{"id":9205,"date":"2026-08-11T06:19:03","date_gmt":"2026-08-11T05:19:03","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9205"},"modified":"2026-08-11T06:19:04","modified_gmt":"2026-08-11T05:19:04","slug":"sonda-new-horizons-encontra-indicios-de-liquido-recente-na-superficie-de-plutao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/08\/11\/sonda-new-horizons-encontra-indicios-de-liquido-recente-na-superficie-de-plutao\/","title":{"rendered":"Sonda New Horizons encontra ind\u00edcios de l\u00edquido recente na superf\u00edcie de Plut\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/5c62c7f9f062.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/5c62c7f9f062.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O glaciar Sputnik Planitia, situado no hemisf\u00e9rio norte de Plut\u00e3o (na parte ocidental, ou lado esquerdo, do &#8220;cora\u00e7\u00e3o brilhante&#8221; de Plut\u00e3o), \u00e9 aqui apresentado num mosaico a cores elaborado a partir de imagens da sonda New Horizons. A dire\u00e7\u00e3o norte est\u00e1 indicada na imagem. A imagem tem cerca de 700 x 350 quil\u00f3metros de extens\u00e3o. A caixa vermelha foi adicionada para mostrar a maior parte da regi\u00e3o que cont\u00e9m caracter\u00edsticas escuras atribu\u00eddas ao molhar do glaciar causado pelo azoto l\u00edquido proveniente de um processo de &#8220;derretimento basal&#8221; sob o glaciar, conforme descrito no artigo publicado por Stern et al. (2026).<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JHUAPL\/SwRI<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um novo estudo liderado pelo SwRI (Southwest Research Institute) apresenta evid\u00eancias de que o azoto l\u00edquido est\u00e1 a subir at\u00e9 \u00e0 superf\u00edcie de Plut\u00e3o atrav\u00e9s de fendas na extremidade norte de Sputnik Planitia, parte do enorme glaciar em forma de cora\u00e7\u00e3o presente na superf\u00edcie do planeta an\u00e3o. Esta \u00e9 a primeira evid\u00eancia de que, recentemente, houve fluxo de l\u00edquido em Plut\u00e3o. O estudo baseia-se em dados da sonda New Horizons da NASA e \u00e9 liderado pelo vice-presidente associado do SwRI, Dr. Alan Stern, investigador principal da miss\u00e3o New Horizons.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Plut\u00e3o nunca deixa de nos surpreender&#8221;, afirmou o autor principal Stern, &#8220;e este novo resultado \u00e9 certamente uma surpresa. Al\u00e9m de sugerir que houve recentemente a presen\u00e7a de l\u00edquidos na superf\u00edcie de Plut\u00e3o, tamb\u00e9m aponta para um novo tipo de caracter\u00edstica vari\u00e1vel no tempo em Plut\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sputnik Planitia \u00e9 um vasto glaciar de azoto congelado em Plut\u00e3o, maior do que a Espanha e a Alemanha juntas. Em 2015 e 2016, imagens New Horizons das por\u00e7\u00f5es mais a norte desta regi\u00e3o revelaram c\u00e9lulas de convec\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica do tamanho de uma cidade em Sputnik Planitia, separadas por caracter\u00edsticas finas, lineares e escuras, e outras mais difusas e escuras. Novas an\u00e1lises indicam agora que estas caracter\u00edsticas escuras, lineares e difusas parecem ser ocasionalmente e temporariamente molhadas, talvez de vez em quando, por um l\u00edquido &#8211; muito provavelmente azoto l\u00edquido. Este resultado foi publicado na revista cient\u00edfica The Planetary Science Journal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas e t\u00e9rmicas de Plut\u00e3o tornam a chuva de azoto l\u00edquido fisicamente imposs\u00edvel. No entanto, os padr\u00f5es da superf\u00edcie na parte norte de Sputnik Planitia apresentam zonas escurecidas que se assemelham a caracter\u00edsticas glaciais na Terra que foram molhadas por chuva ou pela ascens\u00e3o de l\u00edquidos do subsolo para a superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de investigadores de Plut\u00e3o, liderada pelo SwRI, comparou as imagens da New Horizons com imagens do Landsat 9 da NASA de locais na Terra, incluindo a camada de gelo da Gronel\u00e2ndia. A\u00ed, foram identificadas caracter\u00edsticas superficiais escuras e estreitas em \u00e1reas onde ocorre \u00e1gua l\u00edquida no gelo e na neve. As imagens de Sputnik Planitia captadas pela New Horizons s\u00e3o muito semelhantes, sugerindo que l\u00edquidos subterr\u00e2neos, especificamente azoto, est\u00e3o a subir e a molhar o gelo de azoto de Plut\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/32822e1368fb.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/32822e1368fb.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os investigadores de um estudo liderado pelo SwRI compararam imagens da sonda New Horizons com imagens do Landsat 9 da NASA relativas \u00e0 camada de gelo da Gronel\u00e2ndia. Foram identificadas aqui caracter\u00edsticas superficiais escuras e estreitas, em \u00e1reas da Gronel\u00e2ndia, onde a \u00e1gua l\u00edquida escurece o gelo e a neve, de forma an\u00e1loga ao que se pensa agora estar talvez a ocorrer na parte norte de Sputnik Planitia, em Plut\u00e3o, devido \u00e0 presen\u00e7a atual ou recente de azoto l\u00edquido nessa zona. O estudo sobre Plut\u00e3o, recentemente publicado, identifica caracter\u00edsticas muito semelhantes na extremidade norte do glaciar Sputnik Planitia, em Plut\u00e3o, sugerindo a presen\u00e7a recente de azoto l\u00edquido nesse local.