{"id":9202,"date":"2026-08-11T06:16:21","date_gmt":"2026-08-11T05:16:21","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9202"},"modified":"2026-08-11T06:16:22","modified_gmt":"2026-08-11T05:16:22","slug":"uma-corrente-cosmica-de-gas-alimenta-gw-orionis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/08\/11\/uma-corrente-cosmica-de-gas-alimenta-gw-orionis\/","title":{"rendered":"Uma corrente c\u00f3smica de g\u00e1s alimenta GW Orionis"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/GW-Ori-Streamer.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"614\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/19bba339a021-1024x614.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9203\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/19bba339a021-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/19bba339a021-300x180.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/19bba339a021-768x461.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/19bba339a021.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica destaca o fluxo que alimenta o disco protoplanet\u00e1rio de GW Orionis, criando an\u00e9is de poeira desalinhados.<br>Cr\u00e9dito: NSF\/AUI\/NRAO da NSF\/B.Saxton<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa de astr\u00f3nomos recorreu ao ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array) e captou um enorme fluxo de g\u00e1s &#8211; com 0,2 anos-luz de comprimento &#8211; a alimentar o jovem sistema estelar triplo GW Orionis. Estas novas observa\u00e7\u00f5es fornecem a evid\u00eancia mais clara at\u00e9 \u00e0 data de como essas &#8220;correntes&#8221; podem inclinar e torcer os discos onde os planetas nascem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>As estrelas triplas e os discos inclinados de GW Orionis<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas novas observa\u00e7\u00f5es do ALMA centram-se em GW Orionis, um sistema muito jovem localizado a cerca de 1300 anos-luz de dist\u00e2ncia, na constela\u00e7\u00e3o de Or\u00edon, que alberga tr\u00eas estrelas rodeadas por m\u00faltiplos an\u00e9is de material de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria. Os an\u00e9is deste sistema s\u00e3o famosos por estarem inclinados em \u00e2ngulos diferentes, em vez de se situarem num \u00fanico plano, tornando GW Orionis um laborat\u00f3rio natural para estudar a forma\u00e7\u00e3o de arquiteturas planet\u00e1rias invulgares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa liderada por Maria Galloway-Sprietsma, doutoranda na Universidade da Fl\u00f3rida, mediu a forma como o fluxo se move e comparou o seu movimento &#8211; conhecido como momento angular &#8211; com as orienta\u00e7\u00f5es dos an\u00e9is do sistema. Descobriram que a trajet\u00f3ria do fluxo alinha-se estreitamente com o anel exterior de poeira, mas est\u00e1 fortemente desalinhada em rela\u00e7\u00e3o ao anel interior, apontando para uma prov\u00e1vel rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito entre o material em queda e o estado inclinado do anel exterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estudos anteriores de GW Orionis revelaram que os an\u00e9is interno, interm\u00e9dio e externo do sistema est\u00e3o desalinhados, com cada anel inclinado num \u00e2ngulo diferente. Quando a nossa equipa modelou a queda deste fluxo, descobrimos que o \u00e2ngulo em que este colide com o disco est\u00e1 estreitamente alinhado com o anel exterior&#8221;, explica Galloway-Sprietsma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante d\u00e9cadas, os diagramas dos manuais acad\u00e9micos mostraram sistemas planet\u00e1rios jovens a formar-se tranquilamente a partir de discos planos e ordenados de g\u00e1s e poeira. Este novo resultado do ALMA apoia uma vis\u00e3o mais din\u00e2mica, na qual fluxos &#8220;grumosos&#8221; e turbulentos provenientes do ambiente circundante podem remodelar os discos numa fase tardia da sua evolu\u00e7\u00e3o e, potencialmente, colocar os planetas em \u00f3rbitas inclinadas ou mesmo opostas ao sentido de rota\u00e7\u00e3o da sua estrela hospedeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>As capacidades do ALMA revelaram-se a melhor ferramenta para a investiga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Nada disto teria sido poss\u00edvel sem o ALMA. O ALMA oferece a mais alta resolu\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para estes comprimentos