{"id":9071,"date":"2026-06-23T06:19:40","date_gmt":"2026-06-23T05:19:40","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9071"},"modified":"2026-06-23T06:19:41","modified_gmt":"2026-06-23T05:19:41","slug":"nao-ha-duas-sem-tres-descoberta-outra-galaxia-sem-materia-escura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/06\/23\/nao-ha-duas-sem-tres-descoberta-outra-galaxia-sem-materia-escura\/","title":{"rendered":"N\u00e3o h\u00e1 duas sem tr\u00eas: descoberta outra gal\u00e1xia sem mat\u00e9ria escura"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/ImzSoqCm_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/ImzSoqCm_o-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9072\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/ImzSoqCm_o-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/ImzSoqCm_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/ImzSoqCm_o-768x512.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/ImzSoqCm_o.jpg 1260w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A imagem na inser\u00e7\u00e3o mostra uma imagem de DF9 pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, a terceira &#8220;gal\u00e1xia sem mat\u00e9ria escura&#8221; ao longo de uma sequ\u00eancia de gal\u00e1xias (Keim et al. 2026). O fundo mostra a sequ\u00eancia completa de gal\u00e1xias, incluindo as duas primeiras gal\u00e1xias sem mat\u00e9ria escura, DF2 e DF4.<br>Cr\u00e9dito: Keim et al.\/DECaLS\/Telesc\u00f3pio Espacial Hubble<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos seguiram um rasto c\u00f3smico t\u00e9nue de g\u00e1s at\u00e9 uma terceira gal\u00e1xia que n\u00e3o possui mat\u00e9ria escura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num novo estudo publicado na revista The Astrophysical Journal, uma equipa de astr\u00f3nomos da Universidade de Yale relata a exist\u00eancia de uma gal\u00e1xia an\u00e3 localizada a 67 milh\u00f5es de anos-luz da Terra &#8211; denominada NGC 1052-DF9 &#8211; que parece ter sido formada numa linha reta com outras nove gal\u00e1xias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 se tinha demonstrado anteriormente que duas dessas outras gal\u00e1xias, DF2 e DF4, n\u00e3o possu\u00edam mat\u00e9ria escura &#8211; um material invis\u00edvel e te\u00f3rico que d\u00e1 forma ao Universo e que a maioria dos astr\u00f3nomos considera essencial para a forma\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, DF9 juntou-se ao clube das gal\u00e1xias sem mat\u00e9ria escura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Nunca antes se tinha observado uma linha de gal\u00e1xias sem mat\u00e9ria escura&#8221;, afirmou Michael Keim, doutorando em astrof\u00edsica de Yale e primeiro autor do novo estudo. &#8220;A descoberta fornece algumas das evid\u00eancias mais fortes at\u00e9 \u00e0 data de que estas gal\u00e1xias se formaram atrav\u00e9s de um processo extremo e at\u00e9 agora in\u00e9dito, e oferece uma nova e rara perspetiva sobre a pr\u00f3pria natureza da mat\u00e9ria escura&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video aligncenter\"><video controls src=\"https:\/\/news.yale.edu\/sites\/default\/files\/2026-06\/DF9-6.mp4\"><\/video><figcaption class=\"wp-element-caption\">Anima\u00e7\u00e3o art\u00edstica que ilustra a forma\u00e7\u00e3o de DF9. Os investigadores sugerem que uma colis\u00e3o separou o g\u00e1s da mat\u00e9ria escura, permitindo que uma nova gal\u00e1xia se formasse apenas a partir de mat\u00e9ria comum. DF9 situa-se ao lado de outras duas gal\u00e1xias sem mat\u00e9ria escura, DF2 e DF4, o que sugere que as tr\u00eas fazem parte da mesma cadeia estreita de gal\u00e1xias t\u00e9nues e difusas que se estende pelo espa\u00e7o.<br>Cr\u00e9dito: Observat\u00f3rio W. M. Keck\/Adam Makarenko<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O orientador de Keim, o astr\u00f3nomo de Yale Pieter van Dokkum, liderou os estudos originais que analisaram DF2 e DF4, utilizando dados do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble. Van Dokkum \u00e9 coautor do novo estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante o seu trabalho de doutoramento com van Dokkum, Keim descobriu DF9 &#8211; que tinha sido erroneamente identificada como um buraco negro supermassivo &#8211; e prop\u00f4s uma an\u00e1lise aprofundada com o KCWI (Keck Cosmic Web Imager) do Observat\u00f3rio W.M. Keck, no Hawaii, concebido especificamente para estudar luz estelar fraca, como a emitida por DF9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores mediram os movimentos das estrelas no interior de DF9 para determinar a sua massa. Descobriram que DF9 tem a massa de 100 milh\u00f5es de s\u00f3is &#8211; o que \u00e9 consistente com a quantidade esperada de mat\u00e9ria vis\u00edvel numa gal\u00e1xia do seu tamanho &#8211; e nada mais. Se DF9 tamb\u00e9m tivesse a quantidade esperada de mat\u00e9ria escura, a sua massa seria igual a mais de 10 mil milh\u00f5es de s\u00f3is.