{"id":9233,"date":"2026-08-25T06:16:49","date_gmt":"2026-08-25T05:16:49","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9233"},"modified":"2026-08-25T06:16:50","modified_gmt":"2026-08-25T05:16:50","slug":"como-a-rotacao-estelar-explica-o-escurecimento-dos-claroes-dos-buracos-negros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/08\/25\/como-a-rotacao-estelar-explica-o-escurecimento-dos-claroes-dos-buracos-negros\/","title":{"rendered":"Como a rota\u00e7\u00e3o estelar explica o escurecimento dos clar\u00f5es dos buracos negros"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/9075ad41f546.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/9075ad41f546-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9234\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/9075ad41f546-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/9075ad41f546-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/9075ad41f546-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/9075ad41f546.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma simula\u00e7\u00e3o hidrodin\u00e2mica de uma estrela a ser despeda\u00e7ada pelas for\u00e7as de mar\u00e9 de um buraco negro supermassivo.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/S. Gezari (Universidade Johns Hopkins)\/ J. Guillochon (Universidade da Calif\u00f3rnia em Santa Cruz)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No centro da maioria das gal\u00e1xias encontra-se um buraco negro supermassivo, com uma massa que varia entre milh\u00f5es e milhares de milh\u00f5es de vezes a do nosso Sol e com uma das gravidades mais extremas do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algumas estrelas que se aventuram demasiado perto desses buracos negros sobrevivem para contar a hist\u00f3ria. Em vez de serem completamente destru\u00eddas, sobrevivem para fazer repetidas passagens pr\u00f3ximas, produzindo, de cada vez, um novo clar\u00e3o de luz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes eventos recorrentes e parciais de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s (com a sigla inglesa &#8220;rpTDEs&#8221;, &#8220;repeating partial tidal disruption events&#8221;) d\u00e3o aos astr\u00f3nomos a oportunidade de observar a intera\u00e7\u00e3o entre a mesma estrela e o buraco negro a desenrolar-se repetidamente, gra\u00e7as a levantamentos de campo largo e no dom\u00ednio do tempo que estudam regularmente grandes \u00e1reas do c\u00e9u \u00e0 procura de objetos cujo brilho se altera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, em v\u00e1rios casos, os investigadores notaram um padr\u00e3o intrigante: os clar\u00f5es sucessivos tornam-se progressivamente mais fracos. Durante anos, os modelos te\u00f3ricos n\u00e3o conseguiram explicar porqu\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, uma equipa de astrof\u00edsicos da Universidade de Syracuse demonstrou que a resposta pode residir num factor anteriormente ignorado &#8211; a rota\u00e7\u00e3o da estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo, publicado na revista The Astrophysical Journal, foi liderado pela doutoranda Ananya Bandopadhyay, em colabora\u00e7\u00e3o com o investigador de p\u00f3s-doutoramento Benjamin Amend e o professor associado Eric Coughlin &#8211; todos do Departamento de F\u00edsica -, bem como com colegas de outras institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quando as estrelas encontram buracos negros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num t\u00edpico evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s (com a sigla inglesa &#8220;TDE&#8221;, &#8220;tidal disruption event&#8221;), a for\u00e7a de mar\u00e9 de um buraco negro &#8211; a diferen\u00e7a na atra\u00e7\u00e3o gravitacional exercida sobre uma estrela pr\u00f3xima &#8211; destr\u00f3i completamente a estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que os detritos estelares resultantes da destrui\u00e7\u00e3o caem em dire\u00e7\u00e3o ao buraco negro, perdem energia que \u00e9 emitida sob a forma de luz ao longo de dias ou meses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora os pr\u00f3prios buracos negros n\u00e3o emitam luz, os TDEs fornecem um abastecimento de combust\u00edvel de curta dura\u00e7\u00e3o que ilumina a regi\u00e3o circundante, permitindo aos astr\u00f3nomos estudar indiretamente estes objetos que, de outra forma, seriam invis\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se uma estrela em \u00f3rbita de um buraco negro n\u00e3o se aproximar o suficiente para ser completamente despeda\u00e7ada, pode, no entanto, perder uma fra\u00e7\u00e3o da sua massa, resultando num TDE parcial. Num TDE parcial e recorrente, o n\u00facleo sobrevivente continua a orbitar o buraco negro, perdendo mais material a cada nova passagem pr\u00f3xima, com intervalos que variam entre alguns meses e v\u00e1rios anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O mist\u00e9rio do escurecimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quantidade de mat\u00e9ria que uma estrela perde durante encontros recorrentes depende, em parte, da sua estrutura interna. Bandopadhyay compara uma estrela de baixa massa a um merengue fofo, que pode tornar-se cada vez mais vulner\u00e1vel \u00e0s for\u00e7as de mar\u00e9 do buraco negro. Em contrapartida, uma estrela de maior massa tem uma estrutura mais concentrada no centro, semelhante a uma cebola, e pode perder as suas camadas exteriores enquanto o seu n\u00facleo denso permanece relativamente inalterado, perdendo quantidades cada vez menores de massa ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas diferen\u00e7as podem ajudar a explicar por que raz\u00e3o nem todos os rpTDEs se comportam da mesma forma. Mas um padr\u00e3o em particular tem intrigado os investigadores. Dos cerca de 10 sistemas recorrentes identificados at\u00e9 \u00e0 data, quatro produziram surtos que se tornam progressivamente mais fracos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diminui\u00e7\u00e3o da perda de massa pode parecer uma explica\u00e7\u00e3o \u00f3bvia. No entanto, simula\u00e7\u00f5es hidrodin\u00e2micas anteriores mostraram que, surpreendentemente, mesmo com a diminui\u00e7\u00e3o da quantidade de material perdido a cada encontro, as erup\u00e7\u00f5es previstas mantinham aproximadamente o mesmo brilho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Fic\u00e1mos estupefactos com isto durante dois anos&#8221;, afirma Bandopadhyay.