{"id":9187,"date":"2026-08-04T06:22:08","date_gmt":"2026-08-04T05:22:08","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9187"},"modified":"2026-08-04T06:22:09","modified_gmt":"2026-08-04T05:22:09","slug":"o-asteroide-44-nisa-pode-ser-o-primeiro-corpo-celeste-conhecido-com-tres-lobulos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/08\/04\/o-asteroide-44-nisa-pode-ser-o-primeiro-corpo-celeste-conhecido-com-tres-lobulos\/","title":{"rendered":"O asteroide (44) Nisa pode ser o primeiro corpo celeste conhecido com tr\u00eas l\u00f3bulos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/b5432be2e7cc.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1018\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/b5432be2e7cc-1024x1018.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9188\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/b5432be2e7cc-1024x1018.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/b5432be2e7cc-300x298.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/b5432be2e7cc-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/b5432be2e7cc-768x763.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/b5432be2e7cc.jpg 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O asteroide (44) Nisa observado com o instrumento SHARK-VIS do LBT (Large Binocular Telescope), no dia 15 de fevereiro de 2026. A min\u00fascula lua do asteroide, S\/2026 (44) 1, est\u00e1 assinalada com uma seta cor-de-rosa.<br>Cr\u00e9dito: Kate Minker et al.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos descobriu novas e impressionantes evid\u00eancias de que o asteroide (44) Nisa, um dos maiores e mais brilhantes asteroides da cintura principal com uma composi\u00e7\u00e3o superficial semelhante \u00e0 da enstatite (tipo E), possui uma extraordin\u00e1ria estrutura trilobada e \u00e9 acompanhado por uma pequena lua. A descoberta, baseada em imagens de alta resolu\u00e7\u00e3o obtidas com \u00f3tica adaptativa por alguns dos telesc\u00f3pios mais avan\u00e7ados do mundo, proporciona um vislumbre raro da complexa hist\u00f3ria de um dos asteroides mais enigm\u00e1ticos do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As conclus\u00f5es, divulgadas no website de pr\u00e9-impress\u00e3o ArXiv, revelam que Nisa \u00e9 diferente de qualquer outro asteroide observado anteriormente. H\u00e1 mais de um s\u00e9culo que os astr\u00f3nomos estudam Nisa, cujo brilho e composi\u00e7\u00e3o invulgares o tornaram um alvo fascinante para investiga\u00e7\u00e3o. Observa\u00e7\u00f5es anteriores sugeriam uma forma alongada ou potencialmente bilobada, mas a verdadeira forma do asteroide continuava a ser um mist\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando o instrumento italiano SHARK-VIS no LBT (Large Binocular Telescope), no estado norte-americano do Arizona, e o instrumento SPHERE\/ZIMPOL no VLT (Very Large Telescope) do ESO, no Chile, os investigadores obtiveram as imagens de Nisa com a mais alta resolu\u00e7\u00e3o alguma vez captada. Estes conjuntos de dados \u00fanicos revelaram m\u00faltiplas caracter\u00edsticas de grande dimens\u00e3o na superf\u00edcie, incluindo dois vales proeminentes que parecem envolver a circunfer\u00eancia do asteroide. A equipa interpreta estas caracter\u00edsticas como liga\u00e7\u00f5es semelhantes a pesco\u00e7os entre l\u00f3bulos separados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As imagens revelam um objeto extraordinariamente invulgar&#8221;, afirmou a autora principal, Kate Minker, do Observat\u00f3rio Lowell. &#8220;A explica\u00e7\u00e3o mais prov\u00e1vel \u00e9 que Nisa seja ou um trin\u00e1rio de contacto, composto por tr\u00eas componentes ligados entre si, ou um corpo extremamente irregular, diferente de tudo o que j\u00e1 observ\u00e1mos anteriormente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estas observa\u00e7\u00f5es tiveram de ser combinadas com t\u00e9cnicas de processamento de imagem especialmente desenvolvidas para aumentar ainda mais a nitidez das imagens e remover o halo brilhante que rodeia o asteroide, que poderia estar a ocultar companheiros pouco vis\u00edveis&#8221;, explica Anthony Berdeu, um dos autores principais do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minker acrescenta: &#8220;Estas observa\u00e7\u00f5es representam provavelmente as imagens mais pr\u00f3ximas da qualidade das de naves espaciais alguma vez obtidas a partir do solo, o que foi poss\u00edvel gra\u00e7as a uma combina\u00e7\u00e3o excecional de instrumenta\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada e t\u00e9cnicas sofisticadas de redu\u00e7\u00e3o de dados&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery alignwide has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/uK2Uz9H.gif\" alt=\"An aerial view of waves crashing against a shore.\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/DCOrV5y.gif\" alt=\"An aerial view of a field. A road runs through the upper right corner.\"\/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery alignwide has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/ACMJN4r.gif\" alt=\"An aerial view of waves crashing against a shore.\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/YLsGeA1.gif\" alt=\"An aerial view of a field. A road runs through the upper right corner.\"\/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagem do asteroide (44) Nisa captada pelo instrumento SHARK-VIS do LBT (Large Binocular Telescope). A coluna da esquerda mostra as observa\u00e7\u00f5es de 15 de fevereiro de 2026, enquanto a coluna da direita mostra as observa\u00e7\u00f5es de 21 de mar\u00e7o de 2026. A linha superior foi optimizada para mostrar as sombras na superf\u00edcie do aster\u00f3ide, enquanto a linha inferior foi optimizada para a visibilidade da min\u00fascula lua de Nisa, S\/2026 (44) 1.