do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal como os outros planetas rochosos do nosso Sistema Solar, Merc\u00fario formou-se atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de colis\u00f5es violentas entre rochas e asteroides que orbitavam o Sol h\u00e1 cerca de 4,5 mil milh\u00f5es de anos. A energia destes impactos gerou enormes quantidades de calor, que Merc\u00fario tem vindo a perder desde ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal como um bal\u00e3o deixado ao frio, o interior de Merc\u00fario encolheu \u00e0 medida que arrefecia, e as camadas rochosas mais externas compensaram a altera\u00e7\u00e3o do tamanho do planeta, deformando-se e rachando para formar caracter\u00edsticas tect\u00f3nicas, tais como escarpas e cordilheiras. O grau de encolhimento \u00e9 importante para ajudar os investigadores a inferir caracter\u00edsticas-chave do interior e da evolu\u00e7\u00e3o de Merc\u00fario.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Um maior encolhimento significa que Merc\u00fario poderia ter um n\u00facleo met\u00e1lico maior, menos elementos leves como o sil\u00edcio misturados no n\u00facleo met\u00e1lico ou uma temperatura inicial mais elevada&#8221;, explicou Gaku Nishiyama, cientista planet\u00e1rio do DLR (Deutsches Zentrum f\u00fcr Luft- und Raumfahrt, o Centro Aeroespacial Alem\u00e3o) e autor principal do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mapas e miss\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O arrefecimento deveria fazer com que um planeta encolhesse de forma aproximadamente uniforme, criando caracter\u00edsticas de &#8220;rugas&#8221;, conhecidas como estruturas de encurtamento, igualmente comuns em todo o lado. No entanto, a forma\u00e7\u00e3o de novas crateras de impacto cria depress\u00f5es e cobre a paisagem com detritos, tornando a superf\u00edcie mais irregular e dificultando a dete\u00e7\u00e3o dos sinais de encolhimento entre os milhares de milh\u00f5es de anos de caracter\u00edsticas geol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nishiyama trabalhou com a sua equipa para combinar mapas anteriores de evid\u00eancias geol\u00f3gicas de contra\u00e7\u00e3o com novos mapas de rugosidade da superf\u00edcie &#8211; uma medida do grau de irregularidade de uma paisagem &#8211; para toda a superf\u00edcie do planeta. Pela primeira vez, demonstraram que as \u00e1reas mais irregulares de Merc\u00fario apresentam menos rugas vis\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Isso levou-nos a pensar que existe um processo que oculta as estruturas de encolhimento&#8221;, afirmou Nishiyama. Ele considera que os detritos de impacto em \u00e1reas acidentadas podem estar a encobrir as rugas de encolhimento, tal como alcatr\u00e3o rec\u00e9m-colocado esconde buracos numa estrada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nishiyama e a sua equipa utilizaram a contra\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para formar cristas e escarpas de encolhimento em \u00e1reas menos perturbadas para estimar a contra\u00e7\u00e3o que provavelmente ocorreu em todo o planeta, incluindo sob as zonas acidentadas. Descobriram que as caracter\u00edsticas em falta nas \u00e1reas acidentadas poderiam corresponder a um encolhimento adicional de 10 a 30% ao longo da vida de Merc\u00fario &#8211; uma altera\u00e7\u00e3o total de at\u00e9 23 quil\u00f3metros no di\u00e2metro do planeta, em vez dos 4 a 16 quil\u00f3metros atualmente estimados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;30% \u00e9 um pouco surpreendente, mas o valor corrigido da contra\u00e7\u00e3o faz, na verdade, sentido para mim&#8221;, explicou Nishiyama. Com a sua estimativa atualizada da contra\u00e7\u00e3o, as observa\u00e7\u00f5es sobre o quanto Merc\u00fario arrefeceu e encolheu est\u00e3o agora mais em sintonia com as previs\u00f5es baseadas na f\u00edsica, sugerindo que estamos mais perto de compreender o que se passa no interior do planeta rochoso mais pequeno do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Nishiyama, os n\u00fameros atualizados podem ainda estar subestimados. Os dados existentes acerca de Merc\u00fario, provenientes da miss\u00e3o MESSENGER da NASA, que terminou em 2015, s\u00f3 podem ser utilizados de forma fi\u00e1vel para medir caracter\u00edsticas com mais de 5 quil\u00f3metros de di\u00e2metro. Em novembro de 2026, a BepiColombo &#8211; apenas a terceira miss\u00e3o de sempre a Merc\u00fario &#8211; come\u00e7ar\u00e1 a recolher imagens de alta resolu\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie de Merc\u00fario. Investigadores como Nishiyama, que faz parte da equipa cient\u00edfica da miss\u00e3o, esperam que estes novos dados revelem escarpas, cristas e crateras de impacto com mais pormenor do que nunca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/news.agu.org\/press-release\/mercury-is-shrinking-more-than-we-thought\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Uni\u00e3o Geof\u00edsica Americana (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1029\/2026GL124067\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Geophysical Research Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Merc\u00fario:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mercury\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mercury_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>MESSENGER (Mercury Surface, Space Environment, Geochemistry and Ranging):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/messenger\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA&nbsp;<\/a><br><a href=\"http:\/\/messenger.jhuapl.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">JHUAPL<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/MESSENGER\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>BepiColombo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/BepiColombo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/global.jaxa.jp\/projects\/sas\/bepi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">JAXA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/BepiColombo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Merc\u00fario poder\u00e1 ter encolhido 10 a 30% mais do que se pensava, perdendo at\u00e9 23 km de di\u00e2metro desde a sua forma\u00e7\u00e3o. A contra\u00e7\u00e3o causada pelo arrefecimento do interior deixou marcas na superf\u00edcie, mas muitas ter\u00e3o ficado ocultas por detritos de crateras de impacto. Dados futuros da BepiColombo poder\u00e3o revelar ainda mais.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9288,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[739,211,210],"class_list":["post-9287","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-bepicolombo","tag-mercurio","tag-messenger"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9287","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9287"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9287\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9289,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9287\/revisions\/9289"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9288"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}