{"id":9274,"date":"2026-09-11T07:20:28","date_gmt":"2026-09-11T06:20:28","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9274"},"modified":"2026-09-11T07:20:29","modified_gmt":"2026-09-11T06:20:29","slug":"alma-observa-a-formacao-de-um-sistema-binario-massivo-em-tempo-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/09\/11\/alma-observa-a-formacao-de-um-sistema-binario-massivo-em-tempo-real\/","title":{"rendered":"ALMA observa a forma\u00e7\u00e3o de um sistema bin\u00e1rio massivo em tempo real"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Zhang_visual_0828.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/7359af5ba4c4-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9275\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/7359af5ba4c4-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/7359af5ba4c4-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/7359af5ba4c4-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/7359af5ba4c4.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A inser\u00e7\u00e3o circular mostra uma imagem ALMA do sistema bin\u00e1rio central de IRAS 07299\u22121651, com as trajet\u00f3rias orbitais reconstru\u00eddas sobrepostas. A emiss\u00e3o da linha de recombina\u00e7\u00e3o do hidrog\u00e9nio, com desvio para o vermelho e para o azul, acompanha a rota\u00e7\u00e3o dos discos circunestelares ionizados em torno das duas estrelas em forma\u00e7\u00e3o, enquanto as setas indicam as dire\u00e7\u00f5es dos jatos bipolares.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, CSA, STScI, J. DePasquale (STScI), ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO), Y. Zhang; fundo &#8211; imagem no infravermelho m\u00e9dio da regi\u00e3o obtida com o JWST<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recorrendo ao ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array), astr\u00f3nomos captaram uma das imagens tridimensionais mais detalhadas at\u00e9 \u00e0 data de um massivo sistema estelar bin\u00e1rio ainda em fase de forma\u00e7\u00e3o. Ao acompanhar os movimentos de duas estrelas jovens e massivas ao longo de quase oito anos, a equipa descobriu que o par segue uma \u00f3rbita altamente alongada e est\u00e1 rodeado por discos de g\u00e1s fortemente inclinados, tanto entre si como em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00f3rbita das estrelas. As descobertas sugerem que as duas estrelas n\u00e3o se formaram em conjunto a partir de um \u00fanico disco girat\u00f3rio de material, como se costuma supor, mas sim que se formaram independentemente e mais tarde se juntaram num encontro gravitacional pr\u00f3ximo, revelando uma nova forma como os sistemas estelares bin\u00e1rios, massivos e \u00edntimos, se podem formar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maioria das estrelas massivas nasce com companheiras estelares, e pensa-se que pelo menos 90% existam em sistemas bin\u00e1rios ou m\u00faltiplos. Estes bin\u00e1rios massivos acabam por moldar drasticamente a sua vizinhan\u00e7a, atrav\u00e9s de explos\u00f5es de supernova e da produ\u00e7\u00e3o de elementos pesados. Mas, como a maioria dos bin\u00e1rios massivos conhecidos s\u00f3 \u00e9 estudado muito tempo depois de terem terminado a sua forma\u00e7\u00e3o, os astr\u00f3nomos t\u00eam tido poucas oportunidades de captar o momento real da sua forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional liderada por Yichen Zhang, da Universidade Jiao Tong de Xangai, prop\u00f4s-se mudar essa situa\u00e7\u00e3o ao estudar IRAS 07299-1651, um sistema que cont\u00e9m duas protoestrelas massivas &#8211; estrelas que ainda est\u00e3o a crescer ao absorverem g\u00e1s e poeira do ambiente circundante. A equipa j\u00e1 tinha estudado este sistema anteriormente, em 2019, quando as observa\u00e7\u00f5es do ALMA forneceram, pela primeira vez, restri\u00e7\u00f5es din\u00e2micas diretas acerca do par. Na altura, os resultados pareciam, em linhas gerais, consistentes com o modelo padr\u00e3o: duas estrelas a formarem-se em conjunto a partir da fragmenta\u00e7\u00e3o de um grande disco. Mas havia um pormenor que n\u00e3o encaixava bem: os discos em torno das duas estrelas j\u00e1 pareciam estranhamente desalinhados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para aprofundar a investiga\u00e7\u00e3o, os investigadores passaram quase oito anos a medir deslocamentos extremamente subtis nas posi\u00e7\u00f5es das duas estrelas no c\u00e9u, uma t\u00e9cnica que requer uma precis\u00e3o excecional e que est\u00e1 bem dentro das capacidades do ALMA. &#8220;Pela primeira vez, conseguimos observar duas estrelas massivas a moverem-se uma em torno da outra enquanto ainda estavam a nascer&#8221;, afirmou Yichen Zhang, autor correspondente do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa combinou esta monitoriza\u00e7\u00e3o a longo prazo do ALMA com dados do VLA (Very Large Array) da NSF (National Science Foundation) dos EUA, bem como com imagens no infravermelho do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb (JWST) e do VLT (Very Large Telescope) do ESO, que permitiram identificar jatos de mat\u00e9ria a sair das estrelas jovens. Em conjunto, estas observa\u00e7\u00f5es permitiram \u00e0 equipa reconstruir, pela primeira vez, a arquitetura tridimensional completa do sistema, a forma como as estrelas se orbitam uma \u00e0 outra, a inclina\u00e7\u00e3o dos seus discos e a dire\u00e7\u00e3o dos seus jatos no espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Cada telesc\u00f3pio revelou uma pe\u00e7a diferente do puzzle&#8221;, afirmou Rub\u00e9n Fedriani, coautor do estudo. &#8220;A combina\u00e7\u00e3o de observa\u00e7\u00f5es no r\u00e1dio e no infravermelho fornece os detalhes mais precisos sobre a forma\u00e7\u00e3o deste massivo sistema protobin\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/binary1(215x285mm)-2263x3000.