{"id":8863,"date":"2026-04-07T06:22:03","date_gmt":"2026-04-07T05:22:03","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8863"},"modified":"2026-04-07T06:22:04","modified_gmt":"2026-04-07T05:22:04","slug":"descoberta-a-estrela-mais-pristina-do-universo-conhecido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/04\/07\/descoberta-a-estrela-mais-pristina-do-universo-conhecido\/","title":{"rendered":"Descoberta a estrela mais pristina do Universo conhecido"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/92MVmph1_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/92MVmph1_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8864\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/92MVmph1_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/92MVmph1_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/92MVmph1_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/92MVmph1_o.jpg 1380w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o (n\u00e3o \u00e0 escala) da gigante vermelha SDSS J0915-7334, que nasceu perto da Grande Nuvem de Magalh\u00e3es e que agora viajou para residir na via L\u00e1ctea.<br>Cr\u00e9dito: Navid Marvi\/Instituto Carnegie<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Uma equipa invulgar de astr\u00f3nomos utilizou dados do SDSS-V (Sloan Digital Sky Survey-V) e observa\u00e7\u00f5es realizadas com os telesc\u00f3pios Magellan, no Observat\u00f3rio Las Campanas do Instituto Carnegie, no Chile, para descobrir a estrela mais pristina do Universo conhecido, denominada SDSS J0715-7334. O seu trabalho foi publicado na revista Nature Astronomy.<\/p>\n\n\n\n<p>Liderada por Alexander Ji, da Universidade de Chicago &#8211; antigo bolseiro de p\u00f3s-doutoramento dos Observat\u00f3rios Carnegie &#8211; e incluindo a astrof\u00edsica de Carnegie, Juna Kollmeier &#8211; que lidera o SDSS, agora na sua quinta gera\u00e7\u00e3o -, a equipa de investiga\u00e7\u00e3o identificou uma estrela pertencente \u00e0 segunda gera\u00e7\u00e3o de objetos celestes no cosmos, que se formou apenas alguns milhares de milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o in\u00edcio do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estas estrelas pristinas s\u00e3o janelas para o alvorecer das estrelas e gal\u00e1xias no Universo&#8221;, explicou Ji. V\u00e1rios dos seus coautores e de Kollmeier, no artigo cient\u00edfico, s\u00e3o estudantes da Universidade de Chicago, que Ji levou a Las Campanas numa viagem de observa\u00e7\u00e3o durante as f\u00e9rias da primavera do ano passado. &#8220;Foi na minha primeira visita ao LCO que me apaixonei verdadeiramente pela astronomia, e foi especial partilhar uma experi\u00eancia t\u00e3o formativa com os meus alunos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O Big Bang deu origem ao Universo como uma sopa quente e opaca de part\u00edculas energ\u00e9ticas. Com o tempo, \u00e0 medida que este material se expandia, come\u00e7ou a arrefecer e a coalescer em g\u00e1s hidrog\u00e9nio neutro. Algumas zonas eram mais densas do que outras e, ap\u00f3s algumas centenas de milh\u00f5es de anos, a sua gravidade superou a trajet\u00f3ria de expans\u00e3o do Universo e o material colapsou para dentro. Isto deu origem \u00e0 primeira gera\u00e7\u00e3o de estrelas, que se formaram apenas a partir de hidrog\u00e9nio e h\u00e9lio pristinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas estrelas arderam intensamente e morreram jovens, mas n\u00e3o sem antes produzirem novos elementos nos seus n\u00facleos, que foram espalhados pelo cosmos pelas suas explos\u00f5es no fim da vida. E a partir desses detritos, nasceram novas estrelas, que agora continham uma variedade mais ampla de elementos do que as suas antecessoras.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Todos os elementos mais pesados do Universo, a que os astr\u00f3nomos chamam metais, foram produzidos por processos estelares &#8211; desde rea\u00e7\u00f5es de fus\u00e3o que ocorrem no interior das estrelas at\u00e9 explos\u00f5es de supernova e colis\u00f5es entre estrelas muito densas&#8221;, afirmou Ji. &#8220;Assim, encontrar uma estrela com muito pouco teor de metais indicou a este grupo de estudantes que tinham encontrado algo muito especial&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Astr\u00f3nomos como Ji e Kollmeier est\u00e3o interessados em encontrar estrelas antigas de segunda e terceira gera\u00e7\u00f5es ap\u00f3s o Universo ter desenvolvido a sua estrutura pela primeira vez. Isto revelaria como a forma\u00e7\u00e3o estelar mudou ao longo dos mil\u00e9nios que se seguiram.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Temos de olhar para o nosso quintal c\u00f3smico para encontrar estes objetos, porque ainda n\u00e3o conseguimos observar estrelas individuais no in\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o estelar. Uma vez que estas estrelas s\u00e3o raras, levantamentos como o SDSS-V s\u00e3o concebidos para ter o poder estat\u00edstico de encontrar estas &#8216;agulhas no palheiro&#8217; estelar e testar as nossas teorias sobre a forma\u00e7\u00e3o e explos\u00e3o de estrelas&#8221;, explicou Kollmeier.<\/p>\n\n\n\n<p>O SDSS tem sido um dos projetos de levantamento mais bem-sucedidos e influentes da hist\u00f3ria da astronomia, e a sua quinta gera\u00e7\u00e3o, liderada por Kollmeier, recolhe milh\u00f5es de espetros \u00f3ticos e infravermelhos em todo o c\u00e9u. Este esfor\u00e7o pioneiro utiliza tanto o telesc\u00f3pio du Pont em Las Campanas, no hemisf\u00e9rio sul, como o Observat\u00f3rio Apache Point, no estado norte-americano do Novo M\u00e9xico, no hemisf\u00e9rio norte.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/7e\/c5\/qMk9PawX_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/7e\/c5\/qMk9PawX_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O telesc\u00f3pio du Pont no Observat\u00f3rio Las Campanas, mapeia os c\u00e9us do hemisf\u00e9rio sul como parte do SDSS-V.