{"id":9151,"date":"2026-07-21T06:19:06","date_gmt":"2026-07-21T05:19:06","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9151"},"modified":"2026-07-21T06:19:07","modified_gmt":"2026-07-21T05:19:07","slug":"estudo-revela-que-um-asteroide-proximo-da-terra-e-na-verdade-um-cometa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/07\/21\/estudo-revela-que-um-asteroide-proximo-da-terra-e-na-verdade-um-cometa\/","title":{"rendered":"Estudo revela que um asteroide pr\u00f3ximo da Terra \u00e9, na verdade, um cometa"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/1-pia21259.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"640\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/eyFkdeqj_o-1024x640.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9152\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/eyFkdeqj_o-1024x640.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/eyFkdeqj_o-300x188.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/eyFkdeqj_o-768x480.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/eyFkdeqj_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta ilustra\u00e7\u00e3o mostra um asteroide pr\u00f3ximo da Terra com uma \u00f3rbita alongada. Alguns objetos como estes podem apresentar perturba\u00e7\u00f5es significativas no seu movimento em torno do Sol e, tal como o asteroide 1998 SH2, podem revelar-se cometas comuns com uma cauda e uma cabeleira (o g\u00e1s e a poeira em torno do n\u00facleo de um cometa) pouco pronunciadas.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma nova investiga\u00e7\u00e3o liderada por cientistas do JPL da NASA, no sul da Calif\u00f3rnia, EUA, revelou a identidade de um enigm\u00e1tico objeto pr\u00f3ximo da Terra, atrav\u00e9s do acompanhamento preciso do seu movimento no espa\u00e7o e da utiliza\u00e7\u00e3o de potentes observat\u00f3rios capazes de captar imagens de objetos celestes pouco luminosos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este objeto tem uma dupla personalidade: as imagens anteriores n\u00e3o tinham revelado atividade \u00f3bvia semelhante \u00e0 de um cometa, sugerindo que poderia ser um asteroide, mas o seu movimento revelou-se recentemente irregular, tal como o de um cometa. Os cientistas detalharam as suas descobertas num estudo publicado na revista Nature Astronomy.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O enigma teve in\u00edcio a 28 de agosto de 2025, quando o objeto, provisoriamente conhecido como asteroide 1998 SH2, passou em seguran\u00e7a a 3 milh\u00f5es de quil\u00f3metros do nosso planeta durante a sua \u00f3rbita de 4 anos e meio em torno do Sol. Os investigadores que pretendiam observar 1998 SH2 com o sistema planet\u00e1rio de radar da DSN (Deep Space Network) da NASA tinham calculado a sua posi\u00e7\u00e3o utilizando dados de \u00f3rbitas anteriores e tido em conta os efeitos que a gravidade do Sol e dos planetas teria na sua trajet\u00f3ria. Mas quando 1998 SH2 n\u00e3o apareceu onde esperavam, perceberam que algo imprevisto tinha vindo a influenciar o movimento do objeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rastreio do objeto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao utilizarem a astrometria \u00f3tica para medir com precis\u00e3o a posi\u00e7\u00e3o do objeto no c\u00e9u, os investigadores conseguiram identificar a causa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Depois de medirmos as perturba\u00e7\u00f5es n\u00e3o gravitacionais que afetavam o movimento de 1998 SH2 e de percebermos que estas n\u00e3o eram compat\u00edveis com a hip\u00f3tese de o objeto ser um asteroide, suspeit\u00e1mos que o objeto pudesse ser um cometa ativo&#8221;, afirmou Davide Farnocchia, engenheiro de navega\u00e7\u00e3o do CNEOS (Center for Near-Earth Object Studies) da NASA no JPL e respons\u00e1vel pelo estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a \u00f3rbita de 1998 SH2 em torno do Sol tivesse sido bem acompanhada entre 1998 e 2016, o objeto completou duas \u00f3rbitas solares sem observa\u00e7\u00f5es adicionais por telesc\u00f3pios at\u00e9 \u00e0s tentativas da DSN em 2025. Ao analisar todas as observa\u00e7\u00f5es recolhidas desde a descoberta do objeto em 1998, os investigadores determinaram as perturba\u00e7\u00f5es no movimento de 1998 SH2 e formularam a hip\u00f3tese de que o objeto poderia estar a gerar um pequeno impulso ao libertar g\u00e1s para o espa\u00e7o, fazendo com que se desviasse da sua trajet\u00f3ria prevista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta liberta\u00e7\u00e3o de g\u00e1s resulta do aquecimento, pelo Sol, do gelo misturado com material rochoso, transformando o gelo em g\u00e1s. Nos cometas comuns, esta atividade forma as cl\u00e1ssicas e brilhantes cauda e cabeleira &#8211; o g\u00e1s e a poeira que rodeiam o n\u00facleo do cometa. Mas quando um objeto produz g\u00e1s e poeira em quantidades muito menores, a sua cauda e cabeleira podem n\u00e3o ser detet\u00e1veis pela maioria dos observat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Aparecimento da cauda e da cabeleira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A aproxima\u00e7\u00e3o de 1998 SH2 \u00e0 Terra, em agosto de 2025, proporcionou a oportunidade perfeita para os autores do artigo cient\u00edfico recolherem evid\u00eancias observacionais de atividade comet\u00e1ria vis\u00edvel. Entraram em contacto com