{"id":8952,"date":"2026-05-12T06:11:30","date_gmt":"2026-05-12T05:11:30","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8952"},"modified":"2026-05-12T06:11:32","modified_gmt":"2026-05-12T05:11:32","slug":"as-ondas-gravitacionais-revelam-os-segredos-dos-maiores-buracos-negros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/05\/12\/as-ondas-gravitacionais-revelam-os-segredos-dos-maiores-buracos-negros\/","title":{"rendered":"As ondas gravitacionais revelam os segredos dos maiores buracos negros"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/cdn.esahubble.org\/archives\/images\/large\/opo9926a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/inyHieKi_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8953\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/inyHieKi_o.jpg 960w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/inyHieKi_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/inyHieKi_o-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A cerca de 28.000 anos-luz de dist\u00e2ncia, o enxame globular M80 alberga centenas de milhares de estrelas unidas pela gravidade. Ambientes densamente povoados como este podem contribuir para o crescimento dos buracos negros atrav\u00e9s de fus\u00f5es sucessivas.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, STScI e A. Sarajedini (Universidade da Fl\u00f3rida)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com um novo estudo, os buracos negros mais massivos do Universo, detetados pelas ondula\u00e7\u00f5es que provocam no espa\u00e7o-tempo, n\u00e3o nasceram diretamente do colapso de estrelas. Em vez disso, estes gigantes c\u00f3smicos formam-se atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de colis\u00f5es repetidas e extremamente violentas em enxames estelares muito densos, argumenta uma equipa internacional de investigadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo, liderado pela Universidade de Cardiff, com investigadores de Chicago, da Northwestern, de Oxford e de outras universidades na Europa, analisou a vers\u00e3o 4.0 do GWTC (Gravitational-Wave Transient Catalogue) da Colabra\u00e7\u00e3o LIGO-Virgo-KAGRA, que cont\u00e9m 153 dete\u00e7\u00f5es de fus\u00f5es de buracos negros com fiabilidade suficiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa pretendia testar a ideia de que os buracos negros mais massivos no GWTC-4 s\u00e3o objetos de &#8220;segunda gera\u00e7\u00e3o&#8221;, formados quando buracos negros anteriores se fundiram e depois se fundiram novamente nos n\u00facleos densos de enxames estelares, onde as estrelas podem estar agrupadas at\u00e9 um milh\u00e3o de vezes mais densamente do que na vizinhan\u00e7a do Sol. As suas descobertas, publicadas na revista Nature Astronomy, investigam as origens dos buracos negros mais massivos detetados pelas suas ondas gravitacionais, revelando duas popula\u00e7\u00f5es distintas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A astronomia de ondas gravitacionais j\u00e1 n\u00e3o se limita a contar fus\u00f5es de buracos negros&#8221;, explica o autor principal, Dr. Fabio Antonini, da Faculdade de F\u00edsica e Astronomia da Universidade de Cardiff. &#8220;Est\u00e1 a come\u00e7ar a revelar como os buracos negros crescem, onde crescem e o que isso nos diz sobre a vida e a morte das estrelas massivas. Isto \u00e9 excitante porque podemos usar essa informa\u00e7\u00e3o para testar a nossa compreens\u00e3o de como as estrelas e os enxames evoluem no Universo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos dados de ondas gravitacionais, a equipa identificou uma popula\u00e7\u00e3o de menor massa consistente com o colapso estelar comum; e uma popula\u00e7\u00e3o de maior massa cujas rota\u00e7\u00f5es parecem-se exatamente com as esperadas de fus\u00f5es hier\u00e1rquicas em enxames estelares densos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Verificou-se que as rota\u00e7\u00f5es dos buracos negros de baixa massa eram muito lentas &#8211; tal como seria de esperar de um colapso estelar. A massa de transi\u00e7\u00e3o entre as duas popula\u00e7\u00f5es emerge muito claramente dos dados das rota\u00e7\u00f5es: para massas acima desse valor, verificou-se que as rota\u00e7\u00f5es eram consistentes com o que seria de esperar de orienta\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rias no espa\u00e7o e tinham magnitudes muito maiores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo tamb\u00e9m apresenta as evid\u00eancias mais s\u00f3lidas at\u00e9 \u00e0 data da exist\u00eancia de uma &#8220;lacuna de massa&#8221;, em que estrelas extremamente massivas explodem de forma catastr\u00f3fica em vez de colapsarem para formar buracos negros. A teoria, h\u00e1 muito prevista, descreve um