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O seu trabalho anterior tinha revelado outro efeito das for\u00e7as de mar\u00e9 do buraco negro. Al\u00e9m de arrancarem material da estrela, estas for\u00e7as exercem um bin\u00e1rio que faz com que a estrela gire mais rapidamente a cada aproxima\u00e7\u00e3o. Como resultado, embora menos material volte a cair em dire\u00e7\u00e3o ao buraco negro, este regressa num per\u00edodo mais curto, ajudando a manter a explos\u00e3o prevista com aproximadamente o mesmo brilho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para reproduzir o escurecimento que os astr\u00f3nomos estavam efetivamente a observar, os investigadores precisavam do que Bandopadhyay designou como &#8220;um novo ingrediente&#8221; &#8211; uma estrela que j\u00e1 girasse rapidamente antes do seu primeiro encontro com o buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo estudo descobriu que esta rota\u00e7\u00e3o inicial impede que a estrela acelere significativamente a sua rota\u00e7\u00e3o durante cada passagem. Sem esse aumento adicional de rota\u00e7\u00e3o, a escala temporal durante a qual o material arrancado volta a cair permanece relativamente constante. \u00c0 medida que a estrela perde menos material a cada encontro, a taxa m\u00e1xima de queda &#8211; e o brilho previsto da erup\u00e7\u00e3o &#8211; podem finalmente diminuir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rastreando o passado da estrela<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas por que raz\u00e3o estaria a estrela j\u00e1 a girar t\u00e3o depressa?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 tamb\u00e9m extremamente dif\u00edcil &#8216;ligar&#8217; uma estrela a um buraco negro supermassivo de forma t\u00e3o \u00edntima que ela orbite o buraco negro numa quest\u00e3o de meses, e, no entanto, parece que isso acontece nos rpTDEs&#8221;, afirma Coughlin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O chamado mecanismo de Hills pode explicar ambos os fen\u00f3menos. Neste cen\u00e1rio, um par de estrelas em \u00f3rbita \u00edntima passa junto a um buraco negro supermassivo, que separa o sistema bin\u00e1rio, ejetando uma estrela e capturando a outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num sistema bin\u00e1rio \u00edntimo, as estrelas podem ficar em acoplamento de mar\u00e9, fazendo com que cada uma gire em torno do seu eixo \u00e0 mesma velocidade com que o par se orbita um ao outro. Quanto mais \u00edntimo for o sistema bin\u00e1rio, mais curto ser\u00e1 o per\u00edodo orbital e mais rapidamente girar\u00e1 uma estrela em acoplamento de mar\u00e9. Os sistemas bin\u00e1rios capazes de deixar uma estrela capturada na \u00f3rbita curta observada nos rpTDEs teriam de ser extremamente \u00edntimos &#8211; deixando tamb\u00e9m uma estrela em acoplamento de mar\u00e9 a girar rapidamente antes da sua captura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O trabalho de Ananya demonstra que cada uma destas peculiaridades pode ser explicada pelo mesmo fen\u00f3meno subjacente: a destrui\u00e7\u00e3o, por for\u00e7as de mar\u00e9, de um sistema bin\u00e1rio e a captura de uma das estrelas&#8221;, afirma Coughlin. &#8220;Do ponto de vista te\u00f3rico, este \u00e9 um grande passo em frente na nossa compreens\u00e3o da f\u00edsica em a\u00e7\u00e3o nestes sistemas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Numa perspetiva mais ampla, Coughlin sublinha que a captura de Hills tamb\u00e9m pode ter dado origem a algumas das estrelas que orbitam Sagit\u00e1rio A*, o buraco negro supermassivo no centro da Via L\u00e1ctea. As novas descobertas poder\u00e3o, portanto, ajudar a explicar algumas das propriedades das estrelas naquilo a que ele chama &#8220;o nosso pr\u00f3prio quintal cosmol\u00f3gico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/artsandsciences.syracuse.edu\/physics\/news\/the-spin-behind-fading-black-hole-flares\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Universidade de Syracuse (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ae8f31\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Evento de perturba\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s (sigla inglesa &#8220;TDE&#8221;, &#8220;tidal disruption event&#8221;):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Tidal_disruption_event\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mecanismo de Hills:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hills_mechanism\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astrof\u00edsicos da Universidade de Syracuse resolveram o mist\u00e9rio de clar\u00f5es que enfraquecem quando estrelas orbitam repetidamente buracos negros supermassivos. O estudo revela que uma rota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida inicial da estrela &#8211; com origem na captura de um sistema bin\u00e1rio &#8211; impede o aumento progressivo da rota\u00e7\u00e3o, reduzindo a luminosidade a cada passagem.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9234,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[151],"tags":[192,1039],"class_list":["post-9233","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-buracos-negros","tag-buraco-negro","tag-evento-de-perturbacao-de-mares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9233","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9233"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9233\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9235,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9233\/revisions\/9235"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9234"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9233"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9233"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9233"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}