{"id":9284,"date":"2026-09-15T06:14:27","date_gmt":"2026-09-15T05:14:27","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9284"},"modified":"2026-09-15T06:14:27","modified_gmt":"2026-09-15T05:14:27","slug":"impressoes-digitais-no-interior-do-sol-podem-revelar-se-este-alguma-vez-engoliu-um-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/09\/15\/impressoes-digitais-no-interior-do-sol-podem-revelar-se-este-alguma-vez-engoliu-um-planeta\/","title":{"rendered":"&#8220;Impress\u00f5es digitais&#8221; no interior do Sol podem revelar se este alguma vez engoliu um planeta"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ras.ac.uk\/sites\/default\/files\/2026-09\/star_swallowing_a_planet.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/37a10359ac0d-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9285\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/37a10359ac0d-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/37a10359ac0d-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/37a10359ac0d-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/37a10359ac0d.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem art\u00edstica de uma estrela a engolir um planeta. A linha azul tra\u00e7a a trajet\u00f3ria do planeta \u00e0 medida que este espirala em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 estrela e acaba por colidir com ela.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, CSA, Ralf Crawford (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pensa-se que o Sol possa ter engolido um planeta do tamanho de uma super-Terra no in\u00edcio da sua hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, um novo estudo deu um passo al\u00e9m, sugerindo que tal evento pode ter deixado pistas detet\u00e1veis no interior da nossa estrela, que ainda hoje poderiam ser vis\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta ideia de uma assinatura mensur\u00e1vel ou &#8220;impress\u00f5es digitais&#8221; no interior atual do Sol foi explorada por uma investiga\u00e7\u00e3o publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor Mutlu Yildiz, da Universidade de Ege, na Turquia, afirmou: &#8220;O nosso novo estudo sugere que um planeta v\u00e1rias vezes mais massivo do que a Terra pode ter ca\u00eddo no jovem Sol e deixado uma marca qu\u00edmica duradoura nas suas profundezas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ao modelar a evolu\u00e7\u00e3o do Sol e ao comparar os resultados com observa\u00e7\u00f5es precisas do seu interior, descobrimos que a ingest\u00e3o de uma super-Terra poderia ajudar a explicar diferen\u00e7as de longa data entre os modelos solares padr\u00e3o e as observa\u00e7\u00f5es, incluindo altera\u00e7\u00f5es subtis na estrutura interna do Sol e a sua abund\u00e2ncia reduzida de l\u00edtio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores descobriram tamb\u00e9m que um mundo desse tipo poderia sobreviver \u00e0 sua passagem pelas camadas exteriores do Sol, perdendo muito pouca massa, o que sugere que os planetas podem deixar marcas detet\u00e1veis no interior das suas estrelas hospedeiras muito tempo depois de terem desaparecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 muitos anos que os modelos solares baseados na f\u00edsica padr\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o estelar t\u00eam dificuldade em reproduzir simultaneamente algumas observa\u00e7\u00f5es helios\u00edsmicas, nomeadamente a estrutura da velocidade do som logo abaixo da zona de convec\u00e7\u00e3o e a profundidade da zona de convec\u00e7\u00e3o solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao mesmo tempo, o Sol apresenta uma forte e bem conhecida escassez de l\u00edtio na sua superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Est\u00e1vamos interessados em saber se estes problemas poderiam ter uma origem comum na hist\u00f3ria qu\u00edmica inicial do Sol&#8221;, explicou o professor Yildiz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As estrelas jovens est\u00e3o rodeadas por discos protoplanet\u00e1rios, onde quantidades substanciais de material podem circular entre o disco e a estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Uma vez que os planetas s\u00e3o constitu\u00eddos por material quimicamente diferente do g\u00e1s presente no disco, question\u00e1mo-nos se a absor\u00e7\u00e3o precoce de um planeta poderia ter deixado uma assinatura qu\u00edmica no interior do Sol jovem&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores utilizaram o c\u00f3digo de evolu\u00e7\u00e3o estelar MESA para testar a sua hip\u00f3tese. Exploraram diferentes hist\u00f3rias de acre\u00e7\u00e3o e compararam os modelos solares resultantes com restri\u00e7\u00f5es helios\u00edsmicas