{"id":9190,"date":"2026-08-07T06:36:28","date_gmt":"2026-08-07T05:36:28","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9190"},"modified":"2026-08-07T06:36:29","modified_gmt":"2026-08-07T05:36:29","slug":"ixpe-podera-ter-comprovado-uma-teoria-com-90-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/08\/07\/ixpe-podera-ter-comprovado-uma-teoria-com-90-anos\/","title":{"rendered":"IXPE poder\u00e1 ter comprovado uma teoria com 90 anos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/assets.science.nasa.gov\/dynamicimage\/assets\/science\/missions\/ixpe\/IXPEMagnetarArtistsConcept_Web.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"878\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/59b2364a880d-1024x878.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9191\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/59b2364a880d-1024x878.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/59b2364a880d-300x257.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/59b2364a880d-768x658.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/59b2364a880d.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica mostra o magnetar 1E 1547.0-5408, uma estrela de neutr\u00f5es em rota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida com campos magn\u00e9ticos mais de um bili\u00e3o de vezes mais fortes do que os da Terra. As curvas azuis que emanam dos dois polos magn\u00e9ticos da estrela representam as linhas do campo magn\u00e9tico. O magnetar \u00e9 um importante emissor de r\u00e1dio e raios X, cujos picos se deslocam ao longo do seu per\u00edodo de rota\u00e7\u00e3o de 2,1 segundos. Isto indica que o principal emissor de raios X \u00e9 um &#8220;ponto quente&#8221; secund\u00e1rio, deslocado em rela\u00e7\u00e3o ao eixo magn\u00e9tico. Estes emissores s\u00e3o representados como sec\u00e7\u00f5es c\u00f3nicas: a emiss\u00e3o de r\u00e1dio, em azul mais claro, atinge o seu pico no eixo de simetria do campo magn\u00e9tico, enquanto a emiss\u00e3o de raios X, em azul mais escuro, atinge o seu pico abaixo deste. Os cones de emiss\u00e3o superior e inferior apresentam graus de polariza\u00e7\u00e3o de raios X de 40% e 80%, respetivamente. Estes valores elevados, juntamente com varia\u00e7\u00f5es suaves e coerentes na polariza\u00e7\u00e3o ao longo do per\u00edodo de rota\u00e7\u00e3o, fornecem o sinal mais definitivo at\u00e9 \u00e0 data da birrefring\u00eancia do v\u00e1cuo &#8211; uma previs\u00e3o h\u00e1 muito procurada da eletrodin\u00e2mica qu\u00e2ntica.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/Pablo Garcia<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma medi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de um magnetar poder\u00e1 ter captado o espa\u00e7o vazio a comportar-se de uma forma que os f\u00edsicos previam h\u00e1 90 anos, mas que nunca tinham observado diretamente. Os resultados foram publicados na quarta-feira passada na revista Nature.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os magnetares s\u00e3o uma classe especial de estrelas de neutr\u00f5es com campos magn\u00e9ticos ultrafortes, os mais fortes de qualquer objeto no Universo observ\u00e1vel, cerca de um bili\u00e3o de vezes mais fortes do que os \u00edmanes mais potentes alguma vez constru\u00eddos na Terra. Estas estrelas de neutr\u00f5es supermagn\u00e9ticas oferecem um vislumbre da f\u00edsica de ambientes intensos que n\u00e3o se encontram em mais nenhum outro lugar. J\u00e1 as estrelas de neutr\u00f5es s\u00e3o os n\u00facleos remanescentes de estrelas massivas, formadas no final dos seus ciclos de vida, que possuem mais massa do que o Sol, condensadas at\u00e9 ao tamanho de uma cidade, tornando-as laborat\u00f3rios naturais para o estudo da f\u00edsica extrema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas, utilizando o IXPE (Imaging X-ray Polarimetry Explorer) da NASA, realizaram mais de 140 horas de observa\u00e7\u00f5es do magnetar 1E 1547-5408, entre mar\u00e7o e abril de 2025, em conjunto com o NICER (Neutron Star Interior Composition Explorer) da NASA e Murriyang, o radiotelesc\u00f3pio Parkes da CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation), operado pela ag\u00eancia cient\u00edfica nacional da Austr\u00e1lia. Esta foi a primeira medi\u00e7\u00e3o coordenada de polariza\u00e7\u00e3o em r\u00e1dio e raios X de um magnetar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1E 1547-5408, que completa uma rota\u00e7\u00e3o a cada 2 segundos, \u00e9 um magnetar \u00fanico que emite consistentemente intensa energia r\u00e1dio e raios X, por raz\u00f5es que os cientistas ainda est\u00e3o a tentar compreender.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As observa\u00e7\u00f5es revelaram que a polariza\u00e7\u00e3o &#8211; ou seja, a orienta\u00e7\u00e3o e o n\u00edvel de alinhamento dos fot\u00f5es recebidos &#8211; \u00e9 quase tr\u00eas vezes superior \u00e0 observada em fontes semelhantes. Este elevado n\u00edvel de polariza\u00e7\u00e3o foi surpreendente, uma vez que a geometria dos campos magn\u00e9ticos do magnetar sugere que as medi\u00e7\u00f5es que observamos deveriam ser pr\u00f3ximas de zero em determinados pontos da estrela. Os modelos padr\u00e3o de emiss\u00e3o superficial tamb\u00e9m n\u00e3o explicam este valor elevado, indicando que outro efeito deve estar a aumentar a polariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 aqui que entra a birrefring\u00eancia do v\u00e1cuo, uma teoria com 90 anos no dom\u00ednio da eletrodin\u00e2mica