{"id":9085,"date":"2026-06-26T06:32:26","date_gmt":"2026-06-26T05:32:26","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9085"},"modified":"2026-06-26T06:32:28","modified_gmt":"2026-06-26T05:32:28","slug":"euclid-capta-o-coracao-repleto-de-estrelas-da-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/06\/26\/euclid-capta-o-coracao-repleto-de-estrelas-da-via-lactea\/","title":{"rendered":"Euclid capta o cora\u00e7\u00e3o repleto de estrelas da Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2026\/06\/euclid_s_view_of_our_galaxy_s_bulge\/27320809-1-eng-GB\/Euclid_s_view_of_our_galaxy_s_bulge.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"960\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/yBo1tow7_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9086\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/yBo1tow7_o.jpg 960w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/yBo1tow7_o-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/yBo1tow7_o-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/yBo1tow7_o-768x768.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta \u00e9 a maior fotografia de alta resolu\u00e7\u00e3o alguma vez tirada do centro da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, no vis\u00edvel. Foi captada a 23 de mar\u00e7o de 2025 pelo telesc\u00f3pio espacial Euclid, da ESA. Repleta com mais de 60 milh\u00f5es de estrelas, esta imagem abre caminho para que os cientistas confirmem a exist\u00eancia de qualquer exoplaneta encontrado nesta regi\u00e3o e me\u00e7am a sua massa atrav\u00e9s de min\u00fasculas varia\u00e7\u00f5es na luz das estrelas ao longo do tempo.<br>O bojo gal\u00e1ctico &#8211; a regi\u00e3o central da nossa gal\u00e1xia &#8211; \u00e9 uma estrutura vasta e densamente povoada, composta principalmente por estrelas antigas e mais frias, o que lhe confere a sua caracter\u00edstica cor amarela. Visto a cerca de 26.000 anos-luz de dist\u00e2ncia, o Euclid observa o centro da nossa Gal\u00e1xia atrav\u00e9s de um complexo primeiro plano de material ao longo da sua linha de vis\u00e3o.<br>Esta vista ultra-ampla do bojo revela n\u00e3o s\u00f3 estrelas, mas tamb\u00e9m regi\u00f5es escuras aparentemente vazias. As manchas escuras n\u00e3o est\u00e3o desprovidas de estrelas: marcam nuvens moleculares densas e ricas em poeira que absorvem e dispersam a luz proveniente do bojo atr\u00e1s delas. \u00c0 medida que o Euclid observa atrav\u00e9s de dois dos bra\u00e7os espirais da Via L\u00e1ctea, depara-se tamb\u00e9m com regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar ativa, marcadas por estrelas azuis massivas e rec\u00e9m-formadas. A sua intensa radia\u00e7\u00e3o ultravioleta ioniza o g\u00e1s hidrog\u00e9nio circundante, produzindo o fraco brilho vermelho claramente vis\u00edvel numa das imagens recortadas.<br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/ESA_Multimedia\/Images\/2026\/06\/Euclid_s_galactic_bulge_survey\">Clique aqui para ver a vers\u00e3o desta imagem com os limites do padr\u00e3o do detetor<\/a>.<br><a href=\"https:\/\/sky.esa.int\/esasky?hips=Gaia+DR3+colour+flux+map&amp;projection=SIN&amp;cooframe=J2000&amp;sci=false&amp;hide_welcome=true&amp;euclid_image=Q2-EGBS-PNG-RGB_HIPS\">Explore esta imagem na sua mais alta resolu\u00e7\u00e3o com o ESASky<\/a>.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/Euclid\/Cons\u00f3rcio Euclid\/NASA, CFHT; processamento de imagem &#8211; J.-C. Cuillandre e E. Bertin (Centro de Investiga\u00e7\u00e3o CEA Paris-Saclay)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante apenas um dia, o detetive do Universo escuro, Euclid, voltou o seu olhar para a luz: a regi\u00e3o interior extremamente brilhante da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, conhecida como o bojo gal\u00e1ctico. Este pedido especial partiu de astr\u00f3nomos que procuravam aquilo que o Euclid faz de melhor: captar enormes \u00e1reas do c\u00e9u com detalhes n\u00edtidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Concebida para observar milhares de milh\u00f5es de gal\u00e1xias distantes, a c\u00e2mara de luz vis\u00edvel do telesc\u00f3pio espacial \u00e9 