{"id":8877,"date":"2026-04-10T06:24:12","date_gmt":"2026-04-10T05:24:12","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8877"},"modified":"2026-04-10T06:24:14","modified_gmt":"2026-04-10T05:24:14","slug":"sera-que-foi-detetado-o-primeiro-par-intimo-de-buracos-negros-supermassivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/04\/10\/sera-que-foi-detetado-o-primeiro-par-intimo-de-buracos-negros-supermassivos\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 que foi detetado o primeiro par \u00edntimo de buracos negros supermassivos?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/YPJWpqyO_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/YPJWpqyO_o-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8878\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/YPJWpqyO_o-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/YPJWpqyO_o-300x225.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/YPJWpqyO_o-768x576.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/YPJWpqyO_o.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica mostra o centro da gal\u00e1xia Markarian 501, de onde s\u00e3o emanados dois jatos poderosos. O buraco negro supermassivo no centro, cuja exist\u00eancia j\u00e1 era conhecida, desvia parcialmente a luz do jato que se encontra por detr\u00e1s dele, formando o chamado anel de Einstein. Este jato curvado tem, muito provavelmente, origem num segundo buraco negro, ainda n\u00e3o observado. As observa\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio s\u00e3o vis\u00edveis como contornos no fundo.<br>Cr\u00e9dito: Emma Kun\/Observat\u00f3rio HUN-REN Konkoly\/realizado com apoio da IA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Descobertas atuais sugerem a exist\u00eancia de um buraco negro supermassivo no centro de quase todas as grandes gal\u00e1xias, com uma massa milh\u00f5es ou mesmo milhares de milh\u00f5es de vezes superior \u00e0 do nosso Sol. Ainda n\u00e3o se sabe ao certo como \u00e9 que conseguem atingir massas t\u00e3o grandes. A simples acre\u00e7\u00e3o do g\u00e1s da \u00e1rea circundante demoraria demasiado tempo, pelo que \u00e9 prov\u00e1vel que tenham de se fundir com outros buracos negros massivos. J\u00e1 foram observadas colis\u00f5es de gal\u00e1xias em todo o nosso Universo. \u00c9, portanto, muito prov\u00e1vel que os buracos negros supermassivos no centro destas gal\u00e1xias em colis\u00e3o tamb\u00e9m se fundam, primeiro orbitando-se cada vez mais perto e, por fim, fundindo-se num s\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Um revelador feixe de part\u00edculas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, os modelos te\u00f3ricos ainda n\u00e3o conseguem descrever com precis\u00e3o esta fase final. Para complicar ainda mais as coisas, ainda n\u00e3o foi detetado de forma fi\u00e1vel nenhum par \u00edntimo de buracos negros massivos, apesar de as colis\u00f5es entre gal\u00e1xias serem comuns em escalas c\u00f3smicas de tempo. Uma equipa internacional liderada por Silke Britzen, do Instituto Max Planck de Radioastronomia em Bona, Alemanha, encontrou evid\u00eancias diretas da exist\u00eancia de um par deste tipo no centro de Markarian 501. O seu trabalho foi aceite para publica\u00e7\u00e3o na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e aparecer\u00e1 numa pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O buraco negro no centro de Markarian 501 ejeta para o espa\u00e7o um poderoso jato de part\u00edculas que viajam quase \u00e0 velocidade da luz. Para o estudo, a equipa analisou observa\u00e7\u00f5es de alta resolu\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. Estas abrangem v\u00e1rias frequ\u00eancias de r\u00e1dio e foram recolhidas ao longo de d\u00fazias de dias, num per\u00edodo de aproximadamente 23 anos. Estes dados de longo prazo revelam n\u00e3o s\u00f3 um \u00fanico jato, mas tamb\u00e9m um segundo. Trata-se da primeira imagem direta de um sistema deste tipo no centro de uma gal\u00e1xia e uma indica\u00e7\u00e3o clara da exist\u00eancia de um segundo buraco negro supermassivo. &#8220;Procur\u00e1mos durante tanto tempo e foi uma surpresa total n\u00e3o s\u00f3 poder ver um segundo jato, mas tamb\u00e9m acompanhar o seu movimento&#8221;, relata Silke Britzen.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Dan\u00e7a \u00edntima de buracos negros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro jato aponta para a Terra, raz\u00e3o pela qual nos parece particularmente brilhante e \u00e9 conhecido h\u00e1 muito tempo. O segundo jato est\u00e1 orientado de forma diferente e foi, por isso, mais dif\u00edcil de detetar. Ao longo de um per\u00edodo de apenas algumas semanas, os astr\u00f3nomos observaram mudan\u00e7as significativas: o segundo jato come\u00e7a atr\u00e1s do buraco negro maior e move-se, \u00e0 sua volta, no sentido contr\u00e1rio ao dos ponteiros do rel\u00f3gio. Este processo repete-se. &#8220;Avaliar os dados foi como estar num navio. Todo o sistema de jatos est\u00e1 em movimento. Um sistema de dois buracos negros pode explicar isto: o plano orbital oscila&#8221;, explica Silke Britzen. Num dia de observa\u00e7\u00e3o em junho de 2022, a radia\u00e7\u00e3o emitida pelo sistema chegou at\u00e9 n\u00f3s por um percurso t\u00e3o sinuoso que parecia ter a forma de um anel &#8211; o chamado anel de Einstein. Uma explica\u00e7\u00e3o consistente com a interpreta\u00e7\u00e3o de um sistema bin\u00e1rio de buracos negros seria que o sistema estava perfeitamente alinhado com a Terra. A lente gravitacional do buraco negro conhecido em frente moldou ent\u00e3o a luz do segundo jato por detr\u00e1s.