{"id":9013,"date":"2026-06-02T06:20:53","date_gmt":"2026-06-02T05:20:53","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=9013"},"modified":"2026-06-02T06:20:54","modified_gmt":"2026-06-02T05:20:54","slug":"indicador-mineralogico-ajuda-a-compreender-o-antigo-clima-marciano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/06\/02\/indicador-mineralogico-ajuda-a-compreender-o-antigo-clima-marciano\/","title":{"rendered":"Indicador mineral\u00f3gico ajuda a compreender o antigo clima marciano"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/assets.science.nasa.gov\/content\/dam\/science\/psd\/photojournal\/pia\/pia19\/pia19912\/PIA19912.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"506\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/a8ut4Ba2_o-1024x506.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9014\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/a8ut4Ba2_o-1024x506.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/a8ut4Ba2_o-300x148.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/a8ut4Ba2_o-768x379.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/a8ut4Ba2_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem composta, com vista para as regi\u00f5es mais elevadas do Monte Sharp, foi captada a 9 de setembro de 2015 pelo rover Curiosity da NASA. Em primeiro plano &#8211; a cerca de 3 quil\u00f3metros do rover &#8211; encontra-se uma longa crista repleta de hematite, um \u00f3xido de ferro.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/MSSS<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora as imagens da NASA tenham revelado ind\u00edcios de antigos rios e lagos em Marte que se transformaram em dunas secas, permanece a incerteza quanto ao momento em que ocorreram as mudan\u00e7as ambientais que podem ter contribu\u00eddo para essas transforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, dados recolhidos pelo rover Curiosity da NASA revelaram que cristais individuais na hematite, um \u00f3xido de ferro, podem ser usados como um marcador mineral\u00f3gico das mudan\u00e7as no clima antigo de Marte. Como a forma e a estrutura destes cristalitos refletem as condi\u00e7\u00f5es &#8211; tais como temperatura e presen\u00e7a de \u00e1gua &#8211; sob as quais se formaram, podem servir como um indicador de quando essas mudan\u00e7as ocorreram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas estudaram 20 amostras recolhidas pelo Curiosity em v\u00e1rias eleva\u00e7\u00f5es ao longo da Cratera Gale para um artigo cient\u00edfico publicado na passada quinta-feira na revista Science. As paredes da Cratera Gale revelam a hist\u00f3ria ambiental de Marte camada por camada, com as menores eleva\u00e7\u00f5es a capturar os seus primeiros anos. A equipa analisou dados do instrumento CheMin (Chemistry and Minerology) do rover e descobriu que a hematite apresentava tamanhos de cristalitos diferentes em diferentes eleva\u00e7\u00f5es. Descobriram tamb\u00e9m que a goethite, um mineral que normalmente se forma juntamente com a hematite, estava ausente nas amostras de menores eleva\u00e7\u00f5es, mas ainda presente nas amostras de maiores eleva\u00e7\u00f5es. Isto sugere que \u00e1guas subterr\u00e2neas quentes podem ter permanecido at\u00e9 4,7 milh\u00f5es de anos nas camadas mais profundas da Cratera Gale e que, durante grande parte desse tempo, estes aqu\u00edferos de longa dura\u00e7\u00e3o poderiam ter sido potencialmente habit\u00e1veis.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/3a\/e2\/oHjqlHy5_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/3a\/e2\/oHjqlHy5_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem mostra as 20 amostras obtidas pelo rover Curiosity na Cratera Gale, que foram analisadas para este estudo.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/MSSS<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O que descobrimos foi que, nas rochas enterradas, se mantiveram condi\u00e7\u00f5es quentes e h\u00famidas durante longos per\u00edodos, apesar de o clima de Marte se ter tornado mais frio&#8221;, afirmou Tanya Peretyazhko, coautora principal do estudo e cientista planet\u00e1ria do Centro Espacial Johnson da NASA, em Houston, EUA. &#8220;Isso significa que, nas profundezas dessas rochas, essas condi\u00e7\u00f5es mais quentes poderiam ter favorecido a habitabilidade por per\u00edodos de tempo muito mais longos, desde que outros fatores essenciais estivessem presentes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os \u00f3xidos de ferro s\u00e3o considerados indicadores da atividade da \u00e1gua, pois formam-se na sua presen\u00e7a. Este estudo mostra que a hematite tamb\u00e9m pode ser um marcador de altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas com base no tamanho e na estrutura dos seus cristalitos, que mudam sob diferentes temperaturas. Os cientistas descobriram que os cristalitos de hematite provenientes de maiores eleva\u00e7\u00f5es na Cratera Gale tinham menos de 10 nan\u00f3metros, enquanto os cristalitos de locais mais baixos eram geralmente maiores, atingindo at\u00e9 65 nan\u00f3metros. Estas descobertas