qu\u00e2ntica. Proposta pela primeira vez em 1936, a teoria sugere que o v\u00e1cuo do espa\u00e7o pode ser alterado por campos magn\u00e9ticos extremos, muito superiores aos que os seres humanos conseguem criar na Terra. Nessas condi\u00e7\u00f5es, o v\u00e1cuo age como uma lente ou um prisma, filtrando a luz com base na dire\u00e7\u00e3o em que esta se desloca, aumentando assim a sua polariza\u00e7\u00e3o total. A capacidade da miss\u00e3o IXPE para medir a polariza\u00e7\u00e3o dos raios X foi essencial para testar esta teoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As simula\u00e7\u00f5es realizadas pela equipa de investiga\u00e7\u00e3o apoiam a possibilidade de a birrefring\u00eancia do v\u00e1cuo estar na origem do sinal distinto. Hoa Dinh Thi, investigadora de p\u00f3s-doutoramento na Universidade Rice, em Houston, EUA, e coautora principal da publica\u00e7\u00e3o que destaca os resultados, afirmou: &#8220;O nosso modelo sugere que, para reproduzir as assinaturas de polariza\u00e7\u00e3o de raios X observadas, satisfazendo simultaneamente as restri\u00e7\u00f5es estabelecidas pelas observa\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio, \u00e9 necess\u00e1ria a presen\u00e7a de birrefring\u00eancia do v\u00e1cuo no ambiente da estrela de neutr\u00f5es. Esta descoberta ilustra como as estrelas de neutr\u00f5es nos permitem testar a f\u00edsica fundamental em ambientes que n\u00e3o s\u00e3o replic\u00e1veis em laborat\u00f3rios na Terra&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As medi\u00e7\u00f5es de polariza\u00e7\u00e3o de grande magnitude provenientes do magnetar fornecem um forte apoio \u00e0 previs\u00e3o te\u00f3rica e podem constituir a primeira vez que este efeito foi observado diretamente em qualquer lugar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este resultado destaca verdadeiramente o poder interdisciplinar do campo da astrof\u00edsica&#8221;, afirmou Rachael Stewart, doutoranda na Universidade George Washington e autora principal do artigo cient\u00edfico publicado na revista Nature. &#8220;A informa\u00e7\u00e3o que obtivemos ao observar este n\u00facleo estelar distante tamb\u00e9m nos d\u00e1 pistas sobre a natureza da estrutura da realidade tal como a conhecemos, e acho isso incr\u00edvel&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Novas observa\u00e7\u00f5es IXPE desta fonte e de outros magnetares ir\u00e3o confirmar este sinal e, potencialmente, revelar outros efeitos ex\u00f3ticos da eletrodin\u00e2mica qu\u00e2ntica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/ixpe\/nasas-ixpe-may-have-proven-90-year-old-theory\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-026-10859-z\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2509.19446\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Birrefring\u00eancia do v\u00e1cuo:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Euler%E2%80%93Heisenberg_Lagrangian\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Magnetar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magnetar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas de neutr\u00f5es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astro.umd.edu\/~miller\/nstar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Maryland<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>IXPE (Imaging X-ray Polarimetry Explorer):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/ixpe\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/IXPE\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NICER (Neutron Star Interior Composition ExploreR):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/nicer\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_Star_Interior_Composition_Explorer\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Radiotelesc\u00f3pio Parkes:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.parkes.atnf.csiro.au\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CSIRO<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Parkes_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O telesc\u00f3pio espacial IXPE da NASA poder\u00e1 ter obtido a primeira evid\u00eancia direta da birrefring\u00eancia do v\u00e1cuo, um efeito previsto pela eletrodin\u00e2mica qu\u00e2ntica h\u00e1 cerca de 90 anos. Ao observar a luz de raios X emitida pelo magnetar 1E 1547.0\u22125408, os cientistas detetaram sinais de que o intenso campo magn\u00e9tico altera as propriedades do pr\u00f3prio espa\u00e7o vazio, confirmando uma das previs\u00f5es mais extraordin\u00e1rias da f\u00edsica moderna.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9191,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,16,1],"tags":[2158,2157,313,1440,282,335,675],"class_list":["post-9190","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-1e-1547-5408","tag-birrefringencia-do-vacuo","tag-estrelas-de-neutroes","tag-ixpe","tag-magnetares","tag-nicer","tag-radiotelescopio-parkes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9190","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9190"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9190\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9192,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9190\/revisions\/9192"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9191"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9190"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9190"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9190"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}