suficientemente sens\u00edvel para distinguir estrelas individuais no nosso superlotado bojo gal\u00e1ctico, e sem ficar cega. Esta capacidade rara \u00e9 crucial para o objetivo a que os cientistas pretendem destinar esta imagem: estudar planetas em torno de outras estrelas utilizando uma t\u00e9cnica especial chamada microlente. Mas antes de nos aprofundarmos nesse tema, demos primeiro uma olhadela mais atenta a esta imagem impressionante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia 23 de mar\u00e7o de 2025, o Euclid captou esta enorme fotografia em apenas cerca de 26 horas. Trata-se de um mosaico de nove &#8220;apontamentos&#8221; da sua c\u00e2mara de luz vis\u00edvel, sendo que cada apontar abrange uma \u00e1rea do c\u00e9u maior do que a Lua cheia.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2026\/06\/location_of_euclid_s_galactic_bulge_survey\/27321767-1-eng-GB\/Location_of_Euclid_s_galactic_bulge_survey.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/9c\/fa\/81psK1QR_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A localiza\u00e7\u00e3o da nova imagem do bojo gal\u00e1ctico captada pelo Euclid \u00e9 vis\u00edvel no mapa de todo o c\u00e9u do Gaia.<br>Duas amplia\u00e7\u00f5es mostram a resolu\u00e7\u00e3o impressionante da imagem do Euclid. A imagem ampliada \u00e0 direita, na parte inferior, corresponde a 0,003% da \u00e1rea de levantamento do bojo gal\u00e1ctico (que tem um total de 4,8 graus quadrados). Com muitos milhares de estrelas vis\u00edveis nesta \u00e1rea min\u00fascula, a imagem completa do bojo gal\u00e1ctico do Euclid regista nada menos do que 60 milh\u00f5es de estrelas.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/Euclid\/Cons\u00f3rcio Euclid\/NASA, CFHT, ESA\/Gaia\/DPAC; processamento de imagem &#8211; J.-C. Cuillandre e E. Bertin (Centro de Investiga\u00e7\u00e3o CEA Paris-Saclay)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, a nitidez e a sensibilidade do Euclid na luz vis\u00edvel s\u00e3o semelhantes \u00e0s do instrumento WFC (Wide Field Camera) do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA. No entanto, cada observa\u00e7\u00e3o que o Euclid capta em poucas horas abrange uma \u00e1rea 270 vezes maior do que o campo de vis\u00e3o do Hubble. Para observar o mesmo mosaico do Euclid, o Observat\u00f3rio Keck precisaria de cerca de 2000 horas. O Euclid \u00e9 mais r\u00e1pido e capaz de captar detalhes de estrelas mais t\u00e9nues que, de outra forma, passariam despercebidas numa observa\u00e7\u00e3o a partir do solo. Este mosaico singular abrange tamb\u00e9m toda a regi\u00e3o que o futuro telesc\u00f3pio espacial Roman ir\u00e1 monitorizar na procura de planetas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2026\/06\/infographic_explaining_euclid_s_galactic_bulge_survey\/27321814-1-eng-GB\/Infographic_explaining_Euclid_s_galactic_bulge_survey.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/00\/21\/uUY8vNMH_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Este infogr\u00e1fico situa o levantamento do bojo gal\u00e1ctico realizado pela miss\u00e3o Euclid no contexto mais amplo da estrutura da Via L\u00e1ctea, utilizando dados da miss\u00e3o Gaia da ESA.<br>A linha superior mostra representa\u00e7\u00f5es esquem\u00e1ticas (imagens art\u00edsticas) da nossa Gal\u00e1xia espiral: uma vista de perfil que destaca o bojo central (canto superior esquerdo), uma vista de cima para baixo que revela os bra\u00e7os espirais e a regi\u00e3o de levantamento (centro superior) e um grande plano do disco gal\u00e1ctico que indica a localiza\u00e7\u00e3o do Sistema Solar (canto superior direito), de onde o Euclid observa o c\u00e9u, que se torna o pano de fundo principal da imagem.<br>O painel inferior ilustra a diversidade de objetos captados pelo Euclid enquanto observava em dire\u00e7\u00e3o ao bojo gal\u00e1ctico em mar\u00e7o de 2025. Da esquerda para a direita, os recortes numerados destacam nuvens moleculares densas que obscurecem a luz estelar de fundo, uma nebulosa de emiss\u00e3o brilhante associada a forma\u00e7\u00e3o estelar recente, um enxame de estrelas jovens e, finalmente, o pr\u00f3prio bojo gal\u00e1ctico &#8211; uma regi\u00e3o esferoidal densa que cont\u00e9m dez mil milh\u00f5es de estrelas. Esta regi\u00e3o central densamente povoada proporciona condi\u00e7\u00f5es ideais para a dete\u00e7\u00e3o de eventos de microlente.