{"id":9139,"date":"2026-07-17T06:33:25","date_gmt":"2026-07-17T05:33:25","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9139"},"modified":"2026-07-17T06:33:27","modified_gmt":"2026-07-17T05:33:27","slug":"estrelas-mortas-na-nossa-vizinhanca-cosmica-cientistas-descobrem-quatro-anas-brancas-escondidas-mesmo-debaixo-do-nosso-nariz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/07\/17\/estrelas-mortas-na-nossa-vizinhanca-cosmica-cientistas-descobrem-quatro-anas-brancas-escondidas-mesmo-debaixo-do-nosso-nariz\/","title":{"rendered":"Estrelas mortas na nossa vizinhan\u00e7a c\u00f3smica: cientistas descobrem quatro an\u00e3s brancas escondidas mesmo debaixo do nosso nariz"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/ko7mDTuL_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"694\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/ko7mDTuL_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9140\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/ko7mDTuL_o.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/ko7mDTuL_o-300x203.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/ko7mDTuL_o-768x521.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/ko7mDTuL_o-110x75.jpg 110w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica de uma an\u00e3 vermelha com uma an\u00e3 branca como companheira bin\u00e1ria a espreitar por tr\u00e1s. Os di\u00e2metros das duas estrelas s\u00e3o apresentados \u00e0 escala.<br>Cr\u00e9dito: Mark A. Garlick\/Universidade de Warwick<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Investigadores da Universidade de Warwick e da Universidade do Colorado em Boulder observaram diretamente, pela primeira vez, quatro an\u00e3s brancas a orbitar em sistemas estelares duplos na nossa regi\u00e3o pr\u00f3xima do espa\u00e7o. Estes sistemas bin\u00e1rios est\u00e3o todos localizados a menos de 65 anos-luz da Terra, e um deles \u00e9 a nona an\u00e3 branca mais pr\u00f3xima do nosso Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os quatro sistemas t\u00eam, todos, estrelas an\u00e3s vermelhas como companheiras &#8211; estrelas maiores e mais brilhantes -, o que faz com que pare\u00e7am sistemas estelares simples. Os novos resultados, publicados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, revelaram que cada uma destas estrelas an\u00e3s vermelhas pr\u00f3ximas albergava uma estrela an\u00e3 branca companheira oculta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira autora, Dra. Mairi O&#8217;Brien, investigadora da Universidade de Warwick, afirmou: &#8220;As an\u00e3s brancas isoladas pr\u00f3ximas s\u00e3o normalmente f\u00e1ceis de encontrar, mas n\u00e3o conseguimos ver estas quatro estrelas diretamente nos comprimentos de onda vis\u00edveis porque as suas companheiras an\u00e3s vermelhas estavam a ofuscar a sua luz. Isto serve para nos lembrar que, mesmo na nossa pr\u00f3pria vizinhan\u00e7a c\u00f3smica, ainda podemos encontrar surpresas se olharmos da forma correta, nos comprimentos de onda corretos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos t\u00eam vindo a realizar levantamentos detalhados da nossa vizinhan\u00e7a local h\u00e1 d\u00e9cadas, mas an\u00e3s brancas como estas t\u00eam sido notoriamente dif\u00edceis de encontrar. Estes quatro sistemas pr\u00f3ximos suscitaram interesse porque apresentavam uma substancial oscila\u00e7\u00e3o radial, um fen\u00f3meno em que uma estrela oscila subtilmente para a frente e para tr\u00e1s, indicando que um objeto companheiro massivo est\u00e1 em \u00f3rbita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando os dados do espetr\u00f3grafo ultravioleta do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, a equipa obteve ent\u00e3o observa\u00e7\u00f5es detalhadas dos quatro sistemas. As an\u00e3s brancas destacam-se normalmente nas observa\u00e7\u00f5es ultravioletas, mas as an\u00e3s vermelhas complicam a situa\u00e7\u00e3o devido \u00e0s suas intensas erup\u00e7\u00f5es, que muitas vezes podem imitar o sinal de uma an\u00e3 branca. Os investigadores recorreram a t\u00e9cnicas de calibra\u00e7\u00e3o personalizadas para confirmar oficialmente a presen\u00e7a das quatro an\u00e3s brancas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos sistemas, G 203-47, revelou-se particularmente enigm\u00e1tico. Apesar de se encontrar a apenas 25 anos-luz de dist\u00e2ncia, foram necess\u00e1rios 27 anos ap\u00f3s a observa\u00e7\u00e3o inicial da sua oscila\u00e7\u00e3o radial para se descobrir a an\u00e3 branca companheira. \u00c9 agora