{"id":9184,"date":"2026-08-04T06:18:24","date_gmt":"2026-08-04T05:18:24","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9184"},"modified":"2026-08-04T06:18:26","modified_gmt":"2026-08-04T05:18:26","slug":"a-voracidade-de-um-buraco-negro-termina-numa-indigestao-cosmica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/08\/04\/a-voracidade-de-um-buraco-negro-termina-numa-indigestao-cosmica\/","title":{"rendered":"A voracidade de um buraco negro termina numa indigest\u00e3o c\u00f3smica"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/fc56439fba6c.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"512\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/fc56439fba6c-1024x512.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9185\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/fc56439fba6c-1024x512.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/fc56439fba6c-300x150.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/fc56439fba6c-768x384.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/fc56439fba6c-660x330.jpg 660w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/fc56439fba6c-1050x525.jpg 1050w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/fc56439fba6c.jpg 1170w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Swift J1727 com nuvens de jato &#8220;dadoras&#8221;.<br>Cr\u00e9dito: John A. Paice e Noel Castro Segura et al.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os buracos negros s\u00e3o frequentemente retratados como glut\u00f5es c\u00f3smicos que engolem tudo o que se aproxima demasiado. Mas novas observa\u00e7\u00f5es de um surto dram\u00e1tico de um buraco negro sugerem que a realidade \u00e9 muito mais complexa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando o VLT (Very Large Telescope) do ESO, os astr\u00f3nomos acompanharam o sistema rec\u00e9m-descoberto, Swift J1727.8-1613, durante uma espetacular erup\u00e7\u00e3o ocorrida em 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos descobriram que, \u00e0 medida que o buraco negro consumia g\u00e1s de uma estrela pr\u00f3xima, lan\u00e7ava simultaneamente parte desse material de volta para o espa\u00e7o sob a forma de jatos e ventos. \u00c9 importante referir que estes enormes fluxos de material ocorrem quando os buracos negros s\u00e3o muito pouco vis\u00edveis, ou seja, quando a sua atividade \u00e9 muito baixa, muito mais baixa do que se pensava anteriormente &#8211; o que significa que os buracos negros podem comportar-se menos como po\u00e7os sem fundo e mais como poderosos sistemas digestivos c\u00f3smicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As pessoas costumam imaginar que os buracos negros simplesmente engolem tudo \u00e0 sua volta&#8221;, afirmou o autor principal, Dr. Noel Castro Segura, investigador de p\u00f3s-doutoramento na Universidade de Warwick. &#8220;O que estamos a observar \u00e9 um processo muito mais complexo. A mat\u00e9ria cai, o sistema processa-a e uma quantidade surpreendente \u00e9 expelida novamente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo fornece um dos registos \u00f3ticos mais detalhados at\u00e9 \u00e0 data da erup\u00e7\u00e3o de um buraco negro, permitindo aos investigadores observar como o sistema se alterou ao longo do tempo, em vez de se basearem em apenas algumas observa\u00e7\u00f5es. Ao inv\u00e9s de ver um buraco negro a alimentar-se de uma estrela atrav\u00e9s de uma \u00fanica fotografia, as evid\u00eancias recolhidas abrangem todas as fases de mudan\u00e7a de estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Swift J1727.8\u22121613 foi descoberto quando despertou repentinamente em 2023, tornando-se rapidamente uma das fontes de raios X mais brilhantes do c\u00e9u. O sistema consiste num buraco negro que atrai g\u00e1s de uma estrela pr\u00f3xima, criando \u00e0 sua volta um disco girat\u00f3rio de material superaquecido. Durante a erup\u00e7\u00e3o, os astr\u00f3nomos tiveram a oportunidade de observar este processo de alimenta\u00e7\u00e3o a desenrolar-se em tempo real, uma vez que raramente se observam erup\u00e7\u00f5es com tal qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das descobertas mais intrigantes do estudo foi que, \u00e0 medida que o buraco negro expelia um jato poderoso, o disco que o alimentava tamb\u00e9m sofria altera\u00e7\u00f5es significativas. Isto oferece um vislumbre raro da liga\u00e7\u00e3o entre a mat\u00e9ria que cai em dire\u00e7\u00e3o a um buraco negro e a mat\u00e9ria que \u00e9 expelida de volta para o espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez o resultado mais surpreendente tenha surgido depois de a fren\u00e9tica atividade de alimenta\u00e7\u00e3o do buraco negro ter diminu\u00eddo consideravelmente. Mesmo quando Swift J1727 diminuiu para cerca de um-cent\u00e9simo da sua atividade m\u00e1xima, os investigadores encontraram ind\u00edcios de que g\u00e1s denso continuava a ser expelido do sistema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta sugere que os buracos negros podem continuar a gerar fluxos poderosos muito tempo depois de a sua atividade mais intensa ter terminado. Na verdade, a quantidade de material expelido poderia rivalizar com a quantidade que acaba por ser consumida pelo pr\u00f3prio buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Refletindo sobre o processo digestivo dos buracos negros, o Dr. Noel Castro Segura continuou: &#8220;Se os buracos negros conseguem continuar a expelir material mesmo ap\u00f3s as suas maiores explos\u00f5es, isso significa que podem ser comil\u00f5es muito menos eficazes do que anteriormente sup\u00fanhamos. Uma fra\u00e7\u00e3o significativa da refei\u00e7\u00e3o pode nunca chegar ao buraco negro, alterando a nossa compreens\u00e3o de como as estrelas bin\u00e1rias nas gal\u00e1xias evoluem&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As observa\u00e7\u00f5es v\u00eam refor\u00e7ar as evid\u00eancias crescentes de que os buracos negros n\u00e3o s\u00e3o simplesmente &#8220;comil\u00f5es&#8221; c\u00f3smicos. Em vez disso, parecem ser sistemas din\u00e2micos que tanto consomem como redistribuem mat\u00e9ria &#8211; absorvendo material, processando-o e devolvendo uma fra\u00e7\u00e3o substancial ao espa\u00e7o atrav\u00e9s de jatos e ventos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao comentar a investiga\u00e7\u00e3o, Kyle Solomons, investigador de doutoramento na Universidade da Cidade do Cabo, afirmou: &#8220;Normalmente, ficamos fascinados pelos espetaculares fogos de artif\u00edcio que marcam o in\u00edcio do surto de um buraco negro, mas as nossas observa\u00e7\u00f5es mostram que o final pode ser igualmente intenso. Mesmo quando a emiss\u00e3o de raios X do sistema diminuiu para uma fra\u00e7\u00e3o do seu pico, este ainda tinha energia suficiente para gerar uma expuls\u00e3o massiva de g\u00e1s&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso de Swift J1727.8\u22121613, os astr\u00f3nomos conseguiram observar todo esse ciclo a desenrolar-se durante uma \u00fanica erup\u00e7\u00e3o, proporcionando uma das vis\u00f5es mais claras at\u00e9 \u00e0 data da forma como os buracos negros se alimentam, reagem e influenciam os seus arredores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/warwick.ac.uk\/news\/pressreleases\/black-hole-feeding\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/550\/4\/stag1175\/8743827?login=false\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Swift J1727.8-1613:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/simbad.u-strasbg.fr\/simbad\/sim-id?Ident=Swift+J1727.8-1613+&amp;NbIdent=1&amp;Radius=2&amp;Radius.unit=arcmin&amp;submit=submit+id\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Swift_J1727.8-1613\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buracos negros:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLT (Very Large Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os buracos negros s\u00e3o frequentemente retratados como glut\u00f5es c\u00f3smicos que engolem tudo o que se aproxima demasiado. 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