{"id":9035,"date":"2026-06-12T06:19:06","date_gmt":"2026-06-12T05:19:06","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9035"},"modified":"2026-06-12T06:19:08","modified_gmt":"2026-06-12T05:19:08","slug":"astronomos-descobrem-o-quasar-cintilante-mais-antigo-conhecido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/06\/12\/astronomos-descobrem-o-quasar-cintilante-mais-antigo-conhecido\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos descobrem o quasar cintilante mais antigo conhecido"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/news.mit.edu\/sites\/default\/files\/download\/202606\/MIT-Quasar-Flicker-01-press.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/B9Z1CSGA_o-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9036\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/B9Z1CSGA_o-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/B9Z1CSGA_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/B9Z1CSGA_o-768x512.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/B9Z1CSGA_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Astr\u00f3nomos do MIT e de outras institui\u00e7\u00f5es detetaram um quasar cintilante no Universo primitivo. Esta representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica ilustra o disco de acre\u00e7\u00e3o de um quasar.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No centro de todas as gal\u00e1xias, incluindo a Via L\u00e1ctea, encontra-se um buraco negro supermassivo. Quando um buraco negro est\u00e1 ativo, atrai mat\u00e9ria sob a forma de um redemoinho de g\u00e1s e poeira a altas temperaturas. \u00c0 medida que esta mat\u00e9ria c\u00f3smica se acumula e cai no buraco negro, ilumina a sua vizinhan\u00e7a, irradiando uma enorme quantidade de energia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os buracos negros supermassivos mais energ\u00e9ticos s\u00e3o conhecidos como quasares e s\u00e3o alguns dos objetos mais ativos e luminosos do Universo. Estes sistemas vorazes absorvem tanto material que a energia que emitem pode ofuscar toda a luz da gal\u00e1xia circundante. O padr\u00e3o de luz de um quasar pode dar aos cientistas pistas sobre como os buracos negros supermassivos ativos moldam as gal\u00e1xias \u00e0 sua volta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, astr\u00f3nomos do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e de outras institui\u00e7\u00f5es detetaram um quasar cintilante no Universo primitivo. Os cientistas rastrearam a luz do quasar at\u00e9 ao &#8220;amanhecer c\u00f3smico&#8221;, apenas 850 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang. A descoberta representa o quasar cintilante mais antigo detetado at\u00e9 \u00e0 data.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Embora tenham sido encontrados muitos quasares no amanhecer c\u00f3smico, esta \u00e9 a primeira vez que vemos realmente um a cintilar&#8221;, afirma Gene Leung, p\u00f3s-doc no Instituto Kavli de Astrof\u00edsica e Investiga\u00e7\u00e3o Espacial do MIT.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cintilar do quasar permitiu aos investigadores determinar que, surpreendentemente, o redemoinho de g\u00e1s e poeira do antigo quasar, conhecido como disco de acre\u00e7\u00e3o, se assemelhava a uma panqueca achatada, com uma forma semelhante \u00e0 dos quasares mais recentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As suas descobertas v\u00eam somar-se a um mist\u00e9rio de longa data na cosmologia: por que raz\u00e3o existem buracos negros supermassivos t\u00e3o cedo na hist\u00f3ria do Universo? Os f\u00edsicos t\u00eam assumido que um disco de acre\u00e7\u00e3o plano reflete um buraco negro relativamente maduro, que se encontra num estado calmo e est\u00e1vel. Os buracos negros que est\u00e3o apenas a come\u00e7ar a formar-se, como os do Universo primitivo, deveriam ser sistemas mais inst\u00e1veis, com discos de acre\u00e7\u00e3o que parecem mais inchados e ca\u00f3ticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O disco de acre\u00e7\u00e3o achatado em torno deste quasar primitivo intensifica o mist\u00e9rio de como os buracos negros supermassivos podem crescer e amadurecer num per\u00edodo c\u00f3smico muito curto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Penso que isto sugere que todas as fases de crescimento ca\u00f3ticas