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/2f\/19\/9bytZLuW_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/2f\/19\/9bytZLuW_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A representa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica mostra a regi\u00e3o central da gal\u00e1xia Markarian 501 a uma frequ\u00eancia de 43 gigahertz em tr\u00eas dias diferentes. Os contornos indicam a intensidade da emiss\u00e3o, enquanto os c\u00edrculos cinzentos assinalam regi\u00f5es brilhantes dentro do jato, identificadas atrav\u00e9s de c\u00e1lculos de modelos. \u00c9 poss\u00edvel acompanhar o movimento dos jatos observando a evolu\u00e7\u00e3o destas regi\u00f5es. O jato anteriormente conhecido (Jato 1, linha laranja) que aponta para a Terra \u00e9 claramente vis\u00edvel. O segundo jato rec\u00e9m-descoberto (Jato 2, azul) alterou o seu aspeto no espa\u00e7o de algumas semanas. Ambos os fluxos de part\u00edculas t\u00eam origem pr\u00f3ximos um do outro, no n\u00facleo da gal\u00e1xia. A posi\u00e7\u00e3o do buraco negro (BH) associado ao Jato 1 est\u00e1 marcada com uma seta.<br>Cr\u00e9dito: S. Britzen<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao analisar a evolu\u00e7\u00e3o ao longo do tempo e os padr\u00f5es recorrentes no brilho dos jatos, os investigadores conseguiram deduzir que os dois buracos negros se orbitam um ao outro com um per\u00edodo de aproximadamente 121 dias. Est\u00e3o separados por uma dist\u00e2ncia cerca de 250 a 540 vezes superior \u00e0 dist\u00e2ncia entre a Terra e o Sol &#8211; uma dist\u00e2ncia min\u00fascula para objetos t\u00e3o extremos, com massas entre 100 milh\u00f5es e mil milh\u00f5es de vezes a do Sol. Dependendo das suas massas reais, a dist\u00e2ncia entre eles poderia diminuir t\u00e3o rapidamente que poderiam fundir-se em apenas 100 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Contagem decrescente para o final<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Devido \u00e0 grande dist\u00e2ncia entre a gal\u00e1xia Markarian 501 e a Terra, nem mesmo os m\u00e9todos de observa\u00e7\u00e3o mais avan\u00e7ados conseguem captar os dois buracos negros como objetos separados. Nem mesmo o EHT (Event Horizon Telescope), que nos forneceu as primeiras imagens de buracos negros em 2019 e 2022, \u00e9 suficientemente potente. A \u00f3rbita cada vez mais pequena do par em Markarian 501 n\u00e3o ser\u00e1, portanto, diretamente observ\u00e1vel. No entanto, os cientistas esperam encontrar evid\u00eancias claras da separa\u00e7\u00e3o cada vez menor entre os dois buracos negros: o sistema dever\u00e1 emitir ondas gravitacionais em frequ\u00eancias muito baixas, que poder\u00e3o ser detetadas utilizando redes de temporiza\u00e7\u00e3o de pulsares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os sistemas bin\u00e1rios de buracos negros supermassivos j\u00e1 constituem a explica\u00e7\u00e3o mais prov\u00e1vel para o fundo de ondas gravitacionais observado, cujas evid\u00eancias foram encontradas em 2023 pela EPTA (European Pulsar Timing Array) e por outras institui\u00e7\u00f5es. Markarian 501 \u00e9 agora uma das principais candidatas para atribuir a emiss\u00e3o de ondas gravitacionais, medida com as redes de temporiza\u00e7\u00e3o de pulsares, a um sistema bin\u00e1rio espec\u00edfico de buracos negros supermassivos. &#8220;Se forem detetadas ondas gravitacionais, poderemos at\u00e9 ver a sua frequ\u00eancia aumentar de forma constante \u00e0 medida que os dois gigantes espiralam para a colis\u00e3o, oferecendo uma oportunidade rara de assistir ao desenrolar de uma fus\u00e3o de buracos negros supermassivos&#8221;, salienta o coautor H\u00e9ctor Olivares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.mpg.de\/26343356\/first-close-pair-of-supermassive-black-holes-detected\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Sociedade Max Planck (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/advance-article\/doi\/10.1093\/mnras\/stag291\/8551337?login=false\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Markarian 501:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Markarian_501\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lentes gravitacionais:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_lensing\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Einstein_ring\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Anel de Einstein (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rede de temporiza\u00e7\u00e3o de pulsares:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pulsar_timing_array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>EPTA (European Pulsar Timing Array):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.epta.eu.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/European_Pulsar_Timing_Array\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos observaram dois jatos de part\u00edculas no n\u00facleo de uma gal\u00e1xia. 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