{"id":8973,"date":"2026-05-19T06:19:29","date_gmt":"2026-05-19T05:19:29","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8973"},"modified":"2026-05-19T06:19:30","modified_gmt":"2026-05-19T05:19:30","slug":"astronomos-descobrem-a-galaxia-quimicamente-mais-primitiva-do-universo-jovem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/05\/19\/astronomos-descobrem-a-galaxia-quimicamente-mais-primitiva-do-universo-jovem\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos descobrem a gal\u00e1xia quimicamente mais primitiva do Universo jovem"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/3469l4Ww_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/3469l4Ww_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8974\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/3469l4Ww_o.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/3469l4Ww_o-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/3469l4Ww_o-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/3469l4Ww_o-768x768.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Revelando a natureza da gal\u00e1xia ultrafraca LAP1-B atrav\u00e9s de uma gigantesca &#8220;lente gravitacional&#8221;. Uma imagem a tr\u00eas cores criada a partir de dados obtidos com o instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera) do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb (JWST). Como as estrelas desta gal\u00e1xia s\u00e3o extremamente fracas e poucas em n\u00famero, a gal\u00e1xia \u00e9 invis\u00edvel na imagem de fundo captada pelo NIRCam, mas outro instrumento, o NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph), conseguiu detetar assinaturas qu\u00edmicas. Uma visualiza\u00e7\u00e3o (n\u00e3o uma imagem real) dos dados de velocidade e distribui\u00e7\u00e3o do NIRSpec \u00e9 apresentada na inser\u00e7\u00e3o para o oxig\u00e9nio (verde) e dois estados de excita\u00e7\u00e3o diferentes do hidrog\u00e9nio (azul e vermelho).<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, CSA e K. Nakajima et al., Nature<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos utilizou o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb (JWST) e um fen\u00f3meno natural conhecido como lente gravitacional para obter uma caracteriza\u00e7\u00e3o definitiva de LAP1-B, uma gal\u00e1xia ultrafraca com 13 mil milh\u00f5es de anos. Aprofundando as dete\u00e7\u00f5es iniciais, este novo estudo revelou uma abund\u00e2ncia extremamente baixa de oxig\u00e9nio &#8211; apenas 1\/240 da do Sol, um recorde. Este estado quimicamente primitivo, aliado a uma elevada propor\u00e7\u00e3o carbono-oxig\u00e9nio e a um halo dominante de mat\u00e9ria escura, sugere que LAP1-B \u00e9 a t\u00e3o procurada &#8220;antecessora&#8221; das misteriosas gal\u00e1xias f\u00f3sseis encontradas hoje perto da nossa Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Logo ap\u00f3s o Big Bang, o Universo continha apenas elementos leves, como hidrog\u00e9nio e h\u00e9lio. Os elementos mais pesados, como o oxig\u00e9nio e o carbono, foram forjados muito mais tarde no interior das primeiras estrelas. Durante d\u00e9cadas, os astr\u00f3nomos tentaram encontrar o momento em que estas &#8220;estrelas de primeira gera\u00e7\u00e3o&#8221; come\u00e7aram a espalhar elementos mais pesados pelo cosmos. No entanto, as gal\u00e1xias mais antigas que albergam essas estrelas jovens e primordiais s\u00e3o t\u00e3o pequenas e t\u00e9nues que observar a sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica era praticamente imposs\u00edvel &#8211; at\u00e9 agora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa de investiga\u00e7\u00e3o liderada por Kimihiko Nakajima, da Universidade de Kanazawa, e que inclui Masami Ouchi, do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan) e da Universidade de T\u00f3quio, centrou-se numa min\u00fascula gal\u00e1xia ultrafraca denominada LAP1-B. A sua luz foi ampliada 100 vezes por um fen\u00f3meno chamado &#8220;lente gravitacional&#8221;, em que a gravidade de um enorme enxame de gal\u00e1xias atua como uma gigante e natural lente de telesc\u00f3pio no espa\u00e7o. Ao observar esta manchinha durante mais de 30 horas com o JWST, a equipa determinou que a abund\u00e2ncia de oxig\u00e9nio da gal\u00e1xia \u00e9 aproximadamente 1\/240 da do Sol. &#8220;Fiquei imediatamente entusiasmado com a extrema falta de oxig\u00e9nio&#8221;, diz Nakajima. &#8220;Encontrar uma gal\u00e1xia num estado t\u00e3o primitivo \u00e9 surpreendente. \u00c9 uma assinatura qu\u00edmica que indica claramente uma gal\u00e1xia primordial captada nos momentos logo ap\u00f3s a sua forma\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para al\u00e9m da sua natureza primitiva, a gal\u00e1xia apresenta um elevado r\u00e1cio de abund\u00e2ncia carbono-oxig\u00e9nio. Esta