<br>Cr\u00e9dito: Charlie Hull\/Instituto Carnegie<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A riqueza dos dados do SDSS-V permitiu a Ji e aos seus alunos identificar estrelas com muito poucos elementos pesados. Depois, em Las Campanas, utilizaram os telesc\u00f3pios Magellan de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o para obter espetros de alta resolu\u00e7\u00e3o destas candidatas. Surpreendentemente, a magia aconteceu nas primeiras horas da manh\u00e3, na sua primeira sess\u00e3o de observa\u00e7\u00e3o com o Magellan, e SDSS J0715-7334 foi confirmada como o novo padr\u00e3o de excel\u00eancia em termos de pureza estelar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O ecossistema de telesc\u00f3pios em Las Campanas foi fundamental para quase todos os aspetos deste trabalho inovador, desde os dados du Pont recolhidos como parte dos esfor\u00e7os de mapeamento da Via L\u00e1ctea do SDSS-V at\u00e9 \u00e0s observa\u00e7\u00f5es do Magellan que mostraram exatamente o qu\u00e3o especial SDSS J0715-7334 realmente \u00e9&#8221;, afirmou Michael Blanton, Diretor dos Observat\u00f3rios Cient\u00edficos Carnegie.<\/p>\n\n\n\n<p>Las Campanas alberga quatro telesc\u00f3pios Carnegie, e este projeto fez uso espetacular de dois deles, demonstrando como as inova\u00e7\u00f5es na instrumenta\u00e7\u00e3o podem impulsionar descobertas ao longo de toda a vida \u00fatil de um telesc\u00f3pio.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta interliga\u00e7\u00e3o \u00e9 bem ilustrada pelo itiner\u00e1rio de Ji e dos alunos em Las Campanas. Na noite da sua chegada, visitaram o telesc\u00f3pio du Pont para ver os observadores do SDSS-V a trabalhar arduamente na recolha de novos dados que ser\u00e3o adicionados ao enorme volume de recursos do projeto para astr\u00f3nomos amadores e profissionais. Na noite seguinte, fizeram as suas pr\u00f3prias observa\u00e7\u00f5es no telesc\u00f3pio Magellan Clay.<\/p>\n\n\n\n<p>Felizmente, ap\u00f3s a descoberta, Ji conseguiu reorganizar o resto do semestre para que os alunos pudessem dedicar o seu tempo a aprofundar a sua descoberta &#8211; um exemplo pr\u00e1tico para os seus alunos de como a capacidade de se adaptar \u00e9 fundamental para alcan\u00e7ar avan\u00e7os cient\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando era estudante universit\u00e1rio, preferia muito mais fazer investiga\u00e7\u00e3o do que assistir a aulas. Estou encantado pela disciplina do Alex se ter transformado num curr\u00edculo de descoberta e gostaria de garantir que levantamentos como o SDSS-V e o Gaia tenham o poder de tornar isso a norma e n\u00e3o a exce\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Kollmeier.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma an\u00e1lise mais aprofundada dos espetros do Magellan revelou que possui menos de 0,005% do teor de metais do Sol. \u00c9 duas vezes mais pobre em metais do que a anterior detentora do recorde de estrela mais pristina e apresenta abund\u00e2ncias particularmente baixas de ferro e carbono. Na verdade, \u00e9 40 vezes mais pobre em metais do que a estrela mais pobre em ferro conhecida.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao incorporar dados da miss\u00e3o Gaia da ESA, os estudantes tamb\u00e9m conseguiram determinar que SDSS J0715-7334 &#8211; situada a cerca de 80.000 anos-luz da Terra &#8211; nasceu noutro local e foi atra\u00edda para a nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Formar a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de astr\u00f3nomos \u00e9 fundamental para o futuro da nossa \u00e1rea. E despertar o entusiasmo pela pr\u00e1tica da ci\u00eancia atrav\u00e9s da realiza\u00e7\u00e3o de projetos como este \u00e9 uma excelente forma de garantir que jovens estudantes curiosos se possam identificar com a astrof\u00edsica&#8221;, concluiu Ji. &#8220;O meu tempo como p\u00f3s-doc em Carnegie foi crucial para o meu crescimento profissional e estou entusiasmado por ter podido retribuir essa experi\u00eancia, levando os meus alunos a Las Campanas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/carnegiescience.edu\/found-most-pristine-star-universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Instituto Carnegie (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/news.uchicago.edu\/story\/scientists-discover-most-chemically-pristine-star-yet-found-universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Chicago (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-026-02816-7\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2509.21643\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Popula\u00e7\u00e3o estelar:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_population\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_population#Population_II_stars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estrelas de Popula\u00e7\u00e3o II (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>SDSS (Sloan Digital Sky Survey):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.sdss.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sloan_Digital_Sky_Survey\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pios Magellan:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.lco.cl\/telescopes-information\/magellan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Observat\u00f3rio Las Campanas<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magellan_Telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos estudaram o exoplaneta TOI-5205 b, um gigante gasoso do tamanho de J\u00fapiter que orbita uma estrela an\u00e3 vermelha muito pequena, algo considerado improv\u00e1vel. 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