{"id":9160,"date":"2026-07-24T06:14:44","date_gmt":"2026-07-24T05:14:44","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9160"},"modified":"2026-07-24T06:14:45","modified_gmt":"2026-07-24T05:14:45","slug":"o-perfil-de-temperatura-da-subsuperficie-de-io","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/07\/24\/o-perfil-de-temperatura-da-subsuperficie-de-io\/","title":{"rendered":"O perfil de temperatura da subsuperf\u00edcie de Io"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images-assets.nasa.gov\/image\/PIA26484\/PIA26484~large.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"662\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/af7f726d0c7f-1024x662.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9161\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/af7f726d0c7f-1024x662.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/af7f726d0c7f-300x194.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/af7f726d0c7f-768x496.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/af7f726d0c7f.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A regi\u00e3o polar norte de Io, a lua vulc\u00e2nica de J\u00fapiter, foi captada pela sonda Juno da NASA durante a 57.\u00aa passagem pr\u00f3xima da sonda pelo gigante gasoso, a 30 de dezembro de 2023. Os dados dessa passagem e de outra realizada a 3 de fevereiro de 2024 est\u00e3o a ajudar os cientistas a compreender o interior de Io.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/SwRI\/MSSS; processamento de imagem &#8211; Gerald Eichst\u00e4dt<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A miss\u00e3o Juno da NASA forneceu as primeiras medi\u00e7\u00f5es da temperatura abaixo da superf\u00edcie da lua de J\u00fapiter, Io, revelando um aquecimento significativo na subsuperf\u00edcie do mundo, do ponto de vista vulc\u00e2nico, mais ativo do Sistema Solar. Recolhidos durante dois &#8220;flybys&#8221;, os dados mostram tamb\u00e9m que a maior parte da superf\u00edcie de Io \u00e9 notavelmente lisa e composta por material de densidade muito baixa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Publicadas esta passada quarta-feira na revista Journal of Geophysical Research: Planets, as descobertas abrem novos horizontes observacionais tanto para mundos t\u00f3rridos como para mundos gelados para al\u00e9m do nosso planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O vulcanismo extremo de Io \u00e9 alimentado pelo aquecimento de mar\u00e9. A lua \u00e9 constantemente esticada e comprimida pela imensa gravidade de J\u00fapiter \u00e0 medida que se desloca na sua \u00f3rbita ligeiramente el\u00edptica, gerando calor interno muitas vezes superior ao da Terra. At\u00e9 agora, praticamente tudo o que se sabia sobre esse calor provinha de observa\u00e7\u00f5es no infravermelho, que detetam apenas a temperatura da superf\u00edcie. Estas \u00faltimas descobertas derivam de dados recolhidos pelo instrumento MWR (Microwave Radiometer) da sonda espacial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O MRW da Juno observou diretamente a emiss\u00e3o de calor de Io, olhando abaixo da superf\u00edcie&#8221;, afirmou Scott Bolton, coautor do estudo e investigador principal da miss\u00e3o Juno no SwRI (Southwest Research Institute), em San Antonio, EUA. &#8220;A surpreendente descoberta de que conseguimos ver por baixo da superf\u00edcie de uma lua rochosa tem implica\u00e7\u00f5es importantes para o estudo dos vulc\u00f5es da Terra. A Juno ensinou-nos que, se observarmos com um instrumento do tipo MWR perto de um vulc\u00e3o na Terra, poderemos ver uma assinatura semelhante no gradiente de temperatura subterr\u00e2neo, fornecendo novas informa\u00e7\u00f5es sobre o funcionamento dos vulc\u00f5es terrestres&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/e1-pia26756-fig-excerpt-09.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/778e579d05f2.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A regi\u00e3o polar norte de Io, a lua vulc\u00e2nica de J\u00fapiter, foi captada pela sonda Juno da NASA durante a 57.\u00aa passagem pr\u00f3xima da sonda pelo gigante gasoso, a 30 de dezembro de 2023. Os dados dessa passagem e de outra realizada a 3 de fevereiro de 2024 est\u00e3o a ajudar os cientistas a compreender o interior de Io.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/SwRI\/MSSS; processamento de imagem &#8211; Gerald Eichst\u00e4dt<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fogo, gelo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O MRW da Juno foi concebido por Bolton para espreitar por baixo das camadas superiores das nuvens de J\u00fapiter, a fim de investigar a din\u00e2mica e a composi\u00e7\u00e3o da atmosfera profunda do gigante gasoso. As seis antenas de micro-ondas do MWR funcionam como um \u00fanico instrumento, detetando simultaneamente micro-ondas numa ampla gama de comprimentos de onda, desde cerca de 1,3 a 51 cent\u00edmetros. Durante a fase prolongada da miss\u00e3o, o instrumento MWR proporcionou a oportunidade de observar tr\u00eas das luas galileanas do planeta: Ganimedes, Europa e Io.