{"id":8940,"date":"2026-05-05T06:21:42","date_gmt":"2026-05-05T05:21:42","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8940"},"modified":"2026-05-05T06:21:43","modified_gmt":"2026-05-05T05:21:43","slug":"as-estrelas-jovens-perdem-brilho-nos-raios-x-com-uma-rapidez-surpreendente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/05\/05\/as-estrelas-jovens-perdem-brilho-nos-raios-x-com-uma-rapidez-surpreendente\/","title":{"rendered":"As estrelas jovens perdem brilho nos raios X com uma rapidez surpreendente"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/uycFVzBk_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"445\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/uycFVzBk_o-1024x445.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8941\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/uycFVzBk_o-1024x445.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/uycFVzBk_o-300x130.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/uycFVzBk_o-768x334.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/uycFVzBk_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os enxames estelares Trumpler 3 e NGC 2353.<br>Cr\u00e9dito: raios X &#8211; NASA\/CXC\/Universidade do Estado da Pensilv\u00e2nia\/K. Getman; \u00f3tico\/infravermelho &#8211; PanSTARRS; processamento de imagem &#8211; NASA\/CXC\/SAO\/N. Wolk<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas descobriram que as jovens estrelas semelhantes ao nosso Sol est\u00e3o a acalmar-se e a diminuir a sua emiss\u00e3o de raios X mais rapidamente do que se pensava, de acordo com um novo estudo que utilizou o Observat\u00f3rio de raios X Chandra da NASA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao contr\u00e1rio do que acontece no filme &#8220;Projeto Hail Mary&#8221;, este apaziguamento das estrelas jovens \u00e9 um benef\u00edcio para as perspetivas de vida nos planetas em \u00f3rbita &#8211; e n\u00e3o uma amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos utilizaram o Chandra e outros telesc\u00f3pios para monitorizar a forma como a potente radia\u00e7\u00e3o das estrelas jovens &#8211; frequentemente sob a forma de perigosos raios X &#8211; pode bombardear os planetas que as rodeiam. No entanto, n\u00e3o sabiam durante quanto tempo esta investida altamente energ\u00e9tica se prolongava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este \u00faltimo estudo analisou oito enxames de estrelas com idades compreendidas entre os 45 milh\u00f5es e os 750 milh\u00f5es de anos. Os investigadores descobriram que as estrelas semelhantes ao Sol nestes enxames libertavam apenas cerca de um-quarto a um-ter\u00e7o dos raios X que esperavam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Enquanto a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica &#8211; como os micr\u00f3bios no filme &#8216;Projeto Hail Mary&#8217; &#8211; imagina vida alien\u00edgena que atenua o output estelar ao consumir a sua energia, as nossas observa\u00e7\u00f5es reais revelam um &#8216;apaziguamento&#8217; natural de jovens estrelas semelhantes ao Sol em raios X&#8221;, afirmou Konstantin Getman, autor principal do novo estudo publicado na revista The Astrophysical Journal e professor na Universidade do Estado da Pensilv\u00e2nia, nos EUA. &#8220;Isto n\u00e3o se deve ao facto de uma for\u00e7a externa estar a consumir a sua luz, mas sim porque a sua gera\u00e7\u00e3o interna de campos magn\u00e9ticos se torna menos eficiente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na verdade, esta diminui\u00e7\u00e3o da atividade poder\u00e1 ser ben\u00e9fica para a forma\u00e7\u00e3o de vida em planetas que orbitam estrelas que s\u00e3o vers\u00f5es mais jovens do nosso pr\u00f3prio Sol (o nosso Sol tem cerca de 4,6 mil milh\u00f5es de anos, sendo assim significativamente mais velho do que as estrelas analisadas neste estudo). Isto deve-se ao facto de grandes quantidades de raios X poderem corroer a atmosfera de um planeta e impedir a forma\u00e7\u00e3o das mol\u00e9culas necess\u00e1rias para a vida org\u00e2nica tal como a conhecemos. Em m\u00e9dia, estrelas com tr\u00eas milh\u00f5es de anos e uma massa igual \u00e0 do Sol produzem cerca de mil vezes mais raios X do que o Sol atual. Por sua vez, estrelas com 100 milh\u00f5es de anos e uma massa solar s\u00e3o cerca de 40 vezes mais brilhantes em raios X do que o Sol atual.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/74\/0e\/1JQK3xzA_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/74\/0e\/1JQK3xzA_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o de uma jovem estrela semelhante ao Sol a corroer parte da atmosfera de um planeta em \u00f3rbita.