coincidiram com as observa\u00e7\u00f5es de que as amostras de maiores eleva\u00e7\u00f5es continham tanto hematite como goethite, enquanto as amostras de menores eleva\u00e7\u00f5es n\u00e3o continham goethite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conclu\u00edram que, em condi\u00e7\u00f5es mais quentes, quando o pH da \u00e1gua \u00e9 neutro ou ligeiramente alcalino, a goethite pode transformar-se em hematite. Estas condi\u00e7\u00f5es mais quentes tamb\u00e9m favoreceram um aumento do tamanho dos cristalitos de hematite nas camadas mais profundas da Cratera Gale, atrav\u00e9s de um processo conhecido como amadurecimento de Ostwald, no qual os cristalitos mais pequenos se dissolvem e contribuem para o crescimento dos maiores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Isto pode indicar que as camadas superiores eram mais frias e n\u00e3o tinham \u00e1gua suficiente, ou que a presen\u00e7a de \u00e1gua foi de dura\u00e7\u00e3o relativamente curta, pelo que os cristalitos n\u00e3o tiveram tempo e condi\u00e7\u00f5es suficientes para crescer em tamanho&#8221;, afirmou Peretyazhko. &#8220;Mas as camadas inferiores tiveram \u00e1gua quente durante muito tempo, o que permitiu que esses cristalitos crescessem&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um destaque \u00fanico deste estudo \u00e9 que os dados prov\u00eam de amostras marcianas, em vez de modelos te\u00f3ricos. O bra\u00e7o rob\u00f3tico do Curiosity colocou rocha em p\u00f3 no funil de entrada do CheMin, onde foi analisada. &#8220;Com os padr\u00f5es de difra\u00e7\u00e3o de raios X do CheMin, podemos observar o tamanho e as dimens\u00f5es do cristal de hematite, informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o podem ser obtidas atrav\u00e9s da an\u00e1lise por sat\u00e9lite da superf\u00edcie marciana&#8221;, afirmou Tom Bristow, investigador principal do instrumento CheMin no Centro de Investiga\u00e7\u00e3o Ames da NASA, em Silicon Valley, no estado norte-americano da Calif\u00f3rnia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ashwin Vasavada, cientista respons\u00e1vel pelo projeto Curiosity no JPL da NASA, no sul da Calif\u00f3rnia, afirmou que o CheMin \u00e9 capaz de realizar medi\u00e7\u00f5es com uma precis\u00e3o cient\u00edfica extraordin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o se limita a indicar que existe hematite&#8221;, explicou Vasavada. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel utilizar os dados para determinar o tamanho e a forma dos cristalitos de hematite, bem como a presen\u00e7a de outros minerais relacionados, elementos todos necess\u00e1rios para chegar a este resultado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/science-research\/astromaterials\/nasa-uses-mineralogical-marker-to-understand-ancient-martian-climate\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.adv5447\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Hematite:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hematite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Goethite:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Goethite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Amadurecimento de Ostwald:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ostwald_ripening\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Nine Planets<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cratera Gale:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gale_(crater)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rover Curiosity:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/msl\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/MarsCuriosity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/x.com\/NASAMars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Curiosity_(rover)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas da NASA usaram dados do rover Curiosity para analisar cristais de hematite em 20 amostras de rocha marciana. As diferen\u00e7as no tamanho desses cristais indicam que \u00e1gua subterr\u00e2nea quente poder\u00e1 ter persistido durante milh\u00f5es de anos, sugerindo que algumas regi\u00f5es de Marte permaneceram potencialmente habit\u00e1veis muito depois de o planeta ter come\u00e7ado a arrefecer e secar.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9014,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[964,4,336],"class_list":["post-9013","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-cratera-gale","tag-marte","tag-rover-curiosity"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9013","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9013"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9013\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9015,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9013\/revisions\/9015"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9014"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9013"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9013"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9013"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}