intervalo &#8220;proibido&#8221; de massa para buracos negros formados diretamente a partir de estrelas, em que se espera que estrelas muito massivas sejam destru\u00eddas antes de poderem formar buracos negros. A equipa identifica este intervalo numa popula\u00e7\u00e3o de buracos negros de origem estelar com 45 vezes a massa do Sol ou mais, o que significa que buracos negros mais massivos do que isso n\u00e3o podem ter-se formado exclusivamente a partir de estrelas moribundas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O coautor Dr. Yonadav Barry Ginat, bolseiro em Oxford, comenta: &#8220;Os enxames estelares densos s\u00e3o um ambiente que pode permitir a forma\u00e7\u00e3o de objetos de segunda gera\u00e7\u00e3o da forma exata necess\u00e1ria para produzir a distribui\u00e7\u00e3o da rota\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m produzir buracos negros na lacuna de massa naturalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Existe tamb\u00e9m uma caracter\u00edstica clara na distribui\u00e7\u00e3o de massas que surge nesta massa de transi\u00e7\u00e3o: a curvatura da distribui\u00e7\u00e3o altera-se, refletindo a aus\u00eancia de buracos negros de &#8216;primeira gera\u00e7\u00e3o&#8217; e a proemin\u00eancia emergente dos de segunda gera\u00e7\u00e3o. Descobrimos que esta altera\u00e7\u00e3o da curvatura \u00e9 exatamente o que seria de esperar se estes buracos negros proviessem, de facto, de enxames densos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.cardiff.ac.uk\/news\/view\/3043715-biggest-black-holes-built-up-in-busy-star-clusters-after-series-of-violent-merging-events,-research-finds\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Cardiff (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.physics.ox.ac.uk\/news\/gravitational-waves-reveal-secrets-biggest-black-holes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Oxford (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-026-02847-0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Enxames globulares:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/spider.seds.org\/spider\/MWGC\/mwgc.html\" target=\"_blank\">SEDS<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Globular_cluster\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GWTC (Gravitational-Wave Transient Catalogue):<br><\/strong><a href=\"https:\/\/dcc.ligo.org\/LIGO-P2400293\/public\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">LIGO<\/a><br><a href=\"https:\/\/gwosc.org\/eventapi\/html\/GWTC\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GWOSC<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/ligo.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.ligo.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/LIGO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Virgo:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/www.ego-gw.it\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EGO<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Virgo_interferometer\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>KAGRA (Kamioka Gravitational Wave Detetor):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/gwcenter.icrr.u-tokyo.ac.jp\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/KAGRA\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo liderado pela Universidade de Cardiff sugere que os maiores buracos negros do Universo n\u00e3o nascem diretamente de estrelas em colapso, mas resultam de fus\u00f5es sucessivas em enxames estelares extremamente densos. Dados de ondas gravitacionais revelam uma popula\u00e7\u00e3o distinta de buracos negros massivos com rota\u00e7\u00f5es ca\u00f3ticas, compat\u00edveis com estas colis\u00f5es violentas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8953,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[151,62,50,1],"tags":[192,370,2102,1113,443,445,444],"class_list":["post-8952","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-buracos-negros","category-cosmologia","category-estrelas","category-telescopios-profissionais","tag-buraco-negro","tag-enxames-globulares","tag-gwtc","tag-kagra","tag-ligo","tag-ondas-gravitacionais","tag-virgo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8952","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8952"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8952\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8954,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8952\/revisions\/8954"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8953"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8952"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8952"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8952"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}