{"id":9251,"date":"2026-09-01T06:14:48","date_gmt":"2026-09-01T05:14:48","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9251"},"modified":"2026-09-01T06:14:48","modified_gmt":"2026-09-01T05:14:48","slug":"sera-que-os-buracos-negros-fingem-ter-grandes-massas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/09\/01\/sera-que-os-buracos-negros-fingem-ter-grandes-massas\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 que os buracos negros fingem ter grandes massas?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/914985a0c0d0.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1019\" height=\"573\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/914985a0c0d0.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9252\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/914985a0c0d0.jpg 1019w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/914985a0c0d0-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/914985a0c0d0-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1019px) 100vw, 1019px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma an\u00e1lise mais aprofundada do evento de ondas gravitacionais GW231123.<br>Cr\u00e9dito: simula\u00e7\u00e3o &#8211; I. Markin (Universidade de Potsdam), H. Pfeiffer (Instituto Max Planck de F\u00edsica Gravitacional), T. Dietrich (Universidade de Potsdam e Instituto Max Planck de F\u00edsica Gravitacional); colagem &#8211; B. Knispel, M. Zumalac\u00e1rregui (Instituto Max Planck de F\u00edsica Gravitacional)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sinal de ondas gravitacionais GW231123, captado pelos dois detetores LIGO nos EUA a 23 de novembro de 2023, resultante da fus\u00e3o de dois buracos negros, continua a intrigar os cientistas. Dadas as suas grandes massas, a exist\u00eancia destes buracos negros n\u00e3o pode ser explicada com o conhecimento padr\u00e3o acerca da evolu\u00e7\u00e3o estelar. Al\u00e9m de serem muito massivos, tamb\u00e9m giram muito rapidamente. Isto torna a interpreta\u00e7\u00e3o do sinal particularmente desafiante e sugere, para o sistema bin\u00e1rio, uma hist\u00f3ria de forma\u00e7\u00e3o invulgar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num novo estudo, uma equipa de investiga\u00e7\u00e3o do Instituto Max Planck de F\u00edsica Gravitacional (AEI, sigla inglesa para Albert Einstein Institute), no Parque Cient\u00edfico de Potsdam, Alemanha, investigou se as massas e as rota\u00e7\u00f5es medidas pareciam maiores do que realmente eram devido ao efeito de uma lente gravitacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Luz em trajet\u00f3rias curvas e ondas gravitacionais distorcidas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A luz que viaja pelo Universo \u00e9 desviada por objetos massivos, resultando, por vezes, em m\u00faltiplas imagens da mesma fonte astrof\u00edsica. Este efeito de lente gravitacional tem de ser tido em conta para interpretar corretamente as observa\u00e7\u00f5es. O efeito de lente \u00e9 observado rotineiramente em fontes eletromagn\u00e9ticas, como estrelas e gal\u00e1xias, e espera-se que ocorra numa fra\u00e7\u00e3o das fontes de ondas gravitacionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Tal como a luz, as ondas gravitacionais tamb\u00e9m podem ser desviadas, ampliadas e divididas em m\u00faltiplos sinais por objetos massivos&#8221;, afirma Miguel Zumalac\u00e1rregui, chefe de grupo no Departamento de Relatividade Astrof\u00edsica e Cosmol\u00f3gica do AEI. &#8220;No caso das ondas gravitacionais, os efeitos de difra\u00e7\u00e3o e interfer\u00eancia proporcionam-nos uma forma adicional de identificar e estudar sinais que sofreram lente gravitacional&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dete\u00e7\u00e3o destes efeitos subtis de difra\u00e7\u00e3o por lente requer detetores sens\u00edveis e m\u00e9todos inovadores de an\u00e1lise de dados. Para tornar esta an\u00e1lise poss\u00edvel, a equipa desenvolveu uma descri\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica do efeito de lente das ondas gravitacionais e software suficientemente r\u00e1pido para analisar os dados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se assumirmos que o sinal GW231123 foi desviado e distorcido por um objeto compacto com cerca de 190 a 850 massas solares &#8211; ou por uma estrutura extensa, como um enxame globular -, podemos compreender as grandes massas observadas&#8221;, afirma Srashti Goyal, coautora principal e investigadora de p\u00f3s-doutoramento no AEI de Potsdam quando se debru\u00e7ou neste tema. &#8220;Al\u00e9m disso, a interpreta\u00e7\u00e3o do efeito de lente n\u00e3o requer rota\u00e7\u00f5es invulgarmente elevadas&#8221;. Tendo estes efeitos em conta, a massa total da fonte seria de cerca de 140 massas solares, em vez de cerca de 230 massas solares. O sistema seria, assim, muito menos extremo e mais f\u00e1cil de enquadrar nos cen\u00e1rios conhecidos de forma\u00e7\u00e3o de buracos negros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>&#8220;Across the Universe&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O t\u00edtulo do estudo, &#8220;Across the Universe&#8221;, \u00e9 uma refer\u00eancia aos Beatles &#8211; mas, neste caso, a viagem altera realmente a forma como a fonte se apresenta. \u00c0 medida que as ondas gravitacionais viajam pelo Universo em expans\u00e3o, os seus comprimentos de onda s\u00e3o esticados e as suas frequ\u00eancias reduzidas (um efeito conhecido como desvio para o vermelho cosmol\u00f3gico) &#8211; o equivalente a baixar o tom de um som. Tal como um violoncelo tocado num tom mais grave pode ser confundido com um contrabaixo, um distante sistema bin\u00e1rio de buracos negros pode parecer mais massivo do que realmente \u00e9. A amplia\u00e7\u00e3o gravitacional contribui para a ilus\u00e3o, fazendo com que a fonte distante pare\u00e7a mais pr\u00f3xima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A