<br>Cr\u00e9dito: imagens do Euclid &#8211; ESA\/Euclid\/Cons\u00f3rcio Euclid\/NASA, CFHT; processamento de imagem &#8211; J.-C. Cuillandre e E. Bertin (Centro de Investiga\u00e7\u00e3o CEA Paris-Saclay); impress\u00f5es art\u00edsticas da Via L\u00e1ctea &#8211; ESA\/Gaia\/DPAC, Stefan Payne-Wardenaar<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Euclid captou mais de 60 milh\u00f5es de estrelas nesta fotografia, juntamente com nebulosas e enxames estelares. Esta regi\u00e3o densamente povoada da nossa Gal\u00e1xia \u00e9 o local perfeito para os astr\u00f3nomos procurarem exoplanetas atrav\u00e9s de microlentes gravitacionais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2026\/06\/euclid_galactic_bulge_molecular_cloud\/27321112-1-eng-GB\/Euclid_galactic_bulge_molecular_cloud.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" data-id=\"9087\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Euclid_galactic_bulge_countless_stars_pillars-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9087\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Euclid_galactic_bulge_countless_stars_pillars-1024x576.jpg 1024w, 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href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2026\/06\/euclid_galactic_bulge_molecular_cloud\/27321112-1-eng-GB\/Euclid_galactic_bulge_molecular_cloud.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" data-id=\"9088\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Euclid_galactic_bulge_molecular_cloud_pillars-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9088\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Euclid_galactic_bulge_molecular_cloud_pillars-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Euclid_galactic_bulge_molecular_cloud_pillars-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Euclid_galactic_bulge_molecular_cloud_pillars-768x432.jpg 768w, 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href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2026\/06\/euclid_galactic_bulge_star_cluster\/27321344-1-eng-GB\/Euclid_galactic_bulge_star_cluster.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" data-id=\"9090\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Euclid_galactic_bulge_star_cluster_pillars-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9090\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Euclid_galactic_bulge_star_cluster_pillars-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Euclid_galactic_bulge_star_cluster_pillars-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Euclid_galactic_bulge_star_cluster_pillars-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Euclid_galactic_bulge_star_cluster_pillars-1536x864.jpg 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Cuillandre e E. Bertin (Centro de Investiga\u00e7\u00e3o CEA Paris-Saclay)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Descobrindo exoplanetas com microlentes gravitacionais<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2019\/02\/detecting_exoplanets_with_microlensing\/19268863-1-eng-GB\/Detecting_exoplanets_with_microlensing.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/b3\/6d\/1BSKS2ka_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">As microlentes baseiam-se no alinhamento fortuito de duas estrelas em rela\u00e7\u00e3o ao observador. Quando uma estrela passa por tr\u00e1s da outra, a estrela mais pr\u00f3xima funciona como uma lente, curvando a luz de forma a que o brilho aumente e diminua gradualmente. Se houver um planeta a orbitar a estrela mais pr\u00f3xima, a sua gravidade tamb\u00e9m desviar\u00e1 o feixe de luz, provocando um pico.