{"id":9133,"date":"2026-07-14T06:34:11","date_gmt":"2026-07-14T05:34:11","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9133"},"modified":"2026-07-14T06:34:12","modified_gmt":"2026-07-14T05:34:12","slug":"os-campos-magneticos-do-pulsar-do-farol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/07\/14\/os-campos-magneticos-do-pulsar-do-farol\/","title":{"rendered":"Os campos magn\u00e9ticos do pulsar do &#8220;Farol&#8221;"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/CPg9kIgL_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"602\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/CPg9kIgL_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9134\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/CPg9kIgL_o.jpg 720w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/CPg9kIgL_o-300x251.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os cientistas conseguiram medir com sucesso o campo magn\u00e9tico do pulsar da Nebulosa do Farol (j\u00e1 afastado do remanescente de supernova) utilizando o IXPE da NASA. As suas medi\u00e7\u00f5es confirmam a teoria de que as part\u00edculas altamente energ\u00e9ticas escapam ao longo das linhas do campo magn\u00e9tico da Gal\u00e1xia. Esta composi\u00e7\u00e3o cont\u00e9m dados de raios X do IXPE a azul (destacados na inser\u00e7\u00e3o), do Observat\u00f3rio de raios X Chandra a roxo e dados r\u00e1dio do CSIRO a verde. O campo estelar corresponde a dados \u00f3ticos do levantamento \u00f3tico 2MASS.<br>Cr\u00e9dito: raios X &#8211; Chandra (NASA\/CXC\/Universidade de Stanford\/J.T. Dinsmore et al.) e IXPE (NASA\/MSFC\/J.T. Dinsmore et al.); r\u00e1dio &#8211; CSIRO\/ATNF\/ATCA; \u00f3tico &#8211; 2MASS\/UMass\/IPAC-Caltech\/NASA\/NSF; processamento de imagem &#8211; NASA\/CXC\/SAO\/L. Frattare<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pela primeira vez, os cientistas utilizaram o IXPE (Imaging X-ray Polarimetry Explorer) da NASA para medir diretamente os campos magn\u00e9ticos de PSR J1101-6101, um pulsar localizado perto do objeto por vezes chamado de Nebulosa do Farol. Os resultados proporcionam novos conhecimentos sobre a estrutura de alguns dos objetos mais extremos do cosmos. O artigo cient\u00edfico que descreve os resultados foi publicado na quinta-feira passada na revista The Astrophysical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um pulsar \u00e9 um tipo de estrela de neutr\u00f5es com um forte campo magn\u00e9tico que gira a uma velocidade incr\u00edvel. O pulsar da Nebulosa do Farol est\u00e1 a girar 16 vezes por segundo. As estrelas de neutr\u00f5es s\u00e3o os n\u00facleos remanescentes de estrelas massivas, formadas no final dos seus ciclos de vida, que possuem mais massa do que o Sol. Est\u00e3o condensadas at\u00e9 ao tamanho de uma cidade, o que as torna laborat\u00f3rios naturais para o estudo da f\u00edsica extrema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em junho de 2025, o IXPE passou quase 18 dias focado na Nebulosa do Farol. Os astr\u00f3nomos estudaram dois filamentos estreitos de raios X que se estendem a partir do pulsar para compreender melhor como os eletr\u00f5es a uma velocidade pr\u00f3xima da da luz interagem com este sistema energ\u00e9tico. O filamento mais longo \u00e9 mesmo conhecido como &#8220;filamento&#8221;, e o mais curto como &#8220;rasto&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando as part\u00edculas altamente energ\u00e9ticas do pulsar colidem com o g\u00e1s do espa\u00e7o interestelar, formam um choque em arco, semelhante \u00e0 onda que se forma na proa de um barco em alta velocidade. A maioria das part\u00edculas fica retida atr\u00e1s deste choque em arco, formando o rasto turbulento atr\u00e1s do pulsar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores suspeitam, desde 2008, que as part\u00edculas de maior energia escapam atrav\u00e9s deste choque em arco para o espa\u00e7o interestelar, fluindo ao longo das linhas do campo magn\u00e9tico da Gal\u00e1xia para criar o filamento longo e fino da nebulosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quer\u00edamos testar essa teoria&#8221;, afirmou Jack Dinsmore, estudante na Universidade de Stanford, que liderou o estudo. &#8220;A &#8216;prova irrefut\u00e1vel&#8217; viria da medi\u00e7\u00e3o da polariza\u00e7\u00e3o da luz, que indica a dire\u00e7\u00e3o do campo magn\u00e9tico. Se o campo magn\u00e9tico apontar ao longo do filamento, isso confirma que as part\u00edculas do filamento est\u00e3o a fluir ao longo do campo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A polariza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma propriedade da luz que descreve a dire\u00e7\u00e3o das vibra\u00e7\u00f5es do seu campo el\u00e9trico. O grau de polariza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma medida do alinhamento dessas vibra\u00e7\u00f5es entre si.