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JHUAPL\/SwRI<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A superf\u00edcie de Sputnik Planitia \u00e9 bastante jovem, provavelmente com menos de um milh\u00e3o de anos, com base na modela\u00e7\u00e3o da renova\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie, e, por isso, estas caracter\u00edsticas que estamos a observar devem ter-se formado desde ent\u00e3o&#8221;, afirmou a Dra. Kelsi Singer, cientista principal do SwRI e uma das coautoras do estudo. &#8220;Plut\u00e3o possui muitos terrenos \u00fanicos que n\u00e3o se observam em mais nenhum outro local do Sistema Solar, e esta \u00e1rea de Sputnik Planitia \u00e9 um deles. A sua superf\u00edcie apresenta um conjunto de condi\u00e7\u00f5es diferente daquele a que estamos habituados na Terra, e explor\u00e1-la permite-nos compreender melhor como os materiais se comportam em ambientes dif\u00edceis de reproduzir na Terra&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este novo estudo fornece a primeira evid\u00eancia de fluxos l\u00edquidos recentes para a superf\u00edcie de Plut\u00e3o. Investiga\u00e7\u00f5es anteriores, incluindo algumas lideradas pelo primeiro autor, Stern, sugeriam antigos fluxos de l\u00edquido, mas este novo estudo sugere que existe, atualmente ou recentemente, azoto l\u00edquido sob a superf\u00edcie do glaciar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Modelos computacionais liderados pelo Dr. Orkan Umurhan, investigador s\u00e9nior do Instituto SETI, mostram que o gelo de azoto na base do glaciar Sputnik de Plut\u00e3o, com quil\u00f3metros de profundidade, pode derreter, formando azoto l\u00edquido. Al\u00e9m disso, estes modelos computacionais revelaram que este l\u00edquido pode ser transportado para cima, at\u00e9 \u00e0 superf\u00edcie, atrav\u00e9s de pequenas condutas, semelhantes a tubos de lava ou de geiseres, impulsionado pela flutuabilidade ou pela press\u00e3o proveniente de baixo. Os investigadores descobriram que, uma vez atingida a superf\u00edcie, o azoto derretido pode permanecer l\u00edquido durante tempo suficiente para escorrer pelas encostas do glaciar de azoto de Sputnik, molhando a superf\u00edcie gelada e produzindo as caracter\u00edsticas escuras observadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Penso que o grande significado destas descobertas, e a imagem intrigante que elas sugerem, constituem uma grande motiva\u00e7\u00e3o e raz\u00e3o para continuar a investigar a f\u00edsica do azoto no estado s\u00f3lido a temperaturas muito baixas&#8221;, afirmou Umurhan. &#8220;Mais especificamente, \u00e9 importante analisar os processos f\u00edsicos que ocorrem em materiais de azoto s\u00f3lido sob tens\u00e3o e deforma\u00e7\u00e3o, o que pode lev\u00e1-los a derreter. Estes processos nunca foram estudados em pormenor no laborat\u00f3rio&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/635ea994e33c.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/635ea994e33c.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9206\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/635ea994e33c.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/635ea994e33c-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/635ea994e33c-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/635ea994e33c-768x768.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Um novo estudo liderado pelo SwRI (Southwest Research Institute) sugere que o azoto l\u00edquido est\u00e1 a subir at\u00e9 \u00e0 superf\u00edcie de Plut\u00e3o atrav\u00e9s de fendas na extremidade norte de Sputnik Planitia, parte do enorme glaciar em forma de cora\u00e7\u00e3o presente na superf\u00edcie do planeta an\u00e3o. Esta \u00e9 a primeira evid\u00eancia de que existe atualmente um fluxo de l\u00edquido em Plut\u00e3o. Para se ter uma ideia da escala, Plut\u00e3o tem cerca de 3\/4 da largura do territ\u00f3rio continental dos Estados Unidos.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JHUAPL\/SwRI<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora nenhuma outra regi\u00e3o de Plut\u00e3o apresente ind\u00edcios de fluxo basal, mais de metade do planeta continua por cartografar em alta resolu\u00e7\u00e3o. O processo de fus\u00e3o e o movimento ascendente do l\u00edquido em Plut\u00e3o tamb\u00e9m poderiam explicar outros fen\u00f3menos observados no Sistema Solar, tais como os geiseres observados pela sonda Voyager 2 da NASA na lua de Neptuno, Trit\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio realizar mais mapeamentos de alta resolu\u00e7\u00e3o de Plut\u00e3o e de outros planetas da Cintura de Kuiper para determinar se processos semelhantes est\u00e3o a ocorrer noutros locais dessa regi\u00e3o do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.swri.org\/newsroom\/press-releases\/swri-study-finds-evidence-of-liquid-recently-flowing-pluto-s-surface\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ SwRI (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/blogs\/science-news\/2026\/08\/05\/nasas-new-horizons-finds-evidence-of-recent-liquid-on-plutos-surface\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (blog)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/PSJ\/ae7e85\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Planetary Science Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Plut\u00e3o:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/dwarf-planets\/pluto\/facts\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pluto\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sputnik_Planitia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sputnik Planitia (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>New Horizons:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/new-horizons\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/pluto.jhuapl.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JHUAPL<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/nasanewhorizons\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/New_Horizons\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Landsat 9:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/landsat-9\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Landsat_9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados da sonda New Horizons sugerem que azoto l\u00edquido poder\u00e1 ter flu\u00eddo recentemente \u00e0 superf\u00edcie de Plut\u00e3o. Fendas no glaciar Sputnik Planitia apresentam marcas semelhantes \u00e0s deixadas por l\u00edquidos em glaciares terrestres. 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