{"id":9193,"date":"2026-08-07T06:38:53","date_gmt":"2026-08-07T05:38:53","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9193"},"modified":"2026-08-07T06:38:54","modified_gmt":"2026-08-07T05:38:54","slug":"mercurio-tem-cinturas-de-radiacao-temporarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/08\/07\/mercurio-tem-cinturas-de-radiacao-temporarias\/","title":{"rendered":"Merc\u00fario tem cinturas de radia\u00e7\u00e3o tempor\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/mc-image-cache\/2026\/07\/mercury-has-part-time-radiation-belts-BepiColombo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"586\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/91779c322ef8-1024x586.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9194\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/91779c322ef8-1024x586.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/91779c322ef8-300x172.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/91779c322ef8-768x439.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/91779c322ef8.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A sonda BepiColombo em Merc\u00fario. A miss\u00e3o ajudar\u00e1 os cientistas a estudar a composi\u00e7\u00e3o, a geof\u00edsica, a atmosfera, a magnetosfera e a hist\u00f3ria de Merc\u00fario.<br>Cr\u00e9dito: ESA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Merc\u00fario foi durante muito tempo considerado a exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra de que os planetas magn\u00e9ticos possuem cinturas de radia\u00e7\u00e3o semelhantes \u00e0s cinturas de Van Allen da Terra, mas um novo estudo realizado pela Faculdade de Engenharia da Universidade de Michigan e pela Universidade da Calif\u00f3rnia, em Berkeley, sugere o contr\u00e1rio &#8211; Merc\u00fario possui, ocasionalmente, uma camada de radia\u00e7\u00e3o no seu campo magn\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cintura de radia\u00e7\u00e3o est\u00e1 presente em cerca de 50% do tempo em que Merc\u00fario se encontra mais afastado do Sol na sua \u00f3rbita oblonga e em cerca de 20% do tempo quando se encontra a dist\u00e2ncias mais pr\u00f3ximas. Cada cintura dura normalmente menos de 8 a 12 horas, mas pode persistir durante v\u00e1rios dias terrestres, afirmam os investigadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Descobertas atrav\u00e9s da an\u00e1lise de interfer\u00eancias nos instrumentos da sonda MESSENGER, estas conclus\u00f5es poder\u00e3o ajudar os cientistas a planear as opera\u00e7\u00f5es em futuras miss\u00f5es a Merc\u00fario, incluindo a BepiColombo, uma miss\u00e3o conjunta europeia e japonesa que dever\u00e1 entrar na \u00f3rbita de Merc\u00fario em novembro deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando pensamos na futura explora\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o e nos instrumentos que enviamos para Merc\u00fario, temos de estar cientes desta cintura de radia\u00e7\u00e3o e tomar as precau\u00e7\u00f5es adequadas, bem como conceber os projetos tendo-a em conta&#8221;, afirmou Ryan Dewey, investigador assistente da Universidade de Michigan nas \u00e1reas das ci\u00eancias clim\u00e1ticas e espaciais e da engenharia, e coautor principal do estudo, publicado na revista Nature Astronomy e financiado pela NASA e pela NSF (National Science Foundation).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/assets.science.nasa.gov\/content\/dam\/science\/psd\/photojournal\/pia\/pia13\/pia13840\/PIA13840.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/ab7df136a6c4.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma fotografia de Merc\u00fario tirada pela sonda espacial MESSENGER entre 2011 e 2015.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JHUAPL\/Instituto Carnegie<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Merc\u00fario j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos os outros planetas do nosso Sistema Solar com campos magn\u00e9ticos &#8211; a Terra, J\u00fapiter, Saturno, \u00darano e Neptuno &#8211; possuem cinturas de radia\u00e7\u00e3o. Os instrumentos que t\u00eam de atravessar essas cinturas s\u00e3o concebidos com prote\u00e7\u00e3o contra a radia\u00e7\u00e3o, e as miss\u00f5es tripuladas minimizam o tempo que os astronautas passam nas cinturas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, os cientistas n\u00e3o pensavam que o campo magn\u00e9tico relativamente fraco de Merc\u00fario pudesse reter radia\u00e7\u00e3o, uma vez que este \u00e9 constantemente desintegrado pelo vento solar, o fluxo de g\u00e1s eletricamente condutor que emana do Sol. Dado que Merc\u00fario est\u00e1 t\u00e3o pr\u00f3ximo do Sol, a press\u00e3o do vento solar \u00e9 6 a 30 vezes superior \u00e0 da Terra, e o campo magn\u00e9tico solar &#8211; capaz de romper os campos magn\u00e9ticos planet\u00e1rios &#8211; \u00e9 4 a 10 vezes mais forte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os eventos extremos do clima espacial que ocorrem na Terra s\u00e3o, na verdade, normais em Merc\u00fario&#8221;, afirmou Weijie Sun, f\u00edsico, investigador assistente no Laborat\u00f3rio de Ci\u00eancias Espaciais da UC Berkeley e autor correspondente do estudo. &#8220;Merc\u00fario constitui um laborat\u00f3rio natural para inferir como poder\u00e1 ser a radia\u00e7\u00e3o noutros planetas que orbitam perto das suas estrelas, bem como em planetas distantes durante fen\u00f3menos eventos extremos do clima espacial&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar do turbulento ambiente espacial de Merc\u00fario, os investigadores descobriram que o planeta consegue, por vezes, manter uma cintura de radia\u00e7\u00e3o. \u00c9 mais prov\u00e1vel que o campo magn\u00e9tico de Merc\u00fario retenha radia\u00e7\u00e3o quando se encontra mais afastado do Sol na sua \u00f3rbita oblonga. Nessa zona, o vento solar sopra com menos intensidade, o que alivia a press\u00e3o sobre o campo magn\u00e9tico de Merc\u00fario. Por sua vez, o campo magn\u00e9tico expande-se, proporcionando mais espa\u00e7o para que a radia\u00e7\u00e3o do vento solar se acumule. Quando Merc\u00fario est\u00e1 mais perto do Sol, o campo magn\u00e9tico contrai-se e a radia\u00e7\u00e3o \u00e9 expulsa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O campo magn\u00e9tico de Merc\u00fario tem apenas cerca de 1% da intensidade do da Terra, pelo que n\u00e3o h\u00e1 muito espa\u00e7o para que os eletr\u00f5es energ\u00e9ticos que comp\u00f5em a radia\u00e7\u00e3o sobrevivam antes de serem ejetados para o espa\u00e7o ou de colidirem com o planeta&#8221;, afirmou Dewey.