e abund\u00e2ncias superficiais, testando simultaneamente explica\u00e7\u00f5es alternativas que envolviam a equa\u00e7\u00e3o de estado, a opacidade e diferentes modelos de mistura turbulenta e convectiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os seus resultados apontam para um cen\u00e1rio em que o jovem Sol engoliu uma super-Terra com cerca de 5 a 10 vezes a massa da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 importante tamb\u00e9m referir que a sua modela\u00e7\u00e3o n\u00e3o explica apenas um enigma. Corresponde simultaneamente a v\u00e1rias medi\u00e7\u00f5es independentes do Sol, incluindo observa\u00e7\u00f5es do seu interior e da sua abund\u00e2ncia de l\u00edtio invulgarmente baixa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Pens\u00e1vamos que a assimila\u00e7\u00e3o de um planeta poderia afetar a estrutura solar, mas n\u00e3o esper\u00e1vamos que os c\u00e1lculos convergissem para uma gama de massas de super-Terras t\u00e3o espec\u00edfica&#8221;, afirmou o professor Yildiz. &#8220;Esse foi um dos resultados mais interessantes do estudo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acrescentou que, embora talvez nunca seja poss\u00edvel provar definitivamente que o Sol engoliu um planeta, se as assinaturas estruturais e qu\u00edmicas previstas pudessem ser identificadas de forma independente atrav\u00e9s de observa\u00e7\u00f5es helios\u00edsmicas ou outras, isso constituiria uma forte evid\u00eancia de que tal evento ocorreu h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos h\u00e1 muito que se questionam por que raz\u00e3o muitos outros sistemas estelares parecem ter grandes super-Terras, enquanto o nosso n\u00e3o tem nenhuma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo estudo cita uma investiga\u00e7\u00e3o anterior, realizada h\u00e1 uma d\u00e9cada por Martin &amp; Livio (2016), que sugeria que uma ou mais super-Terras poderiam ter sido formadas no interior da \u00f3rbita de Merc\u00fario e migrado para o interior atrav\u00e9s do disco de g\u00e1s, podendo ter ca\u00eddo no jovem Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, embora esta investiga\u00e7\u00e3o tenha fornecido um cen\u00e1rio te\u00f3rico para um evento de assimila\u00e7\u00e3o, n\u00e3o exigia que tal planeta fosse, em \u00faltima inst\u00e2ncia, engolido pela nossa estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O trabalho anterior propunha que uma super-Terra poderia ter sido formada e migrado para o jovem Sol. O nosso artigo cient\u00edfico questiona se o pr\u00f3prio Sol ainda poderia apresentar evid\u00eancias observ\u00e1veis de que tal assimila\u00e7\u00e3o realmente ocorreu, e pensamos que sim&#8221;, concluiu o professor Yildiz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O pr\u00f3ximo passo \u00e9 verificar se estas marcas podem ser detetadas de forma independente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.ras.ac.uk\/news-and-press\/research-highlights\/fingerprints-inside-sun-could-reveal-if-it-once-swallowed-planet\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Real Sociedade Astron\u00f3mica (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/551\/4\/stag1527\/8787825?login=false\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sol:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/sun\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sun\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o do Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Future_solar_system\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo estudo sugere que o Sol poder\u00e1 ter engolido uma super-Terra com 5 a 10 vezes a massa da Terra cedo na sua hist\u00f3ria. A assimila\u00e7\u00e3o desse planeta poder\u00e1 ter deixado altera\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas e estruturais no interior solar, incluindo a baixa abund\u00e2ncia de l\u00edtio, que ainda hoje poderiam ser detetadas atrav\u00e9s da heliossismologia.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9285,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[413,124],"class_list":["post-9284","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","tag-sistema-solar","tag-sol"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9284","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9284"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9284\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9286,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9284\/revisions\/9286"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9284"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9284"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9284"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}