rela\u00e7\u00e3o \u00fanica de elementos est\u00e1 em estreita conformidade com as previs\u00f5es te\u00f3ricas do material disperso pelas explos\u00f5es das primeiras estrelas do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa tamb\u00e9m descobriu que LAP1-B \u00e9 incrivelmente leve \u2013 menos de 3300 vezes a massa do Sol -, o que sugere que a maior parte da gal\u00e1xia consiste de mat\u00e9ria escura invis\u00edvel. Esta caracter\u00edstica, juntamente com a sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica \u00fanica, torna-a uma correspond\u00eancia quase perfeita para as &#8220;gal\u00e1xias an\u00e3s ultrafracas&#8221; encontradas hoje perto da nossa Via L\u00e1ctea, que s\u00e3o extremamente t\u00e9nues, pequenas e cont\u00eam muito poucas estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As gal\u00e1xias an\u00e3s ultrafracas n\u00e3o s\u00e3o apenas as gal\u00e1xias mais t\u00e9nues; s\u00e3o compostas por estrelas antigas com mais de 12 mil milh\u00f5es de anos e s\u00e3o frequentemente descritas como &#8216;f\u00f3sseis do Universo'&#8221;, explica Ouchi. &#8220;Os astr\u00f3nomos suspeitavam que pudessem ser os vest\u00edgios das primeiras gal\u00e1xias do Universo devido \u00e0 aus\u00eancia de elementos pesados, mas nunca tiveram uma liga\u00e7\u00e3o direta &#8211; at\u00e9 encontrarmos LAP1-B&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ouchi continua: &#8220;\u00c9 uma grande surpresa descobrir que LAP1-B se parece exatamente com a &#8216;antecessora&#8217; que apenas t\u00ednhamos imaginado nas teorias. Isto ajuda-nos a resolver o mist\u00e9rio de por que raz\u00e3o estes f\u00f3sseis c\u00f3smicos sobreviveram na sua forma atual at\u00e9 aos dias de hoje&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta descoberta estabelece uma nova forma de mapear o nascimento dos elementos e a forma\u00e7\u00e3o das estruturas mais antigas do Universo. No futuro, a equipa planeia utilizar o Webb para procurar objetos ainda mais primitivos, com o objetivo de encontrar as primeiras gal\u00e1xias alguma vez formadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.nao.ac.jp\/en\/news\/science\/2026\/20260514-dos.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NAOJ (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.kanazawa-u.ac.jp\/en\/miraichi\/183006\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Kanazawa (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.icrr.u-tokyo.ac.jp\/en\/news\/17894\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ICRR, Universidade de T\u00f3quio (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-026-10374-1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2506.11846\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gal\u00e1xia an\u00e3:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dwarf_galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dwarf_galaxy#Ultra-faint_dwarf_galaxies\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gal\u00e1xias an\u00e3s ultrafracas (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lentes gravitacionais:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_lensing\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mat\u00e9ria escura:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_matter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/nirspec\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Utilizando o Telesc\u00f3pio James Webb e lentes gravitacionais, astr\u00f3nomos caracterizaram LAP1-B, a gal\u00e1xia quimicamente mais primitiva j\u00e1 detetada no in\u00edcio do Universo. Com cerca de 13 mil milh\u00f5es de anos, possui um teor de oxig\u00e9nio de apenas 1\/240 do solar, sendo considerada uma &#8220;antecessora&#8221; das gal\u00e1xias f\u00f3sseis perto da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8974,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62,60,16,1],"tags":[586,387,2108,109,371],"class_list":["post-8973","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-cosmologia","category-galaxias","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-galaxias-anas","tag-jwst","tag-lap1-b","tag-lentes-gravitacionais","tag-materia-escura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8973","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8973"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8973\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8975,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8973\/revisions\/8975"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8974"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8973"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8973"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8973"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}