oficialmente a nona an\u00e3 branca mais pr\u00f3xima do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">G 203-47 tamb\u00e9m \u00e9 invulgar porque a sua an\u00e3 vermelha gira uma vez a cada mais de 100 dias, mas orbita a sua an\u00e3 branca a cada 14,9 dias. Normalmente, as for\u00e7as gravitacionais levariam ao acoplamento de mar\u00e9, tal como a Lua e a Terra, em que a mesma face est\u00e1 sempre voltada uma para a outra. Em vez disso, a an\u00e3 vermelha gira demasiado devagar para que isso aconte\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O coautor, Dr. David Wilson, investigador associado da Universidade do Colorado em Boulder, afirmou: &#8220;O que \u00e9 fascinante \u00e9 que G 203-47 n\u00e3o deveria estar a girar t\u00e3o lentamente se se tivesse formado da mesma forma que sistemas semelhantes. Isto sugere que estes sistemas bin\u00e1rios tiveram hist\u00f3rias evolutivas muito diferentes. Alguns sofreram intera\u00e7\u00f5es violentas e prolongadas numa fase inicial, que os sincronizaram por for\u00e7as de mar\u00e9. Outros, como G 203-47, passaram por encontros mais gentis e breves, que os deixaram neste estado invulgar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas quatro novas an\u00e3s brancas permitiram aos investigadores atualizar o censo local de an\u00e3s brancas num raio de 20 parsecs (65 anos-luz). Fundamentalmente, os modelos populacionais tinham previsto anteriormente que deveriam existir cerca de 4 a 5 pares de an\u00e3s brancas e an\u00e3s vermelhas em \u00f3rbitas \u00edntimas, e a equipa encontrou exatamente 4, o que \u00e9 compar\u00e1vel ao trabalho te\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor Pier-Emmanuel Tremblay, do Grupo de Astronomia e Astrof\u00edsica da Universidade de Warwick, afirmou: &#8220;Apenas cerca de 30 por cento das an\u00e3s vermelhas num raio de 20 parsecs foram sistematicamente analisadas em busca de companheiras an\u00e3s brancas ocultas. Pensamos que poder\u00e1 haver at\u00e9 9 ou 10 sistemas bin\u00e1rios adicionais no nosso ambiente estelar local que ainda n\u00e3o encontr\u00e1mos. Se dedicarmos esfor\u00e7os mais direcionados \u00e0 observa\u00e7\u00e3o de an\u00e3s vermelhas, talvez encontremos mais surpresas como esta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/warwick.ac.uk\/news\/pressreleases\/dead-stars-in-our-cosmic-backyard\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/550\/2\/stag1195\/8733147?login=false\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3 branca:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/imagine.gsfc.nasa.gov\/science\/objects\/dwarfs2.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/White_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><br>Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3 vermelha:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Red_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G 203-47:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/simbad.cds.unistra.fr\/simbad\/sim-id?Ident=G+203-47\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/GJ_3991\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/hubble\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/hst.esac.esa.int\/ehst\/#\/pages\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de Ci\u00eancias do eHST<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram identificadas quatro an\u00e3s brancas ocultas em sistemas bin\u00e1rios a menos de 65 anos-luz da Terra, incluindo a nona mais pr\u00f3xima do Sol. Escondidas pelo brilho das suas companheiras an\u00e3s vermelhas, estas \u201cestrelas mortas\u201d passaram despercebidas durante d\u00e9cadas. A descoberta mostra que a nossa vizinhan\u00e7a c\u00f3smica ainda guarda surpresas e sugere que poder\u00e3o existir mais sistemas semelhantes por encontrar.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9140,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,16,1],"tags":[310,374,2146,150],"class_list":["post-9139","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-anas-brancas","tag-anas-vermelhas","tag-g-203-47","tag-hubble"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9139","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9139"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9139\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9141,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9139\/revisions\/9141"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9140"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}