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Dados ruidosos revelam as cinturas de radia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores descobriram as cinturas de radia\u00e7\u00e3o de Merc\u00fario ao analisarem dados antigos recolhidos pela sonda MESSENGER, que orbitou Merc\u00fario entre 2011 e 2015. A sonda ajudou os investigadores a descobrir quais os elementos presentes na crosta de Merc\u00fario, medindo raios gama e neutr\u00f5es com um instrumento que os convertia em luz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, por vezes, o instrumento detetava raios X produzidos quando a sua estrutura met\u00e1lica era atingida por n\u00edveis elevados de radia\u00e7\u00e3o. O instrumento tamb\u00e9m convertia esses raios X em luz, mas estes s\u00f3 podiam aparecer em determinados canais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao monitorizar quando e com que frequ\u00eancia o sinal se elevava nesses canais, os investigadores conseguiram determinar quando e onde as cinturas de radia\u00e7\u00e3o de Merc\u00fario apareciam. Em seguida, os investigadores compararam as suas medi\u00e7\u00f5es com uma simula\u00e7\u00e3o computacional da radia\u00e7\u00e3o a mover-se no interior do campo magn\u00e9tico de Merc\u00fario, o que proporcionou informa\u00e7\u00f5es sobre como a cintura de radia\u00e7\u00e3o se formava e desaparecia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Informa\u00e7\u00f5es para futuras miss\u00f5es a Merc\u00fario<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda n\u00e3o \u00e9 claro se a radia\u00e7\u00e3o na cintura de Merc\u00fario \u00e9 suficientemente forte para danificar os instrumentos a bordo da BepiColombo, uma vez que os investigadores disp\u00f5em apenas de medi\u00e7\u00f5es indiretas. No entanto, o estudo ajudar\u00e1 a equipa da BepiColombo a saber quando desligar os instrumentos sens\u00edveis e quando ligar os instrumentos concebidos para compreender melhor os n\u00edveis de radia\u00e7\u00e3o de Merc\u00fario.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o sabemos qual \u00e9 a intensidade da radia\u00e7\u00e3o neste momento, mas isso \u00e9 algo que a miss\u00e3o BepiColombo poder\u00e1 esclarecer&#8221;, afirmou Jiutong Zhao, investigador de p\u00f3s-doutoramento no Laborat\u00f3rio de Ci\u00eancias Espaciais da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley e coautor principal do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/news.umich.edu\/mercury-has-part-time-radiation-belts\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Michigan (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-026-02925-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Merc\u00fario:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mercury\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mercury_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cinturas de Van Allen:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/biological-physical\/stories\/van-allen-belts\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Van_Allen_radiation_belt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>BepiColombo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Enabling_Support\/Operations\/BepiColombo_operations\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/global.jaxa.jp\/projects\/sas\/bepi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JAXA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/BepiColombo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>MESSENGER (Mercury Surface, Space Environment, Geochemistry and Ranging):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/messenger\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA&nbsp;<\/a><br><a href=\"http:\/\/messenger.jhuapl.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JHUAPL<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/MESSENGER\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas descobriram que Merc\u00fario possui cinturas de radia\u00e7\u00e3o tempor\u00e1rias, contrariando a ideia de que o vento solar impediria a sua forma\u00e7\u00e3o. Estas cinturas surgem cerca de metade do tempo quando o planeta est\u00e1 mais afastado do Sol, mas tornam-se muito menos frequentes na aproxima\u00e7\u00e3o ao peri\u00e9lio. A descoberta faz de Merc\u00fario um laborat\u00f3rio natural para estudar a din\u00e2mica das cinturas de radia\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es extremas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9194,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[739,211,210],"class_list":["post-9193","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-bepicolombo","tag-mercurio","tag-messenger"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9193","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9193"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9193\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9195,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9193\/revisions\/9195"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9194"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}