{"id":8916,"date":"2026-04-28T06:12:39","date_gmt":"2026-04-28T05:12:39","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8916"},"modified":"2026-04-28T06:12:40","modified_gmt":"2026-04-28T05:12:40","slug":"as-primas-pequenas-da-via-lactea-podem-conter-pistas-do-universo-primitivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/04\/28\/as-primas-pequenas-da-via-lactea-podem-conter-pistas-do-universo-primitivo\/","title":{"rendered":"As &#8220;primas pequenas&#8221; da Via L\u00e1ctea podem conter pistas do Universo primitivo"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.ras.ac.uk\/sites\/default\/files\/2026-04\/dwarf_galaxies.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/yEwkGOdO_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8917\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/yEwkGOdO_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/yEwkGOdO_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/yEwkGOdO_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/yEwkGOdO_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">(A) Distribui\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria escura na nossa vizinhan\u00e7a no Universo, o chamado Grupo Local de gal\u00e1xias. Os dois grandes halos de mat\u00e9ria escura correspondem aos da Via L\u00e1ctea e da gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda; (B) amplia\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria escura dentro e em torno de um pequeno halo, cerca de 700 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang; (C) estrelas e g\u00e1s no centro do pequeno halo de mat\u00e9ria escura numa das simula\u00e7\u00f5es.<br>Cr\u00e9dito: J. Sureda\/A. Fattahi\/S. Brown<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>As gal\u00e1xias an\u00e3s ultrafracas &#8211; min\u00fasculas gal\u00e1xias sat\u00e9lite que orbitam a Via L\u00e1ctea &#8211; h\u00e1 muito que s\u00e3o consideradas f\u00f3sseis c\u00f3smicos. Agora, um novo estudo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society utiliza um conjunto sem precedentes de simula\u00e7\u00f5es para mostrar at\u00e9 que ponto estes sistemas t\u00e9nues podem refletir as condi\u00e7\u00f5es do Universo primitivo e explicar-nos por que raz\u00e3o algumas gal\u00e1xias cresceram e outras n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Podem tamb\u00e9m revelar como era o &#8220;clima&#8221; mais antigo do Universo &#8211; por exemplo, o n\u00edvel de radia\u00e7\u00e3o e como isso influenciou a forma\u00e7\u00e3o de estrelas e os locais onde estas se formaram.<\/p>\n\n\n\n<p>As gal\u00e1xias an\u00e3s s\u00e3o frequentemente descritas como primas pequenas da Via L\u00e1ctea. Formam-se em pequenos halos de mat\u00e9ria escura, previstos pelo modelo padr\u00e3o da cosmologia. Os exemplos mais t\u00e9nues desses sistemas s\u00e3o extremos tanto em tamanho como em fragilidade, e situam-se na fronteira do nosso conhecimento acerca da forma\u00e7\u00e3o de gal\u00e1xias e da mat\u00e9ria escura.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Neste trabalho, apresent\u00e1mos um conjunto totalmente novo de simula\u00e7\u00f5es cosmol\u00f3gicas centradas nas gal\u00e1xias mais t\u00e9nues do Universo, com uma resolu\u00e7\u00e3o sem precedentes. Esta \u00e9, de longe, a maior amostra de tais gal\u00e1xias alguma vez simulada com estas resolu\u00e7\u00f5es&#8221;, afirmou a professora Dra. Azadeh Fattahi, do OKC (Oskar Klein Centre) em Estocolmo, que liderou o novo estudo com a colabora\u00e7\u00e3o LYRA, em parceria com a Universidade de Durham e a Universidade do Hawaii.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As gal\u00e1xias mais pequenas s\u00e3o designadas por gal\u00e1xias an\u00e3s ultrafracas, cuja massa \u00e9 um milh\u00e3o de vezes inferior \u00e0 da Via L\u00e1ctea ou ainda menos. Devido ao seu pequeno tamanho, estas gal\u00e1xias t\u00eam-se revelado muito dif\u00edceis de modelar e simular&#8221;. Este novo conjunto de simula\u00e7\u00f5es representa um grande passo em frente, permitindo uma vis\u00e3o sistem\u00e1tica de como estas gal\u00e1xias se formam e evoluem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma analogia pr\u00e1tica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Uma analogia \u00fatil&#8230; \u00e9 com as plantas e as culturas e a forma como o seu crescimento \u00e9 sens\u00edvel \u00e0s condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas&#8221;, afirmou Shaun Brown, que liderou o estudo enquanto trabalhava no OKC e na Universidade de Durham.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Da mesma forma que o rendimento de uma colheita no ver\u00e3o pode, indiretamente, dizer-nos muito sobre como deve ter sido o tempo na primavera, as propriedades das gal\u00e1xias an\u00e3s t\u00e9nues de hoje podem dizer-nos muito sobre as condi\u00e7\u00f5es, ou o clima, do Universo numa \u00e9poca muito anterior&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O que torna estes resultados especialmente oportunos \u00e9 o facto de as simula\u00e7\u00f5es n\u00e3o se limitarem a reproduzir gal\u00e1xias an\u00e3s pouco luminosas &#8211; sugerem que estes objetos locais podem servir como uma sonda para o &#8220;clima&#8221; mais primitivo do Universo. A equipa explorou de que forma diferentes pressupostos sobre o ambiente de radia\u00e7\u00e3o primitivo influenciam quais os pequenos halos de mat\u00e9ria escura que conseguem, de todo, formar estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No artigo cient\u00edfico, estud\u00e1mos duas hip\u00f3teses diferentes sobre as propriedades do Universo primitivo, quando tinha menos de 500 milh\u00f5es de anos, para compreender o efeito nas propriedades destas pequenas gal\u00e1xias hoje, quando o Universo tem 13 mil milh\u00f5es de anos&#8221;, explicou Brown.