{"id":9079,"date":"2026-06-26T06:22:10","date_gmt":"2026-06-26T05:22:10","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9079"},"modified":"2026-06-26T06:22:11","modified_gmt":"2026-06-26T05:22:11","slug":"gtc-descobre-a-impressao-digital-quimica-das-primeiras-estrelas-do-universo-numa-galaxia-vizinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/06\/26\/gtc-descobre-a-impressao-digital-quimica-das-primeiras-estrelas-do-universo-numa-galaxia-vizinha\/","title":{"rendered":"GTC descobre a &#8220;impress\u00e3o digital qu\u00edmica&#8221; das primeiras estrelas do Universo numa gal\u00e1xia vizinha"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/BRoONGFz_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"600\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/BRoONGFz_o-1024x600.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9080\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/BRoONGFz_o-1024x600.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/BRoONGFz_o-300x176.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/BRoONGFz_o-768x450.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/BRoONGFz_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o da &#8220;c\u00e1psula c\u00f3smica do tempo&#8221;, NGC 1277, mostrando a sua forte assinatura de sil\u00edcio, um indicador fundamental do potencial registo f\u00f3ssil das primeiras estrelas do Universo (Popula\u00e7\u00e3o III).<br>Cr\u00e9dito: Gabriel P\u00e9rez D\u00edaz (IAC)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pistas sobre as primeiras estrelas podem estar escondidas muito mais perto de n\u00f3s do que se esperava. Uma equipa internacional liderada pelo IAC (Instituto de Astrof\u00edsica de Canarias) detetou potenciais tra\u00e7os qu\u00edmicos das primeiras estrelas do Universo numa gal\u00e1xia vizinha. O cen\u00e1rio desta descoberta \u00e9 NGC 1277, uma conhecida &#8220;rel\u00edquia&#8221; gal\u00e1ctica. Ao passo que as gal\u00e1xias normais crescem e se transformam ao fundirem-se com outras ao longo da sua hist\u00f3ria, este sistema compacto formou a maioria das suas estrelas muito rapidamente no Universo primitivo e ficou congelado no tempo. Funcionando como uma c\u00e1psula c\u00f3smica do tempo, esta gal\u00e1xia \u00e9 perfeita para decifrar, a partir da Terra, o mesmo tipo de gal\u00e1xias primitivas que o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb (JWST) est\u00e1 atualmente a descobrir nos confins do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando o instrumento EMIR no GTC (Gran Telescopio de Canarias) &#8211; o maior telesc\u00f3pio \u00f3tico-infravermelho do mundo -, no Observat\u00f3rio Roque de los Muchachos (La Palma), a equipa captou um sinal qu\u00edmico de sil\u00edcio invulgarmente intenso nesta gal\u00e1xia. &#8220;A luz infravermelha permite-nos identificar elementos qu\u00edmicos que s\u00e3o muito dif\u00edceis de estudar com outros tipos de observa\u00e7\u00f5es. Em NGC 1277, encontr\u00e1mos uma quantidade de sil\u00edcio muito superior \u00e0 que foi observada em qualquer outra gal\u00e1xia at\u00e9 agora. Esta composi\u00e7\u00e3o peculiar sugere que a gal\u00e1xia preserva tra\u00e7os de algumas das primeiras gera\u00e7\u00f5es de estrelas&#8221;, explica Elham Eftekhari, autora principal do estudo, que realizou este trabalho durante a sua fase de p\u00f3s-doutoramento no IAC e que atualmente trabalha no Observat\u00f3rio de Leiden.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Normalmente, o sil\u00edcio e o magn\u00e9sio formam-se no interior de estrelas massivas e espalham-se pelo espa\u00e7o em propor\u00e7\u00f5es semelhantes quando essas estrelas morrem e explodem como supernovas. No entanto, nesta gal\u00e1xia, os n\u00edveis de sil\u00edcio disparam em compara\u00e7\u00e3o com os de magn\u00e9sio. Esta anomalia indica que o g\u00e1s foi enriquecido pelas primeiras estrelas massivas do cosmos: estrelas da Popula\u00e7\u00e3o III, que produziram os primeiros elementos pesados da hist\u00f3ria ao explodirem. &#8220;N\u00e3o estamos a observar diretamente as primeiras estrelas, que desapareceram h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos. O que estamos a ver \u00e9 uma potencial &#8216;impress\u00e3o digital&#8217; qu\u00edmica que estas estrelas primitivas e muito massivas deixaram nas gera\u00e7\u00f5es subsequentes de estrelas&#8221;, observa Alexandre Vazdekis, coautor do estudo e investigador do IAC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 precisamente isto que torna estas c\u00e1psulas do tempo, as rel\u00edquias gal\u00e1cticas, em laborat\u00f3rios t\u00e3o poderosos. Enquanto o JWST tenta procurar gal\u00e1xias primitivas nos recantos mais distantes do cosmos, o GTC prova que podemos estudar essa mesma inf\u00e2ncia c\u00f3smica mesmo ao nosso lado, em alta-defini\u00e7\u00e3o. &#8220;NGC 1277 \u00e9 \u00fanica porque