{"id":9227,"date":"2026-08-21T06:12:49","date_gmt":"2026-08-21T05:12:49","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9227"},"modified":"2026-08-21T06:12:50","modified_gmt":"2026-08-21T05:12:50","slug":"hubble-e-gaia-desvendam-o-misterio-de-uma-fusao-nos-primeiros-anos-da-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/08\/21\/hubble-e-gaia-desvendam-o-misterio-de-uma-fusao-nos-primeiros-anos-da-via-lactea\/","title":{"rendered":"Hubble e Gaia desvendam o mist\u00e9rio de uma fus\u00e3o nos primeiros anos da Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.esahubble.org\/archives\/images\/large\/heic2611a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/643dc9ab4571-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9228\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/643dc9ab4571-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/643dc9ab4571-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/643dc9ab4571-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/643dc9ab4571.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">H\u00e1 cerca de 12 mil milh\u00f5es de anos, uma gal\u00e1xia an\u00e3 conhecida como LKH (\u00e0 esquerda) colidiu com uma Via L\u00e1ctea ainda jovem (\u00e0 direita) e fundiu-se com ela. Esta representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica retrata essa colis\u00e3o. O Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA descobriu evid\u00eancias conclusivas desta colis\u00e3o ocorrida h\u00e1 muito tempo, atrav\u00e9s do estudo de antigos enxames globulares.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, Joseph Olmsted (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, atingiu o seu tamanho atual, em parte, ao absorver gal\u00e1xias mais pequenas. Agora, novos dados do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA revelam evid\u00eancias definitivas de que uma gal\u00e1xia an\u00e3 se fundiu com a jovem Via L\u00e1ctea nas fases mais iniciais da sua evolu\u00e7\u00e3o. Esta descoberta alarga o nosso conhecimento da hist\u00f3ria da nossa Gal\u00e1xia, recuando 1,8 mil milh\u00f5es de anos no tempo em rela\u00e7\u00e3o ao que se sabia anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Via L\u00e1ctea \u00e9 hoje uma enorme gal\u00e1xia espiral que abriga centenas de milhares de milh\u00f5es de estrelas. No entanto, a nossa Gal\u00e1xia nem sempre foi t\u00e3o grande; cresceu atrav\u00e9s da forma\u00e7\u00e3o de novas estrelas a partir das suas nuvens de g\u00e1s, bem como da incorpora\u00e7\u00e3o de estrelas, g\u00e1s e mat\u00e9ria escura de outras gal\u00e1xias por meio de fus\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fus\u00e3o massiva mais recente na hist\u00f3ria da nossa Gal\u00e1xia ocorreu com a gal\u00e1xia an\u00e3 de Sagit\u00e1rio, tendo-se iniciado h\u00e1 mais de 6 mil milh\u00f5es de anos e continuando at\u00e9 aos dias de hoje. Olhando para um passado ainda mais distante, os investigadores descobriram que a Via L\u00e1ctea consumiu outra gal\u00e1xia an\u00e3 chamada Gaia-Salsicha-Enc\u00e9lado h\u00e1 10 mil milh\u00f5es de anos. Esta fus\u00e3o antiga afetou significativamente a estrutura do disco estelar da nossa Gal\u00e1xia. Entre estas duas fus\u00f5es ocorreram outras de menor dimens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a hist\u00f3ria da nossa Gal\u00e1xia n\u00e3o fica por a\u00ed. Tanto as observa\u00e7\u00f5es como as simula\u00e7\u00f5es t\u00eam sugerido que outra grande fus\u00e3o precedeu estas duas, embora os pormenores do evento tenham sido alvo de intenso debate. Agora, o Hubble revelou evid\u00eancias definitivas de uma fus\u00e3o anterior que ocorreu h\u00e1 cerca de 11,8 mil milh\u00f5es de anos, ou seja, apenas 2 mil milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A nossa casa \u00e9 a Via L\u00e1ctea, mas n\u00e3o sabemos como foi constru\u00edda&#8221;, afirmou Davide Massari, autor principal, do Observat\u00f3rio de Astrof\u00edsica e Ci\u00eancias Espaciais de Bolonha, em It\u00e1lia. &#8220;Neste artigo cient\u00edfico, descobrimos de onde veio o primeiro lote significativo de &#8216;tijolos&#8217;: uma gal\u00e1xia an\u00e3 a que chamamos LKH&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>S\u00edtios arqueol\u00f3gicos c\u00f3smicos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imensas observa\u00e7\u00f5es astron\u00f3micas e dados de precis\u00e3o provenientes de naves espaciais, como a miss\u00e3o Gaia da ESA, t\u00eam sido fundamentais para reconstruir a hist\u00f3ria da nossa Gal\u00e1xia. Quanto mais os cientistas tentam recuar na hist\u00f3ria da nossa Gal\u00e1xia, mais dif\u00edcil se torna perceber o que aconteceu. Quando a nossa Gal\u00e1xia era jovem, era mais pequena e muito mais pr\u00f3xima em tamanho das gal\u00e1xias com as quais colidiu. Era tamb\u00e9m mais ca\u00f3tica, e \u00e9 poss\u00edvel que os sinais das fus\u00f5es tenham sido apagados ao longo de milhares de milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi neste passado obscuro que o Hubble se debru\u00e7ou. Os investigadores utilizaram o Hubble para estudar alguns dos enxames globulares da Via L\u00e1ctea: cole\u00e7\u00f5es imensas, aproximadamente esf\u00e9ricas, de dezenas de milhares a alguns milh\u00f5es de estrelas. Os enxames globulares cont\u00eam algumas das estrelas mais antigas da nossa Gal\u00e1xia e podem atuar como s\u00edtios arqueol\u00f3gicos c\u00f3smicos que preservam estrelas de outras gal\u00e1xias que a Via L\u00e1ctea absorveu.