{"id":8848,"date":"2026-03-31T06:18:19","date_gmt":"2026-03-31T05:18:19","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8848"},"modified":"2026-03-31T06:18:20","modified_gmt":"2026-03-31T05:18:20","slug":"detetada-a-primeira-inversao-de-rotacao-de-um-pequeno-cometa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2026\/03\/31\/detetada-a-primeira-inversao-de-rotacao-de-um-pequeno-cometa\/","title":{"rendered":"Detetada a primeira invers\u00e3o de rota\u00e7\u00e3o de um pequeno cometa"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/t8rdrgHL_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/t8rdrgHL_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8849\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/t8rdrgHL_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/t8rdrgHL_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/t8rdrgHL_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/t8rdrgHL_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o do cometa 41P, um pequeno cometa da fam\u00edlia de J\u00fapiter, \u00e0 medida que se aproxima do Sol e os gases come\u00e7am a sublimar e a expelir material para o espa\u00e7o.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, CSA, Ralf Crawford (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recorrendo ao Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA, os astr\u00f3nomos encontraram evid\u00eancias de que a rota\u00e7\u00e3o de um pequeno cometa abrandou e, posteriormente, inverteu o seu sentido de rota\u00e7\u00e3o, representando um exemplo dram\u00e1tico de como a atividade vol\u00e1til pode afetar a rota\u00e7\u00e3o e a evolu\u00e7\u00e3o f\u00edsica de pequenos corpos no Sistema Solar. Esta \u00e9 a primeira vez que os investigadores observam ind\u00edcios de um cometa a inverter a sua rota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objeto, o cometa 41P\/Tuttle-Giacobini-Kres\u00e1k, ou 41P para abreviar, provavelmente teve origem na Cintura de Kuiper e foi lan\u00e7ado para a sua trajet\u00f3ria atual pela gravidade de J\u00fapiter, visitando agora o Sistema Solar interior a cada 5,4 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s a sua passagem pr\u00f3xima do Sol em 2017, os cientistas descobriram que o cometa 41P sofreu um abrandamento dram\u00e1tico na sua rota\u00e7\u00e3o. Dados do Observat\u00f3rio Neil Gehrels Swift da NASA, em maio de 2017, mostraram que o objeto girava tr\u00eas vezes mais lentamente do que em mar\u00e7o de 2017, quando foi observado pelo LDT (Lowell Discovery Telescope) no Observat\u00f3rio Lowell, no estado norte-americano do Arizona.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma nova an\u00e1lise das observa\u00e7\u00f5es de acompanhamento do Hubble revelou que a rota\u00e7\u00e3o deste cometa sofreu uma reviravolta ainda mais invulgar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagens do Hubble de dezembro de 2017 revelaram que o cometa voltou a girar muito mais rapidamente, com um per\u00edodo de aproximadamente 14 horas, em compara\u00e7\u00e3o com as 46 a 60 horas medidas pelo Swift. A explica\u00e7\u00e3o mais simples, segundo os investigadores, \u00e9 que o cometa continuou a abrandar at\u00e9 quase parar e foi ent\u00e3o for\u00e7ado a girar na dire\u00e7\u00e3o quase oposta devido aos jatos gasosos que se libertam da sua superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo cient\u00edfico que detalha esta descoberta foi publicado na semana passada na revista The Astronomical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>N\u00facleo pequeno e temperamental<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Hubble tamb\u00e9m determinou o tamanho do n\u00facleo do cometa, medindo-o em cerca de um quil\u00f3metro, ou aproximadamente tr\u00eas vezes a altura da Torre Eiffel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este tamanho \u00e9 especialmente pequeno para um cometa, o que facilita a sua rota\u00e7\u00e3o ou tor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que um cometa se aproxima do Sol, o calor faz com que o gelo se sublime, libertando material para o espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os jatos de g\u00e1s que emanam da superf\u00edcie podem agir como pequenos propulsores&#8221;, afirmou o autor do artigo, David Jewitt, da Universidade da Calif\u00f3rnia em Los Angeles. &#8220;Se esses jatos estiverem distribu\u00eddos de forma desigual, podem alterar drasticamente a forma como um cometa, especialmente um cometa pequeno, gira&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cometa girava originalmente numa dire\u00e7\u00e3o, mas os jatos que empurravam contra esse movimento foram-no abrandando gradualmente. Como os jatos continuaram a empurrar, acabaram por fazer com que o cometa come\u00e7asse a girar na dire\u00e7\u00e3o oposta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 como empurrar um carrossel de jardim&#8221;, afirmou Jewitt. &#8220;Se estiver a girar numa dire\u00e7\u00e3o e depois empurrarmos na dire\u00e7\u00e3o oposta, podemos abrand\u00e1-lo e invert\u00ea-lo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Evid\u00eancias de uma r\u00e1pida evolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo tamb\u00e9m mostra que a atividade geral do cometa diminuiu significativamente desde as suas passagens anteriores. Durante a sua passagem pelo peri\u00e9lio em 2001, o 41P estava invulgarmente ativo para o seu tamanho. Em 2017, a sua produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s tinha diminu\u00eddo em cerca de uma ordem de magnitude.