{"id":8992,"date":"2026-05-26T06:16:47","date_gmt":"2026-05-26T05:16:47","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8992"},"modified":"2026-05-26T06:16:48","modified_gmt":"2026-05-26T05:16:48","slug":"as-origens-de-nereida-a-lua-mais-excentrica-de-neptuno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/05\/26\/as-origens-de-nereida-a-lua-mais-excentrica-de-neptuno\/","title":{"rendered":"As origens de Nereida, a lua mais exc\u00eantrica de Neptuno"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/pia01492-neptune-full-disk-16x9-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/PMfv0kaA_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8993\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/PMfv0kaA_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/PMfv0kaA_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/PMfv0kaA_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/PMfv0kaA_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem original de Neptuno, capturada pela sonda Voyager 2, com cores exageradas.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neptuno, o mais distante dos planetas, atua como um pastor do Sistema Solar exterior, dispersando gravitacionalmente asteroides distantes conhecidos como KBOs (sigla inglesa para &#8220;Kuiper Belt Objects&#8221;). Compreender a hist\u00f3ria de Neptuno fornece pistas importantes sobre como o resto do Sistema Solar evoluiu at\u00e9 ao seu estado atual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00f3prio Neptuno \u00e9 \u00fanico &#8211; inclinado 30 graus sobre o seu eixo, \u00e9 o lar de algumas luas invulgares, incluindo a lua do tamanho de Plut\u00e3o denominada Trit\u00e3o. Trit\u00e3o orbita Neptuno em sentido inverso, um indicador de que n\u00e3o se formou em torno de Neptuno, mas foi, em vez disso, capturado pela gravidade de Neptuno depois de se ter formado noutro local do Sistema Solar. Novas observa\u00e7\u00f5es, combinadas com simula\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria evolutiva de Neptuno, indicam que uma lua neptuniana frequentemente ignorada, chamada Nereida, pode revelar o passado do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A investiga\u00e7\u00e3o foi liderada pelo estudante Matthew Belyakov (Caltech &#8211; Instituto de Tecnologia da Calif\u00f3rnia) e realizada em colabora\u00e7\u00e3o com os laborat\u00f3rios do professor de Ci\u00eancia Planet\u00e1ria Konstantin Batygin e Mike Brown, professor de Astronomia Planet\u00e1ria e diretor do Centro de Evolu\u00e7\u00e3o Planet\u00e1ria Comparativa da mesma institui\u00e7\u00e3o de ensino. O trabalho foi apresentado num artigo cient\u00edfico publicado na revista Science Advances a 20 de maio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00fapiter, Saturno e \u00darano possuem todos &#8220;t\u00edpicos&#8221; sistemas lunares, sendo que cada planeta tem v\u00e1rias luas grandes que orbitam de perto e ao longo do plano equatorial do planeta hospedeiro, bem como muitas luas mais pequenas, chamadas sat\u00e9lites irregulares, localizadas mais longe em \u00f3rbitas inclinadas. Neptuno, por outro lado, tem apenas uma lua grande, Trit\u00e3o, que cont\u00e9m 99,9% da massa de todo o seu sistema de luas. A \u00f3rbita de Trit\u00e3o \u00e9 retr\u00f3grada &#8211; move-se no sentido dos ponteiros do rel\u00f3gio, enquanto Neptuno orbita o Sol no sentido contr\u00e1rio ao dos ponteiros do rel\u00f3gio. Isto significa que Trit\u00e3o n\u00e3o poderia ter-se formado no local, como as luas de J\u00fapiter e de Saturno, a partir do disco de material que orbita no sentido anti-hor\u00e1rio em torno do seu planeta. Em vez disso, pensa-se que Trit\u00e3o \u00e9 um KBO, tal como Plut\u00e3o, que foi lan\u00e7ado para a trajet\u00f3ria de Neptuno e capturado gravitacionalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes da passagem da Voyager 2 por Neptuno, em agosto de 1989, s\u00f3 se conhecia uma outra lua em torno de Neptuno, Nereida. Descoberta pelo astr\u00f3nomo holand\u00eas Gerard Kuiper em 1949, Nereida tem sido, desde ent\u00e3o, um mist\u00e9rio. A lua segue uma \u00f3rbita exc\u00eantrica, girando em torno de Neptuno numa elipse, e est\u00e1 longe do seu planeta, mas n\u00e3o t\u00e3o distante quanto os sat\u00e9lites irregulares em torno dos outros planetas gigantes. Curiosamente, Nereida n\u00e3o tem uma \u00f3rbita retr\u00f3grada como Trit\u00e3o, e a sua \u00f3rbita \u00e9 muito menos inclinada do que a de outras luas irregulares no Sistema Solar. Tendo em conta estes detalhes, os cientistas debateram a origem de Nereida durante 70 anos, sem conseguirem concluir se a lua foi capturada ou se se formou &#8220;in situ&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2024, os estudantes do Caltech Matthew Belyakov e M. Ryleigh Davis utilizaram o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb (JWST) para observar o sistema de luas de Neptuno, tendo Nereida como um dos alvos. A equipa utilizou