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A aus\u00eancia de mat\u00e9ria escura na gal\u00e1xia DF9 sugere fortemente que DF2, DF4 e DF9 se formaram em conjunto num mesmo evento violento, como uma colis\u00e3o a alta velocidade entre gal\u00e1xias, afirmou Keim. Neste cen\u00e1rio, a colis\u00e3o teria separado o g\u00e1s da mat\u00e9ria escura das gal\u00e1xias &#8211; e esse g\u00e1s teria passado a formar novas gal\u00e1xias numa forma\u00e7\u00e3o linear.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;At\u00e9 agora, partia-se do princ\u00edpio de que as gal\u00e1xias se formavam no interior de aglomerados de mat\u00e9ria escura denominados &#8216;halos'&#8221;, afirmou Keim. &#8220;Este sistema demonstra que as estrelas e as gal\u00e1xias podem formar-se fora dos &#8216;halos&#8217; de mat\u00e9ria escura em eventos extremos e indica que a mat\u00e9ria escura \u00e9 uma subst\u00e2ncia f\u00edsica capaz de agir independentemente da mat\u00e9ria normal ou do g\u00e1s, contestando as teorias alternativas que defendem que a mat\u00e9ria escura \u00e9 gravidade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A este respeito, o novo estudo reafirma o trabalho original de van Dokkum sobre DF2 e DF4, que tamb\u00e9m sugeria que a mat\u00e9ria escura \u00e9 um material distinto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores est\u00e3o agora a realizar observa\u00e7\u00f5es de acompanhamento com outros telesc\u00f3pios &#8211; incluindo o novo telesc\u00f3pio Mothra, cofundado por van Dokkum e pelo astr\u00f3nomo Roberto Abraham, da Universidade de Toronto &#8211; para procurar qualquer g\u00e1s que tenha ficado para tr\u00e1s ap\u00f3s a colis\u00e3o gal\u00e1ctica inicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/news.yale.edu\/2026\/06\/16\/third-times-charm-row-faint-galaxies-without-dark-matter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Yale (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/keckobservatory.org\/df9\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Observat\u00f3rio W. M. Keck (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ae6b8d\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mat\u00e9ria escura:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_matter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio W. M. Keck:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Keck_telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/keckobservatory.org\/our-story\/telescopes\/kcwi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">KCWI (Keck Cosmic Web Imager)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos da Universidade de Yale descobriram uma terceira gal\u00e1xia praticamente sem mat\u00e9ria escura, chamada NGC 1052-DF9. Mais surpreendente ainda, ela est\u00e1 alinhada com outras duas gal\u00e1xias semelhantes (DF2 e DF4), formando uma fila c\u00f3smica in\u00e9dita. A descoberta sugere que estas gal\u00e1xias nasceram num violento choque entre gal\u00e1xias, que separou a mat\u00e9ria normal da mat\u00e9ria escura, fornecendo novas pistas sobre a sua verdadeira natureza.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9072,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62,60,1],"tags":[371,2128,529],"class_list":["post-9071","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-cosmologia","category-galaxias","category-telescopios-profissionais","tag-materia-escura","tag-ngc-1052-df9","tag-observatorio-w-m-keck"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9071","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9071"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9071\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9073,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9071\/revisions\/9073"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9072"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9071"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9071"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9071"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}