de onda. Os dados de arquivo permitiram aos astr\u00f3nomos observar estes an\u00e9is de poeira de alta resolu\u00e7\u00e3o para modelar os seus desalinhamentos relativos e, agora, as nossas observa\u00e7\u00f5es utilizam os tr\u00eas conjuntos de antenas do ALMA &#8211; as de 12 metros, as de 7 metros e as Total Power &#8211; para fazer &#8220;zoom out&#8221; e ver a extens\u00e3o total do fluxo; por isso, na verdade, as observa\u00e7\u00f5es com o ALMA t\u00eam vindo a ser compiladas ano ap\u00f3s ano&#8221;, afirma Galloway-Sprietsma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As capacidades \u00fanicas do ALMA permitiram a Galloway-Sprietsma e \u00e0 sua equipa aprofundar a an\u00e1lise dos dados. &#8220;Dado que o ALMA \u00e9 um instrumento t\u00e3o sens\u00edvel, conseguimos estudar a cinem\u00e1tica do fluxo com os dados das linhas moleculares&#8221;, acrescenta Galloway-Sprietsma. Ao observar as linhas moleculares de 12CO e 13CO com o ALMA, Galloway-Sprietsma e a sua equipa descobriram que o momento angular total do fluxo \u00e9 muito inferior ao do disco de GW Orionis. Isto significa que a din\u00e2mica deste sistema representa provavelmente as fases finais deste fen\u00f3meno de queda. &#8220;O momento angular estimado do fluxo \u00e9 inferior ao do disco exterior, o que significa que o fluxo n\u00e3o dever\u00e1 desalinhar significativamente o disco nem para al\u00e9m dele. No passado, provavelmente tinha um momento angular maior, o que permitiu que o disco ficasse desalinhado&#8221;, salienta Jaehan Bae, professor assistente de Astronomia na Universidade da Fl\u00f3rida, coautor da investiga\u00e7\u00e3o e orientador de doutoramento de Galloway-Sprietsma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Investiga\u00e7\u00e3o futura de GW Orionis<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos esperam estudar mais sistemas jovens com fluxos para verificar qu\u00e3o comum \u00e9 este mecanismo e se ele pode explicar outras caracter\u00edsticas intrigantes de sistemas de exoplanetas conhecidos, tais como inclina\u00e7\u00f5es orbitais extremas e assinaturas qu\u00edmicas invulgares. Futuras observa\u00e7\u00f5es do ALMA de GW Orionis ir\u00e3o procurar mol\u00e9culas que indiquem a presen\u00e7a de choques, incluindo esp\u00e9cies que cont\u00eam enxofre, para identificar exatamente onde o fluxo colide com o disco e como esse impacto altera a mat\u00e9ria-prima para a forma\u00e7\u00e3o de planetas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/trillion-mile-stream\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/ae8bae\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astronomical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GW Orionis:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/simbad.u-strasbg.fr\/simbad\/sim-id?Ident=HD+244138\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/GW_Orionis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discos protoplanet\u00e1rios:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Protoplanetary_disk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/telescopes\/alma\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Observa\u00e7\u00f5es do radiotelesc\u00f3pio ALMA revelaram um enorme fluxo de g\u00e1s, com cerca de 0,2 anos-luz, a alimentar o jovem sistema estelar triplo GW Orionis. O fluxo parece estar a inclinar o disco onde se formam os planetas, mostrando que estes sistemas podem ser moldados por correntes turbulentas de mat\u00e9ria e n\u00e3o evoluir de forma ordenada.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9203,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,1],"tags":[305,306,910],"class_list":["post-9202","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-telescopios-profissionais","tag-alma","tag-disco-protoplanetario","tag-gw-orionis"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9202","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9202"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9202\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9204,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9202\/revisions\/9204"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9203"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9202"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9202"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9202"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}