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/a100fdf19e4c.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem art\u00edstica da forma\u00e7\u00e3o de um sistema bin\u00e1rio massivo e \u00edntimo, mostrando discos desalinhados em torno de duas estrelas jovens.<br>Cr\u00e9dito: Y. Zhang<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que descobriram surpreendeu-os. Em vez de uma \u00f3rbita bem definida e aproximadamente circular, as estrelas seguem uma trajet\u00f3ria altamente exc\u00eantrica, com as solu\u00e7\u00f5es orbitais mais prov\u00e1veis a aproximarem-se de uma trajet\u00f3ria parab\u00f3lica. E, em vez de estarem alinhadas &#8211; como seria de esperar se as estrelas se tivessem formado a partir do mesmo disco -, os discos que as rodeiam est\u00e3o inclinados num \u00e2ngulo acentuado uns em rela\u00e7\u00e3o aos outros e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria \u00f3rbita. &#8220;Parecia que est\u00e1vamos a resolver um puzzle tridimensional&#8221;, afirmou Yao Wang, o primeiro autor do estudo. &#8220;Cada nova observa\u00e7\u00e3o acrescentava mais uma pe\u00e7a e, eventualmente, a \u00f3rbita, os discos e os jatos juntaram-se todos numa imagem \u00fanica e coerente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta arquitetura descoordenada e de aspeto ca\u00f3tico \u00e9 dif\u00edcil de explicar se as duas estrelas tivessem crescido juntas no mesmo disco &#8211; nesse cen\u00e1rio, seria de esperar que herdassem rota\u00e7\u00f5es semelhantes e bem alinhadas. Em vez disso, as evid\u00eancias apontam para uma origem diferente: as duas estrelas provavelmente come\u00e7aram a formar-se separadamente, nas suas pr\u00f3prias bolsas individuais de g\u00e1s, antes de um encontro pr\u00f3ximo e fortuito as ter levado \u00e0 sua configura\u00e7\u00e3o atual, enquanto ainda estavam envoltas na sua nuvem natal. Em solu\u00e7\u00f5es orbitais representativas, as estrelas passaram mais pr\u00f3ximas uma da outra apenas cerca de 60 anos antes das observa\u00e7\u00f5es, praticamente um instante em escalas de tempo c\u00f3smicas. Os discos compactos observados hoje parecem ter sobrevivido ao encontro, mantendo estruturas girat\u00f3rias bem definidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este estudo demonstra que as fases iniciais da vida das estrelas podem ser bastante ca\u00f3ticas, com um encontro fortuito a levar a esta dan\u00e7a gravitacional e ao acoplamento estelar&#8221;, afirmou Jonathan C. Tan, coautor do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda n\u00e3o \u00e9 certo se as duas estrelas permanecer\u00e3o ligadas gravitacionalmente uma \u00e0 outra para sempre &#8211; o seu movimento atual situa-se pr\u00f3ximo da linha divis\u00f3ria entre uma \u00f3rbita ligada e uma que poderia, eventualmente, separ\u00e1-las, e as intera\u00e7\u00f5es com o g\u00e1s circundante podem ainda influenciar o seu destino num sentido ou noutro. Observa\u00e7\u00f5es futuras ajudar\u00e3o a esclarecer essa quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De forma mais ampla, o estudo abre uma nova via para investigar como as estrelas bin\u00e1rias massivas se formam. Ao aplicar a mesma abordagem de monitoriza\u00e7\u00e3o a longo prazo a outros sistemas bin\u00e1rios massivos e jovens, os astr\u00f3nomos esperam descobrir com que frequ\u00eancia encontros pr\u00f3ximos como este &#8211; em vez do nascimento conjunto num \u00fanico disco &#8211; d\u00e3o origem aos sistemas bin\u00e1rios massivos observados em toda a nossa Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/en\/press-releases\/alma-watches-a-massive-binary-assemble-in-real-time\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Observat\u00f3rio ALMA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/alma-telescope.jp\/en\/news\/mbassemble-202609.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ NAOJ (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-026-02953-z\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>IRAS 07299-1651:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/simbad.cds.unistra.fr\/simbad\/sim-id?Ident=IRAS+07299-1651\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Simbad<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_formation\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Protostar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Protoestrela (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/telescopes\/alma\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ALMA (ESO)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ALMA acompanhou durante quase oito anos duas estrelas massivas ainda em forma\u00e7\u00e3o no sistema IRAS 07299\u22121651. As estrelas seguem uma \u00f3rbita muito exc\u00eantrica e possuem discos de g\u00e1s fortemente desalinhados, sugerindo que se formaram separadamente e que s\u00f3 depois se juntaram num encontro gravitacional, em vez de nascerem do mesmo disco.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9275,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,1],"tags":[305,332,2166],"class_list":["post-9274","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-telescopios-profissionais","tag-alma","tag-formacao-estelar","tag-iras-07299-1651"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9274","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9274"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9274\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9276,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9274\/revisions\/9276"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9275"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9274"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9274"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9274"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}