{"id":9242,"date":"2026-08-28T06:21:37","date_gmt":"2026-08-28T05:21:37","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9242"},"modified":"2026-08-28T06:21:38","modified_gmt":"2026-08-28T05:21:38","slug":"descoberta-anomalia-termica-sob-o-polo-sul-de-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/08\/28\/descoberta-anomalia-termica-sob-o-polo-sul-de-marte\/","title":{"rendered":"Descoberta anomalia t\u00e9rmica sob o polo sul de Marte"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/5c3122ee245a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"518\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/5c3122ee245a-1024x518.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9243\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/5c3122ee245a-1024x518.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/5c3122ee245a-300x152.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/5c3122ee245a-768x389.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/5c3122ee245a-1536x778.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/5c3122ee245a.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica do interior quente do hemisf\u00e9rio sul de Marte.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/Theophilus Britt Griswold<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base em medi\u00e7\u00f5es gravitacionais que fornecem pistas sobre a estrutura interna do Planeta Vermelho, o interior do hemisf\u00e9rio sul de Marte \u00e9 cerca de 200 a 400 graus Celsius mais quente do que a metade norte do planeta e encontra-se parcialmente derretido. Esta descoberta surpreendente acrescenta mais contexto \u00e0 hist\u00f3ria marciana e aos per\u00edodos em que o planeta poder\u00e1 ter apresentado condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A investiga\u00e7\u00e3o foi liderada por Alexander Berne (doutoramento em 2026), antigo aluno do Caltech, que \u00e9 atualmente investigador de p\u00f3s-doutoramento na Universidade do Arizona. As conclus\u00f5es foram apresentadas num artigo cient\u00edfico publicado dia 27 de agosto na revista Nature.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante os seus estudos no Caltech, Berne desenvolveu um modelo que utiliza varia\u00e7\u00f5es nos dados gravitacionais para inferir a estrutura do interior de um corpo planet\u00e1rio. Berne e os seus colaboradores procuraram ent\u00e3o aplicar esse modelo \u00e0 compreens\u00e3o do interior de Marte. Utilizando dados recolhidos ao longo de d\u00e9cadas por tr\u00eas miss\u00f5es marcianas diferentes &#8211; a Mars Global Surveyor, a Mars Odyssey e a MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) -, a equipa mediu pequenas varia\u00e7\u00f5es nas velocidades destas naves espaciais e utilizou-as para reconstruir o campo gravitacional em torno de Marte. As for\u00e7as gravitacionais exercidas pelo Sol sobre Marte variam ao longo de escalas temporais sazonais, em resultado da \u00f3rbita ligeiramente el\u00edptica de Marte e da inclina\u00e7\u00e3o do seu eixo de rota\u00e7\u00e3o. Uma t\u00e9cnica denominada tomografia de mar\u00e9s mede a forma como essas assinaturas gravitacionais variam ao longo do tempo e resulta num modelo do interior do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os cientistas costumam partir do princ\u00edpio de que o interior dos corpos planet\u00e1rios \u00e9, em geral, esfericamente sim\u00e9trico, mas isso n\u00e3o \u00e9 necessariamente verdade&#8221;, afirma Berne. &#8220;\u00c0 medida que obtemos mais dados sobre a gravidade, conseguimos determinar as complexidades tridimensionais da estrutura interna de um planeta. Estas infer\u00eancias, por sua vez, proporcionam-nos um plano para conceber futuras miss\u00f5es e a explora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica destes mundos. Compreender a estrutura interna dos corpos planet\u00e1rios ajuda-nos a desvendar os processos que moldaram a sua forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 superf\u00edcie, Marte \u00e9 um planeta geologicamente assim\u00e9trico: o seu hemisf\u00e9rio sul cont\u00e9m montanhas imponentes e crateras profundas, enquanto o hemisf\u00e9rio norte \u00e9 composto por plan\u00edcies baixas. No novo estudo, a equipa ficou surpreendida ao descobrir que o interior de Marte tamb\u00e9m \u00e9 termicamente assim\u00e9trico &#8211; o hemisf\u00e9rio sul \u00e9 centenas de graus mais quente do que o norte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta nova observa\u00e7\u00e3o sugere tamb\u00e9m explica\u00e7\u00f5es para outros fen\u00f3menos observados em Marte, tais como as anomalias magn\u00e9ticas encontradas em minerais de ferro no sul. Uma anomalia t\u00e9rmica no manto meridional poderia significar que existia um campo magn\u00e9tico suficientemente forte para causar diferen\u00e7as magn\u00e9ticas entre o norte e o sul. Al\u00e9m disso, a miss\u00e3o InSight da NASA j\u00e1 tinha descoberto anteriormente que as ondas s\u00edsmicas se dissipam mais rapidamente no sul, o que poderia ser explicado se a regi\u00e3o fosse mais quente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 importante compreender a dicotomia que observamos entre o norte e o sul, pois fornece informa\u00e7\u00f5es sobre processos que podem ter influenciado a hidrologia de Marte, incluindo a forma\u00e7\u00e3o de bacias que podem ter contido \u00e1gua&#8221;, afirma Amirhossein Bagheri, investigador de p\u00f3s-doutoramento no Caltech e coautor do artigo cient\u00edfico. Bagheri \u00e9 tamb\u00e9m um antigo membro da equipa da InSight.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda n\u00e3o \u00e9 claro o que causou a anomalia t\u00e9rmica, e existem v\u00e1rias hip\u00f3teses acerca das suas origens, incluindo um impacto gigante que libertou calor a partir do norte, convec\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea passada no manto sul de Marte e caracter\u00edsticas geol\u00f3gicas espessas que impedem o excesso de calor de escapar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.caltech.edu\/about\/news\/thermal-anomaly-discovered-below-marss-south-pole\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Caltech (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-026-10893-x\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Nine Planets<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mars Global Surveyor:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/mars.nasa.gov\/mgs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_Global_Surveyor\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mars Odyssey:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/mars.jpl.nasa.gov\/odyssey\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/2001_Mars_Odyssey\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>MRO (Mars Reconnaissance Orbiter):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/MRO\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_Reconnaissance_Orbiter\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>InSight:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/mars.nasa.gov\/insight\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/InSight\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados gravitacionais de tr\u00eas miss\u00f5es da NASA revelaram uma surpreendente assimetria no interior de Marte: o hemisf\u00e9rio sul \u00e9 200 a 400 \u00b0C mais quente do que o norte e poder\u00e1 estar parcialmente fundido. A descoberta, obtida atrav\u00e9s de &#8220;tomografia de mar\u00e9s&#8221;, poder\u00e1 explicar anomalias magn\u00e9ticas e s\u00edsmicas e fornecer novas pistas sobre a evolu\u00e7\u00e3o e o passado aqu\u00e1tico de Marte.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9243,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16,1],"tags":[344,819,220,4,442],"class_list":["post-9242","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-insight","tag-mars-global-surveyor","tag-mars-odyssey","tag-marte","tag-mro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9242","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9242"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9242\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9244,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9242\/revisions\/9244"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9243"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9242"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9242"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9242"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}