e muito r\u00e1pidas pelas quais esperamos que todos os buracos negros passem em algum momento ocorrem muito, muito cedo, antes de os vermos como estes quasares muito brilhantes e luminosos&#8221;, afirma Anna-Christina Eilers, professora assistente de f\u00edsica no MIT. &#8220;\u00c9 essa a imagem que est\u00e1 a emergir&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eilers, Leung e os seus colegas apresentaram os seus resultados num artigo cient\u00edfico publicado na revista Nature Astronomy. Entre os coautores contam-se membros do Kavli do MIT e de v\u00e1rias outras institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mais do que um pontinho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um buraco negro supermassivo pode ter uma massa milhares de milh\u00f5es de vezes superior \u00e0 do Sol. Estes gigantes gravitacionais s\u00e3o os &#8220;motores&#8221; centrais da maioria das gal\u00e1xias, ajudando a regular a forma\u00e7\u00e3o estelar e o crescimento das mesmas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Sem buracos negros supermassivos, nenhuma gal\u00e1xia teria a apar\u00eancia que tem hoje&#8221;, afirma Eilers. &#8220;Os buracos negros desempenham um papel fundamental na defini\u00e7\u00e3o da apar\u00eancia dos ecossistemas gal\u00e1cticos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante muito tempo, assumiu-se que seriam necess\u00e1rios mais de mil milh\u00f5es de anos para que as primeiras gal\u00e1xias se estabilizassem e amadurecessem, pelo que os cientistas n\u00e3o esperavam encontrar buracos negros supermassivos no Universo primitivo. No entanto, observa\u00e7\u00f5es realizadas desde o in\u00edcio dos anos 2000 revelaram o contr\u00e1rio. Os cientistas identificaram mais de 200 buracos negros supermassivos nos primeiros mil milh\u00f5es de anos do Universo. Esses objetos eram detet\u00e1veis porque se encontravam numa fase de quasar extremamente ativa, emitindo enormes rajadas de radia\u00e7\u00e3o que podiam ser vistas a partir da Terra, a 13 mil milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes primeiros quasares foram observados como pontinhos de luz, o que indica a exist\u00eancia de um buraco negro supermassivo nos prim\u00f3rdios do Universo. Mas, a partir destes pontos brilhantes e distantes, os cientistas n\u00e3o conseguem deduzir muito mais sobre os buracos negros e os ambientes do amanhecer c\u00f3smico. Para tal, precisam de captar o &#8220;cintilar&#8221; de um quasar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As pessoas sabem que os quasares no Universo pr\u00f3ximo podem cintilar&#8221;, diz Leung. &#8220;O cintilar resulta de flutua\u00e7\u00f5es na forma como o g\u00e1s \u00e9 alimentado para o buraco negro. E a forma como um quasar cintila diz-nos algo sobre a estrutura do disco de acre\u00e7\u00e3o de um buraco negro e o tipo de &#8216;mordidelas&#8217; que o buraco negro est\u00e1 a dar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mapeando um cintilar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Leung e Eilers procuraram detetar um quasar cintilante do Universo primitivo, na esperan\u00e7a de aprender mais sobre a forma e a estrutura dos primeiros buracos negros supermassivos. Fazer isso seria um desafio t\u00e9cnico: quanto mais distante no tempo e no espa\u00e7o um objeto estiver, mais distorcida a sua luz parece. Este efeito deve-se ao Universo em expans\u00e3o, que efetivamente estica, ou &#8220;desvia para o vermelho&#8221;, a luz para comprimentos de onda mais vermelhos e mais longos. O mesmo alongamento ocorre no tempo: qualquer cintilar que ocorra naturalmente ao longo de v\u00e1rias semanas, por exemplo, pareceria alongado, cintilando apenas a cada poucos meses quando visto a milhares de milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para detetar um quasar cintilante do amanhecer c\u00f3smico, a equipa precisava de observar o Universo distante em comprimentos de onda mais vermelhos, especificamente no espetro infravermelho, e ao longo de per\u00edodos de muitos anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este foi o desafio t\u00e9cnico que tivemos de superar&#8221;, afirma Eilers. &#8220;Precis\u00e1vamos de dados em comprimentos de onda infravermelhos mais longos, recolhidos repetidamente ao longo de per\u00edodos de tempo muito