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A t\u00e9cnica \u00e9 inovadora na medida em que cada comprimento de onda explora profundidades diferentes, proporcionando uma nova forma de caracterizar a atmosfera profunda dos planetas gigantes e as crostas subterr\u00e2neas das luas geladas e rochosas&#8221;, afirmou Bolton. &#8220;Em Ganimedes e Europa, explor\u00e1mos dezenas de milhas abaixo da superf\u00edcie, partindo do princ\u00edpio de que as suas camadas de gelo eram, na sua maioria, \u00e1gua pura, mas a capacidade de sondar a rocha vulc\u00e2nica em Io foi uma descoberta inesperada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante as aproxima\u00e7\u00f5es realizadas a 30 de dezembro de 2023 e a 3 de fevereiro de 2024, a sonda espacial Juno, alimentada a energia solar, aproximou-se a cerca de 1500 quil\u00f3metros da superf\u00edcie da lua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O instrumento mediu a emiss\u00e3o t\u00e9rmica de Io a profundidades que variavam entre algumas polegadas e dezenas de p\u00e9s. Em todos os locais que analis\u00e1mos, constat\u00e1mos que a temperatura aumentava mais de 40 graus Fahrenheit a cada v\u00e1rios p\u00e9s de profundidade &#8211; um gradiente muito mais acentuado do que o aquecimento solar por si s\u00f3 consegue explicar&#8221;, afirmou Shannon Brown, autor principal do artigo cient\u00edfico no JPL da NASA, no sul do estado norte-americano da Calif\u00f3rnia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados sugerem duas explica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. Em primeiro lugar, o calor poder\u00e1 estar a subir de forma constante atrav\u00e9s de uma crosta condutora. Embora este fluxo de calor de fundo &#8211; medido entre 1 e 3 watts por metro quadrado &#8211; seja relativamente moderado \u00e0 escala local (equivalente, aproximadamente, a uma pequena luz noturna a brilhar sob cada quase metro quadrado), em toda a lua representa uma liberta\u00e7\u00e3o de energia at\u00e9 30 vezes superior \u00e0 m\u00e9dia da Terra. Em alternativa, o sinal poder\u00e1 provir de fluxos de lava em arrefecimento, escondidos por cerca de 9 a 11 metros de crosta solidificada, que cobrem cerca de 10% da superf\u00edcie da lua em qualquer momento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Io oferece uma perspetiva \u00fanica para compreender como o aquecimento de mar\u00e9 funciona em todo o cosmos, um processo fundamental que fornece energia e calor a mundos distantes da sua estrela-m\u00e3e&#8221;, afirmou Bolton. &#8220;Este processo pode n\u00e3o s\u00f3 criar o corpo mais vulc\u00e2nico do Sistema Solar, no caso de Io, como tamb\u00e9m alimentar os oceanos subsuperficiais nas luas dos planetas gigantes, tais como Europa e Ganimedes. At\u00e9 agora, s\u00f3 pod\u00edamos observar o calor a escapar \u00e0 superf\u00edcie ou atrav\u00e9s de erup\u00e7\u00f5es. Agora podemos caracterizar a forma como o calor se desloca do interior para a superf\u00edcie&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/e2-pia26757-io-mwr-footprint2.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.imgchest.com\/files\/1e1f0a34f2bc.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Este gr\u00e1fico ilustra as \u00e1reas de Io analisadas pelo MRW a bordo da sonda espacial Juno da NASA durante duas passagens pr\u00f3ximas pela lua de J\u00fapiter.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/SwRI\/USGS<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>As grandes plan\u00edcies de Io<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra importante descoberta resultante das duas aproxima\u00e7\u00f5es \u00e9 o qu\u00e3o lisa \u00e9 a lua Io. Antes das recentes descobertas, era conhecida pelas suas montanhas altas, mas o MWR indica que, para al\u00e9m desta topografia vis\u00edvel, a superf\u00edcie apresenta extensas \u00e1reas planas que se estendem por 100 quil\u00f3metros ou mais. Como a sonda Juno sobrevoou regi\u00f5es sobrepostas de Io a diferentes \u00e2ngulos, a equipa conseguiu mapear a forma como a superf\u00edcie reflete as micro-ondas, tal como um passageiro de avi\u00e3o pode ver o oceano a brilhar com a luz do Sol apenas sob \u00e2ngulos espec\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Longe das suas montanhas, a superf\u00edcie assemelha-se mais \u00e0s Grandes Plan\u00edcies da Am\u00e9rica do Norte e, apesar de Io ser um corpo rochoso, o material da superf\u00edcie tem uma densidade muito baixa &#8211; mais semelhante \u00e0 pedra-pomes ou a cinzas vulc\u00e2nicas fofas do que \u00e0 rocha s\u00f3lida&#8221;, afirmou Brown.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/missions\/juno\/nasas-juno-takes-temperature-of-jupiters-fiery-moon-io\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1029\/2025JE009622\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Journal of Geophysical Research: Planets)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Io:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/moons\/jupiter-moons\/io\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/io.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nine Planets<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Io_(moon)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>J\u00fapiter:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/jupiter\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/jupiter.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nine Planets<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Jupiter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Miss\u00e3o Juno:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/juno\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.missionjuno.swri.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SwRI<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Juno_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sonda Juno da NASA elaborou o mapa t\u00e9rmico mais detalhado de Io, a lua mais vulcanicamente ativa do Sistema Solar. 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