astr\u00f3nomos do CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope), um telesc\u00f3pio \u00f3tico\/infravermelho de 3,6 metros situado perto do cume do Mauna Kea, no Hawaii, e do Telesc\u00f3pio Dinamarqu\u00eas do ESO, de 1,5 metros, em La Silla, no Chile, para realizar as observa\u00e7\u00f5es. Os astr\u00f3nomos do potente VLT (Very Large Telescope), de 8,2 metros, do ESO, situado na montanha chilena Cerro Paranal, tamb\u00e9m acompanharam o objeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As imagens que recolhemos destes observat\u00f3rios revelaram uma cauda fraca, mas n\u00edtida, confirmando assim que 1998 SH2 \u00e9, de facto, um cometa&#8221;, afirmou Olivier Hainaut, astr\u00f3nomo do ESO e coautor do estudo. &#8220;\u00c9 assim que a ci\u00eancia funciona &#8211; formula-se uma hip\u00f3tese e parte-se para a testar. Estes dados s\u00e3o exatamente o que era necess\u00e1rio para confirmar a nossa hip\u00f3tese de que 1998 SH2 era um cometa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como resultado da investiga\u00e7\u00e3o, 1998 SH2 receber\u00e1 uma designa\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria adicional de cometa, P\/1998 SH2.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Implica\u00e7\u00f5es para a defesa planet\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A investiga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m lan\u00e7a luz sobre outra classe de objetos, ainda mais invulgar, denominada &#8220;cometas escuros&#8221;. Tal como 1998 SH2, os cometas escuros apresentam irregularidades significativas, ou perturba\u00e7\u00f5es, na sua trajet\u00f3ria, mas carecem de outras evid\u00eancias vis\u00edveis de atividade comet\u00e1ria &#8211; n\u00e3o h\u00e1 cabeleira, cauda nem liberta\u00e7\u00e3o vis\u00edvel de gases. Estes objetos enigm\u00e1ticos dividem-se em duas popula\u00e7\u00f5es distintas: os maiores, com \u00f3rbitas semelhantes \u00e0s dos cometas da fam\u00edlia de J\u00fapiter (cometas de per\u00edodo curto com \u00f3rbitas altamente el\u00edpticas, ou exc\u00eantricas), e os mais pequenos, que orbitam mais perto do Sol. Desde a descoberta do primeiro cometa escuro, em 2016, foram identificados mais cerca de uma d\u00fazia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os autores do artigo cient\u00edfico sugerem que muitos dos cometas escuros de maiores dimens\u00f5es, cujas \u00f3rbitas s\u00e3o semelhantes \u00e0 de 1998 SH2, poder\u00e3o revelar-se cometas comuns se os astr\u00f3nomos tiverem a oportunidade de os observar com telesc\u00f3pios potentes, capazes de captar imagens de objetos incrivelmente t\u00e9nues. Al\u00e9m disso, ao analisar o movimento de todos os objetos pr\u00f3ximos da Terra utilizando dados de astrometria de precis\u00e3o, os investigadores poder\u00e3o revelar mais cometas que anteriormente tinham sido classificados como asteroides, caso apresentem perturba\u00e7\u00f5es n\u00e3o gravitacionais semelhantes \u00e0s dos cometas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este trabalho demonstra a import\u00e2ncia de acompanhar continuamente os objetos pr\u00f3ximos da Terra&#8221;, afirmou Farnocchia. &#8220;Devido \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o de gases, o movimento dos cometas \u00e9 perturbado de forma mais significativa do que o dos asteroides. Detetar estas perturba\u00e7\u00f5es pode ser uma importante ferramenta de diagn\u00f3stico para a defesa planet\u00e1ria, que ajudar\u00e1 a compreender quais os objetos que podem ser cometas em vez de asteroides, como as suas \u00f3rbitas evoluem e como isso influencia os riscos de impacto na Terra&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/solar-system\/comets\/nasa-study-finds-near-earth-asteroid-is-actually-comet\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-026-02913-7\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>1998 SH2:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/ssd.jpl.nasa.gov\/tools\/sbdb_lookup.html#\/?sstr=20875163\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SSD do JPL da NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/(875163)_1998_SH2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cometas:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Comet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_comet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cometas escuros (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>DSN (Deep Space Network):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/communicating-with-missions\/dsn\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/eyes.nasa.gov\/apps\/dsn-now\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">DSN Now<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/NASA_Deep_Space_Network\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.cfht.hawaii.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Canada%E2%80%93France%E2%80%93Hawaii_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Dinamarqu\u00eas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/lasilla\/danish154\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLT (Very Large Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo da NASA revelou que o objeto pr\u00f3ximo da Terra 1998 SH2, tido como um asteroide, \u00e9 afinal um cometa ativo. 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