{"id":8919,"date":"2026-04-28T06:15:14","date_gmt":"2026-04-28T05:15:14","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8919"},"modified":"2026-04-28T06:15:15","modified_gmt":"2026-04-28T05:15:15","slug":"desvendando-o-misterio-da-massa-das-jovens-estrelas-de-orion","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/04\/28\/desvendando-o-misterio-da-massa-das-jovens-estrelas-de-orion\/","title":{"rendered":"Desvendando o mist\u00e9rio da massa das jovens estrelas de Or\u00edon"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/PIG244-youngStars_orbit_ill8F_lrg.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/uhUUDWrX_o-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8920\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/uhUUDWrX_o-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/uhUUDWrX_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/uhUUDWrX_o-768x512.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/uhUUDWrX_o-310x205.jpg 310w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/uhUUDWrX_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica de duas jovens estrelas a orbitarem-se uma \u00e0 outra no interior do empoeirado complexo de forma\u00e7\u00e3o estelar de Or\u00edon. Como as nuvens de g\u00e1s e poeira ocultam estes sistemas nos comprimentos de onda do vis\u00edvel e do infravermelho, os astr\u00f3nomos utilizaram o VLBA (Very Long Baseline Array ) para os observar no r\u00e1dio e medir diretamente o seu movimento orbital e as suas massas.<br>Cr\u00e9dito: NSF\/AUI\/NRAO da NSF\/M.Weiss<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A massa de uma estrela determina toda a sua hist\u00f3ria de vida, desde a forma como brilha at\u00e9 \u00e0 forma como morre. No caso das estrelas jovens envoltas em poeira, determinar a sua massa com precis\u00e3o tem sido, h\u00e1 muito, uma tarefa dif\u00edcil\u2026, mas novas medi\u00e7\u00f5es no r\u00e1dio est\u00e3o a come\u00e7ar a mudar essa situa\u00e7\u00e3o. Os astr\u00f3nomos est\u00e3o a ajudar a desvendar o mist\u00e9rio da massa das estrelas jovens no complexo de forma\u00e7\u00e3o estelar de Or\u00edon, medindo as suas massas com uma precis\u00e3o sem precedentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Estrelas leves, semelhantes ao Sol, queimam combust\u00edvel de forma constante durante 10 mil milh\u00f5es de anos, enquanto as massivas brilham intensamente por um curto per\u00edodo antes de explodirem como supernovas em apenas meros milh\u00f5es de anos. A massa tamb\u00e9m determina quais os elementos pesados que elas produzem, tais como carbono, oxig\u00e9nio e ferro, que constituem os blocos de constru\u00e7\u00e3o dos planetas e da vida. Al\u00e9m disso, influencia os tipos de planetas que se podem formar \u00e0 sua volta.<\/p>\n\n\n\n<p>Utilizando o VLBA (Very Long Baseline Array), uma rede de radiotelesc\u00f3pios espalhados pelos EUA que funcionam em conjunto como um \u00fanico instrumento gigante, a equipa acompanhou os movimentos orbitais de uma amostra de jovens sistemas estelares bin\u00e1rios em Or\u00edon. As estrelas bin\u00e1rias s\u00e3o pares que orbitam um centro de massa comum, como parceiros de dan\u00e7a a rodopiarem um ao redor do outro. Ao observar estas &#8220;dan\u00e7as&#8221; com extraordin\u00e1ria precis\u00e3o em comprimentos de onda de r\u00e1dio, os investigadores conseguiram calcular as massas reais das estrelas sem recorrer a modelos te\u00f3ricos. Como explica o investigador principal, o Dr. Sergio Abraham Dzib Quijano, do Instituto Max Planck de Radioastronomia, &#8220;a massa estelar \u00e9 a propriedade mais fundamental de uma estrela, mas \u00e9 notoriamente dif\u00edcil de medir em sistemas jovens e embebidos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>As jovens estrelas de Or\u00edon est\u00e3o envoltas em densas nuvens de g\u00e1s e poeira, impedindo que a luz vis\u00edvel e at\u00e9 mesmo a infravermelha chegue \u00e0 maioria dos telesc\u00f3pios. O VLBA supera esta dificuldade observando em comprimentos de onda de r\u00e1dio (5 GHz), onde a poeira \u00e9 transparente e a resolu\u00e7\u00e3o extrema do conjunto de antenas (inferior a um mil\u00e9simo de segundo de arco) permite distinguir bin\u00e1rios muito \u00edntimos que se confundem noutros comprimentos de onda.