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta mudan\u00e7a sugere que a superf\u00edcie do cometa pode estar a evoluir rapidamente, possivelmente \u00e0 medida que os materiais vol\u00e1teis pr\u00f3ximos da superf\u00edcie se esgotam ou s\u00e3o cobertos por camadas isolantes de poeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maioria das altera\u00e7\u00f5es na estrutura dos cometas ocorre ao longo de s\u00e9culos ou per\u00edodos ainda mais longos. As r\u00e1pidas mudan\u00e7as rotacionais observadas no cometa 41P oferecem uma oportunidade rara de testemunhar processos evolutivos a desenrolarem-se numa escala humana de tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Modelos baseados nos torques medidos e nas taxas de perda de massa sugerem que as mudan\u00e7as rotacionais cont\u00ednuas poder\u00e3o, eventualmente, levar \u00e0 instabilidade estrutural do cometa 41P. Se um cometa girar demasiado depressa, as for\u00e7as centr\u00edfugas podem superar a sua fraca gravidade e resist\u00eancia, causando potencialmente a fragmenta\u00e7\u00e3o ou mesmo a desintegra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Espero que este n\u00facleo se autodestrua muito rapidamente&#8221;, afirmou Jewitt.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, o cometa 41P provavelmente ocupa a sua \u00f3rbita atual h\u00e1 cerca de 1500 anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video aligncenter\"><video controls src=\"https:\/\/assets.science.nasa.gov\/content\/dam\/science\/missions\/hubble\/releases\/2026\/03\/STScI-01KMGPETGXSQZ1G83XKWZS45S0.mp4\"><\/video><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica mostra o cometa 41P \u00e0 medida que se aproxima do Sol e os gases come\u00e7am a sublimar da superf\u00edcie do cometa. A anima\u00e7\u00e3o mostra apenas um jato, mas este cometa pode ter v\u00e1rios fluxos de material a serem ejetados para o espa\u00e7o. Este jato exerce uma for\u00e7a contr\u00e1ria ao movimento de rota\u00e7\u00e3o do cometa, empurrando-o na dire\u00e7\u00e3o oposta. Tamb\u00e9m se observam pequenos fragmentos do cometa a serem lan\u00e7ados para o espa\u00e7o.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, CSA, Ralf Crawford (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Descoberto no arquivo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Hubble tem vindo a recolher imagens e dados espetrosc\u00f3picos de todo o cosmos h\u00e1 mais de 35 anos, e todas essas observa\u00e7\u00f5es est\u00e3o dispon\u00edveis no Arquivo Mikulski Archive para Telesc\u00f3pios Espaciais, um reposit\u00f3rio central de dados de mais de uma d\u00fazia de miss\u00f5es astron\u00f3micas, incluindo o Hubble.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jewitt encontrou estas observa\u00e7\u00f5es enquanto navegava pelo arquivo e percebeu que ainda n\u00e3o tinham sido analisadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao tornar os dados cient\u00edficos acess\u00edveis a todos, observa\u00e7\u00f5es feitas h\u00e1 anos, ou mesmo d\u00e9cadas, podem ser revisitadas para responder a novas quest\u00f5es cient\u00edficas. Em muitos casos, os cientistas continuam a fazer descobertas n\u00e3o apenas com novas observa\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m explorando o arquivo constru\u00eddo ao longo de d\u00e9cadas de explora\u00e7\u00e3o espacial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/hubble\/nasas-hubble-detects-first-ever-spin-reversal-of-tiny-comet\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/ae4355\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astronomical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cometa 41P\/Tuttle-Giacobini-Kres\u00e1k:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/41P\/Tuttle%E2%80%93Giacobini%E2%80%93Kres%C3%A1k\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cometas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Comet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/hubble\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/hst.esac.esa.int\/ehst\/#\/pages\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de Ci\u00eancias do eHST<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Telesc\u00f3pio Espacial Hubble observou, pela primeira vez, um pequeno cometa a inverter o sentido de rota\u00e7\u00e3o. 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Este comportamento extremo pode tornar o cometa inst\u00e1vel e levar \u00e0 sua destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8849,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16,1],"tags":[139,2078,150],"class_list":["post-8848","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-cometa","tag-cometa-41p-tuttle-giacobini-kresak","tag-hubble"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8848","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8848"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8848\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8850,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8848\/revisions\/8850"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8849"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}