{"id":8970,"date":"2026-05-19T06:16:55","date_gmt":"2026-05-19T05:16:55","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8970"},"modified":"2026-05-19T06:16:56","modified_gmt":"2026-05-19T05:16:56","slug":"nuvem-interestelar-local-deixa-a-sua-marca-na-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/05\/19\/nuvem-interestelar-local-deixa-a-sua-marca-na-terra\/","title":{"rendered":"Nuvem Interestelar Local deixa a sua marca na Terra"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.hzdr.de\/db\/PicMax?pOid=77575\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/MgWHDRVd_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8971\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/MgWHDRVd_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/MgWHDRVd_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/MgWHDRVd_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/MgWHDRVd_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Trajet\u00f3ria do Sistema Solar atrav\u00e9s da Nuvem Interestelar Local. O perfil da nuvem fica preservado como uma &#8220;impress\u00e3o digital&#8221; interestelar no gelo da Ant\u00e1rtida.<br>Cr\u00e9dito: B. Schr\u00f6der\/HZDR\/NASA\/Goddard\/Adler\/Universidade de Chicago\/Wesleyan<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O nosso Sistema Solar est\u00e1 atualmente a atravessar a Nuvem Interestelar Local, uma regi\u00e3o de g\u00e1s e poeira altamente dilu\u00eddos entre as estrelas. Ao longo do seu percurso, a Terra acumula continuamente ferro-60, um raro is\u00f3topo radioativo de ferro produzido em explos\u00f5es estelares. Esta descoberta foi agora confirmada por uma equipa de investiga\u00e7\u00e3o internacional liderada pelo HZDR (Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf), atrav\u00e9s da an\u00e1lise de gelo ant\u00e1rtico com dezenas de milhares de anos. A partir do fluxo constante, mas vari\u00e1vel no tempo, os investigadores conclu\u00edram que o is\u00f3topo radioativo tem estado armazenado na nuvem desde uma explos\u00e3o estelar ocorrida h\u00e1 muito tempo. Os resultados foram publicados na revista Physical Review Letters.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ferro-60 forma-se no interior de estrelas massivas e \u00e9 ejetado para o espa\u00e7o quando estas explodem. Os registos geol\u00f3gicos mostram que o nosso Sistema Solar foi atingido duas vezes por ferro-60 proveniente de supernovas h\u00e1 milh\u00f5es de anos. No entanto, em tempos mais recentes, n\u00e3o houve explos\u00f5es estelares nas proximidades &#8211; e, portanto, nenhum fornecimento direto de ferro-60. Quando os cientistas, h\u00e1 alguns anos, descobriram ferro-60 na neve \u00e0 superf\u00edcie da Ant\u00e1rtida, neve esta com menos de vinte anos, surgiu a quest\u00e3o da sua origem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A nossa ideia \u00e9 que a Nuvem Interestelar Local cont\u00e9m ferro-60 e pode armazen\u00e1-lo durante longos per\u00edodos. \u00c0 medida que o Sistema Solar se move atrav\u00e9s da nuvem, a Terra poderia recolher este material. No entanto, n\u00e3o conseguimos provar isto na altura&#8221;, explica o Dr. Dominik Koll, do IIM (Institute of Ion Beam Physics and Materials Research) do HZDR.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos \u00faltimos anos, a equipa liderada por Koll e pelo professor Anton Wallner analisou amostras adicionais, incluindo sedimentos do fundo do mar com at\u00e9 30.000 anos. Tamb\u00e9m se encontrou ferro-60 nessas amostras, mas continuavam a existir teorias concorrentes. As novas amostras de gelo da Ant\u00e1rtida datam de h\u00e1 40.000 a 80.000 anos. A sua an\u00e1lise deixa agora claro: a Nuvem Interestelar Local \u00e9 a fonte prov\u00e1vel. &#8220;Isto significa que as nuvens que rodeiam o Sistema Solar est\u00e3o ligadas a uma explos\u00e3o estelar. E, pela primeira vez, isto d\u00e1-nos a oportunidade de investigar a origem destas nuvens&#8221;, afirma Koll.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A Nuvem Interestelar Local armazena ferro-60 proveniente de explos\u00f5es estelares<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O nosso Sistema Solar entrou na Nuvem Interestelar Local h\u00e1 v\u00e1rias dezenas de milhares de anos e ir\u00e1 sair dela novamente dentro de alguns milhares de anos. Atualmente, estamos localizados perto da sua orla.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o seu estudo, os investigadores analisaram um n\u00facleo de gelo do per\u00edodo em torno da entrada suspeita na nuvem. O AWI (Alfred Wegener Institute Helmholtz Centre for Polar and Marine Research) forneceu uma amostra do EPICA (European Project for Ice Coring in Antarctica). A compara\u00e7\u00e3o do teor de ferro-60 com amostras anteriores de \u00e1guas profundas e de neve revelou que, h\u00e1 40.000 a 80.000 anos atr\u00e1s, chegou \u00e0 Terra menos ferro-60 do que hoje e em \u00e9pocas mais recentes. &#8220;Isto sugere que anteriormente est\u00e1vamos num meio com menor teor de ferro-60, ou que a pr\u00f3pria nuvem apresenta fortes varia\u00e7\u00f5es de densidade&#8221;, explica Koll.