nossa an\u00e1lise tamb\u00e9m sugere que a lente compacta estava imersa num campo gravitacional mais vasto, como o da gal\u00e1xia que a acolhe&#8221;, acrescenta H\u00e9ctor Villarrubia-Rojo, coautor principal do estudo e investigador de p\u00f3s-doutoramento na Universidade Complutense de Madrid, em Espanha. &#8220;Ao incluir este potencial externo, podemos descrever a difra\u00e7\u00e3o em pequena escala e a amplia\u00e7\u00e3o em grande escala num \u00fanico quadro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Novas informa\u00e7\u00f5es de ondas gravitacionais com efeito de lente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 ao momento, os investigadores n\u00e3o detetaram de forma inequ\u00edvoca quaisquer sinais afetados pelo efeito de lente gravitacional nos dados dos detetores de ondas gravitacionais. De acordo com o novo estudo, GW231123 \u00e9 um candidato promissor para um evento deste tipo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A natureza da lente continua a ser um grande mist\u00e9rio na nossa an\u00e1lise, uma vez que lentes compactas individuais com 100 a 1000 massas solares deveriam ser extremamente raras&#8221;, acrescenta Zumalac\u00e1rregui. &#8220;Trabalhos futuros ter\u00e3o de determinar se tais lentes se podem formar ou se um conjunto de objetos mais leves, incluindo estrelas, pode explicar este evento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados atuais ainda n\u00e3o permitem afirmar de forma inequ\u00edvoca que se trata de um efeito de lente gravitacional. No entanto, ap\u00f3s novas atualiza\u00e7\u00f5es dos detetores, os cientistas esperam conseguir detetar e interpretar ondas gravitacionais distorcidas por lentes, utilizando novos m\u00e9todos de an\u00e1lise de dados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dete\u00e7\u00e3o &#8211; ou a aus\u00eancia dela &#8211; de ondas gravitacionais desviadas pela gravidade de outros objetos proporcionar\u00e1 novas informa\u00e7\u00f5es sobre a astronomia de ondas gravitacionais: a amplia\u00e7\u00e3o gravitacional pode revelar fus\u00f5es de buracos negros para al\u00e9m da dist\u00e2ncia que os detetores atuais conseguem normalmente alcan\u00e7ar, enquanto a difra\u00e7\u00e3o pode sondar objetos compactos e estruturas de mat\u00e9ria escura ao longo da linha de vis\u00e3o. Consequentemente, estas ondas gravitacionais desviadas poder\u00e3o tornar-se um novo m\u00e9todo para explorar o Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.aei.mpg.de\/1490509\/do-black-holes-pretend-to-have-large-masses\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Instituto Max Planck de F\u00edsica Gravitacional (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ae93b1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GW231123:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/ligo.org\/detections\/gw231123\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Colabora\u00e7\u00e3o LIGO<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/GW231123\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ondas gravitacionais:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/gracedb.ligo.org\/latest\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">GraceDB (Gravitational Wave Candidate Event Database)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_wave\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_wave_detection\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Astronomia de ondas gravitacionais \u2013 Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.universetoday.com\/127255\/gravitational-waves-101\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ondas gravitacionais: como distorcem o espa\u00e7o \u2013 Universe Today<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.universetoday.com\/127286\/gravitational-wave-detectors-how-they-work\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Detetores: como funcionam \u2013 Universe Today<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.universetoday.com\/127329\/gravitational-wave-sources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">As fontes de ondas gravitacionais \u2013 Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4GbWfNHtHRg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O que \u00e9 uma onda gravitacional (YouTube)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lentes gravitacionais:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_lensing\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/ligo.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.ligo.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/LIGO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo estudo sugere que o sinal de ondas gravitacionais GW231123 poder\u00e1 ter sido ampliado e distorcido por uma lente gravitacional, fazendo os dois buracos negros parecerem mais massivos do que realmente s\u00e3o. Em vez de cerca de 100 e 140 massas solares, o sistema teria aproximadamente 140 massas solares no total, tornando a sua forma\u00e7\u00e3o menos dif\u00edcil de explicar.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9252,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[151,62,1],"tags":[192,1941,109,443,445],"class_list":["post-9251","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-buracos-negros","category-cosmologia","category-telescopios-profissionais","tag-buraco-negro","tag-gw231123","tag-lentes-gravitacionais","tag-ligo","tag-ondas-gravitacionais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9251","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9251"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9251\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9253,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9251\/revisions\/9253"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9252"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}