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/SAO\/CXC\/M. Weiss<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 poss\u00edvel que devamos a nossa exist\u00eancia ao facto de o nosso Sol ter feito, h\u00e1 v\u00e1rios milhares de milh\u00f5es de anos, o mesmo que vemos estas estrelas jovens a fazer agora&#8221;, afirmou o coautor Vladimir Airapetian, do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. &#8220;Esta diminui\u00e7\u00e3o no mundo real ecoa a dram\u00e1tica mudan\u00e7a estelar da fic\u00e7\u00e3o, mas pode ser ainda mais fascinante porque destaca a hist\u00f3ria real do nosso pr\u00f3prio Sol&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores descobriram que as estrelas com aproximadamente a mesma massa do Sol acalmaram-se relativamente depressa &#8211; ap\u00f3s algumas centenas de milh\u00f5es de anos &#8211; enquanto as de menor massa mantiveram os seus altos n\u00edveis de emiss\u00e3o de raios X por mais tempo. Em combina\u00e7\u00e3o com uma diminui\u00e7\u00e3o na energia dos raios X e o desaparecimento de part\u00edculas energ\u00e9ticas, as estrelas do tamanho do Sol s\u00e3o aparentemente mais adequadas do que se pensava anteriormente no que toca a planetas com atmosferas robustas e, possivelmente, ao florescimento da vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de investiga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m utilizou dados do sat\u00e9lite Gaia da ESA e dados de raios X da miss\u00e3o ROSAT (ROentgen SATellite). Estes dados permitiram-lhes identificar as estrelas que faziam parte dos enxames (e n\u00e3o estrelas \u00e0 frente ou atr\u00e1s). Para medir a emiss\u00e3o de raios X das estrelas, realizaram novas observa\u00e7\u00f5es com o Chandra de cinco enxames com idades entre 45 milh\u00f5es e 100 milh\u00f5es de anos, al\u00e9m de utilizarem dados de arquivo do Chandra e do ROSAT para estudar tr\u00eas enxames mais antigos, com idades entre 220 e 750 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos n\u00e3o tinham, anteriormente, conseguido estudar bem a emiss\u00e3o de raios X de estrelas nesta faixa et\u00e1ria. A maioria dos astr\u00f3nomos baseava-se em dados escassos e numa rela\u00e7\u00e3o derivada que prev\u00ea a emiss\u00e3o de raios X que as estrelas jovens deveriam produzir com base nas suas idades e rota\u00e7\u00f5es. Estrelas mais velhas e com rota\u00e7\u00e3o mais lenta s\u00e3o geralmente mais fracas em raios X, mas a equipa descobriu que a emiss\u00e3o de raios X diminui cerca de 15 vezes mais rapidamente do que a rela\u00e7\u00e3o derivada prev\u00ea durante esta fase adolescente espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;S\u00f3 conseguimos ver o nosso Sol neste momento espec\u00edfico no tempo; por isso, para compreender verdadeiramente o seu passado, temos de olhar para outras estrelas com aproximadamente a mesma massa&#8221;, afirmou o coautor Eric Feigelson, tamb\u00e9m da Universidade do Estado da Pensilv\u00e2nia. &#8220;Ao estudarmos os raios X de estrelas com centenas de milh\u00f5es de anos, preenchemos uma grande lacuna na nossa compreens\u00e3o da sua evolu\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora ainda estejam a investigar a causa desta atividade mais lenta do que o esperado, os cientistas pensam que o processo que gera campos magn\u00e9ticos nestas estrelas pode tornar-se menos eficiente. Isto levaria a que as estrelas se tornassem mais silenciosas em raios X mais rapidamente, \u00e0 medida que envelhecem. Os investigadores v\u00e3o continuar a analisar esta e outras causas potenciais para o r\u00e1pido escurecimento de estrelas jovens semelhantes ao Sol.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Tour: NASA Finds Young Stars Dim in X-rays Surprisingly Quickly\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MH64h8jjODk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/chandra\/nasa-finds-young-stars-dim-in-x-rays-surprisingly-quickly\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/chandra.cfa.harvard.edu\/press\/26_releases\/press_041426.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Chandra\/Harvard (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ae2e00\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Enxames abertos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Open_cluster\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio de raios X Chandra:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission\/chandra-x-ray-observatory\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/chandra.harvard.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Harvard<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chandra_X-ray_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina da ESA para a comunidade cient\u00edfica<\/a><br><a href=\"https:\/\/gea.esac.esa.int\/archive\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de dados do Gaia (ESA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ROSAT (ROentgen SATellite):<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ROSAT\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recorrendo ao observat\u00f3rio Chandra, astr\u00f3nomos descobriram que estrelas jovens semelhantes ao Sol perdem o brilho em raios X muito mais rapidamente do que se pensava. 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