<br>Cr\u00e9dito: ESA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A microlente \u00e9 uma forma de lente gravitacional. Embora o Euclid utilize principalmente lentes gravitacionais para explorar objetos massivos e distantes, como enxames de gal\u00e1xias, esta nova imagem do Centro Gal\u00e1ctico ajuda os cientistas a estudar lentes a escalas mais pequenas &#8211; causadas por estrelas e exoplanetas na nossa pr\u00f3pria Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A microlente depende do alinhamento fortuito de duas estrelas em rela\u00e7\u00e3o a um observador. Quando uma estrela passa \u00e0 frente de outra, a estrela mais pr\u00f3xima funciona como uma lupa c\u00f3smica, curvando e intensificando a luz da estrela de fundo. Se um planeta orbitar a estrela mais pr\u00f3xima, a sua gravidade tamb\u00e9m desvia essa luz, de forma ligeiramente irregular. \u00c9 esta min\u00fascula altera\u00e7\u00e3o adicional no brilho que revela a presen\u00e7a de um planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Para detetar a microlente, \u00e9 necess\u00e1rio observar partes do c\u00e9u repletas de estrelas, como por exemplo perto do centro da nossa Gal\u00e1xia&#8221;, explica Jean-Philippe Beaulieu, do Institut d&#8217;Astrophysique de Paris, em Fran\u00e7a, e da Universidade da Tasm\u00e2nia, na Austr\u00e1lia. Jean-Philippe foi o impulsionador original do levantamento do bojo gal\u00e1ctico da miss\u00e3o Euclid e coliderou o grupo de trabalho sobre exoplanetas do Cons\u00f3rcio Euclid.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Nos \u00faltimos vinte anos, foram descobertos quase 300 exoplanetas utilizando esta t\u00e9cnica, todos com telesc\u00f3pios terrestres e todos na dire\u00e7\u00e3o do centro da nossa Gal\u00e1xia. Esta imagem do Euclid inclui 51 sistemas planet\u00e1rios conhecidos &#8211; e ajudar\u00e1 a estudar muitos mais que ser\u00e3o descobertos&#8221;, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls src=\"https:\/\/dlmultimedia.esa.int\/download\/public\/videos\/2026\/06\/039\/2606_039_AR_EN.mp4\"><\/video><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Medindo as massas dos planetas com o Euclid<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para detetar um evento de microlente, um telesc\u00f3pio teria de observar uma estrela durante mais de vinte dias. Isso \u00e9 necess\u00e1rio para perceber as varia\u00e7\u00f5es na luz que \u00e9 curvada, \u00e0 medida que o planeta orbita em torno da sua estrela hospedeira. Assim, num \u00fanico dia de observa\u00e7\u00e3o do Euclid, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel detetar novos eventos. Mas o que torna esta imagem t\u00e3o especial \u00e9 o facto de permitir aos cientistas medir a massa de planetas j\u00e1 conhecidos, bem como de planetas que ainda est\u00e3o por descobrir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Em 24 horas, o Euclid j\u00e1 captou as estrelas envolvidas em todos os futuros eventos de microlente que o telesc\u00f3pio espacial Roman ir\u00e1 detetar, mas antes de as estrelas e os planetas envolvidos se terem alinhado&#8221;, afirma Natalia Rektsini, do Institut d&#8217;Astrophysique de Paris, em Fran\u00e7a, que liderou a divulga\u00e7\u00e3o dos dados do levantamento do bojo gal\u00e1ctico do Euclid \u00e0 comunidade cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Isto significa que quem detetar um evento de microlente na mesma regi\u00e3o, por exemplo com o Roman, poder\u00e1, a partir de agora, utilizar os dados do Euclid como refer\u00eancia temporal no passado e ver como as estrelas se apresentavam antes de se sobreporem&#8221;, explica Natalia. &#8220;Uma vez que o Euclid consegue separar claramente as estrelas individuais, \u00e9 poss\u00edvel medir a velocidade a que se movem ao longo do tempo e utilizar essa informa\u00e7\u00e3o para confirmar a exist\u00eancia de um planeta e determinar a sua massa. Isto n\u00e3o seria poss\u00edvel com dados relativos a um \u00fanico momento no tempo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Planetas gelados e muito mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na maioria das t\u00e9cnicas de dete\u00e7\u00e3o exoplanet\u00e1ria, \u00e9 mais f\u00e1cil encontrar planetas grandes e quentes a orbitar estrelas massivas. No caso das microlentes, isso n\u00e3o acontece. &#8220;Esta t\u00e9cnica \u00e9 imparcial, descobrimos tudo o que l\u00e1 estiver&#8221;, afirma