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos desafios destas medi\u00e7\u00f5es \u00e9 o facto de a Nebulosa do Farol ser relativamente t\u00e9nue. Para abordar esta quest\u00e3o, os cientistas do IXPE desenvolveram m\u00e9todos de an\u00e1lise avan\u00e7ados que utilizam todos os dados dispon\u00edveis, evitando etapas de simplifica\u00e7\u00e3o que pudessem limitar a informa\u00e7\u00e3o. Com estas novas ferramentas e as novas observa\u00e7\u00f5es da Nebulosa do Farol, a equipa cient\u00edfica conseguiu medir com sucesso a polariza\u00e7\u00e3o do filamento. Estas t\u00e9cnicas tamb\u00e9m permitiram obter uma medi\u00e7\u00e3o da polariza\u00e7\u00e3o do rasto e do sinal de emiss\u00e3o do pulsar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sua an\u00e1lise confirmou, com mais de 99% de confian\u00e7a, que o campo magn\u00e9tico se alinha, de facto, com o fluxo das part\u00edculas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a dire\u00e7\u00e3o paralela confirme os modelos relativos ao movimento das part\u00edculas, o grau de polariza\u00e7\u00e3o foi suficientemente elevado para suscitar novas quest\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Muitos dos modelos relativos aos filamentos pressup\u00f5em uma forte turbul\u00eancia magn\u00e9tica&#8221;, afirmou Roger Romani, professor da Universidade de Stanford e coautor deste artigo cient\u00edfico. &#8220;O elevado grau de polariza\u00e7\u00e3o que medimos indica uma turbul\u00eancia inferior \u00e0 exigida por esses modelos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As observa\u00e7\u00f5es do IXPE revelaram tamb\u00e9m que o campo magn\u00e9tico respons\u00e1vel pela emiss\u00e3o de raios X tinha de ser paralelo ao rasto. No entanto, os autores recolheram observa\u00e7\u00f5es no r\u00e1dio que revelavam um campo magn\u00e9tico orientado de forma quase exatamente perpendicular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A not\u00e1vel diverg\u00eancia nas orienta\u00e7\u00f5es do campo magn\u00e9tico observada entre os comprimentos de onda de r\u00e1dio e de raios X fornece evid\u00eancias convincentes da natureza altamente estruturada destes objetos&#8221;, afirmou Niccol\u00f2 Bucciantini, do INAF (Istituto nazionale di astrofisica), It\u00e1lia, e coautor do estudo. &#8220;Isto constitui a primeira indica\u00e7\u00e3o clara de que part\u00edculas com diferentes energias ocupam regi\u00f5es distintas dentro do sistema, sugerindo a presen\u00e7a de m\u00faltiplos e diferentes mecanismos de acelera\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/ixpe\/nasa-space-telescope-maps-magnetic-fields-of-lighthouse-pulsar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ae64f3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nebulosa do Farol:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/IGR_J11014-6103\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pulsares:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pulsar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas de neutr\u00f5es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astro.umd.edu\/~miller\/nstar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Maryland<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Choque em arco:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Bow_shock\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>IXPE (Imaging X-ray Polarimetry Explorer):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/ixpe\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/IXPE\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela primeira vez, o telesc\u00f3pio espacial IXPE da NASA mediu diretamente os campos magn\u00e9ticos do pulsar da Nebulosa do Farol (PSR J1101\u22126101). 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