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sinal do ferro-60 varia, assim, ao longo de apenas algumas dezenas de milhares de anos &#8211; um ritmo notavelmente veloz em escalas c\u00f3smicas de tempo. Com esta constata\u00e7\u00e3o, os investigadores conseguiram descartar explica\u00e7\u00f5es alternativas para a origem do fluxo de ferro-60, tais como o enfraquecimento gradual de explos\u00f5es estelares com milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Em busca de vest\u00edgios no gelo ant\u00e1rtico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para as medi\u00e7\u00f5es, a equipa transportou cerca de 300 kg de gelo do AWI, em Bremerhaven, para Dresden (cidades na Alemanha), onde foi processado quimicamente \u2013 um procedimento demorado que, no final, deixou apenas algumas centenas de miligramas de poeira. Passo a passo, isolaram o ferro-60, tomando muito cuidado para evitar perdas em todas as etapas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No laborat\u00f3rio DREAMS (DREsden Accelerator Mass Spectrometry) do HZDR, verificaram, assim, a amostra ap\u00f3s a prepara\u00e7\u00e3o qu\u00edmica utilizando dois outros radiois\u00f3topos: o ber\u00edlio-10 e o alum\u00ednio-26. As concentra\u00e7\u00f5es esperadas destes is\u00f3topos no gelo s\u00e3o bem conhecidas. Qualquer perda de ferro-60 teria sido tamb\u00e9m acompanhada por uma redu\u00e7\u00e3o nas suas quantidades. A equipa conseguiu excluir essa possibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Encontrando uma agulha num palheiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a medi\u00e7\u00e3o final, a equipa utilizou a HIAF (Heavy Ion Accelerator Facility) da Universidade Nacional Australiana &#8211; atualmente a \u00fanica instala\u00e7\u00e3o no mundo capaz de detetar quantidades t\u00e3o min\u00fasculas de ferro-60. Recorrendo a filtros el\u00e9tricos e magn\u00e9ticos, separaram os \u00e1tomos indesejados de acordo com a sua massa, at\u00e9 que restassem apenas alguns \u00e1tomos de ferro-60 dos 10 bili\u00f5es iniciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 como procurar uma agulha em 50.000 est\u00e1dios de futebol cheios at\u00e9 ao teto de feno. A m\u00e1quina encontra a agulha numa hora&#8221;, explica Annabel Rolofs, da Universidade de Bona.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Atrav\u00e9s de muitos anos de colabora\u00e7\u00e3o com colegas internacionais, desenvolvemos um m\u00e9todo extremamente sens\u00edvel que agora nos permite detetar, nos arquivos geol\u00f3gicos atuais, a assinatura clara de explos\u00f5es c\u00f3smicas que ocorreram h\u00e1 milh\u00f5es de anos&#8221;, resume Wallner.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa j\u00e1 est\u00e1 a planear novas medi\u00e7\u00f5es. O objetivo \u00e9 analisar um n\u00facleo de gelo ainda mais antigo, datado de antes de o Sistema Solar ter entrado na Nuvem Interestelar Local. O AWI \u00e9 um parceiro fundamental no projeto BEOI (Beyond EPICA &#8211; Oldest Ice), que visa recuperar n\u00facleos de gelo com essa idade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.hzdr.de\/db\/Cms?pOid=77574&amp;pNid=99\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ HZDR (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.awi.de\/en\/about-us\/service\/press\/single-view\/umgeben-von-sternenstaub.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ AWI (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/journals.aps.org\/prl\/abstract\/10.1103\/nxjq-jwgp\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Physical Review Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nuvem Interestelar Local:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Local_Interstellar_Cloud\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ferro-60:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Isotopes_of_iron#Iron-60\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Explos\u00f5es estelares:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/hubble\/science\/science-behind-the-discoveries\/hubble-stellar-explosions\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_stellar_explosion_types\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AWI (Alfred Wegener Institute Helmholtz Centre for Polar and Marine Research):<br><\/strong><a href=\"https:\/\/www.awi.de\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Alfred_Wegener_Institute_for_Polar_and_Marine_Research\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>HIAF (Heavy Ion Accelerator Facility):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/hiaf.anu.edu.au\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade Nacional Australiana<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>BEOI (Beyond EPICA &#8211; Oldest Ice):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.beyondepica.eu\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/European_Project_for_Ice_Coring_in_Antarctica\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os cientistas detetaram ferro-60, um is\u00f3topo radioativo proveniente de explos\u00f5es estelares, em gelo da Ant\u00e1rtida com 40 a 80 mil anos. 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