Natalia. &#8220;\u00c9 especialmente adequada para descobrir exoplanetas frios. E esperamos que todas as estrelas da Via L\u00e1ctea tenham, pelo menos, um planeta deste tipo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas hospedeiras de dois exoplanetas frios conhecidos aparecem nos dados do Euclid, e ambas s\u00e3o especiais para a equipa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Liderei a equipa que descobriu OGLE-2005-BLG-390Lb h\u00e1 20 anos&#8221;, diz Jean-Philippe. &#8220;\u00c9 um planeta gelado, um pouco como Hoth, da saga &#8216;Star Wars&#8217;. Depois de todo este tempo, estou entusiasmado com a possibilidade de o Euclid nos permitir finalmente medir a sua massa com precis\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;OGLE-2013-BLG-341Lb \u00e9 um sistema raro e fascinante&#8221;, afirma Natalia. &#8220;\u00c9 composto por duas estrelas e um planeta. Ao combinar observa\u00e7\u00f5es anteriores do Keck e do Hubble com os novos dados do Euclid, podemos finalmente separar as estrelas e confirmar a massa do planeta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este resultado mostra o que uma equipa relativamente pequena e dedicada pode alcan\u00e7ar no \u00e2mbito de uma grande miss\u00e3o internacional&#8221;, afirma Valeria Pettorino, cientista do projeto Euclid na ESA. &#8220;A equipa dedicada aos exoplanetas contou com contribui\u00e7\u00f5es significativas de investigadores em in\u00edcio de carreira e foi apoiada pela unidade do Segmento Cient\u00edfico Terrestre que trabalha no instrumento de luz vis\u00edvel&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Em apenas 24 horas, o Euclid forneceu dados \u00fanicos sobre o centro da Via L\u00e1ctea, com uma vis\u00e3o ampla e n\u00edtida desta regi\u00e3o. Com o tempo, a separa\u00e7\u00e3o entre as fontes e as lentes aumenta. \u00c9 por isso que estes dados do Euclid servir\u00e3o de refer\u00eancia temporal para miss\u00f5es passadas e futuras e permitir\u00e3o estudos sobre exoplanetas e as suas massas. Estes dados tamb\u00e9m podem ser utilizados para outras aplica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, desde an\u00e3s castanhas e estrelas bin\u00e1rias at\u00e9 aos movimentos estelares e \u00e0 poeira em toda a nossa Gal\u00e1xia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Euclid\/ESA_s_Euclid_captures_the_Milky_Way_s_crowded_heart\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/missions\/roman-space-telescope\/euclid-view-of-milky-way-heart-previews-core-survey-by-nasas-roman\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Bojo gal\u00e1ctico:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Galactic_bulge\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Microlentes gravitacionais:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Microlensing\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_nearest_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas mais pr\u00f3ximos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_candidates_for_liquid_water\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas candidatos a albergar \u00e1gua l\u00edquida (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanet.eu\/home\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Euclid:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Euclid\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Euclid_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/ESA_Euclid\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RST ([Nancy Grace] Roman Space Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/roman-space-telescope\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nancy_Grace_Roman_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASARoman\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASARoman\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Rede social X<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maior e mais detalhada fotografia alguma vez tirada do centro da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, foi revelada pela miss\u00e3o Euclid da ESA. 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