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Young Orbiting Stars in Orion star-forming complex\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/97FDZS22-Qo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O VLBA tamb\u00e9m consegue detetar movimentos no c\u00e9u menores do que a largura de um cabelo humano, vistos a milhares de quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia, demonstrando a not\u00e1vel proeza t\u00e9cnica por tr\u00e1s destas medi\u00e7\u00f5es de massa. Na pr\u00e1tica, isto significa medir pequenas varia\u00e7\u00f5es na posi\u00e7\u00e3o aparente de uma estrela no c\u00e9u ao longo de meses e anos, utilizando observa\u00e7\u00f5es repetidas para tra\u00e7ar o seu percurso. Cada radiotelesc\u00f3pio da rede VLBA regista as ondas de r\u00e1dio recebidas com uma precis\u00e3o extraordin\u00e1ria. Ao combinar os sinais de antenas espalhadas por todo os EUA, desde o Hawaii at\u00e9 \u00e0s Ilhas Virgens, os astr\u00f3nomos conseguem determinar a posi\u00e7\u00e3o de uma estrela com uma precis\u00e3o de mil\u00e9simos de segundo de arco, muito superior \u00e0 que \u00e9 poss\u00edvel com uma \u00fanica antena. Ao comparar como essa posi\u00e7\u00e3o muda de \u00e9poca para \u00e9poca, conseguem observar o movimento orbital subtil causado pela gravidade de uma estrela companheira e usar esse movimento para inferir a massa de cada estrela no sistema.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos sistemas em que as massas medidas puderam ser comparadas com modelos padr\u00e3o de evolu\u00e7\u00e3o de estrelas jovens, os resultados foram mistos: alguns foram bem reproduzidos, enquanto pelo menos um apresentou uma discrep\u00e2ncia clara, sugerindo que os modelos ainda podem precisar de aperfei\u00e7oamento. As observa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m revelaram companheiras anteriormente ocultas e evid\u00eancias de que uma forte atividade magn\u00e9tica pode persistir em estrelas jovens relativamente massivas.<\/p>\n\n\n\n<p>As estrelas jovens em Or\u00edon s\u00e3o os alicerces de futuros sistemas planet\u00e1rios, muito semelhantes ao nosso pr\u00f3prio Sistema Solar. &#8220;Estas medi\u00e7\u00f5es precisas de massa transformam agora Or\u00edon num laborat\u00f3rio de precis\u00e3o para testar como as estrelas jovens se formam e evoluem&#8221;, afirma a Dra. Jazmin Ordonez-Toro, bolseira de p\u00f3s-doutoramento no Observat\u00f3rio Astron\u00f3mico da Universidade de Nari\u00f1o, que coliderou o estudo. &#8220;Estas medi\u00e7\u00f5es expandem enormemente a nossa compreens\u00e3o de como se formam vizinhan\u00e7as estelares como a nossa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/unraveling-the-mass-mystery\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2026\/04\/aa58171-25\/aa58171-25.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Sistema estelar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_system\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_formation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nuvem molecular de Or\u00edon:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Orion_molecular_cloud_complex\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VLBA (Very Long Baseline Array):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nrao.edu\/facilities\/vlba\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NRAO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Long_Baseline_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos usaram radiotelesc\u00f3pios para medir com grande precis\u00e3o a massa de estrelas jovens na regi\u00e3o de Or\u00edon, algo antes dif\u00edcil devido ao g\u00e1s e poeira envolventes. Os resultados revelam discrep\u00e2ncias com modelos te\u00f3ricos e ajudam a melhorar a compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o estelar.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8920,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,1],"tags":[332,345,618,390],"class_list":["post-8919","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-telescopios-profissionais","tag-formacao-estelar","tag-nuvem-molecular-de-orionte","tag-sistemas-estelares","tag-vlba"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8919","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8919"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8919\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8921,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8919\/revisions\/8921"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8920"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8919"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8919"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8919"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}