longos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa acabou por encontrar um cintilar nos dados recolhidos pela miss\u00e3o NEOWISE (Near-Earth Object Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA &#8211; um telesc\u00f3pio espacial infravermelho que observou todo o c\u00e9u ao longo de um total de cerca de 14 anos. O antigo p\u00f3s-doc do MIT, Kishalay De, que agora \u00e9 membro do corpo docente da Universidade de Columbia, tinha lan\u00e7ado um projeto para reprocessar dados de arquivo do NEOWISE. Com base nos dados reprocessados, a equipa descobriu um sinal, datado de apenas 850 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang, que foi confirmado como sendo o quasar cintilante mais antigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Vimos o quasar a cintilar aleatoriamente ao longo do per\u00edodo de 14 anos, tal como a chama de uma vela cintila sem um padr\u00e3o fixo&#8221;, observa Leung.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estima-se que o quasar tenha um brilho equivalente a 12 bili\u00f5es de s\u00f3is e que a sua luminosidade oscile em cerca de 20 por cento, o que significa que varia para mais e para menos, com uma diferen\u00e7a de brilho de cerca de 2 bili\u00f5es de s\u00f3is.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores tamb\u00e9m analisaram como a luz do quasar oscilava em v\u00e1rios comprimentos de onda diferentes. O comprimento de onda da luz reflete uma determinada temperatura do material que a emite. Quanto mais pr\u00f3ximo o material estiver de um buraco negro, mais quente ele \u00e9. Os investigadores podem, portanto, usar os comprimentos de onda da luz para mapear a forma e a estrutura do material dentro do disco de acre\u00e7\u00e3o em torno de um buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando dados do NEOWISE, a equipa analisou o cintilar do quasar para determinar a forma do disco de acre\u00e7\u00e3o que envolve o buraco negro supermassivo central. Descobriram que o disco \u00e9 surpreendentemente fino e plano &#8211; uma estrutura que os astr\u00f3nomos observam principalmente em torno de buracos negros mais pr\u00f3ximos e mais antigos, que tiveram muito mais tempo para se estabilizar e amadurecer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Isto fornece evid\u00eancias diretas de que os mesmos processos de alimenta\u00e7\u00e3o e estruturas observados no Universo pr\u00f3ximo j\u00e1 existiam em \u00e9pocas muito remotas, apesar de ambientes c\u00f3smicos muito diferentes, o que nunca tinha sido visto antes&#8221;, afirma Eilers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Isto significa que algo aconteceu ainda mais cedo, o que levou a que estes sistemas parecessem t\u00e3o maduros&#8221;, acrescenta Leung.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa espera recuar ainda mais no tempo c\u00f3smico para observar o desenvolvimento precoce de um quasar. Assim, os cientistas poder\u00e3o come\u00e7ar a reconstituir as condi\u00e7\u00f5es que deram origem aos primeiros buracos negros supermassivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/news.mit.edu\/2026\/mit-astronomers-discover-earliest-known-flickering-quasar-0608\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ MIT (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-026-02897-4\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2605.00978\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quasar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Quasar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>WISE (ou NEOWISE):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/neowise\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/neowise.ipac.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ipac<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Wide-field_Infrared_Survey_Explorer\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos do MIT descobriram o quasar cintilante mais antigo alguma vez observado, cuja luz nos chega de apenas 850 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang. As varia\u00e7\u00f5es de brilho permitiram concluir que o disco de acre\u00e7\u00e3o em torno do seu buraco negro supermassivo j\u00e1 era surpreendentemente plano e est\u00e1vel, semelhante ao de quasares modernos. 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