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Descobrimos que estas pequenas gal\u00e1xias ultrafracas s\u00e3o muito sens\u00edveis a estas altera\u00e7\u00f5es, enquanto gal\u00e1xias mais massivas, como a nossa Via L\u00e1ctea, n\u00e3o s\u00e3o realmente afetadas&#8221;, acrescentou. &#8220;Para as gal\u00e1xias mais pequenas, as condi\u00e7\u00f5es iniciais podem determinar se se tornam gal\u00e1xias vis\u00edveis &#8211; ou se permanecem halos de mat\u00e9ria escura sem estrelas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Investiga\u00e7\u00e3o futura<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa sensibilidade abre um caminho claro para testar a f\u00edsica do Universo primitivo com as pr\u00f3ximas observa\u00e7\u00f5es. &#8220;\u00c9 emocionante pensar que, num futuro pr\u00f3ximo, teremos dados do Observat\u00f3rio Vera C. Rubin, que ser\u00e1 capaz de detetar muitas mais destas an\u00e3s ultrafracas em torno da Via L\u00e1ctea&#8221;, afirmou a Dra. Fattahi.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos astr\u00f3nomos esperam que o Rubin consiga fornecer um censo quase completo das gal\u00e1xias sat\u00e9lites da Via L\u00e1ctea &#8211; e estas simula\u00e7\u00f5es sugerem que este censo poder\u00e1 conter informa\u00e7\u00f5es que v\u00e3o muito al\u00e9m da nossa vizinhan\u00e7a local.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O nosso trabalho sugere que estas pr\u00f3ximas observa\u00e7\u00f5es do Universo muito local ser\u00e3o capazes de restringir a forma como o Universo se apresentava na sua inf\u00e2ncia, algo a que atualmente n\u00e3o podemos aceder diretamente com outras observa\u00e7\u00f5es&#8221;, acrescentou a Dra. Fattahi.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado \u00e9 particularmente relevante \u00e0 luz das recentes descobertas, pelo Telesc\u00f3pio Espacial James Webb, de gal\u00e1xias no Universo primitivo, algumas das quais s\u00e3o inesperadamente massivas e brilhantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o Universo primitivo est\u00e1 a revelar surpresas a grandes dist\u00e2ncias, ent\u00e3o as rel\u00edquias locais da mesma \u00e9poca &#8211; an\u00e3s ultrafracas &#8211; podem constituir uma via adicional para compreender o que aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, em investiga\u00e7\u00f5es como esta, ainda h\u00e1 grandes desafios pr\u00e1ticos a superar. &#8220;Executar estas simula\u00e7\u00f5es \u00e9 um desafio extremamente dispendioso, tanto em termos de tempo como de recursos computacionais. No total, foram necess\u00e1rios mais de 6 meses para executar todas as simula\u00e7\u00f5es&#8221;, acrescentou a Dra. Fattahi.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A simula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m produz quantidades muito grandes de dados (no total, cerca de 300 terabytes). Isto significou que muitos dos algoritmos antigos, concebidos para quantidades mais pequenas de dados, precisaram de ser atualizados e melhorados para lidar eficazmente com esta nova e grande quantidade de dados&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhando para o futuro, a equipa da Dra. Fattahi planeia utilizar o novo conjunto de ferramentas para abordar quest\u00f5es que ainda est\u00e3o em aberto na forma\u00e7\u00e3o moderna de gal\u00e1xias e estruturas, tais como: onde podemos encontrar a primeira gera\u00e7\u00e3o de estrelas formadas no Universo? Ou o que \u00e9 que as propriedades das gal\u00e1xias an\u00e3s ultrafracas nos dizem sobre a natureza da mat\u00e9ria escura?<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.ras.ac.uk\/news-and-press\/news\/milky-ways-little-cousins-may-hold-clues-about-infant-universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Real Sociedade Astron\u00f3mica (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.su.se\/english\/news\/articles\/2026-04-24-local-dwarf-galaxies-may-preserve-a-record-of-the-infant-universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Estocolmo (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/548\/2\/stag439\/8661239?login=false\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Gal\u00e1xia an\u00e3:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dwarf_galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dwarf_galaxy#Ultra-faint_dwarf_galaxies\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gal\u00e1xias an\u00e3s ultrafracas (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mat\u00e9ria escura:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_matter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo mostra que gal\u00e1xias an\u00e3s ultrafracas, sat\u00e9lites da Via L\u00e1ctea, funcionam como &#8220;f\u00f3sseis&#8221; do Universo primitivo. Simula\u00e7\u00f5es indicam que as suas propriedades atuais dependem fortemente das condi\u00e7\u00f5es iniciais, como radia\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o estelar, permitindo inferir como era o Universo nos seus primeiros milh\u00f5es de anos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8917,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62,60],"tags":[586,371],"class_list":["post-8916","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-cosmologia","category-galaxias","tag-galaxias-anas","tag-materia-escura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8916","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8916"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8916\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8918,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8916\/revisions\/8918"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8917"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8916"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8916"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8916"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}