{"id":9208,"date":"2026-08-14T06:18:31","date_gmt":"2026-08-14T05:18:31","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9208"},"modified":"2026-08-14T06:18:32","modified_gmt":"2026-08-14T05:18:32","slug":"pela-primeira-vez-foram-descobertos-tres-buracos-negros-supermassivos-numa-unica-galaxia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/08\/14\/pela-primeira-vez-foram-descobertos-tres-buracos-negros-supermassivos-numa-unica-galaxia\/","title":{"rendered":"Pela primeira vez, foram descobertos tr\u00eas buracos negros supermassivos numa \u00fanica gal\u00e1xia"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/51f7518d544a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1019\" height=\"569\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/51f7518d544a.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9209\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/51f7518d544a.jpg 1019w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/51f7518d544a-300x168.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/51f7518d544a-768x429.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1019px) 100vw, 1019px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma visualiza\u00e7\u00e3o, gerada por IA, de uma gal\u00e1xia distante, que cont\u00e9m, al\u00e9m de poeira, g\u00e1s e estrelas jovens, tr\u00eas buracos negros massivos e ativos (esferas pretas, n\u00e3o \u00e0 escala) com discos de acre\u00e7\u00e3o brilhantes. Outras gal\u00e1xias distantes s\u00e3o vis\u00edveis em segundo plano e algumas estrelas em primeiro plano.<br>Cr\u00e9dito: Instituto Max Planck (gerado com IA)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos liderada pelo Instituto Max Planck de F\u00edsica Extraterrestre identificou tr\u00eas buracos negros supermassivos em acre\u00e7\u00e3o ativa na gal\u00e1xia J0148-4214. Trata-se de buracos negros para os quais a mat\u00e9ria est\u00e1 a cair a partir de um disco de acre\u00e7\u00e3o que os rodeia. A gal\u00e1xia est\u00e1 localizada a mais de 12,5 mil milh\u00f5es de anos-luz da Terra. A esta dist\u00e2ncia, a expans\u00e3o do pr\u00f3prio espa\u00e7o torna-se evidente. A gal\u00e1xia parece, portanto, estar a afastar-se de n\u00f3s, fazendo com que a luz recebida da gal\u00e1xia se desloque para comprimentos de onda mais longos, resultando no chamado desvio para o vermelho de z=5,02. Utilizando esse desvio para o vermelho, os investigadores calcularam a enorme dist\u00e2ncia da gal\u00e1xia. Est\u00e1 t\u00e3o longe que a sua luz viajou durante 12,5 mil milh\u00f5es de anos. Estamos, portanto, a ver a gal\u00e1xia tal como era apenas cerca de 1,2 mil milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta \u00e9 a primeira evid\u00eancia da exist\u00eancia de tr\u00eas buracos negros ativos numa \u00fanica gal\u00e1xia no Universo distante&#8221;, afirma Hannah \u00dcbler, l\u00edder do grupo de investiga\u00e7\u00e3o no Instituto Max Planck de F\u00edsica Extraterrestre e autora principal do estudo. Dois deles est\u00e3o localizados no centro gal\u00e1ctico e est\u00e3o separados por apenas 620 anos-luz em proje\u00e7\u00e3o. Um terceiro buraco negro est\u00e1 localizado na regi\u00e3o exterior da gal\u00e1xia, a uma dist\u00e2ncia de aproximadamente 5500 anos-luz do centro. &#8220;Isto sugere que os processos no Universo primitivo foram eficazes na aproxima\u00e7\u00e3o de buracos negros massivos, preparando o terreno para as fus\u00f5es de buracos negros massivos que esperamos detetar com futuros observat\u00f3rios de ondas gravitacionais&#8221;, afirma \u00dcbler. Isto deve-se ao facto de as teorias da evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias &#8211; baseadas em observa\u00e7\u00f5es &#8211; sugerirem que, no in\u00edcio da hist\u00f3ria do Universo, as gal\u00e1xias aproximaram-se muito umas das outras e fundiram-se. Nesse processo, tamb\u00e9m os buracos negros nos seus centros se fundiram, dando origem a buracos negros com massas ainda maiores nos centros das gal\u00e1xias resultantes da fus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A emiss\u00e3o de hidrog\u00e9nio como indicador<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores identificaram os buracos negros atrav\u00e9s das suas &#8220;impress\u00f5es digitais&#8221; espetrais: os sinais caracter\u00edsticos dos \u00e1tomos de hidrog\u00e9nio que se movem a alta velocidade no potencial gravitacional dos buracos negros. Na regi\u00e3o central, o espetro apresenta uma estrutura complexa que se explica melhor pela presen\u00e7a de dois buracos negros muito pr\u00f3ximos um do outro. Para distinguir as duas fontes centrais, a equipa aplicou a espetro-astrometria, uma t\u00e9cnica que mede com precis\u00e3o os deslocamentos espaciais na emiss\u00e3o de linhas em toda a gal\u00e1xia. Isto permitiu determinar as posi\u00e7\u00f5es dos buracos negros, apesar de estes n\u00e3o poderem ser resolvidos espacialmente como fontes pontuais separadas. Foi detetado um terceiro buraco negro na regi\u00e3o exterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Massas e crescimento<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/295092fcffe8.