o instrumento NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do JWST, que divide a luz nos seus diversos comprimentos de onda para obter informa\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas sobre os alvos astron\u00f3micos. O espetro de Nereida revelou-se bastante diferente do dos objetos da Cintura de Kuiper &#8211; Nereida era, pelo contr\u00e1rio, mais semelhante \u00e0s luas de \u00darano. Com base nos dados observacionais, que sugeriam uma origem n\u00e3o capturada para Nereida, Belyakov desenvolveu ent\u00e3o simula\u00e7\u00f5es da evolu\u00e7\u00e3o das luas de Neptuno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As simula\u00e7\u00f5es mostraram que, quando Trit\u00e3o entrou no sistema de Neptuno e foi capturado, as luas neptunianas existentes poderiam ter sido lan\u00e7adas para \u00f3rbitas exc\u00eantricas que pareciam id\u00eanticas \u00e0 de Nereida. Isto sugere que Nereida se formou &#8220;in situ&#8221; em torno de Neptuno, em vez de ser um objeto capturado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Compreender o que aconteceu em Neptuno \u00e9 uma das formas de esclarecermos o que se passou no in\u00edcio do Sistema Solar, e Nereida \u00e9 importante para determinar eventos-chave como a captura de Trit\u00e3o&#8221;, afirma Belyakov. &#8220;Esperamos que este trabalho motive as pessoas a realizarem observa\u00e7\u00f5es criativas de Nereida, apesar de ser t\u00e9nue e distante. \u00c9 t\u00e3o importante quanto Trit\u00e3o. Espero que Nereida seja visitada por uma miss\u00e3o ainda durante a minha vida&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem uma miss\u00e3o deste tipo, \u00e9 prov\u00e1vel que muito sobre Nereida continue a ser um mist\u00e9rio. As imagens de Nereida pela Voyager t\u00eam apenas alguns pix\u00e9is de di\u00e2metro. Dando continuidade ao seu trabalho, a equipa pretende criar mais simula\u00e7\u00f5es para restringir o momento da captura de Trit\u00e3o e as poss\u00edveis configura\u00e7\u00f5es do sistema lunar inicial em torno de Neptuno.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"The Orbits of Neptune&amp;apos;s Moons\" width=\"618\" height=\"464\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JRfr-c0mEkE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.caltech.edu\/about\/news\/the-origins-of-nereid-neptunes-most-eccentric-moon\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Caltech (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.aeb1429\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science Advances)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nereida:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/neptune\/moons\/nereid\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nereid_(moon)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Trit\u00e3o:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/neptune\/moons\/triton\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Triton_(moon)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Neptuno:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/neptune\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/neptune\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Nine Planets<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neptune_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/nirspec\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Voyager 2:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/voyager.jpl.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/theskylive.com\/voyager2-info\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Sky Live<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Voyager_2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Observa\u00e7\u00f5es do telesc\u00f3pio James Webb indicam que Nereida, uma das luas de Neptuno, n\u00e3o foi capturada da Cintura de Kuiper como se pensava. A sua composi\u00e7\u00e3o sugere que se formou junto de Neptuno e que sobreviveu \u00e0 captura de Trit\u00e3o, sendo possivelmente a \u00fanica lua original remanescente do sistema primitivo do planeta.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8993,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16,1],"tags":[387,355,2115,358,359],"class_list":["post-8992","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-jwst","tag-neptuno","tag-nereida","tag-tritao","tag-voyager-2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8992","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8992"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8992\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8994,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8992\/revisions\/8994"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8993"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8992"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8992"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8992"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}