<br>Cr\u00e9dito: Kate Minker et al.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo tamb\u00e9m relata a dete\u00e7\u00e3o de uma lua at\u00e9 agora desconhecida, designada temporariamente por S\/2026 (44) 1. O sat\u00e9lite foi identificado de forma independente em observa\u00e7\u00f5es obtidas durante duas campanhas de observa\u00e7\u00e3o distintas. Os investigadores estimam que a lua tenha cerca de um quil\u00f3metro de di\u00e2metro e orbite a pelo menos 170 quil\u00f3metros do asteroide principal, que tem 75 quil\u00f3metros de di\u00e2metro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Recorremos a uma t\u00e9cnica especializada de outro campo da astronomia, conhecida como &#8216;imagem de alto contraste&#8217;, para detetar a pequena lua cuja luz fraca era ofuscada pelo brilho intenso do asteroide principal&#8221;, afirma Gianluca Li Causi, da equipa SHARK-VIS do INAF (Istituto Nazionale di Astrofisica).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Futuras observa\u00e7\u00f5es do sat\u00e9lite rec\u00e9m-descoberto permitir\u00e3o aos investigadores determinar a massa e a densidade de Nisa com maior precis\u00e3o, ajudando a distinguir entre as teorias concorrentes acerca da not\u00e1vel estrutura do asteroide.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta fornece uma pista importante sobre a forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o de Nisa. Os cientistas sugerem que a estrutura invulgar pode ter-se formado atrav\u00e9s da reacumula\u00e7\u00e3o, a baixa velocidade, de fragmentos resultantes de uma colis\u00e3o antiga, possivelmente antes de Nisa ter chegado \u00e0 sua localiza\u00e7\u00e3o atual na cintura de asteroides. Outra possibilidade \u00e9 que Nisa representa os remanescentes de uma colis\u00e3o dram\u00e1tica do tipo &#8220;bate e foge&#8221; envolvendo um corpo parente de maiores dimens\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez que os asteroides do tipo E podem preservar um registo do Sistema Solar interior rico em enstatite, quer como planetesimais primitivos, quer como fragmentos da crosta de protoplanetas diferenciados, compreender a origem de Nisa poder\u00e1 lan\u00e7ar luz sobre os processos que ocorreram durante as fases mais iniciais da forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estas novas imagens parecem consistentes com v\u00e1rias pistas anteriores de que Nisa \u00e9, de facto, um objeto \u00fanico&#8221;, afirmou Al Conrad, do LBTO (Large Binocular Telescope Observatory). &#8220;Pela primeira vez, podemos investigar diretamente se essas pistas apontam para um corpo profundamente marcado ou para uma verdadeira estrutura multilobada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se tal for confirmado, Nisa passaria a integrar uma classe crescente de objetos do Sistema Solar cujas formas inconfund\u00edveis preservam vest\u00edgios de colis\u00f5es e fus\u00f5es antigas que remontam a milhares de milh\u00f5es de anos, oferecendo aos cientistas uma perspetiva \u00fanica sobre os prim\u00f3rdios do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/lowell.edu\/press-release-asteroid-44-nysa-may-be-the-first-known-three-lobed-world\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Observat\u00f3rio Lowell (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/news.arizona.edu\/news\/three-lobed-asteroid-world-unlike-any-other\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2607.25786\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Asteroide (44) Nisa:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/ssd.jpl.nasa.gov\/tools\/sbdb_lookup.html#\/?sstr=20000044\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JPL\/NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/newton.spacedys.com\/astdys\/index.php?n=44&amp;pc=1.1.0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AstDyS-2<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/44_Nysa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Asteroide do tipo E:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/E-type_asteroid\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LBT (Large Binocular Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.lbto.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">LBTO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large_Binocular_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLT (Very Large Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos descobriram que o asteroide (44) Nisa poder\u00e1 ser o primeiro corpo conhecido com tr\u00eas l\u00f3bulos unidos, em vez dos habituais dois. 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Esta configura\u00e7\u00e3o invulgar oferece novas pistas sobre a forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o dos asteroides do Sistema Solar.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9188,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,1],"tags":[2156,1177,551,107],"class_list":["post-9187","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-telescopios-profissionais","tag-asteroide-44-nisa","tag-asteroides","tag-lbt","tag-vlt"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9187","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9187"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9187\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9189,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9187\/revisions\/9189"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9188"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9187"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9187"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9187"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}