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/295092fcffe8.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mapa da gal\u00e1xia distante J0148-4214 em hidrog\u00e9nio ionizado (H\u03b1). As localiza\u00e7\u00f5es dos tr\u00eas buracos negros massivos est\u00e3o indicadas por c\u00edrculos pretos (n\u00e3o \u00e0 escala). O buracos negro mais massivo e o menos massivo est\u00e3o localizados no centro da gal\u00e1xia; um terceiro buraco negro est\u00e1 localizado na periferia da gal\u00e1xia.<br>Cr\u00e9dito: Hannah \u00dcbler<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise revela massas de buracos negros de aproximadamente 80 milh\u00f5es, 0,6 milh\u00f5es e 2 milh\u00f5es de s\u00f3is. O buraco negro mais massivo est\u00e1 a acretar mat\u00e9ria a um ritmo inferior ao do buraco negro vizinho com uma massa de 0,6 milh\u00f5es de s\u00f3is, que se est\u00e1 a alimentar ativamente e at\u00e9 a exceder a taxa m\u00e1xima de acre\u00e7\u00e3o prevista pelas teorias b\u00e1sicas do crescimento dos buracos negros (o limite de Eddington).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os dados do JWST permitiram-nos n\u00e3o s\u00f3 identificar os tr\u00eas buracos negros, mas tamb\u00e9m estimar as suas massas, ritmos de acre\u00e7\u00e3o e a massa estelar da gal\u00e1xia&#8221;, afirma o Dr. Giovanni Mazzolari, segundo autor do estudo e investigador do Instituto Max Planck de F\u00edsica Extraterrestre. &#8220;Constat\u00e1mos uma massa estelar total de cerca de 1,3 mil milh\u00f5es de s\u00f3is, e os buracos negros representam uma fra\u00e7\u00e3o significativa dessa massa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Prev\u00ea-se que o par de buracos negros centrais se funda nas pr\u00f3ximas centenas de milh\u00f5es de anos. &#8220;Estes resultados s\u00e3o extremamente empolgantes&#8221;, acrescenta Roberto Maiolino, professor da Universidade de Cambridge e coautor do estudo. &#8220;Sugerem que a fus\u00e3o de buracos negros pode ser uma via adicional e r\u00e1pida para o seu crescimento acelerado no Universo primitivo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O terceiro buraco negro, localizado fora do n\u00facleo, pode ser o remanescente de uma fus\u00e3o anterior, tendo sido deslocado do centro por um &#8220;pontap\u00e9&#8221; gravitacional, ou pode estar atualmente a migrar para o interior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Implica\u00e7\u00f5es para a investiga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas observa\u00e7\u00f5es demonstram que a espetroscopia de campo integral \u00e9 uma ferramenta importante para identificar m\u00faltiplos buracos negros ativos em gal\u00e1xias distantes. Sem a informa\u00e7\u00e3o espacialmente resolvida fornecida pela espetroscopia de campo integral do instrumento NIRSpec, provavelmente apenas um dos tr\u00eas buracos negros teria sido detetado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.mpg.de\/26904239\/three-black-holes-discovered-in-a-young-galaxy?c=2249\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Instituto Max Planck (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2026\/08\/aa57419-25\/aa57419-25.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Limite de Eddington:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Eddington_luminosity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/nirspec\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela primeira vez, gra\u00e7as ao telesc\u00f3pio James Webb, foram detetados tr\u00eas buracos negros supermassivos ativos numa \u00fanica gal\u00e1xia, J0148-4214, observada apenas 1,2 mil milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang. Dois encontram-se no centro, separados por 620 anos-luz, enquanto o terceiro est\u00e1 mais afastado. 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