{"id":9265,"date":"2026-09-08T06:13:00","date_gmt":"2026-09-08T05:13:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9265"},"modified":"2026-09-08T06:13:02","modified_gmt":"2026-09-08T05:13:02","slug":"investigadores-estudam-um-centauro-que-se-transforma-num-cometa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/09\/08\/investigadores-estudam-um-centauro-que-se-transforma-num-cometa\/","title":{"rendered":"Investigadores estudam um centauro que se transforma num cometa"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/22dc3a8ae26b.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/22dc3a8ae26b-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9266\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/22dc3a8ae26b-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/22dc3a8ae26b-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/22dc3a8ae26b-768x512.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/22dc3a8ae26b.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o que mostra um pequeno corpo gelado a libertar material enquanto viaja pelo espa\u00e7o. Os centauros como 450P\/LONEOS orbitam entre J\u00fapiter e Neptuno e podem apresentar atividade semelhante \u00e0 dos cometas \u00e0 medida que viajam pelo Sistema Solar exterior.<br>Cr\u00e9dito: iStock<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mais de 4,8 mil milh\u00f5es de quil\u00f3metros da Terra, um antigo objeto gelado est\u00e1 lentamente a despertar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que se desloca mais para dentro do Sistema Solar, o corpo gelado conhecido como Centauro 450P\/LONEOS come\u00e7ou a libertar g\u00e1s e poeira &#8211; um comportamento mais frequentemente associado aos cometas do que aos centauros, os pequenos objetos gelados que normalmente orbitam entre J\u00fapiter e Neptuno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, investigadores liderados pelo cientista planet\u00e1rio e professor associado da Universidade da Fl\u00f3rida Central, Charles Schambeau, afirmam que poder\u00e3o estar a testemunhar as fases iniciais da transforma\u00e7\u00e3o de um centauro num cometa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando observa\u00e7\u00f5es do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA e do telesc\u00f3pio Gemini North, no Hawaii, os cientistas detetaram di\u00f3xido de carbono, poeira gelada e sinais de atividade t\u00e9rmica recente em torno de 450P\/LONEOS. As descobertas, aceites para publica\u00e7\u00e3o na revista The Planetary Science Journal, poder\u00e3o fornecer novas informa\u00e7\u00f5es sobre como corpos gelados distantes evoluem para cometas ativos \u00e0 medida que migram para o interior do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os centauros s\u00e3o cientificamente importantes porque pensa-se que s\u00e3o objetos de transi\u00e7\u00e3o que tiveram origem mais longe no Sistema Solar e que est\u00e3o a evoluir lentamente para se tornarem cometas da fam\u00edlia de J\u00fapiter. Nesse sentido, proporcionam-nos uma forma de estudar material relativamente primitivo do Sistema Solar exterior, enquanto este come\u00e7a a responder a um aquecimento solar mais intenso&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Um encontro pr\u00f3ximo com Saturno<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores pensam que 450P\/LONEOS come\u00e7ou a &#8220;acordar&#8221; depois de um encontro gravitacional pr\u00f3ximo com Saturno, em 1992, ter alterado significativamente a sua \u00f3rbita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de investiga\u00e7\u00e3o, que incluiu a investigadora cient\u00edfica Maria Womack, do Grupo de Ci\u00eancias Planet\u00e1rias, o professor Yan Fernandez e o estudante Aren Beck, descobriu que a intera\u00e7\u00e3o deslocou o objeto para dentro, a partir de uma trajet\u00f3ria mais distante, aproximando o seu peri\u00e9lio &#8211; o ponto da sua \u00f3rbita mais pr\u00f3ximo do Sol &#8211; de J\u00fapiter.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que o centauro se aproximava do Sol, os investigadores observaram a forma\u00e7\u00e3o gradual de uma t\u00e9nue cabeleira, uma nuvem de g\u00e1s e poeira que envolve o objeto e que \u00e9 frequentemente associada \u00e0 atividade comet\u00e1ria. A monitoriza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua entre 2019 e 2024 revelou que a cabeleira se tornou cada vez mais vis\u00edvel \u00e0 medida que a dist\u00e2ncia do objeto em rela\u00e7\u00e3o ao Sol diminu\u00eda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esse aumento do aquecimento solar pode tornar mais quente a superf\u00edcie e as camadas subsuperficiais do n\u00facleo&#8221;, afirma Schambeau. &#8220;\u00c0 medida que essas camadas aquecem, gelos vol\u00e1teis ou gases retidos podem ser libertados, o que pode arrastar poeira para longe da superf\u00edcie e produzir uma cabeleira&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Detetando di\u00f3xido de carbono no espa\u00e7o profundo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das descobertas mais significativas do estudo prov\u00e9m do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb, que detetou g\u00e1s de di\u00f3xido de carbono em torno de 450P\/LONEOS a uma dist\u00e2ncia em que a \u00e1gua congelada comum normalmente se sublimaria eficazmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores encontraram fortes evid\u00eancias da emiss\u00e3o de di\u00f3xido de carbono, mas nenhum sinal de vapor de \u00e1gua ou mon\u00f3xido de carbono, o que sugere que o di\u00f3xido de carbono \u00e9 provavelmente o respons\u00e1vel pela atividade do centauro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As observa\u00e7\u00f5es revelaram tamb\u00e9m gr\u00e3os de poeira gelada no interior da cabeleira, incluindo poss\u00edveis sinais de gelo de \u00e1gua cristalino &#8211; material que poder\u00e1 preservar evid\u00eancias da evolu\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica do objeto \u00e0 medida que este \u00e9 aquecido na sua nova \u00f3rbita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A dete\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono foi importante porque identificou diretamente um dos gases que provavelmente est\u00e1 a impulsionar a atividade&#8221;, afirma Schambeau. &#8220;\u00c0 dist\u00e2ncia de 450P em rela\u00e7\u00e3o ao Sol, o n\u00facleo \u00e9 demasiado frio para que a sublima\u00e7\u00e3o normal do gelo seja a principal fonte de atividade; por isso, a dete\u00e7\u00e3o de CO\u2082 d\u00e1-nos uma pista importante sobre o que est\u00e1 a alimentar a cabeleira. O poss\u00edvel gelo cristalino tamb\u00e9m \u00e9 interessante porque sugere que parte do gelo na cabeleira sofreu aquecimento ou transforma\u00e7\u00e3o f\u00edsica, em vez de permanecer completamente inalterado desde a sua forma\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Compreendendo como os cometas surgem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apenas uma fra\u00e7\u00e3o relativamente pequena dos centauros conhecidos apresenta atividade vis\u00edvel, o que torna objetos como 450P\/LONEOS especialmente valiosos para estudar como os corpos gelados primitivos evoluem ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A investiga\u00e7\u00e3o sugere que a atividade recente do objeto pode estar ligada ao aquecimento sob a sua superf\u00edcie. \u00c0 medida que o gelo amorfo enterrado &#8211; uma forma irregular de gelo que ret\u00e9m gases no interior da sua estrutura porosa &#8211; aquece e se transforma em gelo cristalino, liberta di\u00f3xido de carbono para o espa\u00e7o, arrastando consigo poeira e criando a cabeleira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Pensamos que este processo pode explicar como 450P se tornou ativo depois da sua \u00f3rbita ter mudado e de ter come\u00e7ado a receber mais luz solar&#8221;, afirma Schambeau. &#8220;O g\u00e1s libertado pode escapar atrav\u00e9s do n\u00facleo poroso e elevar gr\u00e3os de poeira para a cabeleira circundante&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em conjunto, estas descobertas podem proporcionar aos cientistas uma melhor compreens\u00e3o de como os corpos gelados distantes evoluem gradualmente para se tornarem os cometas ativos que visitam periodicamente o Sistema Solar interior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O estudo de objetos como 450P ajuda-nos a estabelecer liga\u00e7\u00f5es entre diferentes fases da evolu\u00e7\u00e3o dos pequenos corpos&#8221;, afirma Schambeau. &#8220;Os centauros est\u00e3o provavelmente relacionados com os objetos transneptunianos e alguns acabar\u00e3o por se tornar cometas de per\u00edodo curto. Ao estudar a sua atividade, as propriedades da superf\u00edcie e a composi\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias vol\u00e1teis, podemos aprender como os n\u00facleos dos cometas se alteram \u00e0 medida que se deslocam para o interior do Sistema Solar, durante quanto tempo preservam os gelos primitivos e que processos f\u00edsicos transformam um corpo gelado, que de outra forma permaneceria inativo, num cometa ativo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.ucf.edu\/news\/ucf-researchers-study-a-centaur-transforming-into-a-comet\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Universidade da Fl\u00f3rida Central (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2605.24260\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>450P\/LONEOS:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/ssd.jpl.nasa.gov\/tools\/sbdb_lookup.html#\/?sstr=1000473\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA\/JPL<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/450P\/LONEOS\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Centauro:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Centaur_(minor_planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.minorplanetcenter.org\/iau\/lists\/Centaurs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Centro de Planetas Menores da UAI<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cometa:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Comet\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/nirspec\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio Internacional Gemini:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.gemini.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gemini_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O centauro 450P\/LONEOS, a mais de 4,8 mil milh\u00f5es de quil\u00f3metros da Terra, parece estar a iniciar a transforma\u00e7\u00e3o num cometa. 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