formou a maioria das suas estrelas numa fase muito precoce da hist\u00f3ria do Universo e, depois, evoluiu de forma quase passiva. Enquanto outras gal\u00e1xias normais apagaram as suas assinaturas qu\u00edmicas originais ao misturarem-se com outras, NGC 1277 conseguiu preservar intacto esse excesso de sil\u00edcio, funcionando como um registo f\u00f3ssil da inf\u00e2ncia do Universo&#8221;, salienta Anna Ferr\u00e9-Mateu, coautora do estudo e investigadora do IAC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dete\u00e7\u00e3o destes sinais qu\u00edmicos t\u00e3o subtis requer uma precis\u00e3o extrema que s\u00f3 est\u00e1 ao alcance dos telesc\u00f3pios terrestres mais potentes, como o GTC. &#8220;Este resultado foi poss\u00edvel gra\u00e7as a observa\u00e7\u00f5es de alta qualidade realizadas com o GTC de 10,4 metros. Os dados no infravermelho pr\u00f3ximo abriram uma janela para a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica detalhada de um dos melhores exemplos de uma massiva rel\u00edquia gal\u00e1ctica, tornando-se a chave para compreender os primeiros passos da forma\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias&#8221;, afirma Michael Beasley, tamb\u00e9m coautor do estudo e investigador do IAC. Para explicar este excesso de sil\u00edcio, os cientistas apontam para as supernovas por instabilidade de pares, explos\u00f5es te\u00f3ricas que destru\u00edram completamente as estrelas mais massivas do Universo primitivo. Embora esta teoria seja a que melhor se ajusta aos dados, a equipa observa que outras vias de enriquecimento associadas a estrelas muito massivas tamb\u00e9m poderiam ter contribu\u00eddo para esta composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta descoberta abre uma nova via para o estudo das primeiras gera\u00e7\u00f5es de estrelas sem sairmos do nosso Universo pr\u00f3ximo, revelando pistas fundamentais sobre a forma\u00e7\u00e3o das primeiras gal\u00e1xias. Al\u00e9m disso, a descoberta fornece um valioso roteiro para o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb, que pode agora procurar estas mesmas pegadas qu\u00edmicas nas gal\u00e1xias mais distantes do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.iac.es\/en\/outreach\/news\/gran-telescopio-canarias-finds-fossil-fingerprint-universes-first-stars-neighboring-galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ IAC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2606.17153\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NGC 1277:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/NGC_1277\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas da Popula\u00e7\u00e3o III:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/contents\/articles\/what-were-the-first-stars-like\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_population#Population_III_stars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supernova por instabilidade de pares:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pair-instability_supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GTC (Gran Telescopio Canarias):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.gtc.iac.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gran_Telescopio_Canarias\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.gtc.iac.es\/instruments\/emir\/emir.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EMIR (Espectr\u00f3grafo Multiobjeto Infra-Rojo)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Gran Telescopio de Canarias detetou, na gal\u00e1xia rel\u00edquia NGC 1277, poss\u00edveis tra\u00e7os qu\u00edmicos das primeiras estrelas do Universo. Como esta gal\u00e1xia permaneceu quase inalterada durante milhares de milh\u00f5es de anos, funciona como uma \u201cc\u00e1psula do tempo\u201d c\u00f3smica. A descoberta poder\u00e1 permitir estudar as primeiras gera\u00e7\u00f5es de estrelas sem recorrer apenas \u00e0s gal\u00e1xias mais distantes e primitivas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9080,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,60,1],"tags":[1758,385,2130,538],"class_list":["post-9079","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-galaxias","category-telescopios-profissionais","tag-estrelas-da-populacao-iii","tag-gtc","tag-ngc-1277","tag-supernova-por-instabilidade-de-pares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9079","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9079"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9079\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9081,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9079\/revisions\/9081"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9080"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9079"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9079"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9079"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}