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/0b26a26be7e8.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/0b26a26be7e8.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O Telesc\u00f3pio Espacial Hubble afasta-se lentamente do vaiv\u00e9m Discovery ap\u00f3s a sua liberta\u00e7\u00e3o. A fotografia foi tirada durante a miss\u00e3o STS-61, em 1997.<br>Cr\u00e9dito: NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Gra\u00e7as \u00e0 alta resolu\u00e7\u00e3o e profundidade das imagens do Hubble, conseguimos medir a idade e o teor de metais destes enxames com uma precis\u00e3o sem precedentes&#8221;, afirmou Chiara Zerbinati, coautora do estudo, da Universidade de Bolonha, em It\u00e1lia. &#8220;Em conjunto com as medi\u00e7\u00f5es do Gaia, isto permitiu distinguir uma popula\u00e7\u00e3o de enxames globulares que se diferencia dos restantes. Estes s\u00e3o os enxames que nasceram na gal\u00e1xia LKH e que nos revelam quando essa gal\u00e1xia foi devorada pela nossa e qual era a sua massa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa analisou observa\u00e7\u00f5es do Hubble de 39 enxames globulares nos 20.000 anos-luz mais pr\u00f3ximos da nossa Gal\u00e1xia, onde deveriam estar preservadas as evid\u00eancias das fus\u00f5es mais antigas. Esperavam que esta amostra contivesse enxames globulares que se formaram na jovem Via L\u00e1ctea, bem como aqueles provenientes da gal\u00e1xia an\u00e3 Gaia-Salsicha-Enc\u00e9lado, h\u00e1 cerca de 10 mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recorrendo \u00e0s observa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis do Hubble para determinar a idade precisa de cada enxame e a metalicidade associada &#8211; a abund\u00e2ncia de elementos mais pesados que o h\u00e9lio -, conclu\u00edram que existia uma terceira popula\u00e7\u00e3o de enxames globulares nas regi\u00f5es internas da nossa Gal\u00e1xia. A equipa descobriu que estes enxames s\u00e3o mais antigos do que o grupo resultante da fus\u00e3o Gaia-Salsicha-Enc\u00e9lado, mas mais jovens do que aqueles que nasceram na Via L\u00e1ctea, independentemente do seu teor de metais. Estes enxames, portanto, resultaram de uma fus\u00e3o separada e ainda mais antiga &#8211; na qual a Via L\u00e1ctea absorveu uma gal\u00e1xia an\u00e3 contendo cerca de 500 milh\u00f5es de vezes a massa do Sol em estrelas, uma fra\u00e7\u00e3o significativa da massa da nossa Gal\u00e1xia naquela \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chamaram a esta gal\u00e1xia an\u00e3 &#8220;Low-energy-Kraken-Heracles&#8221;, ou LKH, em homenagem a tr\u00eas artigos cient\u00edficos anteriores que defendiam a ideia de uma fus\u00e3o no in\u00edcio da hist\u00f3ria da nossa Gal\u00e1xia. Uma fus\u00e3o t\u00e3o grande, t\u00e3o cedo na forma\u00e7\u00e3o da Via L\u00e1ctea, tem implica\u00e7\u00f5es profundas para a evolu\u00e7\u00e3o da nossa Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Alguns estudos anteriores defenderam que as fases mais precoces da evolu\u00e7\u00e3o da nossa Gal\u00e1xia foram definidas por estrelas nascidas apenas na nossa Gal\u00e1xia&#8221;, afirma Davide. &#8220;Aqui, demonstr\u00e1mos que as estrelas nascidas em gal\u00e1xias exteriores tamb\u00e9m t\u00eam de ser tidas em conta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa planeia continuar o seu trabalho para desvendar a hist\u00f3ria da Via L\u00e1ctea atrav\u00e9s do estudo dos seus enxames globulares, com o objetivo de caracterizar todas as fus\u00f5es massivas por que a nossa Gal\u00e1xia passou ao longo da hist\u00f3ria c\u00f3smica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O Hubble est\u00e1 a observar enxames globulares que nunca foram estudados anteriormente, e isto ir\u00e1 ajudar-nos a caracterizar os eventos de fus\u00e3o que ocorreram h\u00e1 muito tempo na hist\u00f3ria da Via L\u00e1ctea&#8221;, afirmou Fernando Aguado-Agelet, coautor, da Universidade de Vigo e da Universidade de La Laguna, em Espanha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Hubble_Gaia_solve_our_galaxy_s_merger_mystery\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/esahubble.org\/news\/heic2611\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ ESA\/Hubble (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/hubble\/hubble-solves-merger-mystery-from-milky-ways-early-years\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.iac.es\/en\/outreach\/news\/iac-and-ull-have-contributed-hubble-discovery-reveals-one-earliest-mergers-milky-way\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ IAC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-026-02931-5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia-Salsicha-Enc\u00e9lado:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_Sausage\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/hubble\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/hst.esac.esa.int\/ehst\/#\/pages\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Arquivo de Ci\u00eancias do eHST<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">P\u00e1gina da ESA para a comunidade cient\u00edfica<\/a><br><a href=\"https:\/\/gea.esac.esa.int\/archive\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Arquivo de dados do Gaia (ESA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 cerca de 12 mil milh\u00f5es de anos, uma gal\u00e1xia an\u00e3 conhecida como LKH (\u00e0 esquerda) colidiu com uma Via L\u00e1ctea ainda jovem (\u00e0 direita) e fundiu-se com ela. 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